terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Boas ondas

O que o mar esconde sob suas águas? Quais mistérios devem existir para se descobrir? Talvez as águas não apenas escondam algumas coisas, mas guardem outras para o momento certo. O "ir e vir" é posto em prática, mas essa liberdade não é a dos homens, é a de Deus, da Natureza, da Iemanjá... Não são apenas bons ventos que nos trazem sorrisos no fim da tarde, ou em outro horário qualquer, mas as boas ondas também...

domingo, 8 de dezembro de 2013

Domingo novo

Hoje vi a manhã ensolarada
trazendo o fim do fim de semana
ou o início de outra que vem.
São ciclos, as coisas se repetem.
Acaba um ano
e chega o ano que vem.
O próximo ciclo,
já disse um poeta, o Leminski,
é para buscar um ânimo novo.
Quem sabe o próximo
traga a felicidade
para alguém.
Ou pra todos nós.
Que os anjos digam amém!

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Oportunidade

Às vezes penso quem vai me dar um momento de redenção pela covardia de deixar passar um sorriso que podia ter se transformado num abraço.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Saudades de Buenos Aires

Sinto saudades daquelas tardes, enquanto caminhava pelas ruas de Buenos Aires e percebia que a vida tinha mais sentido do que nunca, que toda arquitetura colonial trazia uma história real, que pessoas construíram aqueles caminhos, e viveram os tempos áureos de cada espaço. Caminhava pelas calçadas da Recoleta e me via em outro mundo, uma calmaria abalada apenas pelos carros na rua, um frio gostoso que não congelava a alma, mas que me fazia sentir o sangue pulsar mais fortemente, como mostrando que havia vida dentro de mim. As canções pareciam entrar na minha mente e eu não delirava, mas sonhava acordado com um presente que parecia muito distante no passado. Agora eu sabia que imaginar era mais do que pensar, era realizar o que talvez seria o futuro, mas que se tornou concreto. Sinto falta da leveza de Palermo, do parque, das pessoas que encontrei pela caminhada. Não daquelas com quem conversei, mas daquelas para quem eu olhava e imaginava quem seriam, o que faziam, aonde iam... Sinto falta do medo do inesperado, da apreensão, da imensidão desconhecida, da liberdade de ser eu mesmo em outro lugar, do meu reconhecimento de mim mesmo em outros ares, em Buenos Aires.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Esperando a surpresa

Não quero mais dizer bom dia. Quero viver na noite, sempre escura, que não revela mistérios, que esconde sorrisos. Não quero mais viver de sorrisos. Quero continuar a tristeza do coração imerso no rio de dissabores, de esperanças opacas, de realidade dura, de frieza pura. Sem mais expectativa, a surpresa venha o dia que vier, se chegar, se couber.

domingo, 6 de outubro de 2013

Encarando a verdade

Eles passavam tempo demais juntos, sentados lado a lado no carro, no bar, no restaurante, no sofá... que não sabiam mais se olhar, não sabiam que a proximidade era distante, que já não se encantavam mais pelo sorriso - que já não viam mais. Não tinham mais coragem de se encarar, porque era preciso fugir da verdade, não dizer a realidade. Não existia mais amor, nem mais expectativa. Viviam lado a lado, em mundos separados.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Desapego

desapegando da perda de tempo
cultivando sorrisos sinceros
e beijos com intenções
cansei do suspiro que passa
que passa
que não chega a lugar algum
parei de sentir saudade
do abandono
do dia
da noite

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

É tudo uma ilusão

Esse tipo de amor
não existe
o que você quer
está fora do cardápio
faça seu pedido
no drive thru
leve para casa
um menu de ilusões
e pense que está comprando
a felicidade colorida
em balões

Subjuntivo

Sim
eu tenho um problema
sério
de acreditar
demais
no que eu gostaria que fosse
mas não consigo me livrar
do subjuntivo

Eu conheço bem

eu conheço bem
a vida que ele tem
a dor do dia errado
acordar sem ter
descansado
eu conheço bem
a vida que ele tem
quer tudo mastigado
não faz nenhum esforço
é um folgado
eu conheço bem
a vida que ele tem

Ilusão por poesia

as mentiras que os homens contam
não são as mesmas que eles cantam
o nome destas é ilusão por poesia

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Amor nunca é demais

nenhum amor pode sobrar
como excesso de areia no olho
que o vento traz
o carinho preenche todo o coração
e não sobra nada pra depois
é assim que se enche o dia
com emoção e paz
nenhum amor é demais

domingo, 8 de setembro de 2013

Revelação

Na vida que sempre espera o amor, um 'bom dia' já ilumina um sorriso.

