quarta-feira, 4 de junho de 2014

A janelinha e o espelho

Quando nos damos conta da janelinha na nossa vida? E do espelho?

A janelinha existe. Ela é a forma como nós vemos o mundo como um todo, olhando ao redor, vendo diferenças, paisagens, mas tristezas também, infelizmente. A janelinha é o modo de vermos além de nós mesmos, a forma de termos a percepção do coletivo.
O espelho existe também. Mas, ao contrário da janelinha, ele é a forma como nos vemos a nós mesmos, já que quando olhamos nele, vemos nossa própria imagem, nada além disso. Pelo espelho temos a percepção apenas do individual, do eu no seu maior egoísmo.
Às vezes, quando estamos com uma pessoa que se parece muito conosco, temos a impressão de estarmos nos olhando nesse espelho, já que não vemos uma pessoa muito diferente de nós mesmos, embora ninguém seja igual a ninguém.
Quando nos encontramos com alguém diferente , seja em que âmbito for essa diferença, então estamos diante da janelinha, e temos a possibilidade de ver o novo, o diferente, tudo aquilo que diz respeito ao que não controlamos, vemos aquilo que existe e, como apenas observadores dessa janelinha, temos de tentar entender e aceitar as diferenças, não julgar nem repreender, porque, do mesmo modo como nós, os outros também têm sua janelinha e seu espelho, e assim como alguém pode parecer-nos "diferente", é importante lembrar que também fazemos parte da janelinha de alguém, que também pode nos julgar pela nossa "diferença", e, convenhamos, ser julgado por não ser igual não é uma situação nada interessante.
O que acontece, muitas vezes, é que nos recusamos a abrir nossa janelinha e a enxergar o próximo, tornando-nos narcisistas e egoístas, como se andássemos com o espelho pendurado em nossa frente o tempo todo. Isso é ruim. Vivemos em grupo, somos coletivos, e a arrogância e o egoísmo que tomam conta das pessoas às vezes mostram não apenas uma falta de evolução, mas também uma regressão.
É uma pena ainda existirem pessoas que só saibam olhar no espelho, que só tenham olhos para si.
Pense, reflita.
Você já abriu sua janelinha hoje?

(Escrevi este texto em 2006)

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Nem sempre

Nem sempre eu quero salvar o dia,
Cantar na noite, ou dormir à tarde.
Às vezes, só quero olhar pra frente
E não ser responsável por nada,
Nem pelo sol, nem pela lua.
Às vezes, me dou o direito ao egoísmo
E ao esquecimento.
Às vezes, só quero que o mundo continue...

terça-feira, 13 de maio de 2014

Quebra-cabeça

Há uma falta de mim,
Um excesso de mim,
Um alguma-coisa-que-não-sei-o-que.
E eu vivo sem saber.
Respiro sem perceber.
Eu ando e não vejo o amanhecer,
Não dá tempo, nem se eu correr.
Porque o sonho é intenso,
Não me deixa levantar
Nem a cabeça.
O mundo é imenso
E não consigo alcançar
Nem encaixar nenhuma peça
Do quebra-cabeça
Desse olhar pro nada
Que sai de mim,
Que sobra, que falta.
O dia não se resolve
Nem no fim.

domingo, 4 de maio de 2014

Abri os olhos pra vida

Quando eu não pensava mais na vida
Quando eu não sabia mais para onde sorrir
De repente, eu abri os olhos
E a lua me disse um oi
O sol me abraçou
E eu te encontrei
Na lua
No sol
E no meu sorriso
Não sei mais de nada
Talvez eu te ame
E seja por isso

quinta-feira, 20 de março de 2014

Sorriso forçado

O cinza é a desnudez do dia. Sem maquiagem, desacorrenta as águas das nuvens. O azul e o brilho usual são um disfarce, um sorriso forçado que insiste na vida. A chuva vinda das nuvens cinzas, por sua vez, é o tormento, a tormenta, o choro engasgado: "não aguento mais", desabafa.

