sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

As meninas

O que duas moças que se conheceram agora conversam após a sessão de cinema? Aonde elas vão? Como elas se olham? Elas se desejam, ou se repelem... elas se querem, ou se envergonham?
Elas escolheram o cinema pra se conhecer, mas como se conhecer vendo um filme? Sem conversa...
Depois do cinema, o dilema. Aonde ir. Não podem ser vistas em público, porque as pessoas vão falar delas, aquelas cosias “olha aquelas duas”... No entanto, não podem se esconder de si mesmas, essa é a realidade. E o que fazer, então? Sentar na calçada pra conversar, descontrair, descobrir?
As mãos sobre as pernas cruzadas denunciam a vergonha, o mau jeito do que fazer. O olhar pra longe, a vergonha de se encarar. O que dizer nessas horas, não sabem paquerar. O que fazer, não sabem como chegar. São meninas. Adolescentes. Como elas vão agir, como um dia poderão se despir com tanta vergonha? Talvez se se agarrassem ali mesmo, na calçada daquela rua escura atrás da igreja, escondidas do crucifixo, do pecado, da imoralidade.
Atrás da igreja, da casa santa. Um beijo quebra o gelo, tira o silêncio, tira o fôlego, tira a língua pra fora... pra dentro da outra boca. Atrás da igreja tanta coisa se esconde. O padre se agarra com a secretária. Com o coroinha. E agora as meninas se beijam, descobrindo o que se tem por debaixo de tanto enigma do que é um beijo...
Escondidas, descobrem o que mais desejavam naquela noite. Descobrem que viver é mais fácil do que parece e que um beijo não acaba com o mundo.

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