sábado, 7 de abril de 2012

Meu eu que ama


Eu quero te amar. Seu abraço me protege, me acolhe, me faz sentir-me seguro, amado, querido. Você me faz sentir. Isso basta. Eu gosto muito do modo como você conversa, do seu sorriso de meninão levado. Eu me prendo ao seu cheiro, me lembro de suas mãos todo o tempo, porque elas me tocam, eles não pedem passagem, elas são avassaladoras, teimosas. Faz ano que gosto de tudo isso em você. Quem sabe um dia ouça um eu te amo dessa boca que me beija loucamente? Mas tanto carinho já deve demonstrar isso... eu me prendo a formalidades, quando simplesmente nosso laço já existe. Mas a não oficialização me parece sempre ser a porta aberta para você sair e dizer que nunca disse que seria diferente. Morro de ansiedade. De amor. Morrer tem tudo a ver com a paixão. Tanto sofrimento, tanta insegurança, tudo é agora, aqui, tudo somos eu e você. ‘Você é um homem mais velho que eu, gosto dos mais velhos’. Sou? Gosta? Sim. É indizível quão cativante você é. Ou estou cego demais, carente demais e me amando de menos. Mas não acho que seja esse o ponto na minha vida agora. Eu converso com você pelo toque, pela língua. Sinto um desejo de te ver todo dia, de te abraçar a todo instante. Não quero pegar no seu pé, apenas abraçar... Há tanto na vida com que se preocupar, por que alguém se preocuparia tanto com abraços? Apenas abraços... Seus abraços, afinal! Os que me fazem sair do planeta, viajar como super-homem. Viver intensamente. O que seria isso? Permitir-se o amor? Viver um amor por dia, ou um por mês? Como deixar acontecer, se já está acontecendo? Nossa vida já está no gerúndio. Vivendo. Indo. Amando. Sofrendo. Abraçando. Beijando. Estamos sendo o tempo todo. Deixar acontecer e viver intensamente é poder fazer o que se quer o tempo todo? É não se apegar, não criar vínculos? Impossível. Se nos conhecemos, nos relacionamos, já estamos ligados de alguma forma. Seus braços já te marcaram no meu corpo. Já estou me moldando ao seu carinho. Suas mãos já são bem-vindas sem medo nos meus cabelos. Se eu não te vejo no escuro, consigo te ouvir, te cheirar, te lamber, te morder, te tocar. E assim te recebo na falta de luz. Amor não se implora. Ou não se deveria implorar por algo tão básico, mas tão escasso. Não é o momento certo? Como assim?! Há uma bondade imensurável quando se permite o amor. Há uma vida nova que nasce dessa brasa. Não deveria dizer essas coisas, mostram minha fraqueza. Mesmo? Entregar-se significa fraqueza agora. Sim, sou bem fraquinho, mesmo. Um papelzinho que se molha e se desmancha. Inútil. Não tenho culpa de me apaixonar por um abraço tão envolvente, que me seduz. Culpa? Não gosto de fazer as coisas e sentir culpa. Faço porque quero. Tudo que eu quero, inclusive dizer tudo que quero e parecer tão... fraco. Você pode levar tudo da minha vida. Meu amor, meus abraços, meu sorriso, minha vontade de acordar, minha inspiração para lutar cada dia, minha companhia no sofá, na cama, no café, na bebida. Você pode levar o seu cigarro embora também. Você pode tirar tudo de mim, até as esperanças de reviver um amor e de me ver sorrindo para mim mesmo no espelho. Você tem esse poder, se quiser. No entanto, uma coisa, apenas uma você nunca me privará de reviver: minhas memórias. E elas incluem tudo o que eu sou e tudo o que você me é. Pode levar tudo, dizer que é para meu bem, ou para o seu próprio. Que precisa de um momento egoísta, pensar em si. Eu não ligo. Também penso em mim mesmo, por isso que digo sem medo que tenho essa paixão toda dentro de mim. Declarar-me é também pensar em mim, porque não consigo viver com tanto sentimento me sufocando, preciso dividir esse rolo compressor que me abate com quem estiver por perto, inclusive com você. Esta é uma declaração que talvez você vá saber, porque eu a fiz para você de outro modo. Isso aqui é outra coisa. Isso sou eu falando com meu eu.

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