Eu acho que fiz bem em sair
correndo aquele dia. Te deixei lá sozinho no parque quando começou a chover,
achei que era o momento certo, que a conversa havia terminado mesmo, e que a
chuva apenas selava o fim de tudo. Eu fiz bem, sim, porque não ia mais
conseguir ficar naquela discussão sem sentido, não havia mais desculpas que eu
pudesse dar, nem você. Ainda não crescemos como achamos que tivéssemos
crescido. Ah, a maturidade para ter uma relação, nunca ao alcance. Depois
daquela última briga na casa da sua mãe, logo após o almoço, antes do sorvete,
eu já tinha tomado a decisão de terminar o namoro. Aquele dia foi-se embora a
última gota da minha paciência, que andava junto com minha última esperança.
Tudo aconteceu muito rapidamente, um excesso de grosserias que trocamos, eu sei
que você não merecia ouvir tudo o que eu dissera, mas você sabe que sou
estourado, que as palavras saem antes mesmo de eu filtrá-las. Sim, mais uma
desculpa minha, mas você não é santo, você provocou aquilo, você me conhece,
sabia que eu reagiria. Acho que você calculou toda a provocação. E nem tomamos
o sorvete. E sua mãe deve me odiar por magoá-lo, por tê-lo tratado tão
rudemente na frente dela! Caramba, como sou burro! Quem maltrata no namorado na
frente da mãe dele? O burro esquentadinho aqui. E foi essa mesma burrice minha
que deixou o namoro acabar? Devo pedir mais desculpas? Não, isso não resolve
nada, né?! É mais um pouco daquela conversa mole que já te encheu, de que vou
mudar, de que foi por impulso, de que eu te amo de verdade... Mais desculpas
para a coleção gigantesca dos meus erros que nunca acerto, essa coleção que não
tem valor algum a não ser mostrar cada vez mais o acúmulo de decepções que
tenho sido para quem me ama. De toda forma, preciso pedir desculpas e dizer que
nunca quis magoá-lo. Não é um clichê que estou repetindo, é a verdade, não
quero te ver sofrer, nem quero eu fazê-lo sofrer mais. Sou covarde, por isso
acho que fiz bem em sair correndo aquele dia no parque. Estou envergonhado, de
verdade. Você sabe que sempre fui cara de pau e briguento, mas estou
envergonhado. E com remorso, com uma dor dentro de mim de tê-lo deixado partir,
como pude decidir antes do sorvete aquele dia que não queria mais nada com
você? Meu Deus! Me encho de culpa agora, e não digo isso para me fazer de
bonzinho, é arrependimento mesmo, é olhar para a vida e ver o que fiz de
errado... No entanto, agora nem adianta muito essa minha lamúria, eu sei. Não
adianta nada, na verdade... Olha, vamos tentar conversar de novo? Não estou
pedindo pra voltar, só preciso dizer como as coisas aconteceram pra mim e me
explicar, pedir perdão mesmo, precisamos zerar esse assunto. Eu sei que você
está sem tempo e sem vontade de ouvir o que tenho pra te dizer, e talvez até
ache que eu não tenho nada pra falar. Mas não seja radical comigo. Eu sei que
terminei tudo, que o fim do namoro já aconteceu, que o machucado já fiz em
você, mas preciso dessa última conversa sem fugir, sem sair correndo. Escuta,
será uma conversa rápida, eu nem vou falar muita coisa, você pode dizer tudo...
Eu quero seguir com a minha vida também, assim como você, por isso preciso
dessa chance de terminar direito o que começamos direito, ou vai negar que nos
apaixonamos lindamente desde o começo? Perdão, é o que preciso dizer. Me perdoa.
Eu não sabia que te amar demais me faria esse cara inseguro, eu deveria ter
confiado mais no amor que você teve por mim e ter sido um homem mais gentil,
deveria ter sido menos controlador e mais livre. Eu me engano e você sempre tem
razão. Eu não fiz bem em sair correndo aquele dia no parque. Eu deveria ter me
acalmado, te abraçado e pedido sua ajuda, ter pedido perdão e ter dito mais uma
vez que te amo.
terça-feira, 15 de novembro de 2016
sexta-feira, 12 de agosto de 2016
Incertezas do inverno
Eu parei ali atrás,
em algum momento da vida
que não quero mais viver.
De lá não consegui sair ainda,
todo preso nessas amarras
que me puxam pra baixo,
que me param no tempo, no espaço.
