domingo, 26 de junho de 2011

Me liga!

Após o sinal, deixe seu recado.

-To na rua tomando uma cerveja e me pergunto por que to pensando em você e te ligando agora. Acho que to a fim de você, mas nem sei mais o que fazer com isso dentro de mim. O máximo que consigo de você é um "quem sabe né". Fazer o quê? Esperar um amor pra me aquecer no inverno recém-chegado. Nem sei mais se devo pedir pra você me retornar essa ligação... Já pedi tantas vezes pra te ver, e você nem aí pra mim. "Vamos sair qualquer dia" é outra constante nessa inconstância que vivo louco por você. Eu sempre espero esse dia qualquer chegar, esse quem sabe ser conhecido. Esperar... Apostar... Conquistar.... Não sei como posso te conquistar, o que tenho que fazer, desaprendi essas coisas, sei lá. Você não ajuda, não dá uma dica, não me diz se realmente ta a fim de mim ou não... Você está saindo com outro cara e ta me enrolando, me mantendo como step caso algo não dê certo por lá? Ou apenas não tem pressa que as coisas aconteçam? Ou apenas não sabe o que quer da vida? Ou não sabe se de fato eu te interesso? Ah... Tudo bem, vai, vou deixar de ser tão chato e pegar no seu pé assim, estou me irritando comigo mesmo. Mas é que sua evasividade me deixa transtornado, aí eu bebi e como to sempre pensando em você, resolvi te ligar. E aí, mais uma vez, não te consigo, falo dessa vez na caixa postal. Ontem eu falei pro vento... 

Atenção: seus créditos acabaram! Faça uma recarga pra continuar falando.

domingo, 19 de junho de 2011

Pelo menos...

E o meu coração? Nem sei mais dele, viu. Mas ainda bate... Pelo menos parece. Acho que sim, se não, não estaria dizendo isso, né?! Sem sangue quente nas veias, nas artérias, correndo pelo corpo, o que somos todos? Nada, a não ser um monte de carne sem vida, abatida... Ok, meu coração ainda bate. Meus olhos ainda veem. Estou tendo uma visão. Estou vendo mesmo? Acho que alucino. Vejo meu celular com as luzes acesas, como se alguém me ligasse. Olho de novo, de perto. Era uma errada impressão que tive. Uma visão do futuro? Alguém vai me ligar? Ou uma memória apenas? Não toca mais esse aparelho, e talvez não deva tocar logo. Então deve ter sido uma memória mesmo, já que ele já tocou várias vezes... Nossa, meu coração é como meu celular? Não, porque meu coração ainda bate, biologicamente bate... Meu celular não tem veias... Vi as luzes novamente. Outra visão. Memória, melhor dizer. Ou seria uma vontade? Vontade de receber uma ligação. Mas e o meu coração nisso tudo? Ah... Já que ele 'pelo menos' bate, que meu celular pelo menos toque! Afff... Que triste isso. Será que 'pelo menos' estar vivo é algo bom? Não quero viver com tão pouco... Quero meu coração bombeando amor por todo meu corpo!

