segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Mensagem de Natal

O Natal representa o renascimento da humanidade pela vida de Cristo. Independente da religião, todos os cristãos devem refletir sobre o que tem feito para dar continuidade ao que Jesus veio fazer: unir o mundo.

Ao contrário de todo ódio, de todo separatismo que alguns pregam, eu gostaria de pedir o respeito àquela mensagem bíblica:

Amar ao teu próximo como a ti mesmo


porque o respeito mútuo é a fonte de toda boa convivência no nosso lar, no nosso trabalho e até em escala global entre as diferentes nações.

A disseminação do ódio, do desejo de ser superior, faz com que alguns países travem guerras malditas, em nome de algo que não se justifica, matando pessoas inocentes. Esse mesmo mal vem à tona dentro de nosso país, nas nossas proximidades, quando incitamos a violência contra nossos semelhantes que, por algum motivo, nos são diferentes... A não aceitação, o não respeito às diferenças nos cria tormentos que vão de encontro com nosso pensamento cristão: enquanto aprendemos a semear o amor, alguns agem contraditoriamente semeando a violência. Outros, hipocritamente, agem com intolerância, enquanto pregam um discurso de amor em Cristo.

Devemos abrir nossa janela e enxergar além do espelho: o espelho nos reflete, nos dá uma visão limitada do que está à nossa volta, enquanto a janela nos dá a visão do mundo, do externo a nós mesmos, de todas as possibilidades.

Desejo que este Natal de 2010 seja pleno de paz, amor, tolerância, respeito às diferenças.

Desejo que, indepentemente da visão política, da crença religiosa (ou da não crença), da orientação sexual, da cor de cabelo, da etnia, que todos sejamos abençoados pela fonte de toda vida: Deus!

Feliz Natal e ótimo Ano Novo a vocês, amig@s!


"ano novo
anos buscando
um ânimo novo" 
(Paulo Leminski)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A dor da perda

Era uma vez dois amigos bem unidos, que quase nunca de desgrudavam. Eles eram amigos de segredos, de conversas sobre amor, dor, perspectivas... Falavam do passado pra medir as conquistas do presente. Falavam do futuro, não daquele distante, mas do que poderia estar mais próximo: a necessidade de trocar de trabalho, de ter uma casa, uma companhia...
A melhor parte da amizade era o companheirosmo, a parceria de ir junto pra balada, sair pra paquerar, viajar pra cidades próximas pra curtir festas... Muita risada, muitas histórias eles tinham pra contar.
Mas como nem tudo é feito de momentos bons, eles trocavam histórias tristes também. Histórias de desilusão amorosa, por exemplo. De uma ficada que não deu em nada. De um noivado mal sucedido. De um namoro frustrante...
Outra história triste foi o desemprego. Um dos amigos, que era negro, foi demitido de um banco depois de passar por sérios problemas de saúde. Ele teve hipertensão, pressão alta, e estava de licença médica com frequência. O banco dispensou-o, sem maiores rodeios. Iniciava-se ali um longo período de tormento na vida desse amigo: como conseguir outro emprego? Parecia simples: um bom currículo, um cara bem articulado, bem capacitado, mas isso não foi suficiente para que ele conseguisse um novo emprego. Ficou meses sem trabalho, sem produzir, sem dinheiro entrando, mas tendo que pagar contas.
Nesse período os dois amigos se falavam bastante, quase que diariamente, ou na hora do almoço, ou à noite. Foi uma época de muita conversa, de consolidação da amizade.
Esse amigo desempregado, passado um tempo, conheceu uma pessoa. Muito bacana, pé no chão, sabia o que queria da vida. Resolveram os dois irem embora da cidade: teriam a chance de morar juntos e conseguir um emprego em uma cidade maior. Foram para Curitiba. Um lugar cheio de promessas, de novidades, de oportunidades.
De fato, conseguir trabalho em Curitiba não foi nada difícil, era possível mudar de emprego toda semana, todo mês: sempre haveria uma oportuniade se algo não estivesse bom.
Entretanto, nem tudo é perfeito sempre, e nesse troca troca de emprego, aquele amigo voltou a amargar um período difícil... Seu amor estava ali, ajudando no que podia, mas outro período de desemprego não era fácil. Começaram a surgir algumas brigas mais sérias entre o casal, criando certa instabilidade. Já se cogitava a separação, mas sem grana, ir pra onde? Voltar para casa da mãe nem pensar... Continuaram dividindo o espaço, mas separados...
Até que chegou num ponto que não teve jeito. Sem trabalho e morando com ex, aquele amigo voltou pra casa da mãe... Nesse período todo da viagem, pouco mais de um ano, os amigos perderam contato, o que era natural, a vida de cada devia continuar... Mesmo após a volta daquele que tinha ido tentar a vida fora, eles se viam pouco, mas isso nunca dimunuía a amizade deles...
Um domingo à noite alguém me chama no msn:
-Will, vc ta sabendo de fulano?
-Não, o q aconteceu???
-Fulano faleceu!
-Como assim? Qdo isso, como? Imagina...
-É... vi no orkut dele uns recados sobre isso.
-Vou checar e te falo se descobrir algo.

Ligava no celular do meu amigo, e nada... Na casa dele, e nada... Eu me desesperei, sem saber o q fazer. Segundo tinham me dito, ele teria morrido no sábado e seria enterrado ás 16h de domingo. Quando fiquei sabendo, já passava das 17h...
Um tempo depois meu celular tocou. Era o número dele.
-Alô.
-Alô, quem fala?
-É fulana, madrinha de fulano. Você queria falar com ele?
-É. Vi umas mensagens no orkut dele e queria saber se é verdade.
-Sim, infelizmente, perdemos nosso querido. Acabamos de chegar do enterro...
-Mas como isso aconteceu?
-Ele teve uma pneumonia muito forte, ficou internado vários dias, mas não resistiu. Tem outra coisa, mas não posso te falar...
-Está bem. É muito triste isso...
-Sim, é uma perda muito grande pra gente.
-É... Obrigado por ter ligado de volta.
-Ok. Xau.

Bom, é horrível ficar sabendo que seu amigo morreu quando ele já está enterrado. Não pude dar um abraço na família naquele momento, não pude velar o corpo dele (apesar de não gostar de velório, mas quem gosta?)... Mais triste que isso é não ter tido uma última conversa com ele... Tivemos, mas não sabia que seria a última!
Bom, sobre as circunstâncias da morte do meu amigo, eu sabia o que era quando ela disse que não podia me contar outra coisa...
Parti pra investigação. Consegui contato com alguém da família e tive a certeza: ele estava com AIDS. Sim, AIDS, ou SIDA, se preferir a sigla em português. Bom, ter essa notícia foi um baque, talvez tão grande quanto o da morte... AIDS é uma doença que parece tão longe da gente. Sabemos que ela existe, mas não a conhecemos de perto. Enganosamente pensamos isso. Ele tinha HIV e não contou pra ninguém. Pelo menos ainda não encontrei ninguém que soubesse disso. Como ele se contaminou? Transando sem camisinha!
A mensagem é clara: use camisinha sempre!

Fiquei tão chocado, tentando imaginar como ele conviveu com isso sem contar pra ninguém, como segurou esse peso todo sozinho... Porque, ao que tudo me indica, ele sabia da sua condição de portador do vírus HIV. E optou por não se tratar. Uma escolha dele, claro, e não cabe a mim discutir isso. O que me preocupa é o seguinte: tendo ele descoberto ser soropositivo, preferiu não acreditar nisso e fingir que nada havia de errado e continuar sua vida como antes, ou se protegeu nas relações sexuais que manteve? Essa é minha única angústia: a possibilidade de ele ter transmitido esse vírus para outras pessoas!
Estou tentando conversar com algumas pessoas que conheço, ou que encontro, que sei que já se relacionaram com ele. Mas isso não é fácil. Como vou achar todo mundo? Impossível. O mais difícil é o silêncio da família, que, apesar de ter me contato da doença porque sabia que eu era muito amigo dele, pediram pra que eu não dissesse a ninguém. Sinto muito, mas prefiro ser visto como inimigo da família a ver outras mães perdendo seus filhos... Não é uma questão de desrespeitar a vontade da família dele, é uma questão de proteger a vida de outras pessoas, de preservar outras famílias.
Tem sido um processo doloroso lidar com a morte, pensando nele quase todos os dias... Mas vou superar isso; afinal, minha vida tem que seguir!
Bom, aos que ficaram curiosos pra saber como ele morreu: pneumonia. A AIDS se manifestou, deteriorando o sistema de defesa do organismo. Uma gripe virou algo de outra dimensão. Ficou fraco, pneumonia forte, pulmão parou...
É um sofrimento sem fim perder um amigo e imaginá-lo sofrendo com a morte que ele esperava.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

AS MÁSCARAS DO DIZER: A PRAGMÁTICA DA HOMOFOBIA - artigo

Car@s amig@s,

Segue abaixo link com a edição 6 da Revista Levs (UNESP/Marília) - Revista Virtual do Laboratório de Estudos da Violência e Segurança - em que eu publiquei um artigo, que teve origem na minha monografia apresentada no fim do curso de pós-graduação lato sensu na UNESP de Assis, tendo sido orientada pela professora Sandra Ferreira.

