quinta-feira, 20 de maio de 2010

Robin Hood

Para quem gosta de discussões políticas, o novo filme sobre Robin Hood tem um belo exemplo da tirania e da tentativa de se instalar uma democracia - ou algo que dela se aproxime.

A história se passa na Inglaterra do século XII d.C. Após a morte do rei Ricardo, o príncipe João assume o trono. Jovem e descompromissado, João se deixa enganar por um espião, Godfrey, que tenta instaurar uma guerra civil na Inglaterra, permitindo a invasão francesa. Ele assume o papel de tesoureiro e junta cerca de 200 franceses para cobrarem impostos em nome da coroa inglesa, mas na verdade estão roubando. Isso causa uma revolta popular e, quando o rei João descobre o golpe, tenta evitar que os nobres do norte entrem em conflito com a coroa real. Nesse momento, Robin Longstride (Robin Hood) propõe que cada um seja dono de seu próprio castelo (sua casa, sua terra), uma vez que o rei pede fidelidade e cumplicidade para derrotar os franceses, mas não oferece nada em troca para o povo. O rei aceita, compromete-se a assinar um documento após conseguirem derrotar as tropas francesas que estão invadindo a Inglaterra. Assim, João consegue unir o povo inglês para lutar contra a França com a promessa da liberdade.

O que vem depois da batalha, entretanto, não é a promessa cumprida: o rei nega que tenha prometido algo e diz que o povo deve ser obediente à coroa.
O interessante nisso é observarmos como o povo quer ser livre, em mudar a forma de governo, enquanto o tirano quer se manter no poder.

Nesse ponto, posso citar Heródoto, historiador grego que viveu no século V a.C. Foi com ele que a democracia foi pensada pela primeira vez, havendo um debate sobre qual seria a melhor forma de governo na Pérsia, se a monarquia (tirania), o governo do povo (democracia), ou a oligarquia (poucos governantes). Otanes defendeu a democracia, dizendo que na monarquia apenas uma pessoa tem o poder sobre todas as demais, fazendo o que quer e não prestando contas a ninguém. Já na democracia, o governo seria do povo, da lei: o povo faz a lei e a obedece, estabelecendo um mundo da igualdade, um mundo em que todos são igualmente submetidos à lei.

Já Tucídides, outro historiador grego, fala que a democracia ateniense servia de modelo para outras, sendo a questão da liberdade em Antenas fundamental. A utilidade da vida pública obrigava as pessoas a se informarem. Aqueles que só se preocupavam com seus interesses privados não precisavam se informar, pois não haviam nada para discutir, eram inúteis nesse aspecto político.

Os atenienses acreditavam não existir justiça privada: quem participava da vida pública ajudava a construir a justiça pública.

Eu só falei um pouco do filme, de uma parte bem específica para mostrar a discussão política. Eu gostei muito do filme e o indico. Russell Crowe e Cate Blanchett estão brilhantes, como sempre.

3 comentários:

  1. Perfeito sua analise. Fiquei até com vontade de ver o filme p poder comentar com mais propriedade seu post. :)

    " Os atenienses acreditavam não existir justiça privada: quem participava da vida pública ajudava a construir a justiça pública."

    O interesse público sempre deveria prevalecer ao privado. Sempre! :(
    Talvez, por isso o modelo neoliberal de estado não me atraia. rs
    bjos

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  2. Estou louco para ver esse filme, ele me parece bem melhor que outras filmagens de Robin, bom não vi ainda, mas espero que seja algo mais humano e menos heroico, o humano é mais belo que o heroi idealizado, as paixões humanas, o poder, o conflito.
    Parabéns, espero que continue escrevendo!

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  3. Alex, essa versão de Robin é, de fato, bem diferente das anteriores. Robin Hood não é retratado como o ladrão que rouba dos ricos e dá aos pobres. Na verdade, há uma cena em que isso acontece, mas é algo bem contextualizado e a partir do que não se pode dizer que ele tenha se tornado um ladrão. O filme conta a história de Robin Hood até o momento em que ele é considerado foragido da lei, então essa marginalização não é o enfoque, embora desde muito cedo no filme ele se passe por outra pessoa... Não adianta eu ficar falando, vc tem q ver o filme pra gostar. Ou não.
    Abraços e obrigado pela visita.

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