Na vida que quer sempre uma imagem para representar, a nudez traz à luz o verdadeiro tom da nossa pele: despir-se é revelar-se.

Tabu

Seres noturnos, que andam escondidos da luz, vivem uma meia-vida ou são felizes assim? Se escondem porque querem, ou porque assim são condicionados?

Enganos

Era tudo mentira, culpa da dissimulação malandra trazida pelo jogo de esconde-esconde. Uma mudez e quem sabe uma morbidez angustiante que não durou mais que a vida, mas que parecia uma eternidade.

Casi

Casi a la una de la tarde, no oigo nada más. El corazón no late, todo está parado, como el água en un lago.

Casi a la una de la tarde, la vida pide que el amor llegue más próximo, pero la vida no puede hacerlo todo lo que quiere, y hay un tiempo más grande para el amor llegar...

Casi a la una de la tarde y el día todavía es el mismo de ayer. Qué pasa? Las personas no hacen la vida seguir, no dejan el mundo girar.

Casi a la una de la tarde y estoy aquí, escribiendo unas palabras qué no sé que significan, que no llevan eco ninguno.

Casi a la una de la tarde...

Tudo

Não quero um amor que vai embora - nunca é boa hora para um amor partir. Não quero um amor que não me devora - engolir meu coração até me ver sorrir. Não quero um amor que vive reto - 'nunca' é um tempo tão incerto.

Sexo

Entre os corpos suados não há espaço nenhum; as gotas que escorrem devem se misturar.

Eu te vejo

Eu vejo seus olhos. Vejo seus olhares tortos que miram em mim. Eles querem esconder o que você está dizendo, representam o seu medo que eu saiba a verdade, mas ainda assim você o diz. E sai, vai se esconder, retrair o olhar. Descansar a mira.

Rebentação

Geralmente, quebrar alguma coisa é ruim. Mas devo confessar que adoro as ondas se quebrando em mim.

Impedido

Fechando o cerco, fechando a cerca do meu coração. Fechando o sinal, ninguém mais passa, fica tudo parado, congestionado no meu coração. Fechando a porta, fechando a janela, ninguém mais vê o sol sobre a passarela do meu coração.

Apêndice

Adereços, apetrechos, penduricalhos... Apenas um adicional que, contraditoriamente, não acrescenta nada. Tem gente que é assim, só mais um.

Black-out

Uma pausa imensa no coração. Do tamanho de um apagão.

As gavetas

Abrir as gavetas e encontrar as memórias perdidas entre tantos papeis velhos, entre tantos clips enferrujados. Abrir as gavetas e ver o que nem mais se lembrava ter existido. Abrir as gavetas e resolver as pendências que duraram anos. Abrir as gavetas e ver as anotações na agenda, como um diário dos sentimentos, dos compromissos desmarcados e dos encontros selados.

Morte despercebida

Por invisível que foi todo o tempo, nem ele notou que já estava morto.

Zumbi fora do armário

Na dúvida que o angustiava, morto-viveu até o dia em que se assumiu. A felicidade veio quando declarou-se artista.

Delírios

Era preciso rastejar-se para sentir o gosto da terra, porque sonhar dava-lhe asas, que o mantinham longe do chão.

Reflexão

Não se dava ao trabalho de responder algo tão simples: você me ama? Não saía nada de sua boca, se não um sorriso tímido, envergonhado e sem coragem de alegria. Era menos um sorriso e mais uma interrogação. Não que fosse o amor obrigado a existir, mas qual seria o objetivo de tanto tempo juntos sem se apaixonar? Revendo conceitos, voltou-se ao espelho: você se ama?