Segue também o resumo do artigo; assim, poderão saber do que se trata e, quem se interessar, poderá ler o texto completo.

http://www.levs.marilia.unesp.br/revistalevs/edicao6.htm
http://www.levs.marilia.unesp.br/revistalevs/edicao6/Autores/11_as_mascaras_homofobia.pdf
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AS MÁSCARAS DO DIZER: A PRAGMÁTICA DA HOMOFOBIA


Resumo
: O presente trabalho aborda a Pragmática no âmbito da linguagem humana em uso, sondando a perspectiva da ação entre falantes no interior da língua. Para desenvolvermos este trabalho, analisamos um corpus constituído por requerimentos, por meio dos quais mostramos a construção da formação ideológica homofóbica. Analisamos, especificamente, dois requerimentos protocolados na Prefeitura de Marília, cujo conteúdo é uma reclamação de moradores de um condomínio contra um estabelecimento vizinho ao prédio onde residem que é voltado ao público LGBT.

Palavras-chave: Linguística Aplicada. Língua Portuguesa. Pragmática. Filosofia da Linguagem. Homofobia.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Uma esmola de Natal

Após a Dani receber o e-mail a seguir:

Assunto: CAMPANHA DE NATAL 2010

 
Siga a lógica! 

Já que mais de 55% do povo votou na Dilma, significa que essa porcentagem está feliz com a atual situação econômica do país. É provado que essa porcentagem é formada, em sua grande maioria por pessoas pobres. Certo? Ou seja, os pobres estão, teoricamente, felizes porque a situação financeira deles melhorou!!!

Então... se os pobres estão felizes... CHEGA DE CAIXINHA DE NATAL PRO CARTEIRO, VARREDOR DE RUA, FUNCIONÁRIO DA SABESP E DA ELETROPAULO E ETC!!! CHEGA DE DAR PANETONE PRO PORTEIRO!!! CHEGA DE DAR ESMOLAS NAS RUAS!!! NÃO PRECISAMOS MAIS AJUDAR ESSE POVO TODO!!!!

 
OBRIGADO DILMA!!! VAMOS ECONOMIZAR UMA GRANA NESTE NATAL!!!

 eu respondi pra ela o que diria àquele ser:

Senhor, o que você está propondo é a separação do mundo entre os ricos e os pobres. Isso é evidente quando você diz que "55% do povo votou na Dilma" e que "é provado que essa porcentagem é formada, em sua grande maioria por pessoas pobres". Talvez você responda que não é separação, é que os ricos precisam dos pobres e os pobres dos ricos, tem que haver um equilíbrio que tem que ser mantido, ao que eu responderia: você diz isso porque tem quem lave seu banheiro e precisa manter essa relação de "superioridade" em relação a alguém que não teve oportunidade, nos governos anteriores, de ter acesso à educação, fazer faculdade e ter uma outra profissão. Pessoas como você não querem que os pobres tenham acesso ao estudo, porque deixarão de ser os que varrem a rua, recolhem o lixo, lavam o banheiro, vigiam a portaria do seu condomínio. Você tem razão em dizer que não precisará mais ajudar "esse povo todo", porque o governo tem criado mecanismos para tirar tanta gente da miséria - há ainda cerca de 20 milhões de miseráveis no país, mas mais de 20 milhões já deixaram essa condição e passaram a fazer parte da classe consumidora. As classes C e D tem mais poder de compra que a classe B. Isso quer dizer o seguinte: tem mais pobres  da classe média ascendente comprando do que os da classe média decadente (que se acham a elite fina do país...) pode comprar.
Veja essa notícia, que deve chocar os elitistas (que representam uma elite decadente, como já disse...):

Pela primeira vez neste ano, a massa de renda das famílias da classe D vai ultrapassar a da classe B, apontam cálculos do instituto de pesquisas Data Popular. Em 2010, as famílias com ganho mensal entre R$ 511 e R$ 1.530 têm para gastar com produtos e serviços R$ 381,2 bilhões ou 28% da massa total de rendimentos de R$ 1,380 trilhão. Enquanto isso, a classe B vai ter R$ 329,5 bilhões (24%). A classe B tem renda entre R$ 5.101 e R$ 10.200. O maior potencial de compras, no entanto, continua no bolso da classe C: R$ 427,6 bilhões. "Mas é a primeira vez que a classe D passa a ser o segundo maior estrato social em termos de consumo", afirma o sócio diretor do Data Popular e responsável pelos cálculos, Renato Meirelles. Ele considerou nos cálculos a expectativa de 7% para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.
De oito categorias de produtos avaliados pelo instituto de pesquisas, em quatro delas o potencial de consumo da classe D supera o da B para este ano. São elas: alimentação dentro do lar (R$ 68,2 bilhões), vestuário e acessórios (R$ 12,7 bilhões), móveis, eletrodomésticos e eletrônicos para o lar (R$ 16,3 bilhões) e remédios (R$ 9,9 bilhões).
Em artigos de higiene, cuidados pessoais e limpeza do lar, os potenciais de consumo das classes D e B são idênticos (R$ 11 bilhões). Os gastos da classe B são maiores que os da D em itens diferenciados: a alimentação fora do lar, lazer, cultura e viagens e despesas com veículo próprio. A dança das cadeiras das classes sociais no ranking do potencial de consumo reflete, segundo Meirelles, as condições favoráveis da macroeconomia para as camadas de menor renda. Isto é, o aumento do salário mínimo, os benefícios sociais, como o Bolsa Família, e a geração de empregos formais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.)

Note que essa notícia saiu em um jornal que eu não aprecio e que o senhor deve adorar, o Estadão, que de ÃO só tem o nome mesmo...
Veja, você está reproduzindo uma ideia de que a elite deve dominar os outros, porque são supostamente o que há de melhor numa sociedade. A própria definição de eleite é de uma minoria prestigiada (quando o mais adequado seria dizer privilegiada), da qual você deve fazer parte e sente-se incomodado com a inversão do poder de consumo. Deixar de ser elite, de ser privilegiado deve ser realmente algo que causa tamanho incômodo... Você defende a manutenção da Casa grande versus a Senzala. A filosofia política, lá pra séculos e séculos atrás, já discutia a questão: Aristocracia: governo de poucos. Democracia: governo do povo.
Ao reproduzir um e-mail elitista, você defende que essa tal "elite" dos melhores governem e pensem apenas em manter seu status de melhor, como se essas pessoas tivessem nascido melhores e por isso devam continuar naquele lugar que lhes é seu por "direito". Percebe?
Lembremos da importância do ProUni, que está formando mais de 700 mil pessoas que, sem essa bolsa de estudos, talvez a maioria jamais poderia se formar e fazer parte da classe de intelectuais do país. Basta pensarmos o seguinte: o FHC, doutor pela França, nunca fez um projeto deste tipo, mas o "jeca" do metalúrgico do Lula conseguiu o feito de colocar o povo pra fazer faculdade, eliminando esse tal elitismo que o e-mail que você repassou defende.

É um horror! Só faltou ele dizer "isso é uma vergonha", como fez Boris Casoy, que disse que os garis, do alto de suas vassouras, desejaram feliz natal ano passado...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Um conto tenso

Dia tenso naquele escritório cheio de rotinas. Todos trabalhando, concentrados. Vez por outra um motivo de risada, discreta.

Pausa para um café: vão à padoca... Sentam-se em uma mesa, pedem um café e proseiam. Enquanto isso, entram na padoca dois amigos negros, que são bem atendidos. Pedem algo para levar e logo se vão, após pagar a conta.

Aquele grupinho de amigos do escritório logo se põe a falar dos amigos que se vão:

-Já reparou que quando um branco chama um negro de negão ele é racista, mas quando um negro chama uma branca de branquela ou um loiro de alemão, aí pode?

-É mesmo. No fundo, isso é porque os negros tem preconceito contra eles mesmos. Eles não se aceitam!
Aí vieram os causos. Um disse:

-Meu primo chama todo mundo de negão, e um dia ele falou pra um cara isso e o rapaz foi tirar satisfação, ao que o meu primo disse baixinho no ouvido dele: você é um preto safado e fedido mesmo! - E ele continuou: meu primo disse isso e o cara afinou e foi embora de cabeça baixa.

O outro concordou com isso e assumiu:

-Sou racista mesmo e falo que sou - ao que outro concordou com a teoria do preconceito que os negros reclamam, e os branquelos não se ofendem por serem branquelos ou alemães...

Um deles falou sobre um caso que o professor dele contou na aula:

-Um cara, de calça larga, boné de skatista, etc. foi conhecer a família da namorada, rica... Quando o pai viu "quem" era o rapaz, quando a filha saiu da sala, o pai falou: 'você tem 5 minutos pra sumir da minha frente!'.
O pessoal concordou com isso, dizendo que o cara deveria ter se vestido melhor pra se apresentar à família da namorada. Um deles discordava dessa forma de pensar, porque o cara tinha uma vida em determinada comunidade e que aquela era a forma dele se vestir. Foi "massacrado" verbalmente pelos amigos, que disseram que o cara tinha que saber se vestir. Ele repetiu que aquela era a forma dele se vestir e ouviu:

-Então ele que procurasse outra pessoa pra namorar, da comunidade dele...

