domingo, 2 de janeiro de 2011

Enterrado vivo

O título do filme é "Enterrado vivo" (Buried). Uma produção espanhola com um ator americano (Ryan Reynolds) que narra um período de cerca de 2 horas de um motorista americano que fora trabalhar no Iraque.
Essas duras horas são angustiantes, porque são 2 horas de prisão em um caixão, enterrado vivo!
O suspense do filme só não é maior que a questão política presente ali... Paul Conroy, o personagem de Reynolds é uma vítima de sequestro. Os bandidos pedem resgate de 5 milhões de dólares. Paul tem um celular no caixão, pelo qual se comunica com os bandidos e com o Estado americano.
Os EUA parecem querer ajudar, duvidosamente. Os bandidos não estão de brincadeira. Paul diz que não é militar, que está no Iraque trabalhando na reconstrução do país - aquele que os próprios americanos destruíram, replicou o sequestrador.
O governo dos EUA tenta abafar o sequestro. Deixa claro que não é o único, que há e houve outros, sem exposição midiática. Tentam resolver tudo longe dos holofotes e Paul descobre isso da pior forma: vivendo na pele os desmandos do governo americano.
E não apenas do governo. A empresa para a qual Paul trabalha se exime de qualquer responsabilidade com sua vida, dizendo que naquela manhã haviam rompido o contrato de trabalho dele porque ele supostamente tivera um caso com uma colega de trabalho, ferindo cláusulas contratuais - isso faria com que Paul ficasse sem qualquer auxílio no Iraque, ou sem qualquer indenização, seguro etc... É o capitalismo em seu estado mais selvagem, mais devorador de seres humanos. Foda-se o lance de direitos humanos. Foda-se a questão de direitos de trabalhador.
Os EUA são mostrados no filme como aquele que não se importa com seus cidadãos - tão amantes de sua bandeira, tão patriotas. Eles querem apenas dominar, invadir, mandar, matar. Nem que para isso tenham que morrer os próprios americanos "em nome da nação", como ocorreu com os milhares de mortos no 11 de setembro e nas guerras que os EUA insistem em travar...
Bom, o final do filme é a melhor parte, mas essa eu deixo pra vocês saberem vendo o filme!

2 comentários:

  1. Eu já ouvi quem tenha falado mal do filme mas por outras razões. Esse campo de tensao política me interessa muito. Vejo que os filmes que criticam o governo estão recebendo mais atenção ultimamente, inclusive "Guerra ao Terror" ganhou 6 Oscar.

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  2. Eu ainda não assisti ao filme, mas pela sua critica senti vontade de ve-lo.
    Muito bem elaborado seu texto!
    Tb acredito como o Thiago que filmes sobre tensão política são interessantes.
    Empreste-o p mim? hehehe
    beijos

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