Não sei mais como planejar uma vida,
como pensar um futuro,
já que meu agora é aquele instante passado, doído.
Não consigo preteritar esse passado,
porque ele continua insistindo no agora,
me tirando o amanhã a cada novo dia.
Não sei ao certo como devo me referir ao futuro,
mas creio que impossível seja uma boa definição.
em algum momento da vida
que não quero mais viver.
De lá não consegui sair ainda,
todo preso nessas amarras
que me puxam pra baixo,
que me param no tempo, no espaço.
Não sei mais como planejar uma vida,
como pensar um futuro,
já que meu agora é aquele instante passado, doído.
Não consigo preteritar esse passado,
porque ele continua insistindo no agora,
me tirando o amanhã a cada novo dia.
Não sei ao certo como devo me referir ao futuro,
mas creio que impossível seja uma boa definição.
![]() |
| Foto que fiz no inverno de 2013 no Caminito em Buenos Aires - Argentina |
terça-feira, 5 de julho de 2016
Um gole de esperança
domingo, 3 de julho de 2016
O mistério da vida
Quando chega a hora, a gente se perde de todo o caminho, a gente não sabe por onde ir, qual rumo seguir, e como será a chegada ou o retorno. As cicatrizes na estrada nos abrem a mente, nos dizem que a vida não é fácil. O tempo passa, estamos longe de todos os nossos queridos. Não há mais tempo para demorar a pensar, pois cada segundo é urgente, cada piscar de olhos é uma chance a menos, o vento mudou de direção, o que a gente decidiu? Não há tempo sequer para respirar, para ver o céu. Cada passo que a gente dá, é mais perto de algo que a gente chega, mas a distância parece nunca terminar. No escuro, não se sabe o que vem adiante, o que é isso de futuro, ninguém ensinou, ninguém voltou para dizer como terá sido. A colisão do final é para morrer ou renascer? O fim, de todo modo. A todo vapor. Qual sorriso vamos carregar na mente, do que vamos nos lembrar no caminho? Não sabemos qual carinho esperar, que abraço vai apertar, que beijo vai molhar. E se nunca mais? Do lado, nada podemos ver. Falta muito, andamos muito. Não chegamos, mesmo talvez já tendo saído do lugar. As cores borradas, continuamos correndo pra achar o lugar que deve ser o nosso, estamos sozinhos indo pra casa, ou voltando de lá. Aonde quer que a gente vá, as luzes nem sempre estarão acesas, o caminho pode ser inseguro e vamos ter que correr sozinhos, correr riscos. Ainda estamos indo, seguindo, o caminho nunca acaba. O vazio mostra nossa pele sem nenhum toque, talvez nem nosso mesmo, pois a gente não se reconhece, não se vê, estamos incompletos. O relógio anda pra frente e temos a esperança de que logo será a nossa vez de chegar. A algum lugar. A vida como um eterno ir, como o rio que corre. Vamos seguindo até perder de vista o horizonte que a gente acredita que existe.
![]() |
| A persistência da memória, de Salvador Dalí |
![]() |
| Os amantes, de Rene Magritte |
quinta-feira, 23 de junho de 2016
O amor além da janela
domingo, 12 de junho de 2016
Meu par
Quando o amor chegar, ele não vai bater na porta. Vai querer entrar, tomar lugar, se assentar. Quando o amor chegar, vai trazer você pra ser meu par. Quando o amor chegar, a vida será vista em outras cores, vou me esquecer das dores, parar a busca de outros amores. Quando o amor chegar, serei eternamente calmaria. Quando o amor chegar...
segunda-feira, 23 de maio de 2016
Felicidade proibida
Às vezes, passam em branco
A vida, a dor.
A tristeza estanco,
Passa o amor.
Às vezes, o sorriso dado
Nem sempre é só magia.
Mas esconde o atormentado
Do coração em letargia.
Às vezes, a falta é o excesso
Do que não pode ser dito.
O tempo é expresso
E o amor, interdito.
A vida, a dor.
A tristeza estanco,
Passa o amor.
Às vezes, o sorriso dado
Nem sempre é só magia.
Mas esconde o atormentado
Do coração em letargia.
Às vezes, a falta é o excesso
Do que não pode ser dito.
O tempo é expresso
E o amor, interdito.
sexta-feira, 29 de abril de 2016
Saudade nos olhos
Quem tem saudade sabe a dor que carrega quando revê uma foto, porque se lembra daquele momento, das cores, dos cheiros, dos sons, dos toques, das idéias (ainda que divergentes).