E o que tentava desfazer essa situação respondeu:

-Então você está propondo a separação do mundo entre os ricos e os pobres! - Ao que ouviu:

-Não é separação, é que os ricos precisam dos pobres e os pobres, dos ricos; tem que haver um equilíbrio que tem que ser mantido...

Ele disse que discordava dessa forma de pensar e se recolheu.

Bom, esse era o nível das conversas por lá. E o politizado estava ilhado...

Um dos caras disse que tinha essas discussões nas aulas de sociologia da facul que ele começara e que ele respeitava a formação do professor, mas que ele tem suas opiniões formadas e que ninguém iria mudar isso, que ele tinha os preconceitos dele, que todo mundo teria lá no fundo preconceito etc. Disse que respeitava os negros, os gays, as lésbicas, e que isso não interfere em nada (desde que não façam nada pra ele!).

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Enfim, esses são alguns dos brancos católicos com quem convivemos...
Quanto amor de Cristo no coração de todos. Aleluia! Amém! Pro Brasil seguir separando: "eles" lá, e "nós" aqui! Amém!
E eles batem no peito que são religiosos, devotos, que agradecem todos os dias pelas graças que tem. Esquecem-se de amar ao próximo como a si mesmos. Esquecem-se do que o padre diz toda missa: O amor de Cristo nos uniu...
Esse meu comentário é sobre alguns hipócritas religiosos. Não vale pra quem não se enquadra nesse perfil.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Uma poesia de Octavio Paz

Octavio Paz surge en el escenario artístico como el renovador artístico de su época, mezclando en su obra el Surrealismo, y por consiguiente el onírico, el Existencialismo, y por consiguiente la discusión acerca de la vida humana.
CONVERSAR
Árbol adentro (1976-1987)

En un poema leo:
conversar es divino.
Pero los dioses no hablan:
hacen, deshacen mundos
mientras los hombres hablan.
Los dioses, sin palabras,
juegan juegos terribles.

El espíritu baja
y desata las lenguas
pero no habla palabras:
habla lumbre. El lenguaje,
por el dios encendido,
es una profecía
de llamas y un desplome
de sílabas quemadas:
ceniza sin sentido.

La palabra del hombre
es hija de la muerte.
Hablamos porque somos
mortales: las palabras
no son signos, son siglos.
Al decir lo que dicen
los nombres que decimos
dicen tiempo: nos dicen,
Somos nombres del tiempo.
Conversar es humano.
 
Derramaré Mí Espíritu Santo sobre todo el pueblo, y vuestros hijos e hijas profetizarán” (Actos de los Apóstolos,  2:17)
 

CONVERSAR

Tradução de Antonio Moura



Em um poema leio:
Conversar é divino.
Mas os deuses não falam:
fazem, desfazem mundos
enquanto os homens falam.
Os deuses, sem palavras,
jogam jogos terríveis.

O espírito baixa
e desata as línguas
mas não diz palavra:
diz luz. A linguagem
pelo deus acesa,
é uma profecia
de chamas e um desplume
de sílabas queimadas:
cinza sem sentido.

A palavra do homem
é filha da morte.
Falamos porque somos
mortais: as palavras
não são signos, são anos.
Ao dizer o que dizem
os nomes que dizemos
dizem tempo: nos dizem,
somos nomes do tempo.
Conversar é humano.

En esta poesía se percibe la tensión entre la tierra y el cielo, la instabilidad, la búsqueda por el sentido de la existencia.
El poeta empieza diciendo que “conversar es divino”, porque atribuye a los dioses la posibilidad que el hombre tiene de hablar con el otro. A los dioses les son dadas las responsabilidades por el poder conversar del hombre.
En la estrofa siguiente hay referencia a la parte bíblica. El poeta describe el momento en que el espíritu baja y hace con que los hombres de distintos idiomas se comprendan.
Derramaré Mí Espíritu Santo sobre todo el pueblo, y vuestros hijos e hijas profetizarán” (Actos de los Apóstolos,  2:17)
             En la última estrofa, Paz discute sobre la mortalidad del hombre frente los dioses. El poema dice que los hombres necesitan a la palabra para comunicarse, mientras los dioses no. En esta estrofa, Paz reafirma la intertextualidad con la Biblia, cuando la poesía dice que La palabra del hombre / es hija de la muerte significa que sólo después de la muerte de Jesucristo que él prometió enviarles a los hombres de la tierra el espíritu santo que les salvarían. Por lo tanto, la palabra del hombre es hija de la muerte de Jesús.
            Como los dioses no necesitan a las palabras, la poesía termina diciendo que Conversar es humano. Entonces,  si en el principio conversar es divino porque los  dioses se les dan eso a los hombres, en el fin conversar es humano porque sólo el hombre lo necesita.
             Hay también la posibilidad del análisis de la palabra como dádiva que Dios da a los hombres, y como el poeta la utiliza en su creación artística, sus versos son sagrados. Si “las palabras / no son signos, son siglos” y “los nombres que decimos / dicen tiempo”, entonces las palabras escriben la historia de los hombres, más que eso, “nos dicen”, escriben el propio hombre.
            Si “somos nombres del tiempo”, es tiempo (la Historia) que determina cuales nombres serán recordados.
            Podemos analizar, incluso, la cuestión de la linguística, por la cual el hombre se utiliza de la lengua para comunicarse, o sea, la lengua es que nombra las cosas tanto del mundo natural como del abstracto. 

domingo, 21 de novembro de 2010

Uma poesia pela liberdade de se poder ser quem é

 Em meio a tanta violência, como esta

Delegado: militares confessaram que homofobia motivou ataque contra jovem baleado após Parada Gay

 esta

Estudante de Direito é vítima de racismo na PUC de São Paulo



esta

Jornalista da RBS: “Hoje qualquer miserável pode ter um carro”

esta

Em ataque homofóbico no DF, jovens tentam agredir gay e amassam carro aos chutes

e esta

Jovens, covardes e homofóbicos: Quem são os acusados de espancar quatro rapazes na capital paulista só porque achavam que eles fossem gays


não se pode fingir que nada acontece, que a culpa é dos negros e dos LGBT que estão a ocupar espaços que já tem donos.

Segue uma poesia do Livro Leaves of Grass, de Walt Whitman, traduzida por Bruno Gambarotto em sua dissertação de mestrado:

Não podemos ficar vivendo de mártires, de representantes da violência cotidiana, como se fosse algo normal, aceitável, tolerável. O poder público tem o dever de garantir a segurança das pessoas, tem a obrigação de garantir que todos sejam respeitados. Por isso a necessidade de aprovação de legislação de criminaliza o preconceito homofóbico, assim como ocorre com o racismo. A poesia acima do Whitman retrata a formação da sociedade norte-americana, mas podemos trazer à nossa realidade a luta pela liberdade. Pela liberdade da individualidade. Pela liberdade de se poder ser quem é. Respeitando e sendo respeitado.

"Não há uma cova dos assassinados pela liberdade em que não cresça a semente da liberdade"



Um conto do Marcelino Freire AQUI

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O amor supera tudo?


Imagine Kafka inteiramente nu e com asas, quase que o David (de Michelangelo) alado. Seria o início de uma linda história. Imagine-o de braços abertos, atormentado por lembranças traumáticas e na beira de um precipício, ou algo do tipo.

Imagine Kafka um jovem de 26 anos que tem que trabalhar muito para se sustentar e para ajudar a mãe doente. Pense, mais ainda, que, para ter tanta disposição e ficar tanto tempo acordado e com ânimo para aguentar a dura carga horária de trabalho, ele se valha de drogas - especialmente a anfetamina.
Crie em sua mente uma situação: Kafka trabalha como professor de natação; no vestiário do clube, recebe dinheiro para deixar ser visto masturbando-se (ele estaria se prostituindo?). Ele também trabalha como entregador de comida em outro turno.

Além do trabalho, Kafka estuda inglês e pratica kung-fu.

Kafka é um homem solitário e carente. Terminou com sua namorada há pouco, sua mãe está doente e não tem tanta simpatia por seu irmão.

Ele conhece o também jovem Daniel, um homem de negócios, com dinheiro, recém-chegado da Austrália. Primeiro, eles se esbarram na noite em que Kafka terminara com a namorada. Em outro dia, encontraram-se em um templo, enquanto rezam, a partir de quando suas vidas, ao que parece, estariam definitivamente entrelaçadas para sempre.

Sentados sob uma ponte quebrada, à espera de reparos que a permita ser uma ligação entre duas partes da cidade novamente, Daniel diz:

-Você é diferente quando sorri. - tentando beijar Kafka, que se esquiva dizendo: 
-Não consigo aceitar isso ainda, desculpe. 
-Desculpe, pensei que você... - completou Daniel, constrangido. 
-Você viu minha namorada no bar aquele dia. No entanto... - retrucou Kafka. 
-Está tudo bem. Já namorei meninas antes. - tentou minimizar Daniel 
-Ah, certo. - divagou Kafka 
-Talvez, quando a ponte estiver unida, nós também estejamos. Moleza. - desejou Daniel 
-Dê-me um pouco de tempo. - pediu Kafka


A história continua e, ao acordar assutado enquanto dormem juntos, Kafka corre para o banheiro, trancando-se, gritando.