Confessa!

Me fala do que você sente, da sensação, do sentimento. Me fala do amor que você me vive nesse momento. Me fala do plano pra amanhã à noite. Me fala do abraço que eu te dei, do choro que eu não segurei, do beijo que eu te roubei. Me fala da vida de dois em um, de um sonho comum, de uma casa e um cachorro. Me fala que o tempo parou, que a vida acertou e que você se apaixonou, de vez, perdidamente, por mim...

Restos de luz

Queria fazer uma poesia, mas não encontro uma rima bonita, ou uma palavra que traduza o que quero dizer. Queria escrever um texto poético, sobre amor, sobre dor, sobre paz, falar da natureza, do sol, da nuvem, mas não consigo dizer nada. A manhã nublada tapou minha visão da alma, atrapalhou meu discernimento da linha do caderno, do teclado. Uma folha em branco, uma página sem digitar. O cursor pisca, pisca, pisca, e o sol não brilha. O dia se ilumina com o que sobrou da última lua...

Misturado

Um café no bar e uma cerveja na padaria
Descer a pé e subir a escadaria
Tomar um vinho na cafeteria
Misturar o amor na sorveteria
Uma dose de pinga na confeitaria
Pedir um suco na drogaria
Sem saber a bebida que acertaria
Nem confundir com porcaria
Não negou nada, tudo aceitaria
Uma dose de amor na cacharia
Só assim se entregaria

Carona

Pode levar meu coração, lavar minha alma de amor. Pode me fazer suspirar, me sentir, me abraçar. Pode fazer tudo, que eu deixo, que eu quero, que eu entrego, que eu desejo. E eu não vejo nenhum problema em chamar sua atenção, em dividir a obrigação da felicidade. Não ligo em sorrir, nem penso em desistir, nunca corro sem vontade. O tempo passa a hora, manda a chuva, traz a saudade. E ele não volta. Pode levar meu coração, para o futuro, para sempre.

Enganação

alijado
aleijado
separado
ser parado
nada disso combina
nem com a Colombina

Beneficente

Eu nasci para ser doador de vida, de alma, de sorriso.
Eu nasci para doar amor, e o que mais for preciso.
Assim é o dia a dia: há que deixar o lado narciso.
Não toco mais nesse assunto: vou ser conciso.

Agradecimento

Seu é o meu coração
e não adianta dizer
que foi tudo em vão.
Só quero é saber
de respirar gratidão
por tanto amor no viver,
de sair da solidão.

Digitando

AMOR

Como não dava pra gritar,
escreveu em caixa alta.

Desabafo

O problema de um coração grande demais, é que ele chora demais. Excesso de amor faz com que as pessoas sejam mais frágeis, de algum modo. Quando se dá muito amor e carinho, desprezo é o que não se espera do mundo. A indiferença, tal qual posta no centro do egoísmo humano, faz o coração de uma pessoa transbordar... de lágrimas que traduzem a tristeza do mundo.
Não adianta sorrirmos, se nosso pensamento não condiz com a expressão física. As dificuldades da vida fazem parte de um processo maior do que o momento em que aparecem; elas nos guiam para um fortalecimento do amor próprio, do amor ao próximo e do desejo constante de felicidade. Quando nos entregamos, tem que ser com amor e de verdade. O carinho é a fonte verdadeira de sorrisos, porque ele é a expressão física do amor: o toque traz segurança, o beijo aumenta paixões, o abraço acalma e traz conforto.
O cuidado, diário e contínuo, nutre o amor entre as pessoas. O preocupar-se, o ouvir, o querer saber como andam as coisas, o ser sincero. Dar valor a gestos pequenos transforma mais a vida de quem espera ser amado do que grandiosidades.
Às vezes me acho muito complicado, mas só quero mesmo esses detalhes, menores que sejam, porque representam a expressão real do amor. Pura e simplesmente.

Bom dia

O sol aparece e o dia começa. O tempo prossegue no instante da promessa. O novo amanhã é hoje, o futuro já começou de novo; ele começa toda hora...