domingo, 12 de junho de 2011

Amor caliente

-Já pensou se um dia você conhecesse um estrangeiro, um francês? Assim do nada, cruzando a rua?
-Hahahahaha Claro que já pensei. Queria cruzar com aqueles atores de Hollywood... Ai, ai...
-Não to falando desses... To falando de um desconhecido. Nem precisa ser bonitão. Mas já se imaginou esbarrando com um desses?
-E por que tem que ser de outro país? Ta... Eu cruzo com um estrangeiro, a gente se olha, se apaixona e se beija. E depois? Eu não falo francês. E se ele não falar português? Como faremos?
-Ai, entra num curso, mulher... Sei lá... Aprende a língua do amor!
-Minha filha, presta atenção: a única língua que quero aprender é a desse francês no meu corpo se eu cruzar com ele na rua. Mas se não for ele, pode ser outro. Hahahahaha.
-Nossa, eu falando de amor e você pensando em sexo!!!
-Hahahahaha. E você acha que o amor vai existir sem sexo? Eu ia falar só com a velhice, mas estaria errada. Nem na terceira idade o sexo acaba!
-Que horror, falando dos velhinhos.
-Ai, para com isso hem... Ou você acha que os idosos pararam de viver?
-Ai, não é isso, eu só acho que...
-Ai, não diga asneira hem... O amor não se reduz apenas a sexo. Não é isso que eu quis dizer. Mas é inegável que amor e sexo tenham tudo a ver. Quer dizer, quando você faz sexo com amor é bom. Mas você pode transar sem gostar, sem se apaixonar pela pessoa, e ter momentos de muita felicidade. Hahahahaha.
-Nossa, será? Não consigo me imaginar na cama com um homem sem estar namorando, ou casada. Sei lá. Não me imagino saindo com um desconhecido.
-Hahahahaha. Mais um motivo pra sair. Assim, na cama, você o conhece melhor. Quem sabe depois dessa transa descompromissada não role novos encontros e um namoro?
-Olha o que você está me dizendo: pra sair com um desconhecido, transar com ele e depois ver o que acontece!!! Que horror!!!
-Horror nada. É algo natural. Você tem um corpo, o cara tem outro. Dá pra encaixar tudo, gozar e ser feliz!!! Ou você acha que vai namorar dez anos e se casar? E se quando finalmente for pra cama com ele perceber que não é o que esperava? Vai resistir em nome do amor?
-Ai, você está complicando demais as coisas. Eu só pensei num amor estrangeiro, repentino, bonitinho...
-Ah, 'bonitinho'? Não quero um amor bonitinho. Quero um amor de verdade, inclusive sexualmente verdadeiro. Eu me entrego toda, me derreto na cama pro meu amor, mas ele tem que dar conta hahahahaha.
-Ai, como você ta fogosa hoje hem...
-Acordei realista demais, só isso. É que, já que não consigo namorar, quero pelo menos ser feliz no sexo! O que tem isso de tão fora da realidade?
-Não é ser ou não real. É que não consigo me ver numa relação casual como essa que você sugere...
-É porque você nunca sentiu um prazer gostoso de ser tratada como mulher de verdade.
-Eu vou sentir esse prazer de ser bem tratada quando achar o homem certo...
-Pelo jeito, o homem certo vai trabalhar enquanto você fica em casa cozinhando, não?!
-Não sei como vai ser meu casamento, mas cozinhar é normal.
-Tanto quanto fazer sexo, amiga!!!
-Ai, chega desse assunto, vai...
-To adorando a conversa...
-Eu não, por isso vou embora. Depois nos falamos. Tchau.
-Ok... Tchauzinho!

E a amiga dita 'certinha' foi embora pensando com seus botões e toda molhadinha:  "Como essa vaca consegue ser tão feliz e eu me prendo tanto? Como seria esse sexo casual?"

Você

Ouço sons
Suaves sinais
Soando saudosos.
Saudades suaves.
Sons saudosos.
Ouço sinais
Soando suaves.
Sons saudosos
Soando sinais.
Suaves saudades.
Ouço o sopro.
Sua saudade.
Sinto você...

PS: não tenho a quem dedicar essa poesia, que escrevi alguns anos atrás. Mas fica pra tod@s @s apaixonad@s de hoje. Feliz dia dos (sem) namorados.