-Você está bem? - pergunta Daniel
-Não ficaremos bem. - responde Kafka, de cócoras no chuveiro. - Eu não sou capaz de te satisfazer.
-Você quer dizer sexualmente? - questiona Daniel
-Não posso transar com homens. Não sou certo para você. Não sou gay! - grita Kafka, ainda de cócores sob as águas.

-Eu pensei que você me amava. - diz Daniel, ao que responde Kafka:
-Talvez seja outro tipo de amor. Eu perdi meu pai, meu irmão é um babaca...
-E daí? - indaga Daniel
-Por que você não me entende? O que você vê em mim? - insiste Kafka - Não tenho dinheiro, educação, atração e nem futuro. Para você, sou até impotente!
-Isso é o que as mulheres querem, não me importo com essas coisas. Gosto da sua beleza, e de você ser engraçado e saber lutar. Hétero, masculino e ousando fazer qualquer coisa comigo. (...) Na verdade, já que é a primeira vez que te vejo chorar, decidi que vou ficar com você para sempre, não deixar ninguém te machucar. - desabafa Daniel.

Kafka passa a mão no rosto, na tentativa impossível de enxugar as lágrimas que se confundem com a água que cai do chuveiro. Levanta-se. Todo molhado, abre a porta para Daniel, abraçando-o.

É perceptível a diferença entre eles, porque no meio dessa discussão, Daniel, na maior parte do tempo, fala inglês, equanto Kafka, cantonês: ou seja, para além das diferenças de orientação sexual, eles mal conseguiram superar a dificuldade linguística. Na verdade, Daniel fala cantonês; Kafka é quem desliza no inglês. Mas isso se mostra superável.

O amor supera tudo?

Imagine se essa história fosse um filme...

Não há como se livrar de um amor predestinado

Anfetamina (Amphetamine) é um lindo filme chinês. Tão sensível que chega a causar arrepios em algumas cenas, de tanto drama, de tanta emoção, de tanta possibilidade.

Com: Byron Pang como Kafka e Thomas Price como Daniel
Roteiro e direção de: Scud

Trailer AQUI

Dedico este post à minha sempre amiga Daniela, por ser uma mulher tão sensível, tão apaixonante, tão apaixonada e tão sincera. A você, Dani, todo meu carinho e minha sincera amizade.

domingo, 24 de outubro de 2010

Um dia...

Um dia eu fui mais triste.
Um dia eu serei mais feliz.
Um dia mudarei tudo isso.
Um dia é muito longe...
Preciso viver agora.

sábado, 23 de outubro de 2010

Um conto pro Halloween

Mente do Mal

   __ Polícia, socorro, chamem a polícia!!! Gritava o morador do prédio, que acabara de ver o corpo.
   A polícia chegou. A cena era assustadora: um corpo, decapitado, preso ao teto de braços abertos com arranhões ensanguentados por todo corpo.
   O homicida maníaco voltara a atacar. A única pista que deixava era um pedaço de papel com letras e números. Neste, fora a letra L e os números ( 9; 26,31).
   A polícia já não tinha mais onde pesquisar. Estava perdendo as esperanças.
   Amanheceu. A sirene da polícia se aproximava, outro crime. Mistério...
   Desta vez, a letra era G e os números eram ( 5; 19,21 ).
   Dois meses se passaram, quando uma autoridade da Igreja sumiu misteriosamente. Dois dias depois, encontraram o corpo, à noite, tocando o sino da matriz, pingando sangue e sua cabeça no topo da igreja, na cruz.
   Mais um bilhete:  A ( 21,8-22,15 ).
   Algo estava estranho para os investigadores: Por que alguém da Igreja?! Então é que ligaram os códigos dos bilhetes à Bíblia.
   Quando foram á sacristia procurar por uma Bíblia, depararam-se com um sacerdote, jovem, tentando se matar. Dizia:
            __ Se alguém chegar perto, eu me mato! Afastem-se__ aproximando mais o canivete de sua garganta__ toda minha vida me dediquei a Deus, sempre quis entrar no Reino dos Céus e me acontece isso! Onde estava Deus ? Nunca esteve.
            Foram suas últimas palavras e o último crime de uma série misteriosa.
            Os investigadores finalmente descobriram o que o havia levado àquilo: seu pai havia sido assassinado em casa, enquanto sua mãe estava no motel com outros homens e sua irmã teria morrido de hemorragia devido a um estupro. Entrara no seminário para descobrir onde estava Deus e outras respostas. Como não  as conseguiu, matou pessoas e terminou por se matar.
            Todos os códigos se referem a passagens bíblicas que falam de homicídio, libertinagem, impureza e demônio.
            Era 31 de Outubro.
      Alguma coincidência?

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Eu vou de Dilma presidente

Olá, amigos e amigas.

Quando eu lhes envio algum texto sobre a Dilma pedindo votos, estou me dispondo ao debate político - tão necessário para a manutenção e, mais que isso, para o fortalecimento da nossa democracia. Como vocês veem, eu proponho debates de ideias, não de ataques pessoais, de ofensas e nem mesmo de palavrões. A política deve se dar no campo das ideias, de propostas e não levar em conta a dor do cabelo, da pele, por exemplo.

Fico triste quando vejo pessoas bem instruídas, como educadores, advogados e médicos esbravejarem aos quatro cantos que o Lula dá vale coxinha, vale vagabundice e vale não-sei-lá-o-que, mas como vivemos num meio democrático e de liberdade de expressão, cada um pode dizer o que quiser (pena não terem nenhum interesse em saber como funciona os programas do governo federal - uma vontade de permanecer ignorante por puro preconceito contra Lula e contra o PT?). Entretanto, não vejo os eleitores do Serra defenderem as ideias dele, os projetos que ele apresenta ou mesmo o que ele faria diferente ou melhor que o Lula que mudaria o Brasil para uma das mais importantes potências do mundo. A única coisa que os eleitores do PSDB fazem é esbravejarem que odeiam o PT, o Lula, a Dilma e tudo o mais. Será que essa raiva toda da política está ajudando em alguma coisa? Vivemos em SP, todo mundo reclamando, mas continuando votando no PSDB pro governo estadual. A educação pública de 5ª série ao Ensino Médio está boa em SP? A saúde pública pra quem não tem UNIMED está boa em SP? Bom, se os eleitores do Serra sequer usam desses serviços públicos, claro que não sabem da nossa realidade, vivendo num mundo fantasioso pintado de azul, já que disseram que o mundo da Dilma é cor-de-rosa. Deveriam pensar que vale coxinha é o que o governo de SP dá pros professores, porque com o valor de vale alimentação, a única coisa que conseguem almoçar é uma coxinha por dia! Deveriam pensar que 40% dos professores da rede pública estadual são temporários, e isso quer dizer o seguinte: esses 40% se revezam todos os dias em diferentes salas, matérias, escolas, não havendo uma sequência de programa. Peço aos educadores com formação de peso, como mestrado, que me expliquem melhor os prejuízos que esse sistema de substituição e troca diária de professores pode trazer ao ensino básico e suas consequências no futuro dos jovens que acabam não sendo formados em sua plenitude como cidadãos. Não vale pensarmos na educação infantil nessa discussão, porque o ensino infantil e fundamental até a 4ª série é municipalizado (com exceção de poquíssimas escolas estaduais, acho que 2, em Marília que cuidam do ensino de 1ª a 4ª série). O grande debate é da 5ª série ao Ensino Médio.

Gostaria que os amigos eleitores, militantes e simpatizantes do Serra me dissessem os bons projetos dele no governo de SP e, mais que isso, as propostas que ele tem para o Brasil. Por que eu o vejo fazer promessas genéricas: mais, saúde, mais educação, mais isso, mais aquilo; mas isso até o Tiririca fez...

Vou falar de um modo superficial para, em outra oportunidade, aprofundar: sobre o aborto: a Dilma nunca disse ser a favor do aborto. Ser a favor do aborto é dizer: gostaria que as mulheres continuem abortando. Ela jamais disse isso. O debate que ela coloca é sobre a legalização do aborto, sobre o acolhimento da mulher que aborta, porque depois do aborto a mulher ainda precisa de cuidados médicos, pois corre risco de infecção que pode levar à perda do útero, por exemplo, e pode levar à morte também. Isso porque o aborto é feito em clínicas clandestinas ou comprando remédios abortivos no camelô (ontem mesmo, 05/10, uma mulher dizia para uma amiga minha estava indo comprar o Citotec pra fazer aborto). O aborto existe independente de qualquer coisa, da minha ou da sua vontade, da Dilma ou do Serra querer que ele exista. A Dilma propõe o cuidado da mulher que faz o aborto, não incentiva o aborto. Cuidar da mulher é cuidar da vida humana. Cuidar é dar valor à vida.

