domingo, 24 de fevereiro de 2013

Entre os sentidos



Entre os sabores do beijo, da boca, da língua há uma busca pelo desejo de ter o outro dentro de mim

Entre os dedos e a palma das mãos há um toque que me arrepia, uma apalpada que me convida

Entre os corpos suados não há espaço nenhum; as gotas que escorrem devem se misturar

Entre os olhos e as curvas que vejo não há tempo para piscar nem perder alguns gestos

Entre o cheiro do perfume e da pele há uma possibilidade de novas experiências

Entre os sons de gemido e os movimentos há espaço para um eu te amo

Entre sentidos e sentimentos há quem goste do prazer

Entre tudo que já falei fica minha vontade

Entre todos, uma pessoa

Você

sábado, 26 de janeiro de 2013

Das paixões e das despedidas



Passo em frente à loja todo dia. Estico o pescoço e tento te encontrar. Não te vejo. Fica a esperança de te rever, ainda que apenas nesses segundos, e da calçada. Nada. Você não aparece mais. Foge de mim. Ou foge do amor. Ou foge da dor... que o reencontro pode provocar. As minhas lembranças de você estão tão vivas agora. Você me chamou, disse que ia embora, queria dizer tchau. Depois de tempos, veio se despedir de mim. Ainda se lembrou do que vivemos. Eu chorei. Te desejei e agora te desejo mais ainda. Me dá um último abraço ao menos, eu peço. A saudade já existe mesmo, ao menos quero esse último toque. Quero essa última lembrança nos meus sentidos... seu cheiro, sua pele, quem sabe me deixa provar sua língua pela última vez?
 
A primeira vez em que nos vimos foi tão mágico. Me lembro de tudo agora, cada detalhe, cada conversa, cada sorriso seu... Você me contou tanto da sua vida naquela noite. Se revelou. Não tinha como não ter me apaixonado. Seu beijo foi avassalador, sugou todo meu amor pra dentro do seu coração, me possuiu... Eu não era mais dono de mim a partir daquela noite, não importava o tempo que durasse, eu era seu, todo seu.

E agora fico com as lembranças na memória e com um sorriso enorme de tanta alegria por você ter vindo se despedir de mim. Alegria!

Este post se relaciona a este, a este e a este. Por isso é significativo para mim ter sido lembrado nesse adeus.


 

domingo, 30 de dezembro de 2012

Imagens para representar



Mantinha os olhos sem maquiagem, acreditando numa impossível não identificação de quem era. Ele se mostrava másculo, rude até, um exemplo de homem com que toda mãe sonha. Não sabia, a mãe, do sonho desse moço infeliz: queria ser drag queen. Ver aquele brutamontes montado e com nome espalhafatoso, com roupas gritantes... era a última coisa que se poderia imaginar! Onde se esconderia a performance de uma drag naquela aparência de homem? Meu Deus!, gritariam as vovós, mas logo estariam aplaudindo as palhaçadas das ladies, encontrando o que havia de melhor em seus netos, encontrando uma alegria até então escondida, um sorriso que sempre esperavam no almoço, mas era de noite que veriam seus queridinhos, agora montados, radiantes.

sábado, 3 de novembro de 2012

Um sonho tão azul



Já não importa mais os sonhos que ando tendo – mesmo porque eu não os recordo. Só me interessa a certeza de que penso em você quando estou acordado, consciente de cada desejo.

Foi assim que me dei conta de que a paixão estava por perto: dar-me conta da falta dos sonhos, ao mesmo tempo em que percebi não pensar em outra coisa, senão você. 

Entre tanta gente que entra e sai dessas beiras da vida, quem diria que uma trombada que dei com seus olhos azuis poderia deixar uma marca tão forte em mim, mas tão forte que seria capaz de me fazer querer te rever a todo custo? Esses encontros que a vida promove entre as pessoas são o que nos fazem melhorar, mudar, ver o horizonte de outra forma. Se não fossem os encontros, seríamos almas perdidas... Não teríamos com quem compartilhar ideias, sequer as teríamos...

Minha mente hoje me prega uma peça. Me faz delirar, ver em frente a meus olhos o tempo todo um azul celestial, um azul de mar, profundamente iluminado. E me faz querer mais coisas que a vida já oferece. Me faz querer mais encontro. Mais ação. Quero mergulhar nesse seu mar azul que são os olhos, e ter a certeza de que a felicidade existe. Felicidade que nosso encontro me dá. Ainda que brevemente, é só aproveitar tanta alegria e troca de sorrisos, e a felicidade já terá sido vivenciada. Não deve ser delírio isso. É real o que vejo, é real o azul de seus olhos. Seus olhos azuis são reais, da realeza da felicidade.

Não mando em nada. Não decido nada. Não faço nada que você não queira. Jogue as cartas e dê as opções. Vamos explorar juntos as possibilidades da felicidade desse encontro. Os encontros. Nossos encontros. Que são rápidos, passam como um flash, uma batida de asas de beija-flor. Um piscar de olhos azuis...

Para que saber da vida se o que mais importa é esse instante em que compartilhamos sorrisos e olhares, esse instante que dura pra sempre?


 “Depois de ter você, pra que querer saber que horas são? Se é noite ou faz calor? Se estamos no verão? Se o sol virá ou não? Ou para é que serve uma canção como essa?”


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Da alegria e da primavera

Depois de ter seu sorriso gravado em mim, tudo o mais é de cor alegre. O sempre pensar que sua risada salva meu dia, mesmo que no fim do pôr-do-sol, é o que me deixa viver toda tormenta que se apresenta.

As flores não são mais da primavera, elas desabrocham a qualquer tempo, no meio da noite, interrompem o soluço do choro estrondoso... Mas as flores não são mais da primavera, e nem sempre trazem uma alegria quando se abrem.
Conheci seu sorriso, que se mostra não a qualquer tempo, mas a todo tempo. O brilho do seu olhar contamina seus dentes e se irradia em mim. Você tem esse poder de primavera. Espero que agora isso dure em todas as estações.

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