sábado, 11 de junho de 2011

Dia dos (sem) namorados

-Queria passar o dia dos namorados sem medo...
-Mas do que você tem medo?
-De passar o dia dos namorados sempre assim. É sempre o mesmo medo.
-Mas isso que você sente é medo mesmo?
-Você quer filosofar sobre meus sentimensos? Eu chamo isso que sinto de medo. Talvez seja apenas uma vontade de não estar sozinho. Talvez seja a solidão gritando dentro de mim, se impondo. Talvez eu queira seguir um roteiro de filme: sofrer, lutar, amar, ser feliz pra sempre... É até engraçado (se é que se tem graça nisso mesmo), mas eu queria ter mais segurança dentro de mim, ser mais confiante, menos arrogante. "Valorize quem está ao seu lado" é balela isso. Não consigo enxergar ninguém aqui perto. Se você souber de algo, me avise por favor.
-rsrs Dramático!
-Agora o nome do meu sentimento é drama? Hahahahaha Você tem que se definir, porque está me arrumando zilhões de definições, mas está meio perdido nas suas...
-Agora você me confundiu.
-E você, não tem essa vontade de ter alguém por perto também?
-Claro que sim, mas não tenho pensado muito nisso. Quer dizer, pensar eu penso, mas tenho me ocupado com outras coisas pra não dar tanta atenção a esse assunto.
-Mas por que foge de si mesmo?
-Porque eu sei o quão importante isso é pra mim, e como estou sozinho, não quero sofrer em dobro: pensar em estar com alguém e aceitar minha solidão. Prefiro me ocupar com outros pensamento.
-Ocupar-se com outros pensamentos... Sei. Isso é o que você está me dizendo, é o que diz para os outros. Mas o que pensa pra si mesmo é isso também?
-Agora você que quer filosofar sobre minha vida?
-A gente está conversando, não?!
-É...
-Levanta a cabeça, vamos continar o papo. Pra que devemos fugir de nós mesmos? Não quero continuar me trancando no quarto. Quero ser eu mesmo o tempo todo. Com ou sem medo. Com ou sem alguém...
-É... Mas é difícil aceitar a vida que eu levo. É difícil ser aceito assim. Em todo lugar que vou tem gente acompanhada. E eu sempre sozinho. Ninguém fala nada, mas sinto olhares...
-Você e seus sentimentos, hem...
-rsrs Eles me encaram. Os meus sentimentos, quero dizer.
-Hahahahaha. Eles sempre estão conosco, se você não "sentiu" ainda...
-Engraçadinho!!!
-Mas é verdade.
-Eu sei que é verdade.... Infelizmente o medo de ficar sozinho todo dia dos namorados ainda está comigo. Talvez porque eu esteja sozinho este ano de novo.
-Você está sendo radical. Se estivesse com alguém, teria outra reclamação, tenho certeza!
-Pode ser, mas preferiria ter outra reclamação, porque a mesma todo ano me deixa com mais medo. Hahahahaha. Seria bom variar os sentimentos, se não, quando enfim estiver com alguém, não vou saber como agir.
-Você tem razão. Hahahahaha
-Viu, agora estamos até rindo.
-Nem todo sentimento tem que ser negativo o tempo todo.
-Obrigado pela conversa, mas estou no meu horário.
-Foi bom te encontrar aqui no Café.
-Nem perguntei seu nome...
-Você está sempre por aqui esse horário?
-Algumas vezes na semana. E o seu nome?
-Em alguma dessas vezes eu te conto. Pra que saber tudo num dia só?
-É o medo de ficar sozinho...
-Não tem jeito, hem... Viva outro sentimento um pouco. Tenho que ir agora.
-Até mais! Vou deixar o medo pra lá e viver meu desespero, então!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Último suspiro

Passava pela rua de cima, diferente da que costumava ir para casa, porque recebera uma carona até ali perto. No segundo quarteirão, viu um jovem sentado na calçada, de frente para um terreno baldio, soluçando de tanto chorar. O homem parecia muito abalado. Não costumava ser um cara que se preocupava tanto com os outros, não excessivamente, não era ligado em direitos humanos, em lutas coletivas, mas teve um estalo e resolveu intervir:
-Ei, moço, o que você tem? Está passando mal? - perguntou, meio timidamente.
-Não se preocupe. Estou bem. - disse o homem, soluçando, olhando para cima para ver quem o interpelava.
-Me conte o que aconteceu. Por que você chora? Parece tão transtornado!
-É difícil você se tornar invisível, ninguém pra saber da sua vida, se está tudo bem, se quer sair pra conversar. Não dá mais pra continar nessa vidinha. Nem vidinha posso chamar esse vazio...
-Mas você tem que aguentar, tem que superar toda essa tristeza. - insistia, agora sentado ao lado do homem na calçada.
-Eu não consigo me imaginar mais assim. Não sou apenas triste, vivo na solidão. Chega uma hora que a gente cansa de chorar sozinho...
Chorou sua solidão nos ombros daquele que o ouvira por dois minutos, mas que representava tanto tempo, tão longo tempo na sua tristeza... Suspirou e sua alma finalmente teve um último momento de vida. Era o fim de sua tristeza e de sua solidão. Na hora da morte, encontrou sua última conversa.