Vou falar rapidamente sobre o Bolsa Família: ao contrário do que muitos pensam, esse programa de transferência de renda não é um vale pra ninguém mais trabalhar, mesmo porque o valor do benefício não é suficiente para isso. Para a maioria. Porque existia muita gente que nem o mínimo pra comer tinha, e o Bolsa Família proporcionou que essas pessoas deixassem a miséria extrema e pudessem viver com o mínimo do mínimo de dignidade. Só os elitistas que tem barriga cheia e comida 3 vezes (pelo menos) por dia acham que o governo está dando esmola pro povo. Isso é egoísmo, porque vivemos em sociedade e o Brasil é uma sociedade. O que me parece é que estão querendo fazer um movimento separatista, isolando o Estado de SP do resto do país, é isso? Se é isso, cadê a democracia? É claro para todos que existe muita gente passando fome ainda, mas é mais claro ainda que com o Lula mais gente deixou a miséria do que com o FHC-Serra. Não percebem? É por isso que a Dilma é candidata: pro Brasil seguir mudando.

Sobre saúde pública: vou detalhar apenas uma questão, o SAMU: o SAMU é bancado 50% pelo governo federal em todos os municípios que o possuem. Vários Estados bancam 25% ficando ao município a responsabilidade de 25% dos custos do SAMU. Em SP, o "mais rico", o que "mais trabalha", o governo do PSDB - Alckmin e Serra - não investe NEM 1 CENTAVO no SAMU, sobrando para os municípios arcarem sozinhos com 50% desse custo. O argumento do Serra durante a campanha e nos debates foi: o governo de SP investe nos pronto-atendimentos. Agora é que a coisa complica: em Marília o HC aumentou ou reduziu os atendimentos do pronto-atendimento? Até onde eu saiba, o HC reduziu o atendimento ao público para apenas urgências e emergências, transferindo, MAIS UMA VEZ, para o município a responsabilidade de atender a população. Espera, cadê o investimento que o governo do Serra está fazendo para justificar o não investimento no SAMU? Ao que me parece, o governo estadual de SP do Serra e do Alckmin deixou Marília e o Estado carente duas vezes: não investe no SAMU nem nos pronto-atendimentos. E agora? Quero argumentos que digam e provem que isso é tudo mentira minha e que sou um apoiador de vagabundos. Estou esperando ARGUMENTOS, projetos e ações, nada de invencionices e de esbravejadores sem conhecimento da complexidade do nosso país.

Vou falar rapidamente da imposição que o governo Lula conseguiu: o Brasil é um país respeitado em termos de relações internacionais em todos os continentes do mundo! Coisa que nem o dr. pós-graduado na França, sr. FHC, conseguiu fazer. O Brasil é um dos mais importantes articuladores internacionais. Seja para mediar problemas na América Latina, no Oriente Médio, é o pragmatismo, a ideia de resolver na conversa, no diálogo que coloca o Brasil atualmente como um forte país político em todo o mundo. Mentira minha? Não, observem os principais jornais do mundo, saindo um pouco do eixo Folha-Estadão-Veja-Globo: The Financial Times, El País, Le Monde, e muitos outros periódicos do mundo todo. Fica a pergunta: por que o mundo todo reconhece os avanços em nosso país, nossa importância como potência econômica e política no mundo, menos os elitistas brasileiros? Inveja do metalúrgico sem formação que fez isso? Dor de cotovelo porque o dr. pós-graduado na França não conseguiu isso? Ou apenas preconceito?

Pra finalizar, respondendo aos que perguntem "o que a Dilma tem a ver com o sucesso do Lula no governo?", digo o seguinte: ela foi "apenas" a Ministra Chefe da Casa Civil, ou seja, ela "simplesmente" coordenou todos esses avanços do país, todos esses programas sociais que deram essa nova classe média e esse tom desenvolvimentista ao nosso país. Ela tem experiência de gestora pública e política. Agora, tem a experiência eleitoral de 46% dos votos válidos no seu primeiro pleito, contra os 32% do já experiente candidato Serra, que não sai dessa porcentagem desde 2002, quando perdeu a eleição para o Lula.

Espero que possamos manter o nível educado, inteligente e com argumentos, além de podermos fazer a oposição, a comparação entre os governos FHC-Serra e Lula-Dilma. Mas eu quero que os tucanos me apresentem os projetos e ações do Serra e do FHC, não apenas digam: o Lula faz isso, não faz aquilo. Por favor. Discussão inteligente!

Abraços, Will
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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Vazio significante

Nada útil me vem na cabeça. Nada pra dizer. Nenhum pensamento sequer. Nem o fútil me movimenta. Nem isso. Todo vazio está aqui. Todo o nada que diz tudo. Aquele vazio significante. Aquela falta do que faz falta. A saudade do que está ausente. A ausência que se percebe. Mas onde está essa coisa que me faz pensar isso tudo? Antes, o que é isso? Sinto uma vergonha por não conseguir dizer. Mas eu sinto (mesmo que seja o vazio), só não consigo dizer. Não sou covarde por não dizer. Seria se sequer desejasse, pensasse, quisesse. Só não digo. Porque não quero, porque tenho medo, porque sou covarde. Pelo menos agora eu já penso algo: há o vazio em mim!

domingo, 26 de setembro de 2010

As distâncias entre mim e você(s)

Parece que há um abismo em minhas relações às vezes. Noto uma falta de diálogo, um silêncio perturbador, que mata, mas contra o qual ninguém faz nada - nem eu mesmo.
Aquela coisa de "algo não está bem", mas "não vou mexer nisso". Pra que resolver algo que não está bom? Não está bom, algo me incomoda, mas tudo bem... Melhor deixar assim. Dialogar dá trabalho, me expõe e pode me indispor também...
Algumas mudanças de hábito implicam em mudanças não apenas na minha vida, mas podem refletir nas minhas relações. Aí é que a coisa pega: como assim você mudou comigo? Por que não mais isso, não mais aquilo? Por quê? A questão é que nem sempre esse questionamento ocorre de fato, fica tudo talvez insinuado, talvez subentendido. Há, na verdade, uma ideia de abandono, de pouco caso; mas não se trata disso, trata-se de uma mudança de comportamentos meus. Todo o amor que sempre houve continua existindo. Há tantos momentos para recordar, tantos abraços compartilhados, enfim...
Dizer que eu sumi é fácil, mas só eu sumi? Eu continuo com o mesmo número de telefone, moro na mesma casa, tenho o mesmo e-mail e o mesmo MSN. Sem essa!
Às vezes eu me perco em mim mesmo, tamanho é o emaranhado de pensamentos, de confusões e de tentativas de soluções que tenho na cabeça. Mas é tanta coisa que não sei o que fazer com tudo isso na maioria das vezes.
Eu quero estar aqui, ou ali, ou aí, ou quero não estar em lugar algum. Eu posso querer ou não querer isso ou aquilo. É a minha vontade. E isso não diminui em nada os sentimentos que trago dentro de mim. Em nada, repito!
Algumas mudanças ocorrem naturalmente me nossa vida. Outras, nos são impostas por N motivos. Outras, ainda, são exigidas para nossa sobrevivência. É uma questão pragmática: contextual (pessoas, lugares, momentos, intenções).
Acabo por aqui hoje, tendo me expressado como já deveria ter feito antes.

sábado, 25 de setembro de 2010

Tantas vezes eu fantasiei um amor

 Tantas vezes eu fantasiei um amor. Criei uma ilusão, uma imagem falsa, não era real. Mas parecia. Tantas vezes eu amei, amei um amor real. Mas o que vinha do outro lado é que era a minha ilusão. Minha, porque eu é quem me iludia. Acho que interpretei as coisas como eu queria que elas fossem, me esquecendo de que elas poderiam não ser o que queria. Parece complicado? Naquelas horas parecia. Mas agora está mais claro tudo. Não procuro culpados, não procuro punições. Os desacordos da minha experiência é que são meu combustível para muitas ideias novas. A partir do que deu errado eu crio, recrio novas fantasias de amor. Não busco nada tão sofisticado, nem tão simplório. Não quero nada muito além de mim, nem aquém. Não quero muito, nem muito pouco. A não ser amor, que eu quero intenso, vivo, latejante dentro de mim. Esse pulsar de vida que sinto e que me deixa com esse sorriso agora é o que eu quero todos os dias, porque é lindo acordar com esse sorriso. É lindo acordar fantasiando um novo amor e, enquanto não me dou conta de que é uma ilusão, me parece inteiramente real. Me encho de vontade de vivê-lo.

Em sintonia comigo, Paulo Ricardo (música AQUI):


Onde está o meu amor
Paulo Ricardo

Onde está o meu amor?
Quem será, com quem se parece?
Deve estar por aí
Ou será que nem me conhece?
Onde andará o meu amor?
Seja onde for irá chegar
Onde está o meu amor?
Que será que ele faz da vida?
Deve saber amar
E outras coisas que Deus duvida
Corre, se esconde
Finge que não,jura que sim
Morre de amores aonde
Longe de mim
Onde está o meu amor?
Leve envolto em tanto mistério
Deve saber voar
Deve ser tudo o que eu espero
Onde andará o meu amor?
Seja onde for eu sei que vai chegar
Corre, se esconde
Finge que não, jura que sim
Morre de amores aonde
Longe de mim
Aonde está o meu amor?
Deve estar em algum lugar.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Até quando?

