segunda-feira, 25 de abril de 2011

Amor e dor de barriga

Às vezes o amor é incomoda tanto que parece uma dor de barriga. Engraçado? Bem que poderia ser engraçado, mas veja se isso é hilário: quando você está com uma dor de barriga violenta, uma diarréia sem fim, o que você mais quer é melhorar logo, certo? E você sabe que só vai melhorar depois que eliminar toda a bactéria ou todo o causador de tal sintoma. Então você vai ao banheiro, sofre e pensa: gostaria que isso acabasse logo, não aguento mais!
Penso que com o amor é a mesma coisa: tantas vezes há muito sofrimento, e o que mais queremos é que acabe logo essa tortura. Como? Eliminando toda a fonte de tal sofrimento: acabando o amor que nos consome.
Pode parecer estranho, podem me achar maluco de pedra, mas é fato que quando estamos envolvidos num relacionamento, temos preocupações, temos que fazer malabarismos para chegar a alguns acordos, como decidir aonde ir, com qual turma sair, o que fazer no fim de semana, essas coisas que nos parecem tão simples a princípio, mas que tomam proporções desmedidas quando não há um consenso.
Pior que isso é nunca se chegar a um acordo e ter aquela dor de barriga constante, sempre dolorosa e que nos traz tanto sofrimento quanto decepção. Agora, a coisa fica complicada quando a dor de barriga não tem cura e você vive em constante dor e com aquele pensamento diário: quando isso vai passar? É como se você tivesse mudado todo seu hábito alimentar, higiênico e ainda sofresse com a diarréia. No amor, é como você fazer inúmeras concessões, abrir mão de tanta coisa, e depois ser tratado com indiferença, como se seu par se lixasse para sua dor.
Aí a coisa complica: o egoísmo toma conta como se fosse uma virose! É preciso tomar um soro, quem sabe um remédio e ser muito adulado, além de mudar a alimentação. Todo cuidado é pouco nessa situação. Com o amor é a mesma coisa: há que se moderar o causador do sofrimento, mudar hábitos, se não será preciso uma medida mais radical para eliminar esse incômodo da sua vida, porque amor que incomoda não é mais amor.

E é aí que o amor se difere da dor de barriga: a gente nunca quer repetir a dor de barriga, mas dá pra ficar longe de uma paixão? Acho que não...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Jabor perde a noção e fala abobrinha

Sobre esse vídeo aqui http://www.youtube.com/watch?v=-bvfRp_Ejp8& do Jabor, escrevo uma resposta (vocês me dirão se está à altura ou não):

O Jabor fala da demonização "da palavra privatização" pelo governo Lula. O que ele não faz, no entanto, é explicar que demônio é esse. Bem, quando se critica o privatismo do governo FHC, não se fala exclusivamente do fato de o governo deixar de controlar alguma empresa. A maior crítica deve estar no custo que isso teve para o país. Como assim? Veja o que Peterson Silva, ex-estagiário da Telesp (hoje Telefônica) diz no Conversa Afiada: Naquela época,

"As centrais telefônicas eram enormes trambolhos eletromecânicos, lembro-me da barulhada que era aquele monstro que pesava uma tonelada e comportava 50 linhas ruidosas. Era um silêncio, uma maravilha. A Telefonica recebeu uma fila de clientes e um monte de equipamento novinho. Foi uma loucura. Quem não se lembra dos instaladores nas ruas, PHA? Eram milhares. Quem andava em SP só via instalador de telefone, mas é claro , agora dava pra atender a demanda. Eu, sempre me perguntei: por que o governo não fez isso antes de vender ? Se tivessem feito não venderiam. A tecnologia havia avançado e, por vontade do governo, nós não.Hoje quando vejo comentários sobre a “maravilha” das privatizações de telecom no Brasil, creio que a pessoa não se atentou ao fato de que com isso possuimos a pior rede de telefone, uma das piores internets do mundo, o mais caro custo de ligação, cobrança de taxa sem uso, péssimo atendimento, celulares com redes obsoletas, ligações caras, entre outras coisas.". E continua: "Agora vem o pior: antes de entregar para os espanhóis o governo bancou a troca de todos os equipamentos, TODOS. Em telecomunicações, nós vendemos nossa alma, hoje somos escravos e ainda tem quem comemore e ache isso o máximo."
Aí já dá pra se ter uma ideia dos males trazidos pela privatização desnecessária: altos preços, péssima qualidade do serviço não prestado etc.

