terça-feira, 12 de junho de 2012

Um mês e mais nenhum dia


Hoje é comercialmente o dia dos namorados. E das namoradas. E dos namorados com as namoradas. Na verdade, é mais um dia normal, como todo dia. Mas vou aproveitar a data comercial para falar – mais uma vez – sobre amor e frustração, que é o assunto mais comum neste blog. O relato a seguir é de algo que ocorreu há 7 anos, vejam quanto tempo! Passei o fim de semana revirando CDs com arquivos antigos e encontrei alguns textos perdidos, entre os quais o que segue. Notem que minha vida sentimental quase não mudou nesse período, parece que as histórias sempre se repetem. Será que só comigo isso acontece?

Um mês e mais nenhum dia

Citando uma música do Jota Quest “Essa não é mais uma carta de (des)amor, são pensamentos soltos traduzidos em palavras, pra que você possa entender, o que eu também não entendo. Amar não é ter que ter sempre certeza, é aceitar que ninguém é perfeito pra ninguém, é aceitar ser você mesmo...”

Nº de vezes que enviei e-mail: 3
Nº de vezes que liguei: sem precedentes, sem sucesso
Nº de vezes que chorei: incontável

A solidão às vezes faz bem, mas é melhor quando se está só por escolha própria do que pelo desprezo do próximo. É melhor estar só acompanhado de seus pensamentos positivos e planos, do que acompanhado de uma incerteza, sem saber o motivo que resultou nessa solidão. É muito bom conhecer pessoas novas, diferentes, ainda mais quando existe carisma, atração, quando nasce uma relação do que parece ser um simples encontro. E essa relação – atente-se – pode ser de diferentes formas. Pode ser uma simples amizade, uma amizade colorida, ou ainda uma paixão ardente. Claro que isso ninguém escolhe, ninguém aciona um botão no coração que faz o que você quer, ninguém escolhe se apaixonar, ninguém escolhe ter afinidades, as coisas apenas acontecem no seu fluxo natural. Mas nem sempre esse fluxo nos parece natural. Principalmente quando é interrompido, seja lá qual for o motivo. 

Vejamos um exemplo. Você conheceu uma pessoa. A princípio é apenas uma companhia para falar ao telefone depois do trabalho, para se comunicar pelo celular, por e-mails. Depois tornam-se companheiros de cinema, sempre juntos admirando a 7ª arte. Então passam para algo mais íntimo, ainda no campo da amizade: vão assistir a um DVD, convidado e na casa da sua companhia. DVD é pouco, resolvem fazer pizza juntos. Olha que legal! Assistir a um DVD comendo a pizza que vocês mesmos preparam. É interessante lembrar que sempre deixamos claro qual a nossa intenção nisso tudo: amizade! Bom, a pizza não demora muito e logo está no forno. Ham... Estamos famintos. Enquanto isso vamos ao DVD. 2001 – uma odisséia no espaço. Já tinha ouvido falar, mas nunca havia assistido – e não foi dessa vez que assisti – e confesso não ter me empolgado muito com o filme, o que nos fez desistir no meio do caminho. Mas ainda tinha uma pizza para devorar, o que nos animou. Pronto, a pizza está no ponto, e aparentemente uma delícia... É, confesso que já comi pizzas melhores, e muito melhores, mas tudo bem, não passamos fome. Conversamos mais um pouco, logo fui embora. Apesar de o filme e a pizza não terem sido tão bons assim, a companhia daqueles momentos foi interessante. Combinamos de novo, e lá fomos nós para outra sessão de “cinema em casa”. O filme dessa vez me foge à memória, ou teríamos assistido à TV? Isso pouco importa, porque no meio do filme ou do programa de TV, seja qual for, aconteceu algo que nunca sequer jamais deveria ter acontecido: um toque. Mas para explicar esse “toque” vou descrever a situação em que nos encontrávamos dispostos na “sala de TV”, que na verdade era o próprio quarto, já que a casa não era nada grande. Estávamos sentados na cama, sob o edredom, já que estava frio. Agora volto ao toque. Então, o toque... Aconteceu sob o edredom, senti seus dedos tentando tocar minha mão, meu coração disparou, me vieram zilhões de pensamentos, sem saber o que fazer. Finalmente, decidi que ia deixar rolar. Me arrependo! Não pensem vocês que não foi legal, mas a forma como tudo acabou foi um tanto quanto estranha (acho que nem começou, mas vocês sabem, eu sou muito “bobão” mesmo, acredito em contos de fadas, duendes, Papai Noel, coelhinho da Páscoa, etc.).