Até quando me perder no infinito emaranhado dos pensamentos dessa vida confusa? Até quando querer o que está lá, se tem algo que está aqui? Até quando realizar o desejo será motivo de risos, de dor, de exclusão? Até quando encontrarei pessoas desinformadas que acham estar dizendo a verdade, que acreditam na "verdade" que lhes é vendida? Até quando me sentirei tantas vezes fora do lugar, fora do mundo, fora do encaixe nesses "padrões", seja lá o que isso significar? Até quando usarei a linguagem para apenas reproduzir, sem produzir o que eu quero?

"Até quando você vai levando porrada? Até quando vai ficar sem fazer nada? Até quando vai ser saco de pancada?" (Gabriel O Pensador)

sábado, 14 de agosto de 2010

A morte me dilacera

Hoje foi um dia difícil. Os últimos dias tem sido difíceis...
É horrível quando perdemos. A morte é sempre avassaladora, dilacerante. É como que se uma parte de nós também morresse.
É triste a cena. Sentados, olhando pro silêncio. Lembrando da vida que existia; lágrimas que correm; soluços de choro. Dá um desespero, parece. E agora? Como lidar com a perda, com a morte? Ainda não sei, mas é preciso seguir e descobrir como será o amanhã.
Hoje passei o dia velando, quase que em silêncio de palavras, e chorando...
Hoje é o dia em que meu namoro morreu.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ser humano: sociabilidade e razão

"O ser humano não é uma abstração e isto é fato. Gostei muito deste artigo do meu querido amigo Will e quero compartilhá-lo com vocês! É sempre bom refletir no que exatamente nos torna humanos e até que ponto a socialização contribui com isso. Acredito q vale a pena ler. beijocas da Dani"
O ser humano só é um humano quando está entre outros humanos


 O que faz o ser humano se definir como ser racional, como ser social, como não selvagem é sua relação com os outros humanos em sociedade. Só há sociedade se houver limites, acordos para as relações não serem uma bagunça. E o que seria essa “bagunça”? Uma desorganização cultural, que acabaria em uma desorganização econômica também. A constituição da cultura só é possível por meio da racionalidade inerente à natureza humana, juntamente com sua capacidade de organização social.
Se os humanos fossem racionais apenas, agiriam de acordo com as leis naturais apenas, seguindo sua natureza. Mas somos mais que naturais, somos sociais também. Nesse ponto podemos identificar a liberdade natural do ser humano, ao submeter-se às leis da natureza, e a liberdade social, que é a sujeição da pessoa humana ao que foi estabelecido socialmente, em conjunto.
O ser humano, ao organizar-se em sociedade, tem a capacidade de formar instituições, de estabelecer limites sociais para as ações naturais, evitando que cada pessoa aja por si, em sua causa; há instâncias do estado, por exemplo, que ditam regras a que todos devem submeter-se para viverem em igualdade de direitos.
Imaginemos uma pessoa que não vive entre humanos, que vive na selva com outros animais. Ela seria humana? Sim, seria uma pessoa. Mas como agiria? Como ser humano? Falando, escrevendo, organizando a sociedade? Comendo à mesa, usando o banheiro? Certamente, agiria como os outros animais com que vive. Teria a capacidade de agir humanamente latente, porque ainda seria racional. Mas sua sociabilidade não estaria evidenciada por viver apenas entre os irracionais. Nietzsche inicia “Assim falava Zaratustra” com um exemplo dessa insociabilidade a que nos referimos: o personagem principal, que dá título ao livro, é um questionador da cultura e da civilização, passa dez anos longe de contato com outras pessoas, longe das relações humanas e, principalmente, de seus males. A partir dessa experiência, eu digo: fugir dos “males” da humanidade, isolando-se, é fugir da própria humanidade, é negar sua natureza, sua racionalidade, sua sociabilidade, sua existência, enfim. Como ser humano negando suas características? Transformando-se em outro animal, em outro ser? Autodenominando-se não mais como humano? Mas a denominação não é uma ação que podemos fazer, nós humanos, exatamente por sermos humanos e capazes de produzir a linguagem que denomina as coisas? Enquanto todos os outros animais são incapazes de produzir linguagem como os humanos, nós promovemos a interação social por meio dessa ferramenta significativa.
Para o filósofo Locke, tenho acesso, por exemplo, à ideia de “casa” de forma imediata, direta na minha mente. Por outro lado, acesso a “casa” do mundo real de forma mediata, mediação feita pela ideia de casa. Esse filósofo funda a filosofia contratual, que embasa a filosofia política – trata de pactos, fazer um pacto é trocar ideias e, em última instância, ter ideias é ser racional, e a racionalidade é a capacidade de operar tais ideias. A linguagem é a exteriorização do nosso pensamento – precisamos da linguagem para nos comunicar, exatamente porque somos racionais e sociais e, por isso mesmo, nos relacionamos enquanto sociedade.
A partir disso, podemos dizer que “o ser humano só é um humano quando está entre outros humanos” por conta de sua natureza de sociabilidade e de sua razão. O ser humano faz contratos, impõe limites, ele significa, mas só consegue construir isso tudo na relação com outras pessoas, vivendo em sociedade, e não isolado de seus semelhantes. Ele é mais que natureza: o humano constrói sociedades e culturas.

sábado, 31 de julho de 2010

Algo assim...

Algo assim é o que sinto hoje. Sem descrição exata, porque é um sentir confuso, borrado...
Coisas da minha cabeça? Estresse? Ansiedade?
Acho que tudo isso junto, com muito mais. Vivo numa expectativa constante: sempre há algo para (quem sabe) dar certo. E essa espera me tortura, me mata, me destroi.
Isso às vezes me faz tomar atitudes precipitadas, às vezes me faz decidir algo que não está decidido (algo que deveria amadurecer em minha mente, mas que eu, ansiosamente, decido prematuramente).
Muitas vezes é possível desfazer essas precipitações. Algumas outras vezes, essas decisões me trazem algo de bom: saber o que não imaginava estar acontecendo, mas que, mesmo que esteja um pouco longe de mim - embora seja sobre mim - me traz alguma alegria. É confuso, mas não posso explicar isso.
As coisas estão tão meio turvas hoje, que estou ouvindo um cantor francês! Não entendo bulhufas de francês, mas a melodia é linda e o intérprete me comove. Falo de Grégoire.
Me dá um nó, não sei se no peito, se na garganta. Acho que é na minha mente, aqui dentro da cabeça.
Como será uma igreja grande numa segunda-feira de manhã? Eu a imagino alta, com pinturas nas paredes, aquele longo caminho até o altar, uma imagem de Jesus ao fundo. E como será essa igreja na segunda à tarde? Cheia de silêncio, imagino. Sem aquela movimentação do domingo, de famílias indo às rezas. Mas por que falei da igreja? Porque esse silêncio que eu imaginei é o mesmo que eu queria pra mim agora. Aqui dentro. Sem apologias religiosas, estou apenas "metaforizando"...
Grégoire continua me invadindo e me comovendo - não entendo nada, mas fico imaginando o que ele esteja dizendo. Será que só imagino o que gostaria de ouvir, ou me torturo e imagino o que também me destruiria?
Me desculpem pela melancolia, mas algo assim é o que sinto hoje...

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Nem por decreto: pela liberdade da língua portuguesa

Certa vez, participei de uma discussão sobre “defender a língua portuguesa na publicidade, nas artes etc.”. Estavam querendo uma lei que “protegesse” a língua, com previsão inclusive de multa para quem fizesse publicações com “erros de português” e proibindo o uso de estrangeirismos. Uma primeira discussão que poderia surgir é a do preconceito linguístico, a do uso excessivo da gramática como norteadora das nossas relações linguísticas, sem se levar em conta as questões pragmáticas, por exemplo. Entretanto, meu enfoque não vai ser este.

Acredito que respeitar a língua é fundamental para sua manutenção, bem como para a preservação e disseminação da cultura de um povo. Não podemos nos esquecer, entretanto, de que a publicidade tem por objetivo convencer. Não acredito que a publicidade se utilize tanto de erros como pareciam querer apontar. Aliás, gostaria que tivessem me mostrado exemplos de erros de português em textos publicitários para discutirmos, mas não mostraram.

Sobre os estrangeirismos, não concordo com o que disseram. Os estrangeirismos são uma forma de enriquecer a língua, porque eles são o resultado da "apropriação" pela língua de um termo estrangeiro e, quando isso ocorre, essa nova palavra passa a fazer parte da língua, e a constar dos dicionários, e, consequentemente, a "funcionar" de acordo com sua norma. Um exemplo é a palavra XEROX, que, na verdade, é uma marca, mas estrangeira de qualquer forma. Quando nos referimos a "fazer cópias reprográficas", dizemos XEROCAR. Como podemos observar, o verbo está no infinitivo como os verbos AMAR, BEBER, SORRIR. O estrangeirismo não é o uso de um idioma em detrimento de outro. Como já disse acima, é a "apropriação" de um termo estrangeiro pela língua materna. Assim, se um termo já está dicionarizado e já segue as normas da língua portuguesa, ele é incorporado por esta, deixando de ser um termo estrangeiro.