Em outro texto do Conversa Afiada, um ex-presidente da Telebrás atacou o que chamou de "privataria" do FHC: Jorge da Motta e Silva

"inicia seu desabafo dizendo que ficou 'cinco anos, cinco meses e cinco dias' em silêncio 'sobre as críticas infundadas que a mídia nacional publicou e ainda publica contra a Telebrás', mas que, agora, fora da estatal, decidiu dar esse 'grito sufocado por tanto tempo, para repor o verdadeiro papel que teve a empresa ao longo desses 38 anos de existência'. Para Motta, os grandes avanços obtidos nas comunicações brasileiras se deram durante o período de operação plena da Telebrás. E ataca duramente os idealizadores do modelo de privatização, implantado em 1997. 'Mas eis que surgem novamente, com as garras aguçadas, os cavaleiros do apocalipse. Os ‘gênios’ que criaram o atual modelo das telecomunicações, que um brilhante jornalista classifica de privataria. Não a privatização em si, mas o formato', provoca o ex-presidente."
Como se verifica, não se trata do governo Lula demonizar a privatização, mas o problema maior que se deve debater é o modelo das privatizações. Esse Jabor faz um videozinho de pouco mais de 1 minuto e meio e quer "causar" hahahahaha.

Podemos continuar falando sobre as privatizações, em mais um texto do Conversa Afiada, A herança maldita de FHC. O texto, de 2009, diz:

"A edição de Carta Capital que chega hoje às bancas traz como reportagem de capa “A tragédia da privatização”, que mostra como o modelo de desmonte do setor elétrico durante o governo FHC fez o Brasil ter uma das tarifas de energia  mais altas do mundo.O texto, de Luiz Antonio Cintra, destaca o trabalho quase anônimo de uma CPI que atua há três meses longe dos holofotes da mídia. O início dos trabalhos teve como base um estudo, produzido por economistas do BNDES, que aponta as disparidades do modelo energético brasileiro.“Somos líderes no ranking mundial, à frente de países com renda per capita muito superior à brasileira, como Japão e Alemanha. De 1995 a meados de 2008, data de publicação do estudo, a tarifa média teria subido nada menos que 398%. No mesmo período, os salários, corrigidos pelo IPCA, subiram bem menos, apenas 164%”, sustenta o texto da Carta Capital.Na mesma edição, outra reportagem também aborda a privatização no setor energético. Sob o título “Gás asfixiante”, o texto de Sérgio Lírio demonstra como grandes indústrias paulistas vêem ganhos exorbitantes da Comgás, querem mudar os critérios de reajustes das tarifas e ameaçam ir à Justiça.Os empresários acham um exagero uma concessionária monopolista de serviços públicos – privatizada pelo governador Mário Covas, em 1999 – ter uma rentabilidade sobre o patrimônio de 45% (não é bem um exagero, é uma obscenidade – opinião do Conversa Afiada).É uma briga entre a FIESP e empresários da Associação Brasileira da Indústria de Vidro – Abividro. Os industriais e a Abividro acreditam que a Comgás embolsou R$ 1 bilhãos que deveria na verdade ter ficado com os consumidores.No centro do problema está um parecer do economista Gesner Oliveira – fiel escudeiro de Zé Pedágio e hoje presidente da empresa de publicidade do governo, a Sabesp. E, a certa altura, como consultor, deu um parecer favorável a quem? Aos ingleses donos da Comgás, em prejuízo do consumidor brasileiro. Uma questão de estilo."