Marília/SP, 7h45 de uma manhã

Rotina

A vida tem dessas coisas, de se aprumar para novos desafios. Os dias se apresentam assim: um sorriso pra lembrar que vale à pena lutar. Ainda que a tristeza esteja lá, a felicidade deve permanecer forte. As conquistas são diárias, se dão a cada minuto. O que seria da gente se tudo fosse pronto e acabado?

Liberdade

Não prendo mais na gaiola 
o pássaro do amor,
que exige liberdade 
de bater asas pelo céu,
que exige inspiração 
e sol para o calor,
que exige uma água, 
e um pouquinho de mel,
que exige sinceridade 
e viver sem medo, nem pavor.

Amores possíveis?

Sente no peito
a dor da dúvida.
Não sabe direito
se é feliz
ou, com defeito,
se ama a meretriz.

No céu

Sentiu a dor na mão
esclarecendo sua profissão:
apontador de estrelas na imensidão.

Sons associados

Escalava a escada e encantava com a escaleta:
música aos ouvidos, passeio na Recoleta.

Cantava uma cantada contendo uma ensaiada:
música feita aos montes, como para uma manada.

Releitura

batatinha frita quando nasce
esparrama óleo pelo chão
mocinha triste quando chora
aperta o olho: vermelhão

Não sei o nome da saudade

Se o que eu sinto é a saudade
a dor antiga não dá paz
a dor de hoje se refaz
a dor de amanhã aqui jaz

Se o que eu sinto é de verdade
não sei dizer o nome disso
não sei desfazer esse feitiço
não sei criar amor postiço

Sobre amor e sintaxe

As pessoas insistiam em não saber usar a vírgula. Se iludiam com a ideia falsa de que a uma vírgula correspondia uma pausa para respirar. Mal sabiam da sintaxe.

As pessoas insistiam em não saber usar o coração. Se iludiam com a ideia falsa de que a um amor correspondia uma pausa para respirar. Mal sabiam da aceitação.

Eram coisas simples, embora se assumisse que eram difíceis de aprender. Estudar um pouco mais resolveria o problema da vírgula. Amar um pouco mais, o do coração.

Pit-stop

Pit-stop
para uma lágrima
ser trocada
por um sorriso.

Vou esperar
a minha vez.

Sozinho

O mundo cai na masmorra,
desaba na gangorra,
demora a se levantar.
O mundo te afoga na tristeza,
te dá um empurrão na correnteza,
e não tem ninguém pra te ajudar.

Ciclo

Eu perdi
confesso
que assumi
a dor do coração.
Eu insisti
pudera
como sofri
aceitar a negação.
Eu sorri
depressa
ao ver de perto
outra emoção.

Sem Esperança

Vou dizer sobre o fim
da vida,
que é o fim de todos;
a morte da menina
de nome Esperança.
Vou cantar um verso torto:
chegou ao fim;
caminhão, passe por cima
de mim.

Tolice

Invisível que seja,
da festa, do bolo,
pra ele não sobra nem a cereja,
é só um tolo.
Não quer o primeiro pedaço,
nem receber as palmas.
Só procura um abraço,
aquele salvador de almas.

Livrar-se

Livrou-se da maldição.
Achou uma poesia,
a perdição.
Aprendeu a ler um livro
e criou um verbo:
livrar-se, do português livro:
encher-se de poesia.
Livrou-se de todo amor.
Amém.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Livro

Livrou-se da maldição.
achou uma poesia,
a perdição.
Aprendeu a ler um livro
e criou um verbo:
livrar-se, do português livro:
encher-se de poesia.
Livrou-me de todo amor.
Amém.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Amor postiço

Se o que eu sinto é a saudade
a dor antiga não dá paz
a dor de hoje se refaz
a dor de amanhã aqui jaz

Se o que eu sinto é de verdade
não sei dizer o nome disso
não sei desfazer esse feitiço
não sei criar amor postiço

domingo, 11 de agosto de 2013

Eu gosto


Gosto desses cantos, os escondidos, até dos proibidos. Gosto dos labirintos, de encontrar as saídas íngremes para a felicidade...

