domingo, 28 de julho de 2013

Oração de amor

Depois de tanto tempo aprisionado,

Maltrapido e maltratado,

Meu coração mudou de cor.

Não é mais vermelhinho como o de todo mundo.

Agora ele muda todo dia, fica azul,

Fica amarelo, vermelho, verde, roxo.

Meu coração mudou de lugar, mudou de forma.

Não é mais como antes, igual ao de todos.

Meu coração agora bate saudade, sugere amor.

Meu coração vale mais que uma flor.

Agora já não importa o dia cinza,

Se a vida é bandida, se eu choro mais.

Agora só resplandece o sorriso,

Que ilumina a tarde, a manhã e a noite.

Agora o abraço chega junto:

No inverno, com cachecol;

No verão, com sunga ou samba-canção.

Agora o beijo não é passageiro:

Mesmo na ausência, ele dura o dia inteiro.

Fica colado em mim, ainda que longe.

O beijo me morde. Passa o dia me mordendo.

Eu sentindo arrepios, dizendo não. Querendo sim.

As manhãs são frias ou quentes, do mesmo jeito.

Mas elas são de bom dia. Trazem a boa tarde,

Ao que sucede a boa noite. Toda noite. Todo dia.

É bucólico. É clichê.

Desculpem, mas o amor hoje só quer ser

Tudo isso, ou quase nada,

Ou só isso. Meu amor não é michê.

Não se vende, não se atira.

Não passa por cima, não é manada

De elefante, nem uma pulguinha saltitante.

Meu amor é completo, me complementa.

Sou um verbo transitivo indireto:

De você, para você, com você, por você.

Parece uma canção de domingo.

Parece uma oração essa poesia.

De amor.

Amém.

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