Quem carrega essa dor da saudade não esquece o que foi bom, mas quer se livrar desse peso dolorido, que dilacera a mente e faz escorrer o sofrimento pelos olhos.
quinta-feira, 14 de abril de 2016
Altos e baixos
Às
vezes, a gente cansa.
Acorda
com a cabeça
Fora
da balança.
A
gente tropeça,
Cambaleando
feito criança.
Nas
outras vezes, a gente recomeça,
Fazendo
da vida uma dança
Com
passos que vão desde a cabeça
Mexendo
até os pés, feito criança.
domingo, 27 de março de 2016
domingo, 20 de dezembro de 2015
Através da janela, além do ego
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
Solidão
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
Tristeza
![]() |
| Foto que fiz em Salvador em outubro/15 |
segunda-feira, 27 de julho de 2015
Clichês
Disseram que o amor é amor, simplesmente.
Que basta deixar acontecer, tudo se acerta com o tempo.
Que a gente vai se conhecendo e aceitando o outro.
Que essa paixão louca é muito boa, que o coração dispara.
Que isso é sentir-se vivo.
Disseram que o amor cura.
Mas disseram que quando o amor acaba a vida continua.
Que um novo sol vai raiar amanhã.
Que a tristeza passa.
Que não era hora, que outra pessoa vai aparecer.
Que o mundo dá voltas.
Disseram que o tempo cura a dor do amor.
São muitos clichês que disseram.
Em meio a tantos conceitos,
A tantos conselhos.
Eu mesmo ainda não sei
Exatamente o que é o amor.
Que basta deixar acontecer, tudo se acerta com o tempo.
Que a gente vai se conhecendo e aceitando o outro.
Que essa paixão louca é muito boa, que o coração dispara.
Que isso é sentir-se vivo.
Disseram que o amor cura.
Mas disseram que quando o amor acaba a vida continua.
Que um novo sol vai raiar amanhã.
Que a tristeza passa.
Que não era hora, que outra pessoa vai aparecer.
Que o mundo dá voltas.
Disseram que o tempo cura a dor do amor.
São muitos clichês que disseram.
Em meio a tantos conceitos,
A tantos conselhos.
Eu mesmo ainda não sei
Exatamente o que é o amor.
quarta-feira, 22 de julho de 2015
Escondido?
O que há de novo
Novidade
O que é novo
Não dá saudade?
Ou o que há de antigo
Antiguidade
O que é antigo
Esconde a verdade?
Novidade
O que é novo
Não dá saudade?
Ou o que há de antigo
Antiguidade
O que é antigo
Esconde a verdade?
terça-feira, 21 de julho de 2015
Última chance
Sabe o malandro
Que diz que te ama
Mas sempre foge,
Que você pensa que te engana?
Sabe o malandro
Que te deixa os sentidos aguçados
Que tem tanto mel,
Parece que lábios açucarados?
Sabe o malandro
De quem você tenta correr?
Beija logo, minha filha,
Pra esse você também não perder...
Que diz que te ama
Mas sempre foge,
Que você pensa que te engana?
Sabe o malandro
Que te deixa os sentidos aguçados
Que tem tanto mel,
Parece que lábios açucarados?
Sabe o malandro
De quem você tenta correr?
Beija logo, minha filha,
Pra esse você também não perder...
segunda-feira, 20 de julho de 2015
Olho gordo
Tirou da cara um risco de tristeza.
Sorrindo feliz pro espelho,
Para si.
Que alegria de se ver nu,
Sem roupas, nem personagens.
Que plenitude de respirar
Sem nada apertando,
Nem o olho alheio,
Que devora a vida
De todo mundo.
Sorrindo feliz pro espelho,
Para si.
Que alegria de se ver nu,
Sem roupas, nem personagens.
Que plenitude de respirar
Sem nada apertando,
Nem o olho alheio,
Que devora a vida
De todo mundo.
Contas vencidas
Qual o limite que te dão
Dizendo que teu corpo não é teu
Que tua alma foi vendida
Que teus dias são detestáveis?
Qual o limite que te dão
Além do cartão de crédito?
Sua fatura está vencida.
Dizendo que teu corpo não é teu
Que tua alma foi vendida
Que teus dias são detestáveis?
Qual o limite que te dão
Além do cartão de crédito?
Sua fatura está vencida.
Sem chance
quinta-feira, 16 de julho de 2015
Rascunho da semana
Se esqueça da minha alegria, do meu beijo
De voltar atrás no olhar, na decisão
Se esqueça do meu abraço, não tem jeito
Acabou o amor, houve uma cisão.