O que a pessoa queria discutir, então, seria a dominação linguística e cultural, e não o estrangeirismo. Se antigamente o francês era a língua dominante, após a Segunda Guerra o inglês passou a sê-lo. E, sendo a língua dominante, a cultura em língua inglesa (mais propriamente a cultura norte-americana) passou a ser a dominante também. Outro ponto interessante é que nós nos sentimos (e somos) fortemente influenciados pelos EUA porque estamos na América. Tem-se que levar em conta que na Europa não é o inglês americano que se ensina na maioria dos países, porque lá existe o Reino Unido e outros países falantes da língua inglesa que já o falavam antes. Sobre a dominação linguística, realmente não podemos utilizar um idioma estrangeiro em detrimento do nosso, mas isso não quer dizer que tenhamos que nos alienar em relação à língua de maior uso nos negócios internacionais: o inglês.

Aprender a língua portuguesa corretamente (e não apenas o uso gramaticalmente correto, mas perceber as possibilidades e flexibilidades da nossa língua) é fundamental para uma boa formação cultural sólida de qualquer brasileiro, mas saber uma segunda língua é fundamental para se ter sucesso profissional em um mundo globalizado e cada vez mais competitivo. Não são raras as matérias em jornais que abordam exatamente esse assunto: há muitas vagas de emprego que não são preenchidas por falta de mão-de-obra qualificada, e isso em qualquer nível de escolaridade, inclusive a falta de conhecimento de uma segunda língua.

É nesse contexto que acredito na liberdade de uso da língua. Nós a construímos diariamente. Não é um decreto que vai fazê-la ser mais nacional ou mais norte-americanizada. Não é desse tipo de proteção que precisamos, precisamos que o português seja ensinado na educação básica para que possamos ter acesso à literatura em língua portuguesa compreendendo as figuras de linguagens, as (des)construções artístico-poético-literárias, além de podermos fazer uma leitura mais intertextual de cada obra ou texto a que temos acesso.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

As palavras que não saem, mas que eu sinto...

Você + eu é a música da Dani de hoje. E está sendo a minha também. Ouço sem parar essa música AQUI.

 Hoje escrevo em homenagem a ela, minha amiga apaixonada, que sofre. Um sofrimento em silêncio, se pensarmos que não é revelado, que não é declarado (para ele), mas que é divulgado muito. Ela grita essa paixão pra todos, menos diretamente pra ele. Ela pede sua presença, seu carinho, seu sexo. Ela implora! Mas ela não diz quem é ele!!! A palavra enrosca na garganta dessa mocinha de novela mexicana. Ela sente tanto, tanta coisa, mas as palavras não saem... Ela não consegue traduzir esse turbilhão de paixão em um diálogo: "eu gosto de você". Não consegue!

Aí ela escreve, ela grita um grito que ecoa, mas que talvez não alcance quem deve... Ou talvez alcance... Será que é dela que as palavras não saem? Ou dele? Dani fala tanto dele, chora por ele, escreve por ele... Será que ele não leu nada nunca? Ou, tendo lido, nunca soube que ele era ele? Ou quer fingir não saber? Por quê? Acabemos com o sofrimento. Simples. Assim. Não, não tão simples, sabemos... Não tão óbvio, diria Holmes a Wattson. rs

Não consigo ajudá-la a solucionar esse caso, mas ao menos penso ser um bom amigo, que ouve e dá (não conselhos, blá) algumas palavras pra tentar acalmar tanto sofrimento, ou, ao menos, tentar fazer tanta paixão doer menos. Porque paixão doi. E a gente sente tanto essa dor que, às vezes, nos faz bem, porque faz com que sintamos que temos sangue correndo nas veias (com o perdão do clichê). Sim, porque ninguém fica olhando pra qualquer parte do corpo em qualquer horário do dia ou da noite pensando "aqui corre sangue, aqui nessas veias que não vejo mas que sei estarem aqui". Oras, só com o sofrimento - ou com tanta alegria - podemos nos dar conta de que temos veias e que nelas corre sangue, porque é nesses momentos que o coração dispara e percebemos o sangue sendo bombeado loucamente, muitas vezes em busca do outro coração. É quase que uma necessidade, que uma utilidade do coração: bombear paixão de um coração a outro; ou, ao menos, buscar o outro coração para onde transferir tanto sentimento!

Voltando à música-tema da Dani hoje, Você + eu, até o "+" lembra de hospital, que lembra de sangue, que lembra de coração, que lembra... Ah, vocês sabem do que estou falando! Falo das palavras que não saem, mas que eu sinto, diria ela...

domingo, 11 de julho de 2010

Eu só queria dizer...

Há maneiras distintas de mostrar que gosto tanto mais de você? Será que há como eu fazer isso sem que eu precise dizer coisas do tipo "eu te adoro", "gosto muito de você"? O carinho? A preocupação constante?

Se eu fico mais chato, é reflexo da intimadade. Posso dizer mais coisas, chamar mais atenção. Olha, não faz isso, não assim...

Que coisa linda eu poder surpreender: de repente, um momento de tanta sensualidade, de tanto amor. Inesperado. Profundamente feliz. Os risos do depois confirmam essa felicidade, atestam essa alegria. As lembranças que hoje eu tenho confirmam que não sonhei: não é possível ter tido um sonho daqueles! Tem que ter sido real. E ponto.

Domingo é dia de preguiça. De convite pro almoço. De tarde na sala. Soneca no quarto. Domingo é dia de dormir feliz, sabendo que o fim de semana foi muito bom.

Não consigo nem dizer tanta coisa mais. Há tanto pra ser. 

Vou viver.

Feliz.

(só pra você saber, eu te adoro)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Uma rapidinha com a Dani...

Dani por ela mesma (via MSN):
-Oi. Tudo bem? 
Tudo e contigo?
-Como está?
Bem.
-Me fala dos seus sonhos, da sua vida.
Quais?
Terapia?
Terapia.
hahaha
Nossa! Sonhos: são tantos que me perco neles diariamente... Eles chegam ser até devaneios... Mas, meu sonho atual é ser dançarina do ventre.
Ter grana pra ir ao cinema toda semana, beber café e ter companhias agradáveis como a sua.
Outro sonho: ter as tardes livres... Queria essa liberdade.
-Quais seus planos?
Planos: fazer mestrado, passar em um concurso e ser um pouco mais livre.
-Quais suas vontades?
Também queria encontrar , sem querer, notas perdidas de 50 reais no meu bolso. Inventar esmaltes que não descasquem.... E comer massa uma vez por semana com pessoas bacanas. Um pouco de chá... Queria mesmo era amá-lo, mas não tenho forças pra isso.... E acho que nem ele.
-Tem algum segredo?
Segredo: hum... Pra você são poucos... Mas, meu maior segredo é o amor por ele. Ninguém sabe... Só você. Também tenho outros segredos: adoro colocar as mãos em potes de grãos, e ouvir mil vezes a mesma música. Também adoro escovar o dente andando... Mas, quase ninguém sabe disso.
Agora o que eu mais gosto de fazer é tomar vinho de madrugada sozinha na solidão do meu quarto....
-Me diga de você.
Eu sou uma pessoa emotiva, ansiosa, boba, chorona e indecisa. Às vezes sou paralisada pra tomar decisões e sempre tenho dúvidas... Sempre... Mesmo quando tenho certeza. 
-Me fala o que pensa. Sem pensar.
Sem pensar agora queria estar tomando um café contigo falando dessas coisas.
-Dá um sorriso e me abraça.
Um sorriso sempre pra você... E te abraçar toda hora.
-Me diz o que sente, do que tem medo.
Meu maior medo é dormir e não acordar. E também de me perder em algum canto e não ter ninguém... Tenho medo também de não ir ninguém no meu velório.



sexta-feira, 2 de julho de 2010

Incerteza...

Sem tempo, o infinito alcança a vida.
Sem lugar, o todo vazio lembra o nada.
O horizonte, lá no fundo, nunca ao alcance de ninguém.
O espaço muitas vezes não se preenche, tudo se confunde
E o todo, de repente, torna-se o nada.
O escuro torna-se claro.
O céu une-se à Terra,
E o mar confunde-se com o horizonte.
Enfim, de tudo, nada sei.
O que me confunde não são as palavras,
São meus pensamentos.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O GOL DE DUNGA

Por Juçara Dutra Vieira*

O recente episódio envolvendo a Rede Globo e o técnico da seleção brasileira, Dunga, levou-me a reler um livro do Pedrinho Guareschi sobre comunicação e poder. Lembro de tê-lo recomendado a meus alunos dos cursos de Letras e de Pedagogia, ainda nos anos 1980. Pedrinho relata que a prodigiosa ascensão do conglomerado está associada ao respaldo financeiro do grupo americano Time-Life, nos anos 1960. O acordo chegou a ser objeto de uma CPI, que concluiu pela sua inconstitucionalidade. No entanto, o presidente Castello Branco, ao invés de cassar a concessão, concedeu noventa dias de prazo para que a emissora regularizasse a situação... “Não houve quem pudesse segurar, desde então, a Vênus Platinada”, diz Guareschi. (1985, p. 47).