Ainda não acabou. O Conversa Afiada ainda nos traz este post, Privatização de FHC criou saqueadores, que cita matéria publicada no Estadão:

"Saiu no Estadão, pág B8:“Empresas brasileiras pagam dividendos recordes em 2009.” “ ‘Os caçadores de dividendos riram á toa em 2009’, resume Fabiano Guasti Lima, consultor da Instituto Assaf …”Há uma guerra entre as companhias “para ver ‘quem paga mais’ .” “… os setores da economia que mais distribuíram proventos em 2009 FORAM OS DE TELECOMUNICAÇÕES … E ENERGIA ELÉTRICA. A MAIORIA DESSAS EMPRESAS NÃO INVESTE … E REVERTE QUASE TODO O LUCRO EM BONIFICAÇÕES”.Ou seja, são uns saqueadores, é o que demonstra e reportagem do Estadão.NÃO INVESTEM E MANDAM O DINHEIRO PARA A MATRIZ ! É mais ou menos como faziam os bucaneiros espanhóis e portugueses que vinham às Américas.Levavam o ouro e deixavam a gonorreia, como diz o Gilberto Freyre.Esse é a grande obra do Farol de Alexandria, o FHC."

Bom, acho que já deu pra ter uma ideia do lance da privatização a que o Jabor se referiu.

Agora vou falar do "leninismo de galinheiro, que acha que o Estado tem que controlar tudo, como em Cuba, Coreia do Norte e outros paraísos", nas palavras do Jabor. Bem, todos aqui sabem que não vivemos em um país comunista, nem ditatorial. O Jabor fala do leninismo para se referir ao marxismo e, principalmente, ao fato de o governo Lula (e o Dilma agora) defender maior intervenção do Estado no gerenciamento do país. Bem, se ao falar da privatização eu já disse que a crítica maior deve se concentar nos modelos adotados, não na privatização em si, porque já temos experiências mais do que suficientes dos erros privatistas, dos altos custos para o povo, da péssima qualidade etc. Em relação ao controle do Estado, todos sabemos que o FHC era um neoliberal, para quem o mercado se autorregulava. Bem, sabemos, mais ainda, que a autorregulação do mercado provocou a crise financeira mundial mais importante desde a crise de 29, quando a Bolsa de NY quebrou. Em 2008, vivenciamos as "bolhas" da hipotecas norteamericanas: emprestava-se dinheiro que não existia e se pagava com dinheiro de mentira: muitos papeis sem valor, sem fundo. Um banco emprestava de outro para dar ao seu cliente. Quando o cliente começou a não pagar, todos da fila faliram. Simples assim. Esta semana tivemos essa informação no site do Conversa Afiada:

"Agência de risco americana Standard & Poor’s deu nota “negativa” para os Estados Unidos, uma vez que permanecem indefinidas as medidas para enfrentar os crescentes déficits e dívida do Governo. 'Mais de dois anos depois do começo desta crise, as autoridades americanas ainda precisam chegar a um acordo sobre como reverter a recente deterioração fiscal e enfrentar as pressões fiscais de longo prazo', disse um analista da agencia."
Ou seja, está decretado o fim do neoliberalismo, porque ele quebrou os EUA. E esse cara, o Jabor, ainda prega que o Estado intervencionista é coisa do "leninismo de galinheiro". Piada, né, gente!!! Rá!
Além disso, esse Jabor insinua que o governo não sabe que vivemos uma "sociedade democrática e que cabe ao Estado regular e organizar". Ele é no mínimo contraditório: primeiro critica a intervenção estatal, depois diz que o Estado deve regular a sociedade democrática. Fiquei meio confuso por um momento, mas já me recuperei quando dei conta do dono daquelas palavras. Querem maior prova de que vivemos numa sociedade capitalista (não somos comunistas nem vivemos num estado de leninismo de galinheiro - seja lá o que isso queira dizer!). Vamos aos fatos:
O avanço da classe C (aquela que consome e que mantém o capitalismo funcionando...):

"Saiu na Folha online: Classe C cresce aceleradamente e chega a 53% da populaçãoClasse C ganha 19 milhões de brasileiros e agora tem 101 milhõesA figura geométrica que melhor representa a distribuição da renda não é a pirâmide, mas um losango – largo no meio. Classes A e B também melhoram.