De voltar atrás no olhar, na decisão
Se esqueça do meu abraço, não tem jeito
Acabou o amor, houve uma cisão.
sexta-feira, 26 de junho de 2015
Sonhando um desejo
Há uma falta de mim,
Um excesso de mim,
Um alguma-coisa-que-não-sei-o-que.
E eu vivo sem saber.
Respiro sem perceber.
Eu ando e não vejo o amanhecer,
Não dá tempo, nem se eu correr.
Porque o sonho é intenso,
Não me deixa levantar
Nem a cabeça.
O mundo é imenso
E não consigo alcançar
Nem encaixar nenhuma peça
Do quebra-cabeça
Desse olhar pro nada
Que sai de mim,
Que sobra, que falta.
O dia não se resolve
Nem no fim.
Um excesso de mim,
Um alguma-coisa-que-não-sei-o-que.
E eu vivo sem saber.
Respiro sem perceber.
Eu ando e não vejo o amanhecer,
Não dá tempo, nem se eu correr.
Porque o sonho é intenso,
Não me deixa levantar
Nem a cabeça.
O mundo é imenso
E não consigo alcançar
Nem encaixar nenhuma peça
Do quebra-cabeça
Desse olhar pro nada
Que sai de mim,
Que sobra, que falta.
O dia não se resolve
Nem no fim.
![]() |
| Moça na Janela, de Salvador Dali |
sexta-feira, 12 de junho de 2015
O ralo
Vivia com um pavor em sua alma. Mal tomava banho, mal chegava perto da pia – do banheiro, da cozinha. Aquele monstro por onde escorria a água constituía-se como seu pesadelo atordoante, pior do que subir na roda gigante. Um redemoinho redesenhado para sua casa, para sua vida. Tudo se desfazia ali naquele instante final, a última gota de vida restante em qualquer ser se acabava naquele exato lugar. Se fechasse o olho, imaginaria o que estaria por vir e entraria em desespero. Se colocasse uma tampa, acreditava que a força da sucção seria mais forte que todas as forças que ele trazia consigo. De tudo no mundo que poderia assustá-lo, era o ralo seu maior medo, seu pior inimigo, porque o ralo seria seu fim inevitável.
Considerava o ralo o escoar de toda vida, de toda morte, de todo mundo. Se morto, enterrado, haveria algum ralo sob o solo que o levaria, aos pedaços, para o cumprimento do destino cruel. Se nadasse no mar, as águas formariam um grande redemoinho, forjariam um ralo para seu fim. Se voasse em um avião, o vento traria um grande furacão que o levaria dali. Era isso, era um fato, um destino. Se tomasse banho, aos poucos teria sua vida levada para o submundo do ralo, sua vida escorreria com a água em redemoinho que certamente se formaria. Recusava-se a dar um pouco de si a cada instante em que, ilusoriamente, pensava estar se limpando. Nessa circunstância, tomar banho não era se limpar. Lavar as mãos na pia não era se limpar. Era oferecer-se ao fim da vida, à escuridão do ralo. Esse medo ninguém lhe tirava.
O ralo era seu fim, o de todos nós, acreditava, amedrontado, amontoado no canto do banheiro, oposto ao canto do ralo, onde vagarosamente começou a cochilar, a se entregar a um sono sem fim. Ao passo em que dormia, sentia-se atraído, arrastado para o outro lado, como se fizesse uma viagem ao inferno, onde se recusava permanecer.
Num sono mais que profundo, ia sentindo a água que o afogava, deixando-o desesperado. Quando enfim conseguiu abrir os olhos e recobrar seus sentidos, ouvia vozes como que risos zombando de si. O ralo, repetia aos gritos desesperados, o ralo...
Quando abriu bem os olhos, deu-se conta de que estava em casa, debaixo do chuveiro, de bermuda, e que seus irmãos o vigiavam. Jurou para todos que era o fim que se aproximava, mas como o fim do mundo tão trágico só acontece em filmes, ninguém acreditou no que ele tinha vivenciado.
*Conto selecionado na fase municipal do Mapa Cultural Paulista 2015/2016
Suicídio
No frio do dia, numa chuva se perdia.
De todos os desejos, só tinha os que não podia.
Vivia a ingratidão dos tempos
sem se acostumar com tantos ventos.
Era muita direção soprando,
Sua vida parecia sempre afundando.