Gosto das variantes que a gente vive a cada dia. Gosto das possibilidades de poder refazer, às vezes até "resser", como que passando a existir de novo, do zero.

Gosto dos sorrisos apaixonados, da timidez safada e da falta de roupa... Gosto da emoção dos altos e baixos do amor.

Gosto desses caminhos, tão incertos, do meu coração!

Gosto de provar o café e sentir o sabor da companhia, que está aqui, ou que poderia estar. Relembrar. Ou desejar. Eu gosto disso. Do gosto, do aroma e das ideias. Que me traze um café.

E nada vai apagar as memórias e as vontades de tudo aquilo que eu gosto!


Inesquecível


Ainda sinto o gosto do mel
que tocou minha língua
no entardecer do dia
e que me fez esquecer
dos papeis sobre a mesa
dos monstros nas gavetas
e dos fantasmas de outrora

Ainda sinto o vento do caminho
que já anunciava o perfume
da noite ao seu lado
daquele abraço apertado
do carinho e do toque
e do beijo apaixonado

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Saiba do amor


Você pode até não saber
que a vida começou faz tempo
que o mundo girou com o vento
que o dia sempre começa no amanhecer

Você pode até dizer que não
tem mais energia pra gastar
nem quer mais saber de amar
que já sofreu tanto arranhão

O que você não sabe, meu bem,
é que não existe príncipe encantado
o mundo é mesmo todo revirado
e amor maior que o meu não tem

domingo, 28 de julho de 2013

Oração de amor

Depois de tanto tempo aprisionado,

Maltrapido e maltratado,

Meu coração mudou de cor.

Não é mais vermelhinho como o de todo mundo.

Agora ele muda todo dia, fica azul,

Fica amarelo, vermelho, verde, roxo.

Meu coração mudou de lugar, mudou de forma.

Não é mais como antes, igual ao de todos.

Meu coração agora bate saudade, sugere amor.

Meu coração vale mais que uma flor.

Agora já não importa o dia cinza,

Se a vida é bandida, se eu choro mais.

Agora só resplandece o sorriso,

Que ilumina a tarde, a manhã e a noite.

Agora o abraço chega junto:

No inverno, com cachecol;

No verão, com sunga ou samba-canção.

Agora o beijo não é passageiro:

Mesmo na ausência, ele dura o dia inteiro.

Fica colado em mim, ainda que longe.

O beijo me morde. Passa o dia me mordendo.

Eu sentindo arrepios, dizendo não. Querendo sim.

As manhãs são frias ou quentes, do mesmo jeito.

Mas elas são de bom dia. Trazem a boa tarde,

Ao que sucede a boa noite. Toda noite. Todo dia.

É bucólico. É clichê.

Desculpem, mas o amor hoje só quer ser

Tudo isso, ou quase nada,

Ou só isso. Meu amor não é michê.

Não se vende, não se atira.

Não passa por cima, não é manada

De elefante, nem uma pulguinha saltitante.

Meu amor é completo, me complementa.

Sou um verbo transitivo indireto:

De você, para você, com você, por você.

Parece uma canção de domingo.

Parece uma oração essa poesia.

De amor.

Amém.

domingo, 14 de julho de 2013

20 centavos

Não é apenas por 20 centavos. A coxinha está mais cara, mal se pode almoçar no intervalo. O preço sobe, o ônibus para, o cobrador desce. O motorista não aparece. O pó está caro, o programa aumentou, mas o pau, esse não levantou...

Não são 20 centavos à toa. É o SUS pedindo ajuda: SOS. Os médicos cubanos vão vir pro Brasil, ajudar na crise. Não podem! Não querem! Os brasileiros vão ter que atender no postinho de saúde, na UPA, no PA, vão ter que cuidar da saúde das famílias no interior do Pará.

Não é uma briga só por 20 centavos. O tomate subiu, o vinagre explodiu, o cara não me representa. São milhões nas gavetas, nos bolsos, na íris do olho que ostenta o cifrão. Falta amor, falta barba.