MARIANA SALLOWICZ
DE SÃO PAULO
A classe C recebeu 19 milhões de brasileiros vindos da DE em 2010 e manteve o posto de maior do país, com mais de 101 milhões de pessoas. O número representa 53% da população total (191,79 milhões) –em 2009, era 49%. Os dados fazem parte do Observador 2011, pesquisa encomendada pela Cetelem BGN à Ipsos Public Affairs.
A segunda classe com maior número de brasileiros é a DE (com 47, 90 milhões), seguida pela AB (42,19 milhões). O levantamento mostra ainda que 12 milhões de brasileiros alcançaram as classes AB no ano passado.
“Houve uma mudança na forma que a população brasileira está distribuída. A pirâmide virou um losango, com mais pessoas fazendo parte da classe C”, afirma Marcos Etchegoyen, diretor-presidente da Cetelem BGN. Segundo ele, esse novo desenho vem se formando há cerca de quatro anos e está cada vez mais consolidado.
Em 2005, as classes AB e C correspondiam a 49% da população. Em 2010, passaram a 74%.
RENDA
De acordo com a pesquisa, houve grande aumento da renda média mensal dos brasileiros de todas as classes e regiões, uma alta que se mostrou mais acentuada nas classes DE. A renda familiar média deste estrato ficou em R$ 809, valor 48,44% maior do que em 2005. Os brasileiros da classe AB ficou em R$ 2.983 e da C em R$ 1.338.
"

Comentários do Paulo Henrique Amorim sobre isso:

"Classe C é a maioria da população. Logo, o Brasil é uma sociedade capitalista de massa.Porque a maioria da população é de classe média. Onde se pratica a democracia de massa, para desespero do dono da Folha (*), que prefere a democracia de poucos (deve ser como na Grécia, a democracia ideal dos udenistas, porque tinha escravos).Classe C ganha 19 milhões de brasileiros e agora tem 101 milhõesA renda das classes D e E foi a que mais subiu. A figura geométrica que melhor representa a distribuição da renda não é a pirâmide, mas um losango – largo no meio. Classes A e B também melhoram."

Pra ir chegando ao fim, uma matéria sobre o capitalismo impulsionado no governo Dilma, na sequência do Lula:

JK de saias semeia o capitalismo. Um dia, a elite percebe

    Publicado em 07/04/2011

Como se sabe, o Nunca Dantes (Lula) e a JK de saias (Dilma) fizeram e fazem mais pela disseminação do empreendedorismo – neologismo para designar o que desde o século XVIII se chama de “capitalismo” – do que os neoliberais (FHC e Serra).

Como se sabe, o neoliberalismo foi fundado pelos Chicago Boys do Pinochet e não era mais nada do que uma Teologia para transformar o Capitalismo num sistema de oligopólio de bancos.

Como se sabe, o neoliberalismo foi sepultado sob os escombros do banco Lehman, que ruiu em 2008.

O Aécio – clique aqui para ler “Aécio é um neoliberal diet” – e a urubóloga ainda não receberam o convite para a Missa de Sétimo Dia.

Leia agora o que saiu no Blog do Planalto sobre a formalização do primeiro milhão de microcapitalistas brasileiros.

