quinta-feira, 21 de abril de 2011

Jabor perde a noção e fala abobrinha

Sobre esse vídeo aqui http://www.youtube.com/watch?v=-bvfRp_Ejp8& do Jabor, escrevo uma resposta (vocês me dirão se está à altura ou não):

O Jabor fala da demonização "da palavra privatização" pelo governo Lula. O que ele não faz, no entanto, é explicar que demônio é esse. Bem, quando se critica o privatismo do governo FHC, não se fala exclusivamente do fato de o governo deixar de controlar alguma empresa. A maior crítica deve estar no custo que isso teve para o país. Como assim? Veja o que Peterson Silva, ex-estagiário da Telesp (hoje Telefônica) diz no Conversa Afiada: Naquela época,

"As centrais telefônicas eram enormes trambolhos eletromecânicos, lembro-me da barulhada que era aquele monstro que pesava uma tonelada e comportava 50 linhas ruidosas. Era um silêncio, uma maravilha. A Telefonica recebeu uma fila de clientes e um monte de equipamento novinho. Foi uma loucura. Quem não se lembra dos instaladores nas ruas, PHA? Eram milhares. Quem andava em SP só via instalador de telefone, mas é claro , agora dava pra atender a demanda. Eu, sempre me perguntei: por que o governo não fez isso antes de vender ? Se tivessem feito não venderiam. A tecnologia havia avançado e, por vontade do governo, nós não.Hoje quando vejo comentários sobre a “maravilha” das privatizações de telecom no Brasil, creio que a pessoa não se atentou ao fato de que com isso possuimos a pior rede de telefone, uma das piores internets do mundo, o mais caro custo de ligação, cobrança de taxa sem uso, péssimo atendimento, celulares com redes obsoletas, ligações caras, entre outras coisas.". E continua: "Agora vem o pior: antes de entregar para os espanhóis o governo bancou a troca de todos os equipamentos, TODOS. Em telecomunicações, nós vendemos nossa alma, hoje somos escravos e ainda tem quem comemore e ache isso o máximo."
Aí já dá pra se ter uma ideia dos males trazidos pela privatização desnecessária: altos preços, péssima qualidade do serviço não prestado etc.

Em outro texto do Conversa Afiada, um ex-presidente da Telebrás atacou o que chamou de "privataria" do FHC: Jorge da Motta e Silva

"inicia seu desabafo dizendo que ficou 'cinco anos, cinco meses e cinco dias' em silêncio 'sobre as críticas infundadas que a mídia nacional publicou e ainda publica contra a Telebrás', mas que, agora, fora da estatal, decidiu dar esse 'grito sufocado por tanto tempo, para repor o verdadeiro papel que teve a empresa ao longo desses 38 anos de existência'. Para Motta, os grandes avanços obtidos nas comunicações brasileiras se deram durante o período de operação plena da Telebrás. E ataca duramente os idealizadores do modelo de privatização, implantado em 1997. 'Mas eis que surgem novamente, com as garras aguçadas, os cavaleiros do apocalipse. Os ‘gênios’ que criaram o atual modelo das telecomunicações, que um brilhante jornalista classifica de privataria. Não a privatização em si, mas o formato', provoca o ex-presidente."
Como se verifica, não se trata do governo Lula demonizar a privatização, mas o problema maior que se deve debater é o modelo das privatizações. Esse Jabor faz um videozinho de pouco mais de 1 minuto e meio e quer "causar" hahahahaha.

Podemos continuar falando sobre as privatizações, em mais um texto do Conversa Afiada, A herança maldita de FHC. O texto, de 2009, diz:

"A edição de Carta Capital que chega hoje às bancas traz como reportagem de capa “A tragédia da privatização”, que mostra como o modelo de desmonte do setor elétrico durante o governo FHC fez o Brasil ter uma das tarifas de energia  mais altas do mundo.O texto, de Luiz Antonio Cintra, destaca o trabalho quase anônimo de uma CPI que atua há três meses longe dos holofotes da mídia. O início dos trabalhos teve como base um estudo, produzido por economistas do BNDES, que aponta as disparidades do modelo energético brasileiro.“Somos líderes no ranking mundial, à frente de países com renda per capita muito superior à brasileira, como Japão e Alemanha. De 1995 a meados de 2008, data de publicação do estudo, a tarifa média teria subido nada menos que 398%. No mesmo período, os salários, corrigidos pelo IPCA, subiram bem menos, apenas 164%”, sustenta o texto da Carta Capital.Na mesma edição, outra reportagem também aborda a privatização no setor energético. Sob o título “Gás asfixiante”, o texto de Sérgio Lírio demonstra como grandes indústrias paulistas vêem ganhos exorbitantes da Comgás, querem mudar os critérios de reajustes das tarifas e ameaçam ir à Justiça.Os empresários acham um exagero uma concessionária monopolista de serviços públicos – privatizada pelo governador Mário Covas, em 1999 – ter uma rentabilidade sobre o patrimônio de 45% (não é bem um exagero, é uma obscenidade – opinião do Conversa Afiada).É uma briga entre a FIESP e empresários da Associação Brasileira da Indústria de Vidro – Abividro. Os industriais e a Abividro acreditam que a Comgás embolsou R$ 1 bilhãos que deveria na verdade ter ficado com os consumidores.No centro do problema está um parecer do economista Gesner Oliveira – fiel escudeiro de Zé Pedágio e hoje presidente da empresa de publicidade do governo, a Sabesp. E, a certa altura, como consultor, deu um parecer favorável a quem? Aos ingleses donos da Comgás, em prejuízo do consumidor brasileiro. Uma questão de estilo."

Ainda não acabou. O Conversa Afiada ainda nos traz este post, Privatização de FHC criou saqueadores, que cita matéria publicada no Estadão:

"Saiu no Estadão, pág B8:“Empresas brasileiras pagam dividendos recordes em 2009.” “ ‘Os caçadores de dividendos riram á toa em 2009’, resume Fabiano Guasti Lima, consultor da Instituto Assaf …”Há uma guerra entre as companhias “para ver ‘quem paga mais’ .” “… os setores da economia que mais distribuíram proventos em 2009 FORAM OS DE TELECOMUNICAÇÕES … E ENERGIA ELÉTRICA. A MAIORIA DESSAS EMPRESAS NÃO INVESTE … E REVERTE QUASE TODO O LUCRO EM BONIFICAÇÕES”.Ou seja, são uns saqueadores, é o que demonstra e reportagem do Estadão.NÃO INVESTEM E MANDAM O DINHEIRO PARA A MATRIZ ! É mais ou menos como faziam os bucaneiros espanhóis e portugueses que vinham às Américas.Levavam o ouro e deixavam a gonorreia, como diz o Gilberto Freyre.Esse é a grande obra do Farol de Alexandria, o FHC."

Bom, acho que já deu pra ter uma ideia do lance da privatização a que o Jabor se referiu.

Agora vou falar do "leninismo de galinheiro, que acha que o Estado tem que controlar tudo, como em Cuba, Coreia do Norte e outros paraísos", nas palavras do Jabor. Bem, todos aqui sabem que não vivemos em um país comunista, nem ditatorial. O Jabor fala do leninismo para se referir ao marxismo e, principalmente, ao fato de o governo Lula (e o Dilma agora) defender maior intervenção do Estado no gerenciamento do país. Bem, se ao falar da privatização eu já disse que a crítica maior deve se concentar nos modelos adotados, não na privatização em si, porque já temos experiências mais do que suficientes dos erros privatistas, dos altos custos para o povo, da péssima qualidade etc. Em relação ao controle do Estado, todos sabemos que o FHC era um neoliberal, para quem o mercado se autorregulava. Bem, sabemos, mais ainda, que a autorregulação do mercado provocou a crise financeira mundial mais importante desde a crise de 29, quando a Bolsa de NY quebrou. Em 2008, vivenciamos as "bolhas" da hipotecas norteamericanas: emprestava-se dinheiro que não existia e se pagava com dinheiro de mentira: muitos papeis sem valor, sem fundo. Um banco emprestava de outro para dar ao seu cliente. Quando o cliente começou a não pagar, todos da fila faliram. Simples assim. Esta semana tivemos essa informação no site do Conversa Afiada:

"Agência de risco americana Standard & Poor’s deu nota “negativa” para os Estados Unidos, uma vez que permanecem indefinidas as medidas para enfrentar os crescentes déficits e dívida do Governo. 'Mais de dois anos depois do começo desta crise, as autoridades americanas ainda precisam chegar a um acordo sobre como reverter a recente deterioração fiscal e enfrentar as pressões fiscais de longo prazo', disse um analista da agencia."
Ou seja, está decretado o fim do neoliberalismo, porque ele quebrou os EUA. E esse cara, o Jabor, ainda prega que o Estado intervencionista é coisa do "leninismo de galinheiro". Piada, né, gente!!! Rá!
Além disso, esse Jabor insinua que o governo não sabe que vivemos uma "sociedade democrática e que cabe ao Estado regular e organizar". Ele é no mínimo contraditório: primeiro critica a intervenção estatal, depois diz que o Estado deve regular a sociedade democrática. Fiquei meio confuso por um momento, mas já me recuperei quando dei conta do dono daquelas palavras. Querem maior prova de que vivemos numa sociedade capitalista (não somos comunistas nem vivemos num estado de leninismo de galinheiro - seja lá o que isso queira dizer!). Vamos aos fatos:
O avanço da classe C (aquela que consome e que mantém o capitalismo funcionando...):

"Saiu na Folha online: Classe C cresce aceleradamente e chega a 53% da populaçãoClasse C ganha 19 milhões de brasileiros e agora tem 101 milhõesA figura geométrica que melhor representa a distribuição da renda não é a pirâmide, mas um losango – largo no meio. Classes A e B também melhoram.

MARIANA SALLOWICZ
DE SÃO PAULO
A classe C recebeu 19 milhões de brasileiros vindos da DE em 2010 e manteve o posto de maior do país, com mais de 101 milhões de pessoas. O número representa 53% da população total (191,79 milhões) –em 2009, era 49%. Os dados fazem parte do Observador 2011, pesquisa encomendada pela Cetelem BGN à Ipsos Public Affairs.
A segunda classe com maior número de brasileiros é a DE (com 47, 90 milhões), seguida pela AB (42,19 milhões). O levantamento mostra ainda que 12 milhões de brasileiros alcançaram as classes AB no ano passado.
“Houve uma mudança na forma que a população brasileira está distribuída. A pirâmide virou um losango, com mais pessoas fazendo parte da classe C”, afirma Marcos Etchegoyen, diretor-presidente da Cetelem BGN. Segundo ele, esse novo desenho vem se formando há cerca de quatro anos e está cada vez mais consolidado.
Em 2005, as classes AB e C correspondiam a 49% da população. Em 2010, passaram a 74%.
RENDA
De acordo com a pesquisa, houve grande aumento da renda média mensal dos brasileiros de todas as classes e regiões, uma alta que se mostrou mais acentuada nas classes DE. A renda familiar média deste estrato ficou em R$ 809, valor 48,44% maior do que em 2005. Os brasileiros da classe AB ficou em R$ 2.983 e da C em R$ 1.338.
"

Comentários do Paulo Henrique Amorim sobre isso:

"Classe C é a maioria da população. Logo, o Brasil é uma sociedade capitalista de massa.Porque a maioria da população é de classe média. Onde se pratica a democracia de massa, para desespero do dono da Folha (*), que prefere a democracia de poucos (deve ser como na Grécia, a democracia ideal dos udenistas, porque tinha escravos).Classe C ganha 19 milhões de brasileiros e agora tem 101 milhõesA renda das classes D e E foi a que mais subiu. A figura geométrica que melhor representa a distribuição da renda não é a pirâmide, mas um losango – largo no meio. Classes A e B também melhoram."

Pra ir chegando ao fim, uma matéria sobre o capitalismo impulsionado no governo Dilma, na sequência do Lula:

JK de saias semeia o capitalismo. Um dia, a elite percebe

    Publicado em 07/04/2011

Como se sabe, o Nunca Dantes (Lula) e a JK de saias (Dilma) fizeram e fazem mais pela disseminação do empreendedorismo – neologismo para designar o que desde o século XVIII se chama de “capitalismo” – do que os neoliberais (FHC e Serra).