Não é só por 20 centavos, é pela intolerância, pela ignorância, pela segurança do Papa, que custa mais que 20 centavos... É contra o capitalismo, que afunda as almas na exploração e no consumismo. É por tudo e por quem não tem nada. É por quem não consegue ser, mesmo existindo. É pelos invisíveis, mesmo coloridos: pretos e arco-íris, as cores do esquecimento. Só se lembram do vermelho, cor do sangue. Não o que está nas suas veias, mas o que suja as mãos. Não são apenas 20 centavos!

domingo, 7 de julho de 2013

Achados e perdidos


Eu sei tudo o que perdi
As vezes em que não te vi
Do sonho que eu desisti
Eu sei de tudo
Mas não me arrependo
Porque outra vida eu tive
Outro amor eu encontrei
Outros caminhos eu provoquei
Nadei em rios de águas turvas
Que me davam tanto prazer
De molhar a nuca, a cabeça
De escorrer a tristeza
E levar a lembrança
Embora de mim
Eu perdi tanta coisa
Mas no caminho
Outras tantas pude ter
O que agrada não é ganhar
Não quero competir
Nem amor, nem dinheiro
Nem aparência
Eu quero ver um sorriso
Que me olhe
Que me provoque
Que me tente
Que me traga
Um encontro

domingo, 30 de junho de 2013

Um dia gris

Eu poderia ter um pouco mais de paciência, poderia por meu amor sobre a mesa, servi-lo quente mesmo. Até gostaria de fazê-lo acompanhado de uma música melosa, de uma bebida doce e com uma sobremesa cremosa ao final. Pois bem, não estou disponível para oferecer tal refeição, pois meu dia está gris, como o céu lá fora. Soa como um espelho: o céu e eu refletindo uma mesma imagem nesse dia nublado. Nada de desânimos ou sofrimentos à toa; trata-se apenas de um momento cinza sem horizontes bonitos para se admirar. Horizonte em que não quero chegar neste dia. Não se trata de uma tristeza, pois em meio a tanta vida, não há porque estar triste. É apenas o dia sem cor que se opõe ao vermelho do sangue bombeado pelo coração. Às vezes a pressão cai e o sangue meio que muda de coloração, tingido de cores opacas. Sem força para passar o dia e sem cor para brilhar, é como se o dia estivesse de olhos fechados.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Brincadeiras

O jogo da amarelinha
O céu, o inferno.
O quebra-cabeça
As peças não entram.
O esconde-esconde
Nunca te encontro.
O pega-pega
Nunca alcanço.

Que saco ser criança.

Ainda bem que cresci,
Vou brincar de médico.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Saída de emergência

Correntes nas pernas
prendendo o caminho,
impedindo a andança,
matando no ninho
a liberdade de outrora,
que tinha quando criança.
Só não conseguem prender
o olhar amarrando.
Ainda que sem amor,
sem mais nada pra viver,
o olhar sai do corpo
em busca do horizonte:
saída de emergência.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Segundo tempo

O relógio corre
E o tempo engole
É nada ou tudo
Você que escolhe.

Primeiro tempo

Eu apaguei o meu passado
Pra começar hoje
O meu futuro de ontem.
Eu deixei aquilo de lado
Pra correr atrás da vida
Que eu ainda não tive.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Fantasmas

Ela via fantasmas que queria reais.
Não sabia como curar a loucura.
Ao toque, sentia apenas o ar, nada mais.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Novos tempos

Isso não importa mais
O amor já se acabou
Não estou mais na sua
Eu só quero sorrir com o dia
Amanhecer com o sol
Preciso ver o entardecer
Sentir a Lua me olhar
Cheirar a brisa da noite
E descobrir que já passou
Que isso não importa mais
O amor mudou de flor
Deixou a lembrança
A semente de um novo dia
Que se inicia agora

domingo, 2 de junho de 2013

Muro do coração


Na correnteza da chuva, corria a tristeza de tudo que se perdia naquelas águas turvas e tortas. A chuva levava tudo embora, a paz, a alegria, o samba que ia surgindo no quintal, a roupa que secava no varal, a mochila das crianças que acabaram de chegar da escola, e as meias que estavam a secar no muro, que dividia não apenas os vizinhos, mas que compartilhava a segurança a que se propunha. E segurar as águas da chuva não era a obrigação daqueles tijolos sobrepostos. Águas para conter? Não era essa a função do muro. Ele segurava o que lhe cabia, mas não podia salvar vidas contra a correnteza que invadira todas aquelas vidas.
Às vezes o coração tem dessas coisas, nos deixa desprotegidos das correntezas inesperadas.