PS: a título de curiosidade, este texto foi escrito do fim pro começo, eu comecei com o último parágrafo até chegar ao primeiro. Depois só fiz uns ajustes. Foi um exercício bem legal.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Sírio Possenti responde a Caetano Veloso ainda a falsa polêmica entre norma culta e falar coloquial

Sírio Possenti responde a Caetano Veloso ainda a falsa polêmica entre norma culta e falar coloquial

Mais um excelente texto de Sírio Possenti sobre a falsa polêmica entre norma culta e falar coloquial

Eppur, si muove (mas se movimenta)

Por: Sírio Possenti, no Terra Magazine
02/06/2011

Eppur…

Freud disse que o homem sofreu três feridas em seu narcisismo: a descoberta de que a Terra (portanto, o homem) não está no centro do Universo, a teoria da evolução das espécies (não fomos criados diretamente por Deus) e a descoberta do inconsciente (fatores que não conhecemos nos “determinam”).

Talvez se possa dizer que a antropologia e a linguística produziram outra ferida em nosso narcisismo. Descobriu-se que não é verdade que as sociedades que foram qualificadas de primitivas não tinham leis ou regras. Assim, não há “primitivos”: eles não viviam nem vivem como bichos (não têm fé, nem lei, nem rei…). Também não é verdade que as línguas “deles” são simples. Eles não grunhem! Eles falam seguindo gramáticas complexas e outras complexas regras “contextuais”. Só a total ignorância pode manter erros vulgares como estes (que, para muitos, continuam válidos não só para os primitivos, mas também para o povo).

Nas últimas semanas, ouviu-se troar a idéia de que estaremos perdidos porque se aceita “os livro” e “os menino pega” (não se sabe de onde tiraram o verbo “aceitar” para casos assim). Os que pensam que dizem “os livros” (a forma representa metonimicamente uma língua) acham que os outros não pensam (mas não citam fonte alguma sobre as relações língua/mente). Ora, tem sido constante a demonstração de que se pode pensar independentemente de línguas ou dialetos. A filosofia e a ciência elaboradas em diferentes línguas o demonstram há séculos. E as numerosas traduções o comprovam – apesar de algumas traições (que, às vezes, melhoram o original). Pensar não depende de pingar um “s” aqui e um “r” ali (o que se demonstra todos os dias).

O venerável Dines proferiu duas barbaridades em programa recente na TV: igualou escrever certo a escrever bem (citava Otto Lara Resende) e disse que Os livro põe em risco a compreensão. Tenho certeza de que Dinnes compreende os livro. Não estou “aceitando”, estou dizendo que é uma forma com sentido e que um sujeito como ele certamente a compreende. Insisto: errou feio quando traduziu “escrever bem” por “escrever “certo”. O angu nada tem a ver com as alças.

A peste que a lingüística “leva” (Freud afirmou que estava levando a peste aos EUA, quando foi lá fazer suas conferências) provoca engulhos nos que pertencem à nossa elite intelectual, porque falariam certo (mas não falam: eu ouço alguns deles todas as semanas, na TV; outros, esporadicamente; outros, conheço ao vivo).

Os que disseram que a Terra girava segundo leis diferentes das que constavam nas “gramáticas celestes” da época foram ameaçados com a fogueira pelos que tinham certeza de que sabiam como era o mundo. Também houve muitas perseguições a defensores das teorias evolucionistas. Os linguistas não correm riscos idênticos, claro (imagino!). Por enquanto, só estão sendo ameaçados com manuais bem leves e listas de erros (é “em domicílio”). Pelo menos por enquanto.

“Eles” pensam que a mudança da língua acabou. Que, finalmente, o português completou seu ciclo, ficou “certo”. Até “etimologistas”, que listam exatamente mudanças (que não explicam), acham que a língua parou de mudar agora. Estava esperando por eles! Eppur, si muove.

Esquerda?

A burrada das burradas foi a insinuação de o tal livro seria a defesa da fala “errada” de Lula. Ora, este tipo de estudo se faz há 200 anos, desde as gramáticas históricas, logo seguidas pelos estudos de dialetologia e pela escola variacionista. Muitos brasileiros escreveram sobre o tema bem antes dos atuais lingüistas (mas ninguém conhece a bibliografia!!).

Outros acharam que as posições “em favor” da variação linguística são de esquerda. Ora, não são! Se lessem Economia das trocas linguísticas, de Pierre Bourdieu, ou a Introdução à sociolinguística, de Marcellesi, por exemplo, veriam a diferença (mas eles não lêem!). Os “esquerdistas” chegam a detestar os estudos variacionistas. Consideram-nos funcionalistas, vale dizer, burgueses.