A Globo foi fiel à ditadura e só se desapegou da mesma quando o movimento pela Diretas Já ecoava por todo o Brasil, levando estudantes,  intelectuais, sindicalistas, políticos, enfim, parte importante da  sociedade brasileira às ruas, reivindicando a democratização do país. O processo desembocou nas eleições diretas de 1989, com Lula e Collor disputando a presidência. O que fez a Globo? Alavancou a candidatura do  “caçador de marajás”, tripudiou sobre os funcionários públicos e preparou-se para apoiar a privatização do patrimônio brasileiro. Collor não resistiu à crescente politização da sociedade e renunciou para não  ser cassado, mas a Globo teve a satisfação de apoiar o presidente seguinte e seu projeto privatizante.

Contra todo o esforço das elites brasileiras, Lula chegou ao poder. Foi  quase um deboche para os donos da comunicação. William Bonner deu-se ao desplante de puxar as orelhas do candidato em um debate eleitoral promovido pela emissora. A Vênus Platinada estava vingada! Mais tarde, o  apresentador desculpou-se, porém já cumprira seu papel: externar o ressentimento de classe contra o trabalhador brasileiro que ousara tornar um dos seus nada mais nada menos que presidente da república.

O Governo Lula não arriscou ou avaliou que não teria sustentação política para enfrentar a poderosa Globo. Assim, ela teve renovada a concessão que lhe permite expandir e consolidar seu império. Aí, nesse cenário em que reina absoluta, aparece um bronco para dar bronca (com a licença do trocadilho). Logo no ambiente da Copa do Mundo de futebol! Não sei se Dunga tem a dimensão do que fez, ao recusar a entrevista “exclusiva” para a rede Globo. Possivelmente, não tenha as mesmas motivações ideológicas de milhares de brasileiros que o aplaudiram. Não  importa. Pôs as coisas no seu devido lugar. Foi o gol político da Copa.

* Juçara Dutra Vieira é professora, ex-presidente do CPERS e, hoje, faz parte da direção da CNTE e é vice-presidente da Internacional da Educação - órgao vinculado à ONU que representa sindicatos de educadores de 140 países.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Rede Globo de Alienação

Em julho do ano passado morreu a travesti Andrea Albertino, aquela que se envolveu em um escândalo com o jogador Ronaldo (fenômeno?). Fátima Bernardes, no Jornal Nacional, noticiou da seguinte forma a morte da travesti:
"Foi enterrado nesta sexta em Mauá, na Região Metropolitana de São Paulo, o travesti André Luiz Albertini, que se tornou conhecido no ano passado pelo envolvimento numa confusão com o jogador Ronaldo. André Luís morreu na quinta. Na declaração de óbito, no espaço reservado para a causa da morte, está escrito: neuro toxiplamose síndrome imunodeficiência adquirida." 
Eu, que quase nunca vejo TV, bem naquele dia vi o JN. Fiquei inconformado (embora não pudesse esperar outra coisa) com o modo como se noticiou aquilo. Releiam e vejam se isso está claro para todos, especialmente a última frase. Bom, fui meio bocudo e mandei um e-mail para o site da Globo.
"Gostaria de dizer que acho extremamente desrespeitoso um jornal que atinge a massa fazer o que a Fátima fez. Ao falar sobre as causas da morte do travesti, ela disse 'Na declaração de óbito, no espaço reservado para a causa da morte, está escrito: neuro toxiplamose síndrome imunodeficiência adquirida.'. Na minha opinião, ela deveria ter 'traduzido' a informação para a massa, dizendo algo como 'Segundo informações contidas na declaração de óbito, o travesti morreu devido a complicações da AIDS etc...'. Por que isso não ocorreu? Vocês acreditam mesmo que a massa saiba que síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA) seja a tradução de AIDS? A resposta é não, e é por isso que vocês colocaram a matéria no ar dessa forma, para causar certa alienação. Afinal, acabara de ser dito, então, que o travesti tinha ficado famoso por se envolver em uma confusão com o Ronaldo (ah, o Ronaldo!) e não 'ficaria bem' para a imagem do jogador milionário se seu nome fosse ligado à morte de um travesti com quem se envolveu e que morreu com AIDS. Onde está o compromisso com a verdade? Essa é a questão: esse compromisso não existe em um espaço como o de vocês. Só queria que vocês soubessem que eu não faço parte da massa que vocês alienam!"
 Era óbvio que isso não mudaria nada - como não mudou. Mas, pelo menos, eu me expressei, porque não suportei ver aquilo e me calar. E agora compartilho a tradução da minha indignação com vocês.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Na Internet, Dunga ganha apoio contra a Globo

Jornalistas relatam que briga entre Dunga e Rede Globo deveu-se ao fato do treinador da seleção brasileira vetar o privilégio da concessão de entrevistas exclusivas de jogadores para a Globo. Entrevistas teriam sido negociadas pela Globo com presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Dunga não gostou e vetou. Repercussão do episódio indica que a maioria dos internautas está com Dunga e contra a Globo. Cresce no twitter campanha de boicote à Globo na transmissão de Brasil e Portugal na próxima sexta-feira. Marco Aurélio Weissheimer

O jornalista Bob Fernandes relata, em matéria publicada no Terra, as causas da briga do técnico da seleção brasileira de futebol contra a rede Globo. Segundo esse relato, Dunga não aceitou dar à Globo acesso privilegiado a jogadores da seleção. Bob Fernandes conta o que presenciou logo após o jogo do Brasil contra a Costa do Marfim: 
Soccer City, caminho entre o estádio e as tendas da FIFA que abrigam o Centro de Mídia. Galvão Bueno, Arnaldo Cezar Coelho e o diretor da Central Globo de Esportes, Luiz Fernando Lima conversam, não escondem a irritação e nem se preocupam com quem passa ao lado e ouve. O alvo é o técnico da seleção brasileira, Dunga. Minutos antes, na coletiva pós Brasil x Costa do Marfim o técnico, numa dividida bem a seu estilo, deu na canela do comentarista Alex Escobar, da Globo. 
Luiz Fernando Lima lembra as conversas recentes da emissora com Dunga, já na África do Sul: 
- Falamos com ele duas vezes e ele não consegue entender que não é "a Globo", ele está falando para todo o país... 
Seguem as observações do grupo, sempre ferinas. Um deles chega a dizer: - ...e a única coisa que eu acho que ele aprendeu em quatro anos foi falar 'conosco' e não mais 'com nós' como sempre fez... 
A Globo reagiu com um texto em tom de editorial, cujo conteúdo acabou sendo reproduzido e apoiado pela maioria dos jornalistas e empresas de comunicação que cobrem a Copa. Outro jornalista, Maurício Stycer, afirma, no portal UOL, que as entrevistas foram negociadas diretamente pela Globo com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. Dunga não gostou e vetou. 
Aparentemente, os jornalistas de outras empresas consideram uma grosseria maior o fato de Dunga reagir contra esse tipo de privilégio a uma empresa do que a concessão do privilégio em si mesma. Mas, segundo a repercussão do episódio na internet indica que a maioria dos internautas está com Dunga e contra a Globo. 
Uma enquete do Terra perguntava na manhã desta terça: você está com Dunga, com a Globo ou contra os dois? Com 163 votos, apenas 3,68% (6 votos) apoiavam a Globo. Dunga tinha 71,78% (117 votos) de apoio e a opção “contra os dois”, 24,54% (40 votos). Ontem, os comentários de leitores no site de O Globo também indicavam amplo apoio a Dunga. 
Nas seções de comentários, leitores começaram a espalhar a idéia de um boicote nacional à TV Globo na sexta-feira, data do próximo jogo do Brasil. A julgar pelo resultado do movimento desencadeado no twitter contra o locutor Galvão Bueno, a Globo pode estar entrando em rota de colisão não apenas com o temperamento de Dunga, mas com milhões de brasileiros e brasileiras. 
Um outro forte indicador disso foi que, na madrugada desta terça-feira, cresceu no twitter o chamado para um #diasemglobo, que estimula as pessoas a verem o jogo entre Brasil e Portugal, sexta-feira, em qualquer outra emissora que não a Globo. Um pedido, aliás, não muito difícil de atender, dada a crescente antipatia do locutor Galvão Bueno.
Fonte: Carta Maior Site: 
***
Valeu, Dani, pela dica do texto! 

sábado, 12 de junho de 2010

Celebrando o amor...

Caminho

E pela chuva segue sozinho...
Sempre pensando... falta carinho
E pela vida segue chamando...
Sempre alguém...amando.
E pelo caminho segue chorando...
Sempre sozinho...nunca encontrando.
E pelos momentos segue implorando...
Sempre caindo...amor vem chegando?
E pelas cicatrizes vê  seu passado...
Sempre lembrando... marcas... parado.
E pelos ventos vem dizendo...
Sempre triste... vem morrendo.
E por um bom coração reencontra
O sentido, a razão,
O dom da paixão.
Um amor, de verdade.

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Um feliz dia d@s namorad@s para tod@s. Especialmente para a minha amiga Dani e para a minha irmã Carol: estou na torcida por vocês duas. Não me contenho de tanta felicidade: presenteei meu amor. Foi tão lindo ver seu rosto, sua expressão de surpresa, aquela coisa de "nossa, não acredito que você fez isso!". Me senti tão realizado. Estou vivendo uma plenitude de sentimentos bons. Paixão. Amor. Carinho. Amorzinho, te adoro tanto.

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