sexta-feira, 12 de junho de 2015

Suicídio

No frio do dia, numa chuva se perdia.
De todos os desejos, só tinha os que não podia.
Vivia a ingratidão dos tempos
sem se acostumar com tantos ventos.

Era muita direção soprando,
Sua vida parecia sempre afundando.
Eram encontros inesperados,
sonhos não vividos, tormentos desesperados.

Tinha um café para acordar
e uma piscada pra recomeçar,
mas surtava sem saber
como a vida deveria ser.

Estúpido, fingia ter razão.
Era cego, à frente não via nada, não.
Prostrava-se diante da cruz,
punha-se a rezar: a ti eu peço: me salve, Jesus.

Do sol só via o fogo que queimava.
Não recebia luz, só a dissipava.
Seu caminho era falho e era feio,
mas não se esforçava por um amor cheio.

Nem querendo mais sonhava,
e todo resto ele odiava.
Sem ter a quem recorrer,
resolveu então se perder.

Sem saber da vida o mistério,
deu-se um tiro. Cemitério.

*Poesia selecionada na fase municipal do Mapa Cultural Paulista 2015/2016

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