Mas, claro, antes de descrever como “tudo acabou”, vou continuar o que falava. Os toques... Foram emocionantes. Me senti um garotinho tentando seu primeiro beijo, foi SIM-PLES-MEN-TE LIN-DO. Pena que acabou. Os toques... de repente se transformaram em carícias na nuca, afago no rosto, no cabelo, que lindo isso tudo. Nos olhamos nos olhos poucas vezes, mas me lembro até hoje daquele olhar de quem parecia ser ainda criança. Acho que não era mais. Mas para mim sim... Que saudade.
Smack! Ops, nos beijamos... Foi lindo, mágico... Não deveria ter acontecido. Ficamos juntinhos até tantas da madrugada, nos tocando – sem intenções sexuais, obviamente. Fui embora. Nos falamos no dia seguinte. Nos vimos no dia seguinte, e em todos os seguintes dias até o final daquele mês. Nos conhecíamos. Ou não. Percebi, com o tempo, sua timidez e sua introspectividade, não falava de si, não me deixar conhecer seus pensamentos, não me compartilhava seus sentimentos. Eu, particularmente, sou meio “grudento”. Sabe aquela pessoa que vive “lambendo”, beijando toda hora? Então, sou eu. Eu acho que isso não agradou muito, porque depois de uns dias percebi certo distanciamento, me negava beijos, dizia estar sem vontade naquele momento, mas depois, quando eu pedia outro, me negava novamente. Não me importei. Ficar junto estava sendo suficiente para mim. Aquele anjinho dormindo todos os dias depois do trabalho também não me incomodava, e eu acompanhava tudo, fazendo carinho e dando beijinhos enquanto dormia meu anjo. Não pensava em mais nada, só esperava o momento de chegar o fim da tarde e o anoitecer. Chorei na sua frente algumas vezes, duas talvez, cobrando mais proximidade, mas era uma pessoa fria, o que eu poderia fazer, as pessoas são diferentes mesmo, não são? Aceitei, mas sempre tentava entrar no assunto “sentimento”. Inútil. Fugia do assunto, desconversava, fazia tudo parecer natural, como se minhas perguntas não existissem. Não me arrependo de ter “corrido atrás”, insistido da forma como insisti. O que acontece é que não sou tão orgulhoso assim e não tenho vergonha de buscar minha felicidade. Sentimentos para mim não são motivo de humilhação. Amar não é feio! Um dia, mais uma vez no cinema, tentei abordar novamente o assunto, questionando sobre suas intenções a meu respeito. A resposta veio: “Quero com você aquilo que combinamos quando nos conhecemos”. Bom, para quem não se lembra, o “combinado” era apenas “amizade”. Não nego que vivíamos uma amizade, colorida claro... Isso me deixou inquieto demais, e naquela noite insisti até o ponto de me tornar inconveniente, mas nenhuma resposta veio, eu lhe perguntava na sua frente, e parecia que eu nem estava lá, ou que eu não havia dito nada. 

Me senti tão triste. E ainda me sinto assim. Nesse momento eu já tinha a certeza do que viria depois. Quando estávamos na porta de sua casa, me deu uma desculpa que estava com muita dor de cabeça e que por isso não me convidaria para entrar, que depois nos falaríamos. Entrou. Chorei. Chorei. Chorei. Ah, bem lembrado, quase todas as vezes em que eu pedia o beijo e que me era recusado, a dor de cabeça era a desculpa de praxe. Foi tudo muito estranho: primeiro amizade, conforme combinado. Mas como sentimento a gente não controla, depois aconteceu algo mais. E, depois de até beijar na boca e me ouvir dizendo que gostava de estar ali e tudo mais, me diz que não tinha nenhuma outra intenção senão amizade. Mas espera aí. Que amizade era essa combinada que permitiu beijo na boca? Sem comentários. E agora parece que nem essa amizade “pura” existe mais. Então acabou assim, eu sem saber porque se “entregou” pra mim num momento e no outro disse que não queria mais nada. Foi muito rápido, muito bom, mas muito sofrido, dolorido, machucado. Não entendo como uma pessoa que aceita uma outra em sua casa todos os dias, recebe carícias, beijos, tortinhas de morango, pode simplesmente sumir no mundo, não atender telefonemas, ou mesmo responder e-mails. Eu até perguntei certa vez “Você gosta de mim?” e veio a resposta “Gosto mais quando você traz tortinha de morango” me disse isso um dia depois de tê-la levado. Como não sei o que se passa naquela mente, fica tudo assim, sem compreensão. Agora me encontro só, acompanhado de uma incerteza, sem saber o motivo que resultou nessa solidão. Eu apenas gostaria de saber o porquê.
Por quê?

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