quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Uma esmola de Natal

Após a Dani receber o e-mail a seguir:

Assunto: CAMPANHA DE NATAL 2010

 
Siga a lógica! 

Já que mais de 55% do povo votou na Dilma, significa que essa porcentagem está feliz com a atual situação econômica do país. É provado que essa porcentagem é formada, em sua grande maioria por pessoas pobres. Certo? Ou seja, os pobres estão, teoricamente, felizes porque a situação financeira deles melhorou!!!

Então... se os pobres estão felizes... CHEGA DE CAIXINHA DE NATAL PRO CARTEIRO, VARREDOR DE RUA, FUNCIONÁRIO DA SABESP E DA ELETROPAULO E ETC!!! CHEGA DE DAR PANETONE PRO PORTEIRO!!! CHEGA DE DAR ESMOLAS NAS RUAS!!! NÃO PRECISAMOS MAIS AJUDAR ESSE POVO TODO!!!!

 
OBRIGADO DILMA!!! VAMOS ECONOMIZAR UMA GRANA NESTE NATAL!!!

 eu respondi pra ela o que diria àquele ser:

Senhor, o que você está propondo é a separação do mundo entre os ricos e os pobres. Isso é evidente quando você diz que "55% do povo votou na Dilma" e que "é provado que essa porcentagem é formada, em sua grande maioria por pessoas pobres". Talvez você responda que não é separação, é que os ricos precisam dos pobres e os pobres dos ricos, tem que haver um equilíbrio que tem que ser mantido, ao que eu responderia: você diz isso porque tem quem lave seu banheiro e precisa manter essa relação de "superioridade" em relação a alguém que não teve oportunidade, nos governos anteriores, de ter acesso à educação, fazer faculdade e ter uma outra profissão. Pessoas como você não querem que os pobres tenham acesso ao estudo, porque deixarão de ser os que varrem a rua, recolhem o lixo, lavam o banheiro, vigiam a portaria do seu condomínio. Você tem razão em dizer que não precisará mais ajudar "esse povo todo", porque o governo tem criado mecanismos para tirar tanta gente da miséria - há ainda cerca de 20 milhões de miseráveis no país, mas mais de 20 milhões já deixaram essa condição e passaram a fazer parte da classe consumidora. As classes C e D tem mais poder de compra que a classe B. Isso quer dizer o seguinte: tem mais pobres  da classe média ascendente comprando do que os da classe média decadente (que se acham a elite fina do país...) pode comprar.
Veja essa notícia, que deve chocar os elitistas (que representam uma elite decadente, como já disse...):

Pela primeira vez neste ano, a massa de renda das famílias da classe D vai ultrapassar a da classe B, apontam cálculos do instituto de pesquisas Data Popular. Em 2010, as famílias com ganho mensal entre R$ 511 e R$ 1.530 têm para gastar com produtos e serviços R$ 381,2 bilhões ou 28% da massa total de rendimentos de R$ 1,380 trilhão. Enquanto isso, a classe B vai ter R$ 329,5 bilhões (24%). A classe B tem renda entre R$ 5.101 e R$ 10.200. O maior potencial de compras, no entanto, continua no bolso da classe C: R$ 427,6 bilhões. "Mas é a primeira vez que a classe D passa a ser o segundo maior estrato social em termos de consumo", afirma o sócio diretor do Data Popular e responsável pelos cálculos, Renato Meirelles. Ele considerou nos cálculos a expectativa de 7% para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.
De oito categorias de produtos avaliados pelo instituto de pesquisas, em quatro delas o potencial de consumo da classe D supera o da B para este ano. São elas: alimentação dentro do lar (R$ 68,2 bilhões), vestuário e acessórios (R$ 12,7 bilhões), móveis, eletrodomésticos e eletrônicos para o lar (R$ 16,3 bilhões) e remédios (R$ 9,9 bilhões).
Em artigos de higiene, cuidados pessoais e limpeza do lar, os potenciais de consumo das classes D e B são idênticos (R$ 11 bilhões). Os gastos da classe B são maiores que os da D em itens diferenciados: a alimentação fora do lar, lazer, cultura e viagens e despesas com veículo próprio. A dança das cadeiras das classes sociais no ranking do potencial de consumo reflete, segundo Meirelles, as condições favoráveis da macroeconomia para as camadas de menor renda. Isto é, o aumento do salário mínimo, os benefícios sociais, como o Bolsa Família, e a geração de empregos formais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.)