Eram encontros inesperados,
sonhos não vividos, tormentos desesperados.
Tinha um café para acordar
e uma piscada pra recomeçar,
mas surtava sem saber
como a vida deveria ser.
Estúpido, fingia ter razão.
Era cego, à frente não via nada, não.
Prostrava-se diante da cruz,
punha-se a rezar: a ti eu peço: me salve, Jesus.
Do sol só via o fogo que queimava.
Não recebia luz, só a dissipava.
Seu caminho era falho e era feio,
mas não se esforçava por um amor cheio.
Nem querendo mais sonhava,
e todo resto ele odiava.
Sem ter a quem recorrer,
resolveu então se perder.
Sem saber da vida o mistério,
deu-se um tiro. Cemitério.
*Poesia selecionada na fase municipal do Mapa Cultural Paulista 2015/2016
De todos os desejos, só tinha os que não podia.
Vivia a ingratidão dos tempos
sem se acostumar com tantos ventos.
Era muita direção soprando,
Sua vida parecia sempre afundando.
Eram encontros inesperados,
sonhos não vividos, tormentos desesperados.
Tinha um café para acordar
e uma piscada pra recomeçar,
mas surtava sem saber
como a vida deveria ser.
Estúpido, fingia ter razão.
Era cego, à frente não via nada, não.
Prostrava-se diante da cruz,
punha-se a rezar: a ti eu peço: me salve, Jesus.
Do sol só via o fogo que queimava.
Não recebia luz, só a dissipava.
Seu caminho era falho e era feio,
mas não se esforçava por um amor cheio.
Nem querendo mais sonhava,
e todo resto ele odiava.
Sem ter a quem recorrer,
resolveu então se perder.
Sem saber da vida o mistério,
deu-se um tiro. Cemitério.
*Poesia selecionada na fase municipal do Mapa Cultural Paulista 2015/2016
domingo, 31 de maio de 2015
Pedaços da gente
Meu coração, grande coração, que se desfaz em pedaços, pequenos, grandes pedaços lançados ao som da mais triste música, direcionados a cada canto da casa. Esses pedacinhos são feitos não das nuvens do céu, do algodão doce das crianças, são pedaços mais para cacos de memórias de sofrimentos. Porque os pedacinhos de alegria ainda continuam juntos, montados em seu lugar. Mas as tristezas, recordadas em seus trechos da vida, essas estão cada vez mais espalhadas, de difícil que são de se superar – inalcançáveis.
Era com esse pensamento de menina magoada pelo namoradinho da escola que começava a rascunhar numa folha de papel a mistura de sentimentos que perturbava sua vida nos últimos tempos. Com uma tristeza no sorriso que não saía do esboço, não parava de imaginar quando teria a chance de superar essa fase das desilusões. Mal sabia que desiludir-se era uma constante na vida de todos nós.
Diferente daquele dia, esperava que os próximos viessem acompanhados de menos sofrimento e de mais alegria, mas não tinha claro como seria uma vida cheia de felicidade. Sequer sabia se era possível ser feliz o tempo todo. Entretanto, sonhar era o possível. Nenhuma menina de sua idade deveria sofrer tanto como ela sofria, imaginava. Toda a dor das tristezas carregadas em uma só pessoa, como se fosse a grande responsável por toda tragédia diária que acometia a vida de todos.
Era com esse pensamento de menina magoada pelo namoradinho da escola que começava a rascunhar numa folha de papel a mistura de sentimentos que perturbava sua vida nos últimos tempos. Com uma tristeza no sorriso que não saía do esboço, não parava de imaginar quando teria a chance de superar essa fase das desilusões. Mal sabia que desiludir-se era uma constante na vida de todos nós.
Diferente daquele dia, esperava que os próximos viessem acompanhados de menos sofrimento e de mais alegria, mas não tinha claro como seria uma vida cheia de felicidade. Sequer sabia se era possível ser feliz o tempo todo. Entretanto, sonhar era o possível. Nenhuma menina de sua idade deveria sofrer tanto como ela sofria, imaginava. Toda a dor das tristezas carregadas em uma só pessoa, como se fosse a grande responsável por toda tragédia diária que acometia a vida de todos.