Como se sabe, o neoliberalismo foi fundado pelos Chicago Boys do Pinochet e não era mais nada do que uma Teologia para transformar o Capitalismo num sistema de oligopólio de bancos.

Como se sabe, o neoliberalismo foi sepultado sob os escombros do banco Lehman, que ruiu em 2008.

O Aécio – clique aqui para ler “Aécio é um neoliberal diet” – e a urubóloga ainda não receberam o convite para a Missa de Sétimo Dia.

Leia agora o que saiu no Blog do Planalto sobre a formalização do primeiro milhão de microcapitalistas brasileiros.

País supera marca de 1 milhão de trabalhadores formalizados


O Brasil ultrapassou a marca de 1 milhão de trabalhadores que se formalizaram por meio do programa Empreendedor Individual, lançado em 1º julho de 2009. A meta do governo federal é chegar a 1,5 milhão de empreendedores até o final de 2011. A marca foi lembrada nesta quinta-feira (7/4), em solenidade no Palácio do Planalto, com a presença da presidenta Dilma Rousseff, comemorativa de 1 milhão de empreendedores inscritos no Programa Microempreendedor Individual: Formalização e Proteção Social.


Na ocasião, a presidenta afirmou que é importante para o desenvolvimento do país formalizar os trabalhadores e tirar da situação de indefinição legal milhões de brasileiros. Além disso, significa 1 milhão de pessoas a mais contribuindo para a Previdência Social, com direito a benefícios e ainda colaborando para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.


“O programa [Empreendedor Individual] é sem sombra de dúvida um programa que leva ao desenvolvimento, à independência e autonomia do trabalhador e, sobretudo, transforma o Brasil numa teia de relações entre pequenos empreendedores e empreendedores individuais que são capazes de conquistar sua autonomia com seu trabalho e obter seus direitos no que se refere à aposentadoria, por exemplo”, frisou a presidenta.


Durante a cerimônia, foram entregues certificados comemorativos ao empreendedor número 1, o comerciante Adalberto Oliveira dos Santos, de Brasília (DF), e à empreendedora número 1 milhão, a maquiadora Isabelle Cordeiro Todt, de Curitiba (PR). Em entrevista ao Blog do Planalto, eles ressaltaram que uma das principais vantagens após a formalização é a inscrição do CNPJ, o que possibilita a emissão de notas fiscais e impacta na ampliação do negócio.

“Para aderir ao programa é muito simples. Algumas amigas minhas já tinham se cadastrado no programa, eu entrei no site, fiz meu cadastro e pronto”, explicou Isabelle.


Programa – Criado por meio da Lei Complementar 128/2008, o Empreendedor Individual foi lançado em 1º julho de 2009. No dia 17 de março de 2011, o programa ultrapassou a marca de 1 milhão de novos empreendedores individuais, quando a Receita Federal do Brasil registrou 1.004.764 adesões.


Ao formalizar sua atividade, o empreendedor individual ganha a proteção da Previdência Social. O trabalhador passa a ter direito à aposentadoria por idade, por invalidez, salário-maternidade e auxílio-doença e, sua família, à pensão por morte e ao auxílio-reclusão."


Ah, a formalização do Microempreendedor Individual mostra para o Jabor que os "empreendedores que fizeram o país", e que continuam fazendo, não são tratados como ladrões, mas como cidadãos.

E não se esqueçam: as penas estão voando, mas não é do leninismo de galinheiro, é dos tucanos (e do Jabor, tucano nato)!

Pra encerrar, um vídeo que resume tudo o que eu quero dizer: As diferenças de Lula e FHC diante das crises (nesse ponto em que chegamos, é importantíssimo ficar claro que o Lula era um operário de fábrica que sequer concluiu o ensino básico, enquanto o FHC é um doutor pós-graduado na França):
http://www.youtube.com/watch?v=RxdCTv_Pot0

PS: Fiz as pesquisas apenas no site do Conversa Afiada por achar que lá tem material o suficiente para este momento. Entretanto, há muitos mais blogs sujos aos quais podemos pedir ajuda.


Grande abraço a tod@s e Feliz Páscoa!

William César Ramos Lima
Marília-SP

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