Note que essa notícia saiu em um jornal que eu não aprecio e que o senhor deve adorar, o Estadão, que de ÃO só tem o nome mesmo...
Veja, você está reproduzindo uma ideia de que a elite deve dominar os outros, porque são supostamente o que há de melhor numa sociedade. A própria definição de eleite é de uma minoria prestigiada (quando o mais adequado seria dizer privilegiada), da qual você deve fazer parte e sente-se incomodado com a inversão do poder de consumo. Deixar de ser elite, de ser privilegiado deve ser realmente algo que causa tamanho incômodo... Você defende a manutenção da Casa grande versus a Senzala. A filosofia política, lá pra séculos e séculos atrás, já discutia a questão: Aristocracia: governo de poucos. Democracia: governo do povo.
Ao reproduzir um e-mail elitista, você defende que essa tal "elite" dos melhores governem e pensem apenas em manter seu status de melhor, como se essas pessoas tivessem nascido melhores e por isso devam continuar naquele lugar que lhes é seu por "direito". Percebe?
Lembremos da importância do ProUni, que está formando mais de 700 mil pessoas que, sem essa bolsa de estudos, talvez a maioria jamais poderia se formar e fazer parte da classe de intelectuais do país. Basta pensarmos o seguinte: o FHC, doutor pela França, nunca fez um projeto deste tipo, mas o "jeca" do metalúrgico do Lula conseguiu o feito de colocar o povo pra fazer faculdade, eliminando esse tal elitismo que o e-mail que você repassou defende.

É um horror! Só faltou ele dizer "isso é uma vergonha", como fez Boris Casoy, que disse que os garis, do alto de suas vassouras, desejaram feliz natal ano passado...

2 comentários:

  1. Ótima argumentação...o combate a esta elite nojenta, continua....vamos em frente.

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  2. Amore, ótima resposta.

    Colocarei aqui a respota q dei p Frô!
    Qualquer presidente eleito( PT, PSDB, PSOL, DEM entre outros partidos políticos) também teria sido eleito pelos pobres, pois os mesmos fazem parte da sociedade, não? Ou será que o e-mail visa propor também uma forma de segregação do sufrágio universal? Onde votos de ricos teriam mais valor. Hum?

    O e-mail comprova o tom segregador do discurso da elite, o qual é intolerante com a inclusão social/digital/cultural/econômica/educacional da maioria da população, afinal com tanto acesso quem os servirá? Como também mais vez revela a vontade dessa mesma elite em dividir o Brasil entre ricos e pobres, reafirmando o pensamento aristocrata de que eles nasceram em berço de ouro, de que eles sim tem educação e direito a ela, de que são melhores, mais preparados que os outros, que os lugares bons são seus por direito e todo privilegio do mundo os pertence. Entendo como deve ser difícil para esse tipo de gente dividir alguns privilégios com uma camada da população que sempre foi marginalizada…Mas para isso há terapeutas e ótimos antidepressivos. Portanto, sugiro que essa elite busque ajuda profissional ou simplesmente se estrebuche em seu ódio e intolerância.

    Outra coisa: eu gosto das políticas sociais do Lula, afinal são elas que estão tirando brasileiros da miséria, oferecendo-os poder de consumo e irritando a classe média/alta. Claro, que há coisas do governo Lula que não concordo. Mas, até hoje é o presidente que mais vai de encontro as minhas ideologias. Visto que cansei das elites deste país que nunca foram tão evidentes em seu preconceito social e no seu posicionamento político em beneficio próprio. Por isso, me indignei tanto com o e-mail e decidi compartilhar com a Frô e com alguns amigos.

    Também gosto da política interna do Lula. Da valorização do Brasil e do resgate ao nosso amor próprio e da redescoberta da nossa identidade. Admiro também o respeito que o Lula conseguiu no exterior. Converso com muitas pessoas no livemocha (site, o qual aprendo idiomas) e pessoas de vários países elogiam o presidente. Diferentemente, do que acontece no Brasil, onde a classe média e alta, principalmente de SP, não toleram a imagem do presidente, mais uma vez evidenciando seu preconceito cultural, socia , racial e até linguístico. Isso é evidente.
    É uma pena julgar pessoas por estes fatores, não? Esse é o espirito natalino das nossas elite. E o amor de Cristo nos uniu…

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