País supera marca de 1 milhão de trabalhadores formalizados


O Brasil ultrapassou a marca de 1 milhão de trabalhadores que se formalizaram por meio do programa Empreendedor Individual, lançado em 1º julho de 2009. A meta do governo federal é chegar a 1,5 milhão de empreendedores até o final de 2011. A marca foi lembrada nesta quinta-feira (7/4), em solenidade no Palácio do Planalto, com a presença da presidenta Dilma Rousseff, comemorativa de 1 milhão de empreendedores inscritos no Programa Microempreendedor Individual: Formalização e Proteção Social.


Na ocasião, a presidenta afirmou que é importante para o desenvolvimento do país formalizar os trabalhadores e tirar da situação de indefinição legal milhões de brasileiros. Além disso, significa 1 milhão de pessoas a mais contribuindo para a Previdência Social, com direito a benefícios e ainda colaborando para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.


“O programa [Empreendedor Individual] é sem sombra de dúvida um programa que leva ao desenvolvimento, à independência e autonomia do trabalhador e, sobretudo, transforma o Brasil numa teia de relações entre pequenos empreendedores e empreendedores individuais que são capazes de conquistar sua autonomia com seu trabalho e obter seus direitos no que se refere à aposentadoria, por exemplo”, frisou a presidenta.


Durante a cerimônia, foram entregues certificados comemorativos ao empreendedor número 1, o comerciante Adalberto Oliveira dos Santos, de Brasília (DF), e à empreendedora número 1 milhão, a maquiadora Isabelle Cordeiro Todt, de Curitiba (PR). Em entrevista ao Blog do Planalto, eles ressaltaram que uma das principais vantagens após a formalização é a inscrição do CNPJ, o que possibilita a emissão de notas fiscais e impacta na ampliação do negócio.

“Para aderir ao programa é muito simples. Algumas amigas minhas já tinham se cadastrado no programa, eu entrei no site, fiz meu cadastro e pronto”, explicou Isabelle.


Programa – Criado por meio da Lei Complementar 128/2008, o Empreendedor Individual foi lançado em 1º julho de 2009. No dia 17 de março de 2011, o programa ultrapassou a marca de 1 milhão de novos empreendedores individuais, quando a Receita Federal do Brasil registrou 1.004.764 adesões.


Ao formalizar sua atividade, o empreendedor individual ganha a proteção da Previdência Social. O trabalhador passa a ter direito à aposentadoria por idade, por invalidez, salário-maternidade e auxílio-doença e, sua família, à pensão por morte e ao auxílio-reclusão."


Ah, a formalização do Microempreendedor Individual mostra para o Jabor que os "empreendedores que fizeram o país", e que continuam fazendo, não são tratados como ladrões, mas como cidadãos.

E não se esqueçam: as penas estão voando, mas não é do leninismo de galinheiro, é dos tucanos (e do Jabor, tucano nato)!

Pra encerrar, um vídeo que resume tudo o que eu quero dizer: As diferenças de Lula e FHC diante das crises (nesse ponto em que chegamos, é importantíssimo ficar claro que o Lula era um operário de fábrica que sequer concluiu o ensino básico, enquanto o FHC é um doutor pós-graduado na França):
http://www.youtube.com/watch?v=RxdCTv_Pot0

PS: Fiz as pesquisas apenas no site do Conversa Afiada por achar que lá tem material o suficiente para este momento. Entretanto, há muitos mais blogs sujos aos quais podemos pedir ajuda.


Grande abraço a tod@s e Feliz Páscoa!

William César Ramos Lima
Marília-SP

A impressão, a tradução e a divulgação do conhecimento

Um pouquinho da história da mídia entre a Idade Média e a Modernidade, com enfoque na atividade de tradução.