quarta-feira, 18 de março de 2015
Cacos no caminho
Passei a vida tentando recolher os cacos do caminho, que cortavam meus pés e me impediam de continuar seguindo o rumo. Nem mesmo meu coração consegui alcançar, de tantos cacos que encontrei pela andança; não, meu coração não fica em mim, fica onde quero estar, por isso vivo correndo atrás dos momentos que me encontro com ele, mas quando não chego perto, me dá um aperto no peito e perco o equilíbrio. E continuo lutando, vivendo e buscando, porque meu coração está fora de mim, e sei que o dia pode terminar sem que eu o encontre. Nem por isso posso parar de andar, e esses cacos, como vou pisar? Preciso dessa dor porque não há solução outra. Resolvi parar de recolher os cacos do caminho, quero sentir o sangue escorrer e saber que, mesmo sem estar perto do meu coração, eu ainda estou vivo, porque viver é também chorar e ficar triste; o amanhã será diferente, pois brigo com o mundo e chego ao meu coração. Uma hora dá certo.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Virando a página (ou Do clichê do ano novo)
Na literatura, a cada frase que lemos, uma novidade pode se apresentar. Quando viramos a página de um livro, então, as surpresas são muitas. No outono, as folhas caem e, na primavera, as flores desabrocham. Passamos a vida virando páginas, as folhas caindo e as flores se abrindo. É o tal ciclo natural, os anos se repetem, as estações do ano se repetem e, para não ficarmos pra trás, fazemos nossos ciclos também. Não se trata de deixarmos tudo pra trás, mas de aprendermos com cada experiência que precisamos ser menos egoístas, que precisamos olhar o próximo, o outro como parte da mesma engrenagem que a gente. Não, não é fácil ser menos egoísta, não é algo que conseguimos com um toque de mágica. Mas é um exercício contínuo. Cair, levantar. O passado é passado, mas nem por isso deve ser esquecido, deve ser lembrado como aprendizado, pois mesmo que um momento não tenha sido bom, foi uma chance de aprender. Virar a página não é dizer que nada valeu à pena, é conseguir seguir adiante, apesar das horas difíceis – que sempre existirão! Virar a página é conseguir vivenciar novas possibilidades sem desprezar o passado, mas olhando para o futuro. É eliminar sentimentos ruins que nos consomem. Virar a página é fazer a vida continuar em direção à felicidade – essa luta diária que travamos...
Feliz 2015!
Feliz 2015!
domingo, 23 de novembro de 2014
Time goes by
And time goes by
Every minute wasted is a time of lies
No one can know what it feels like
To be you
No one can understand your feelings
Because they aren’t even clear for yourself
Life’s such a mess
And all we have is time for regrets
For all we did
For all we haven’t done
Because we think there will be a right time
And we forget the time we live now
And time goes by
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Confusão que destrói
Sou eu mesmo o fruto do meu egoísmo, tendo me convertido
nesses olhos que só se voltam para o umbigo próprio? Não sei o caminho certo
que a vida toma, não sei quantas lágrimas minhas ou alheias preciso derrubar ao
longo da vida para perceber que cometi tantos erros e que desisti fácil demais
de alguns sonhos. Minha irresponsabilidade com tantos sentimentos me faz perder
a mão da direção. Mas a direção talvez nem seja minha de fato, e então preciso
esperar uma iluminação divina para me conduzir no caminho correto, pois só Deus
poderá me mostrar o que eu não consigo ver e me esclarecer sobre o que não
consigo me entender. Fracassado que fui em uma missão, serei um soldado
condenado ao exílio e à solidão. O mundo continua girando e o meu coração
continua batendo, embora não tenha mais ritmo.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Perdido
O que não posso fazer,
Não posso revelar.
O que eu não sei como viver,
Não sei como sorrir.
Não há caminho pro desconhecido:
Perder-se não é viver.
Não posso revelar.
O que eu não sei como viver,
Não sei como sorrir.
Não há caminho pro desconhecido:
Perder-se não é viver.
Despedida
O que a morte leva
Não é a alma,
Que fica viva na memória.
A morte leva a pele,
Que nunca mais será tocada.
Leva a gargalhada,
Que não será mais alegria.
Leva o olhar,
Que nunca mais terá direção.
Mas nunca leva a alma,
Imortalizada em cada um que fica.
(A Vera Lucia Claro, In Memoriam)
Não é a alma,
Que fica viva na memória.
A morte leva a pele,
Que nunca mais será tocada.
Leva a gargalhada,
Que não será mais alegria.
Leva o olhar,
Que nunca mais terá direção.
Mas nunca leva a alma,
Imortalizada em cada um que fica.
(A Vera Lucia Claro, In Memoriam)
Assinar:
Postagens (Atom)















