quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Saudades de Buenos Aires

Sinto saudades daquelas tardes, enquanto caminhava pelas ruas de Buenos Aires e percebia que a vida tinha mais sentido do que nunca, que toda arquitetura colonial trazia uma história real, que pessoas construíram aqueles caminhos, e viveram os tempos áureos de cada espaço. Caminhava pelas calçadas da Recoleta e me via em outro mundo, uma calmaria abalada apenas pelos carros na rua, um frio gostoso que não congelava a alma, mas que me fazia sentir o sangue pulsar mais fortemente, como mostrando que havia vida dentro de mim. As canções pareciam entrar na minha mente e eu não delirava, mas sonhava acordado com um presente que parecia muito distante no passado. Agora eu sabia que imaginar era mais do que pensar, era realizar o que talvez seria o futuro, mas que se tornou concreto. Sinto falta da leveza de Palermo, do parque, das pessoas que encontrei pela caminhada. Não daquelas com quem conversei, mas daquelas para quem eu olhava e imaginava quem seriam, o que faziam, aonde iam... Sinto falta do medo do inesperado, da apreensão, da imensidão desconhecida, da liberdade de ser eu mesmo em outro lugar, do meu reconhecimento de mim mesmo em outros ares, em Buenos Aires.

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