Na época em que apenas existiam manuscritos, a Igreja controlava a produção e a reprodução dos mesmos, porque tinha influência direta sobre os copistas e escribas. Aproveitando o assunto da censura dos manuscritos, vou falar um pouquinho sobre os manuscritos traduzidos no Brasil colonial. Lia Wyler, tradutora e estudiosa de tradução, em seu livro “Línguas, poetas e bachareis: uma crônica da tradução no Brasil” descreve esse ofício no Brasil colonial: “Todos os textos utilizados na evangelização, no estudo e no lazer, porém, sofriam a tripla censura instituída no império português no século XVI: a do Santo Ofício, a do Ordinário Eclesiástico na respectiva diocese e a do Paço. O relator do Santo Ofício examinava o livro em manuscrito e obrigava o autor a alterá-lo, amputá-lo ou ampliá-lo, antes de lhe conceder a fórmula: ‘nada contém contra a nossa Santa Fé e bons costumes’ (p.62). A autora continua dizendo que eventuais textos literários traduzidos na colônia deveriam ser submetidos à censura da Metrópole para serem impressos lá; ou permaneciam aqui, manuscritos, fugindo da censura, mas esses manuscritos raramente chegaram aos nossos dias.

Com o advento da impressão e a produção de materiais em larga escala, a Igreja não conseguiu mais controlar os impressores do mesmo modo que fazia antes. Por outro lado, em 1485 em Frankfurt houve um caso de censura, quando livros que seriam expostos em uma feira regional foram analisados pelo conselho municipal a pedido de um religioso. A partir disso, a Igreja criou uma lista de livros que seriam proibidos e que era atualizada sempre, valendo pelos próximos quatro séculos.

Outra consequência da dificuldade de se controlar a produção da impressão foi que Lutero se beneficiou desse novo meio durante a Reforma, já que ele traduziu suas teses para línguas vernáculas, as imprimiu e as distribuiu por toda a Alemanha e por toda a Europa.
Os livros impressos passaram a ser usados, também, para a divulgação de obras clássicas com a padronização das traduções (nos tempos dos manuscritos, os copistas faziam cópias não exatamente fiéis aos textos-base. Dessa forma, cada livro copiado manuscrito podia ter divergências de ortografia, por exemplo). Além disso, os livros impressos serviram também para difundir dados do mundo natural e desenvolver sistemas padronizados de classificação, de representação e de práticas. Obras científicas começaram a ser produzidas com a ajuda de professores universitários. Surgiram, também nessa época, obras de ciências populares, como almanaques e manuais práticos e livros de conduta. Obviamente que naquela época a educação não atingia a massa, o povo. Era restrita a uma elite clerical, política, a professores, estudantes e a uma classe social emergente. Isso não quer dizer, no entanto, que a alfabetização era exclusiva dessa elite, mas era dominada por ela. Principalmente mulheres, crianças, operários e trabalhadores rurais não especializados eram marginalizados no que diz respeito a saber ler.

No final do século XVIII, com o incentivo do ensino das ciências, com as expedições científicas, com a divulgação de enciclopédias e com a fundação da Academia Real de Ciências de Lisboa, conforme apresenta Wyler (p.73), houve um movimento nacionalista brasileiro liderado pelo Frei José Mariano da Conceição Veloso, cujo objetivo era produzir, adaptar ou traduzir obras de novas técnicas e culturas desenvolvidas em outros países e que fossem úteis ao desenvolvimento do Brasil. No entanto, como a impressão ainda não chegara aqui nessa época, essas obras eram impressas em Portugal.

Entre tais obras, estavam as que tratavam de “técnicas e culturas de várias plantas úteis, navegação, mineralogia, medicina, eletricidade, língua tupi ou nhegatu, hidrometria, gravura, botânica, zoologia, matemática, economia, política, religião e tecelagem” (Wyler, p.74). Esses livros, geralmente traduzidos do francês, inglês, castelhano, alemão e latim, eram destinados aos agricultores brasileiros. Esses trabalhos foram feitos em várias tipografias de Lisboa para depois o grupo do Frei Veloso ter uma oficina própria em Portugal, a Tipografia Catalográfica, Tipoplástica e Literária do Arco do Cego.