sábado, 1 de junho de 2013

Um novo olhar no anoitecer

É num olhar outro que visualizo essa nova perspectiva de mim. É na língua sentindo um gosto diferente que percebo meu paladar reagindo. É no toque da mão, na pele do lábio, que beijo uma experiência nova. Essa boca inédita, esse olhar que me fita, essa vida que insiste em piscar para mim, dizer que sou eu o escolhido. Escolhido. Recolhido. Sou eu quem espera um novo anoitecer pra você chegar.

A sobra da falta


Falta drama nessa lua
Falta riso nesse circo
Falta carinho nesse toque

Sobra dor nessa memória
Sobra ódio nas ruas
Sobra egoísmo nas vidas

terça-feira, 28 de maio de 2013

Não tem jeito

como eu saberia
dessa dor mal partida
dessa fresta no meu peito
eu nunca esconderia
esse amor que não tem jeito

Não posso o avesso

não posso pensar
não posso parar
não posso voltar
não posso sangrar

não posso mentir
não posso sentir
não posso despir
não posso ouvir

não posso viver
não posso morrer
não posso esmorecer
não posso correr

não posso rimar
nem mesmo cantar
não posso verbalizar
nem conjugar
a vida é regra
do posso, não posso
é uma desregra
desgraça
não posso

a vida é uma ordem
um caos
é um poste
eu bato a cabeça
não sigo a seta
do outro lado
o tempo não espera
não posso, não quero
nada está certo

não recito, nem faço
a alegria do abraço
não posso soprar
não sou vento lá fora

deixa eu pensar
demorar
numa dose
de amor
de vida
daquilo que não tem mais saída
é o fim do começo
da vida
do avesso

domingo, 26 de maio de 2013

Andando na contramão

Direção, direção, direção. 
Um volante na minha mão.
Que caminho vou seguir, não sei, não.
Direção, direção, direção.
Batimento infinito no meu coração.
Estou perdido, feito um balão.
Direção, direção, direção.
Sem placa, nem informação.
Ando de ré, na contramão.

domingo, 12 de maio de 2013

Elevador

Subo, desço, subo, desço
Enquanto fico louco
Disso não me esqueço

De repente...

De repente o coração bate mais rápido, mais devagar. O coração para, se adianta, para de novo. De repente a vida é um suspiro, de repente é o último segundo. De repente não é mais vida, não se define mais. De repente, silêncio...

Sem sentir

Meus sentidos me enganam
não me querem
me abandonam...

Meus sentidos estão à Leminski
sentindo muito
muito lento...

Na gaveta

Saiu de casa para um passeio, mas antes colocou seus problemas íntimos na gaveta de meias, e os deixou lá até a volta, para que não criassem filhotinhos na rua...

Metades

Sem meias frases
Nem meias mentiras
Ando meio vivo
Quase morto
Preciso de uma dose inteira

Morrendo

O poço.
A poça.
Vivendo na fossa.
O fim do mundo, não.
O fim da vida, não.
O fim da dignidade.
O fim da felicidade
Um mundo de insanidade.

Café de manhã

O gosto do café amarga minha língua. Sinto o cheiro, o quentinho, a lembrança do que tem lá fora. Esse café desperta minha vida do sono mal dormido, da noite fria que antecedeu o sol de hoje de manhã, dessa aurora que logo será história para ser contada no jantar, ou no almoço, ou no esbarrão que se dê na rua com aquele (des)conhecido.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Eu gosto

Gosto desses cantos, os escondidos, até dos proibidos. Gosto dos labirintos, de encontrar as saídas íngremes para a felicidade...

Gosto das variantes que a gente vive a cada dia. Gosto das possibilidades de poder refazer, às vezes até "resser", como que passando a existir de novo, do zero.