terça-feira, 18 de março de 2014

Não sabia de nada

Havia lábio a me olhar
Havia céu a me chover
Havia amor a me sorrir
E eu nem sabia
De nada adiantava
Que eu não te percebia
Que eu não me tocava
Nem a música eu notei
Você cantando e me dizendo
"Eu sempre te amei"

quarta-feira, 12 de março de 2014

Vida triste

Eu sei da tristeza
que assola a vida
até da realeza.
Eu vivi o sofrimento
de um dia perder
tudo num só momento.
Eu ouvi a decepção
no murmúrio íntimo da vida
que brotou neste coração.
Sem mais sorrir de verdade,
a vida triste me invade:
a morte me leva
e deixo ao mundo a saudade.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

História sem fim

Não quero roubar nenhuma vida, nenhum destino, nenhum coração. Quero dividir um sorriso um pouco, quero a luz de uns olhos iluminando meu dia, o calor de um beijo me provocando arrepio. Quero abraçar de repente, apertar sem fim. Quero que o você continue o você, pra eu continuar desejando, continuar sentindo saudade e ligar pra dizer que é especial. Não quero uma história com final feliz, simplesmente porque não quero uma história com fim, mas uma com começo e um eterno desenrolar de paixão, de conquista e de amor.

Farofa da vida

A vida como farofa: uma mistura de emoções, sentimentos, estados de espírito. Solidão no meio de tanta gente, plenitude com uma pessoa só. Gente diferente pensando diferente, amores não correspondidos, adeus não ditos e uma infinitude de sonhos, de vontades.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Boas ondas

O que o mar esconde sob suas águas? Quais mistérios devem existir para se descobrir? Talvez as águas não apenas escondam algumas coisas, mas guardem outras para o momento certo. O "ir e vir" é posto em prática, mas essa liberdade não é a dos homens, é a de Deus, da Natureza, da Iemanjá... Não são apenas bons ventos que nos trazem sorrisos no fim da tarde, ou em outro horário qualquer, mas as boas ondas também...

domingo, 8 de dezembro de 2013

Domingo novo

Hoje vi a manhã ensolarada
trazendo o fim do fim de semana
ou o início de outra que vem.
São ciclos, as coisas se repetem.
Acaba um ano
e chega o ano que vem.
O próximo ciclo,
já disse um poeta, o Leminski,
é para buscar um ânimo novo.
Quem sabe o próximo
traga a felicidade
para alguém.
Ou pra todos nós.
Que os anjos digam amém!

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Oportunidade

Às vezes penso quem vai me dar um momento de redenção pela covardia de deixar passar um sorriso que podia ter se transformado num abraço.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Saudades de Buenos Aires

Sinto saudades daquelas tardes, enquanto caminhava pelas ruas de Buenos Aires e percebia que a vida tinha mais sentido do que nunca, que toda arquitetura colonial trazia uma história real, que pessoas construíram aqueles caminhos, e viveram os tempos áureos de cada espaço. Caminhava pelas calçadas da Recoleta e me via em outro mundo, uma calmaria abalada apenas pelos carros na rua, um frio gostoso que não congelava a alma, mas que me fazia sentir o sangue pulsar mais fortemente, como mostrando que havia vida dentro de mim. As canções pareciam entrar na minha mente e eu não delirava, mas sonhava acordado com um presente que parecia muito distante no passado. Agora eu sabia que imaginar era mais do que pensar, era realizar o que talvez seria o futuro, mas que se tornou concreto. Sinto falta da leveza de Palermo, do parque, das pessoas que encontrei pela caminhada. Não daquelas com quem conversei, mas daquelas para quem eu olhava e imaginava quem seriam, o que faziam, aonde iam... Sinto falta do medo do inesperado, da apreensão, da imensidão desconhecida, da liberdade de ser eu mesmo em outro lugar, do meu reconhecimento de mim mesmo em outros ares, em Buenos Aires.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Esperando a surpresa

