domingo, 27 de novembro de 2011

Um encontro sexual

-Alô, Marcelo?
-Oi, eu mesmo.
-É a Bia, do barzinho de quinta à noite. Tudo bem?
-Oi, Bia, tudo bem, sim e você?
-Melhor agora (risos). Ma, me diz uma coisa: o que você vai fazer hoje à noite?
-Ah, hoje é sábado e acho que vou sair com uns amigos, não aqueles com quem você me viu na quinta, outra galera. Você quer sair com a gente?
-Hum, bacana. Mas na verdade eu queria sair só com você. A gente nem conversou muito aquela noite, gostaria de te conhecer melhor.
-(risos) Bia, eu fico vermelho assim, sou tímido...
-Ah, é tímido? Não parecia tímido na quinta.
-Mas na quinta eu estava com meus amigos e você não me cantou, né?!
-Nada a ver. Você estava todo conversador, alegre.
-Geralmente sou alegre mesmo, tenho bom humor. É que você dizer assim na lata que quer me conhecer melhor me deixou constrangido, sabe. Ou você acha que as pessoas me dão bola o tempo todo?
-Para de graça, que você é um fofo, todo lindo, deve chover mulher no seu pé, implorando pra ficar com você!
-Quem me dera, Bia... Você teve uma impressão errada de mim, então. Acho que vou te decepcionar!
-Isso nunca. Você é tão carismático, tão simpático, inteligente. Quem consegue se decepcionar com um homem assim? !
-Você está pensando que sou O cara rárárárárá. Sou nada.
-Você namora?
-Não, não. Se namorasse, estaria com ela na quinta, né?!
-Ah, não acho. Por que não poderia sair pra beber com seus amigos um dia sem a namorada? Não acho que o namoro deva ser uma prisão...
-Ah, é que é estranho esse lance de sair sem a companheira, né. Se fosse pra sair sozinho, era mais fácil nem namorar!
-Ah, deixa pra lá. Você não namora, então nem vamos discutir isso. (risos)
-É verdade...
A ligação foi interrompida. Bia se desesperou ao perceber que não tinha mais saldo de créditos. Agora Marcelo pensaria que ela desligara apenas porque eles divergiram em uma opinião, que era mal educada. Bobagem ela pensar que ele pensaria isso. Ia esperar e ver se ele retornaria a ligação.
Enquanto isso, Marcelo vivia sua dúvida de tímido: ligar de volta ou não ligar? Esperar ou tomar alguma iniciativa? Para os tímidos, essa parte é sempre difícil, porque em caso de negativa da outra parte, a frustração se amplia em cem vezes. Um verdadeiro pesadelo. Surpreendendo a si mesmo, tomou coragem e discou o número de Bia.
-Bia, sou eu.
-Oi, me desculpe! Que vergonha... meus créditos acabaram.
-Eu imaginei, por isso estou ligando de volta.
-Ai que bom. Fiquei apreensiva que você pensasse que desliguei na sua cara!
-Imagina, você não faria isso, é tão educada.
-(risos) Obrigada. Vamos retomar nossa conversa?
-Ah, não quero discutir minhas preferências do que acho certo ou errado num namoro agora, pra gente não se desentender...
-Não quero mesmo falar disso agora. Quero continuar o assunto do nosso encontro. Eu te chamei pra sairmos só nós dois e a gente estendeu a conversa e você não me deu sua resposta.
-Hum, o convite... Fico meio sem jeito, mas vamos lá: não sei se estou preparado para um relacionamento, é que...
-Marcelo, você é lindo, é um fofo, mas eu não estou falando de um relacionamento duradouro.
-Como assim? O que você quer?
-Eu quero um encontro sexual!
-Eu... Eu... Estou todo vermelho agora, você faz ideia? É que...
-Marcelo, eu imagino, mas vamos superar isso. Você não quer maiores envolvimentos, nem eu. Você é tímido, todo vergonhoso, mas tenho certeza de que gosta de ter bons momentos na cama com uma mulher.
-Ah, isso é claro! Sou tímido mas estou vivo, né?! (risos)
-Bom saber. Então, vem em casa hoje à noite e a gente conversa mais pessoalmente e se diverte. O que acha?
-Ok. Vou, sim.
Combinado o horário e aprendido o caminho (da felicidade daquele sábado à noite), agora Marcelo se torturava, imaginando o que esperar daquilo, de um encontro sexual rápido. Raras situações assim vivera até então, porque a timidez o impedia de ser mais safado. No entanto, sua mente fervilhava de ideias e desejos. Reprimidos, ou esperando a realização. Alguém poderia adivinhar seus pensamentos, quem sabe a Bia?
Uma hora antes do marcado, Marcelo foi para o banho, lavou os cabelos, fez a barba, escovou os dentes como se fosse ao dentista: tudo devia estar perfeito, sem mau hálito, sem barba mal feita, todo perfumado.
Bia, mais calma que Marcelo, mas nem por isso menos cuidadosa com sua beleza. Afinal, se era um encontro sexual apenas, tinha que ser o mais perfeito possível, inesquecível. Um banho pra lavar a cara de pau de quem convidou o moço para um encontro sexual. Curto. Encontro sexual curto. Breve. Poderiam voltar a se ver depois, e certamente o fariam, mas aquele seria rápido, sem envolvimentos maiores do que os esperados para uma gozada.
-Oi.
-Oi, Marcelo. Entra.
-Com licença.
-Pode entrar. Sente aqui.
-Valeu.
-E aí, está tímido ainda?
-Um pouco vergonhoso só. Você está meio quieta também, e isso me deixa tenso.
-Rárárárárá. Relaxa. É que não costumo fazer esses convites para encontros assim, então fiquei um pouco sem jeito, mas já passa.
-(risos) Você hem...
Neste momento, a Bia foi rapidamente em direção ao Marcelo, que estava sentado ao seu lado no sofá, e deu-lhe um beijão, que foi correspondido de imediato pelo rapaz tímido que acabara de perder a vergonha naquele exato momento, e que tinha em mente que aquela noite viveria maravilhas com uma mulher tão sedutora quanto bonita.
Beijavam-se como nunca, como se aprendessem naquele momento o que é beijar e por isso devessem treinar bastante. Tocavam-se na face, nos cabelos, abraçavam-se com desespero de quem morreria na manhã seguinte, ou, de repente, no meio daquela madrugada.
Da safadeza do encontro sexual curto nada restou, a não ser a expectativa de ainda tirarem a roupa. As carícias ficaram firmes, incontroláveis e esperadas a cada beijo, a cada abrir de olhos com encontro de sorrisos. As mãos se entrelaçavam como se pedissem o corpo todo do outro par. As mãos que conduziam a noite, seguravam o rosto para o beijo, apertavam a perna, a cintura, deslizava pelas partes de baixo, de cima. As mãos seguravam o cabelo, só faltava falarem.
-Isso porque era pra ser um encontro sexual rápido.
-Um encontro duradouro, é que virou. Pelo menos hoje não podemos reclamar que nos faltou carinho.
-Encontrei o que precisava.
-Encontrou o que merecia.

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