quarta-feira, 13 de junho de 2012

Deixa queimar



Uma tradução para aquecer do frio do outono. Uma chuva quente para tirar o sono dos apaixonados. Uma tradução do inglês. Uma tradução da dor. Um sofrimento a mais e mais um dia sentindo o coração ofegante como nunca. Não bastasse a doçura da voz da cantora britânica Adele e a letra da música ‘Set fire to the rain’ que ela canta, ainda temos a chance e o prazer de ler a tradução poética do querido Carlos Emilio Faraco (Twitter @carlosemilio). É meio surreal essa música, e fica mais linda na versão em português. Um amor que me salva da morte, mas que depois se apresenta como mentiroso. Para me vingar, eu incendeio a chuva para te queimar enquanto eu sofro com mais um engano. Fiquei apaixonado pela tradução do Carlos, não há expressão melhor que a dele. O amor e a dor sempre ardem, cada um a seu modo. A paixão é sempre sofrida. Quem consegue ser forte? Quem não fica fraco diante de uma ilusão apaixonada? Impossível não se deixar enganar, mesmo quando as mentiras são desfeitas. Afinal, por pior que você tenha agido, você me salvou em algum momento. E mesmo me fazendo sofrer, eu continuo te querendo. Mas tenho que vencer esse querer, porque sua salvação não foi sincera. Você mentiu o tempo todo e esse amor que eu sinto é real, mas o que você me trouxe, não. A chuva que quero para você não é apenas a que te molha. É, antes, a que te queima, a que me vinga da tua crueldade.

Incendiei a chuva

(tradução de Carlos Emilio Faraco)

Deixei meu coração tombar
E você o deteve na queda, como se fosse seu.
Vagando na escuridão, eu atingia meus limites,
Quando teus lábios socorreram minha respiração.

Minhas mãos? Ah, estavam fortes,
Mas com elas não rimava a frouxidão dos meus joelhos
E eu não pude evitar
De reverenciar teus pés.

Vassalo, não decifrei
O teu lado obscuro, escuro, duro:
Tudo o que você disse
Era mentira, engano, logro.
E os jogos, com cartas marcadas,
Você vencia sempre e sempre...

Mas eu incendiei a chuva
E fiquei olhando ela fagulhar teu rosto.
E ela queimava enquanto eu chorava,
Pois eu ouvia gritos líquidos
Clamando teu nome, teu nome.

Quando me deito com você,
Posso me liquefazer ao teu lado,
Cerrar os olhos,
Sentir- te onipresente:
Nada pode ser melhor
Do que eu somado a você.

Vassalo, não decifrei
O teu lado obscuro, escuro, duro:
Tudo o que você disse
Era mentira, engano, logro.
E os jogos, com cartas marcadas,
Você vencia sempre e sempre...

Mas eu incendiei a chuva
E fiquei olhando ela fagulhar teu rosto.
E ela queimava enquanto eu chorava,
Pois eu ouvia gritos líquidos
Clamando teu nome, teu nome.

Eu incendiei a chuva
E nos enlaçamos nas chamas,
Enquanto algo queimava para sempre
Pois eu sabia que era a última vez,
A última vez.

Às vezes eu acordo ajoelhado na porta.
Aquele coração que você aparou, ainda espera por você.
E mesmo agora, depois do ponto final,
Eu não consigo não te procurar.

Mas eu incendiei a chuva
E fiquei olhando ela fagulhar teu rosto.
E ela queimava enquanto eu chorava,
Pois eu ouvia gritos líquidos
Clamando teu nome, teu nome.

Eu incendiei a chuva
E nos enlaçamos nas chamas,
Enquanto algo queimava para sempre
Pois eu sabia que era a última vez,
A última vez.
A última vez.

Oh!
Deixa molhar,
Deixa arder,
Deixa queimar.

2 comentários:

  1. Parabens , Carlos, são poucas as pessoas sensíveis ,q conseguem se exprimir tão encantadoramente. Beijo ana

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