Não quero mais dizer bom dia. Quero viver na noite, sempre escura, que não revela mistérios, que esconde sorrisos. Não quero mais viver de sorrisos. Quero continuar a tristeza do coração imerso no rio de dissabores, de esperanças opacas, de realidade dura, de frieza pura. Sem mais expectativa, a surpresa venha o dia que vier, se chegar, se couber.

domingo, 6 de outubro de 2013

Encarando a verdade

Eles passavam tempo demais juntos, sentados lado a lado no carro, no bar, no restaurante, no sofá... que não sabiam mais se olhar, não sabiam que a proximidade era distante, que já não se encantavam mais pelo sorriso - que já não viam mais. Não tinham mais coragem de se encarar, porque era preciso fugir da verdade, não dizer a realidade. Não existia mais amor, nem mais expectativa. Viviam lado a lado, em mundos separados.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Desapego

desapegando da perda de tempo
cultivando sorrisos sinceros
e beijos com intenções
cansei do suspiro que passa
que passa
que não chega a lugar algum
parei de sentir saudade
do abandono
do dia
da noite

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

É tudo uma ilusão

Esse tipo de amor
não existe
o que você quer
está fora do cardápio
faça seu pedido
no drive thru
leve para casa
um menu de ilusões
e pense que está comprando
a felicidade colorida
em balões

Subjuntivo

Sim
eu tenho um problema
sério
de acreditar
demais
no que eu gostaria que fosse
mas não consigo me livrar
do subjuntivo

Eu conheço bem

eu conheço bem
a vida que ele tem
a dor do dia errado
acordar sem ter
descansado
eu conheço bem
a vida que ele tem
quer tudo mastigado
não faz nenhum esforço
é um folgado
eu conheço bem
a vida que ele tem

Ilusão por poesia

as mentiras que os homens contam
não são as mesmas que eles cantam
o nome destas é ilusão por poesia

sábado, 28 de setembro de 2013

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Amor nunca é demais

nenhum amor pode sobrar
como excesso de areia no olho
que o vento traz
o carinho preenche todo o coração
e não sobra nada pra depois
é assim que se enche o dia
com emoção e paz
nenhum amor é demais

domingo, 8 de setembro de 2013

Revelação

Na vida que sempre espera o amor, um 'bom dia' já ilumina um sorriso.

Na vida que quer sempre uma imagem para representar, a nudez traz à luz o verdadeiro tom da nossa pele: despir-se é revelar-se.

Tabu

Seres noturnos, que andam escondidos da luz, vivem uma meia-vida ou são felizes assim? Se escondem porque querem, ou porque assim são condicionados?

Enganos

Era tudo mentira, culpa da dissimulação malandra trazida pelo jogo de esconde-esconde. Uma mudez e quem sabe uma morbidez angustiante que não durou mais que a vida, mas que parecia uma eternidade.

Casi

Casi a la una de la tarde, no oigo nada más. El corazón no late, todo está parado, como el água en un lago.

Casi a la una de la tarde, la vida pide que el amor llegue más próximo, pero la vida no puede hacerlo todo lo que quiere, y hay un tiempo más grande para el amor llegar...

Casi a la una de la tarde y el día todavía es el mismo de ayer. Qué pasa? Las personas no hacen la vida seguir, no dejan el mundo girar.

Casi a la una de la tarde y estoy aquí, escribiendo unas palabras qué no sé que significan, que no llevan eco ninguno.

Casi a la una de la tarde...

Tudo

Não quero um amor que vai embora - nunca é boa hora para um amor partir. Não quero um amor que não me devora - engolir meu coração até me ver sorrir. Não quero um amor que vive reto - 'nunca' é um tempo tão incerto.

Sexo

Entre os corpos suados não há espaço nenhum; as gotas que escorrem devem se misturar.

Eu te vejo

Eu vejo seus olhos. Vejo seus olhares tortos que miram em mim. Eles querem esconder o que você está dizendo, representam o seu medo que eu saiba a verdade, mas ainda assim você o diz. E sai, vai se esconder, retrair o olhar. Descansar a mira.

Rebentação

Geralmente, quebrar alguma coisa é ruim. Mas devo confessar que adoro as ondas se quebrando em mim.

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