Gosto dos sorrisos apaixonados, da timidez safada e da falta de roupa... Gosto da emoção dos altos e baixos do amor.

Gosto desses caminhos, tão incertos, do meu coração!

Gosto de provar o café e sentir o sabor da companhia, que está aqui, ou que poderia estar. Relembrar. Ou desejar. Eu gosto disso. Do gosto, do aroma e das ideias. Que me traz um café.

William Lima

Profecia

Instantes, momentos... tempos serenos.
Vida, feliz. Vidas, um jogo:
Bate e volta;
Caindo, levanta;
Escrevendo, apaga.
E correr, e fazer;
E cantar, o sonhar;
Vem brilhar.
Da manhã o sol,
Da noite o luar.
Vem cantar, vem ouvir.
Vem gritar, sussurrar
Vem dizer, me contar...
Profecia realizar.

William Lima

Fingindo para fugir

Sabia quem eu era. Me reconheceu. Olhou temendo que eu dissesse oi. Comentariam nossa proximidade. Encarei. Fixamente. Chovia. Ao passar por mim, se molhou, mas jogou o guarda-chuva de modo a se esconder. Era tarde, eu já o vira, tanto quanto ele me vira. Mas preferiu fugir. Fingir. Era o medo do que mesmo? De se olhar no espelho. Eu ri, com olhar de desprezo para o nada, eu ri...

Os casamentos de Marília


Marília se desquitou.
Não era mais de Dirceu.
Marília era de todos nós,
de todos os outros.
E Dirceu ficou para trás,
voltou a morar com o Gonzaga,
voltou a trabalhar com o Bentinho.
No mês de abril, Marília se cansou.
Amor à primeira vista,
Fugiu com Pereirinha
e com ele se casou.


William Lima

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Entre os sentidos



Entre os sabores do beijo, da boca, da língua há uma busca pelo desejo de ter o outro dentro de mim

Entre os dedos e a palma das mãos há um toque que me arrepia, uma apalpada que me convida

Entre os corpos suados não há espaço nenhum; as gotas que escorrem devem se misturar

Entre os olhos e as curvas que vejo não há tempo para piscar nem perder alguns gestos

Entre o cheiro do perfume e da pele há uma possibilidade de novas experiências

Entre os sons de gemido e os movimentos há espaço para um eu te amo

Entre sentidos e sentimentos há quem goste do prazer

Entre tudo que já falei fica minha vontade

Entre todos, uma pessoa

Você

sábado, 26 de janeiro de 2013

Das paixões e das despedidas



Passo em frente à loja todo dia. Estico o pescoço e tento te encontrar. Não te vejo. Fica a esperança de te rever, ainda que apenas nesses segundos, e da calçada. Nada. Você não aparece mais. Foge de mim. Ou foge do amor. Ou foge da dor... que o reencontro pode provocar. As minhas lembranças de você estão tão vivas agora. Você me chamou, disse que ia embora, queria dizer tchau. Depois de tempos, veio se despedir de mim. Ainda se lembrou do que vivemos. Eu chorei. Te desejei e agora te desejo mais ainda. Me dá um último abraço ao menos, eu peço. A saudade já existe mesmo, ao menos quero esse último toque. Quero essa última lembrança nos meus sentidos... seu cheiro, sua pele, quem sabe me deixa provar sua língua pela última vez?
 
A primeira vez em que nos vimos foi tão mágico. Me lembro de tudo agora, cada detalhe, cada conversa, cada sorriso seu... Você me contou tanto da sua vida naquela noite. Se revelou. Não tinha como não ter me apaixonado. Seu beijo foi avassalador, sugou todo meu amor pra dentro do seu coração, me possuiu... Eu não era mais dono de mim a partir daquela noite, não importava o tempo que durasse, eu era seu, todo seu.

E agora fico com as lembranças na memória e com um sorriso enorme de tanta alegria por você ter vindo se despedir de mim. Alegria!

Este post se relaciona a este, a este e a este. Por isso é significativo para mim ter sido lembrado nesse adeus.


 

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