Por que defender esta abordagem, então? Porque ela permite que os estudos de língua cheguem pelo menos à era baconiana. (Francis Bacon é o nome do autor do Novum Organon, um filósofo dos XVI-XVII. Não é toucinho defumado).

Ciúme

Caetano escreveu que “esses linguistas têm grande ciúme do sucesso que fazem os professores de gramática que, oferecendo aquilo de que tem sede a grande massa, ocupam espaços em jornais e tempo no rádio e na TV”.

Controvérsias costumam desandar. Quase sempre, quando falta um argumento, os contendores passam aos ataques pessoais. Em vez de contestar uma análise, começam a dizer “é conservador”, “é esquerdista”, “é invejoso”, “é tucano”.

As atividades fundamentais de Caetano Veloso têm muito a ver com sucesso de público, o que talvez explique sua hipótese. Mas nem todas as pessoas sãopeople, nem todos os profissionais aparecem em jornais, em trios elétricos, na TV, nas revistas semanais, na Caras. Simplesmente não faz parte de seu trabalho. Nem de seu mundo. Os linguistas não são anjos, e certamente têm ambições. Mas preferem ser citados pelos pares a aparecer na TV. E, em geral, só falam do seu trabalho. Os que eu conheço não têm este tipo de ciúme. Talvez tivessem até vergonha, se aparecessem na TV dizendo aquilo. Como encarar os pares no dia seguinte? E os alunos?

Lembro de Caetano vaiado no Maracanãzinho, enfrentando a multidão. Gostei. Foi admirável.

Maria Frô

Educação de Jovens e Adultos e Programa Nacional do Livro Didático/ EJA

UNDIME se posiciona diante da falsa polêmica entre norma culta e falar coloquial

A nota traz algo bastante interessante, como temos uma mídia e uma oposição que não ouve nunca os professores.

Posicionamento público PNLD/ EJA
Autor: Undime (União Nacional dos Dirigente Municipais de Educação)
Data: 30/5/2011

Educação de Jovens e Adultos e Programa Nacional do Livro Didático/ EJA

A cada ano, nos meses de outubro, assistimos a campanhas midiáticas sobre o dia dos professores. Sobre como a profissão deve ser dignificada, valorizada, e que educação ainda não é prioridade. Isso, a princípio, demonstra um reconhecimento, por parte da sociedade, acerca da importância do profissional de educação. Entretanto, nessas últimas semanas, a sua capacidade discricionária vem sendo posta em xeque.

O livro “Por uma vida melhor”, pautado pela imprensa nessas últimas semanas, foi escrito por professores com experiência em educação de jovens e adultos; sua seleção para o PNLD/ EJA (Programa Nacional do Livro Didático/ Educação de Jovens e Adultos) foi feita por professores de universidades públicas; sua escolha, para ser utilizado em escolas públicas, feita por professores. E a isso, em momento algum, foi atribuída a relevância devida nas notícias veiculadas.

O estudante de Eja enfrenta diversos obstáculos para continuar seus estudos. Os principais são a baixa auto-estima causada pela defasagem idade/ série e a necessidade de dividir seu tempo e sua dedicação com trabalho, escola e família. A escola tem por obrigação ajudá-lo nesse processo. Reconhecer suas vivências, sua cultura, seu conhecimento, sua linguagem é o primeiro passo.

Acaso o exemplo do livro, relativo à variante popular da norma culta, fosse “tava” (estava) ou expressões de cacofonias comumente usadas “lá tinha” ou “por cada”, a polêmica seria tão grande assim?

O controle público deve ser exercido pela comunidade escolar e pela sociedade em geral. É direito do cidadão. Mas é preciso garantir que os argumentos sejam expostos, lidos, interpretados sem conceitos preestabelecidos e que não haja manipulação por interesses políticos ou econômicos o que, sabe-se, é difícil de acontecer em um programa do porte do PNLD e que envolve o mercado editorial. Sobretudo é preciso reconhecer e respeitar o protagonismo do professor no processo de ensino-aprendizagem. É ele o profissional preparado para essa mediação e esse debate.

Brasília, 27 de maio de 201

CLEUZA RODRIGUES REPULHO

Dirigente Municipal de Educação de São Bernardo do Campo/ SP

Presidenta da Undime Para abrir o documento, clique aqui.

Maria Frô

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