Eu falei sobre a produção das primeiras traduções brasileiras de livros técnicos e científicos para mostrar que o advento da impressão tornou possível o desenvolvimento dos trabalhos de tradução feitos por brasileiros – ainda que realizados em Portugal até a vinda da Corte Real ao Brasil em 1808 e a consequente instalação da Impressão Régia por aqui. Lembrando que, antes desses tipos de textos, já eram traduzidos assuntos educacionais, burocráticos e principalmente religiosos. Além disso, como eu já citei acima, a impressão foi muito útil para a unificação das traduções, uma vez que não eram mais os copistas os responsável pela reprodução dos livros.

Eu fiz uma abordagem da relação entre a impressão e a tradução, mas é possível descrever também o que o John B. Thompson fala sobre a impressão e o desenvolvimento da economia em seu livro "A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia". O autor diz que as máquinas de impressão movimentaram a economia no fim da Idade Média e começo da Idade Moderna. Além disso, a indústria gráfica fez surgir novos centros de poder que não estavam ligados ao poder da Igreja ou do Estado, embora estes útimos procurassem usá-la em seu benefício.
 
Outro aspecto econômico do desenvolvimento gráfico foi o seguinte: quem tinha dinheiro editava, imprimia e vendia livros. Quem não possuía recursos financeiros suficientes para isso, fazia empréstimos ou trabalhava para a Igreja ou para o Estado (o uso da impressão em benefício da Igreja e do Estado há pouco citado, já que era conveniente para estes manterem a impressão a seu serviço, tanto quanto para os impressores sem recursos manterem seus negócios). Essa relação próxima entre religião e política se deu, também, pelo interesse na venda de formas simbólicas que só a impressão podia oferecer, e que fizeram estreitar ainda mais essas relações. Esse interesse na forma simbólica oferecida pela impressão se dava porque as tiopografias e editoras do inícia da Idade Moderna eram de organizações culturais e econômicas, como observou Thompson. Desse modo, desvinculadas do poder eclesiástico e governamental, essas instituições gozavam de certo prestígio e influência social, sendo relativamente "independentes" e "neutras" por não representarem nem o Governo nem a Igreja.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Aqui

Quero desfazer o tempo. Quero desfazer as luzes do caminho. Quero caminhar apenas com a iluminação do coração, quero seguir a trilha da emoção, sem pensar muito. Quero esquecer que teve um ontem e que hoje é apenas um momento. Deixar pra trás a ideia do amanhã - aquele que a gente sonha ser melhor... Quero apenas confiar no meu instinto humano (como se fosse fácil ser humano, tão cheio de contradições, mudanças, vontades, sentimentos, frustrações, sonhos) e na parte mais humana de mim: me derreter diante de um belo sorriso e de um quente abraço, porque sentir um calor humano é um destaque bom no meio de tanta frieza que pode nos envolver por aí. Quero um amor - não vou dizer um amor pra sempre, porque eu já desfiz o tempo... - que me acompanhe no caminhar com a luz do coração; mais que isso, quero um amor que me ilumine ele mesmo, a ponto de unir os corações e formar uma luz resplandecente, gigante! Quero um amor que me desafie, que me ensine, que me faça pensar. Quero alguém fora do normal, extraordinário, surpreendente. Quero alguém que cante para mim, como um grilo avisando: estou aqui do seu lado, pertinho do seu coração. Não importa o tempo, quero aqui!

Música de hoje: Nada valgo sin tu amor, do Juanes

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Felicidade

O que haveria de ser de mim sem minhas amarras, já gritadas aqui? Há uma necessidade de compartilhar momentos, carícias, sonhos... Me sinto bem quando consigo compartilhar a vida com alguém especial, que me dá atenção e que se dispõe a se abrir também. É gostoso criar intimidade, gerar confiança, ir tendo segurança. A gente encara tantos desafios ao longo da vida: no trabalho, em casa, na escola, e ter o desafio de aprender a amar é ampliar o horizonte que se quer viver. Eu só queria registrar aqui a minha felicidade!

Música de hoje: Try, da Natasha Bedingfield

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