quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Saudades de Buenos Aires

Sinto saudades daquelas tardes, enquanto caminhava pelas ruas de Buenos Aires e percebia que a vida tinha mais sentido do que nunca, que toda arquitetura colonial trazia uma história real, que pessoas construíram aqueles caminhos, e viveram os tempos áureos de cada espaço. Caminhava pelas calçadas da Recoleta e me via em outro mundo, uma calmaria abalada apenas pelos carros na rua, um frio gostoso que não congelava a alma, mas que me fazia sentir o sangue pulsar mais fortemente, como mostrando que havia vida dentro de mim. As canções pareciam entrar na minha mente e eu não delirava, mas sonhava acordado com um presente que parecia muito distante no passado. Agora eu sabia que imaginar era mais do que pensar, era realizar o que talvez seria o futuro, mas que se tornou concreto. Sinto falta da leveza de Palermo, do parque, das pessoas que encontrei pela caminhada. Não daquelas com quem conversei, mas daquelas para quem eu olhava e imaginava quem seriam, o que faziam, aonde iam... Sinto falta do medo do inesperado, da apreensão, da imensidão desconhecida, da liberdade de ser eu mesmo em outro lugar, do meu reconhecimento de mim mesmo em outros ares, em Buenos Aires.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Esperando a surpresa

Não quero mais dizer bom dia. Quero viver na noite, sempre escura, que não revela mistérios, que esconde sorrisos. Não quero mais viver de sorrisos. Quero continuar a tristeza do coração imerso no rio de dissabores, de esperanças opacas, de realidade dura, de frieza pura. Sem mais expectativa, a surpresa venha o dia que vier, se chegar, se couber.

domingo, 6 de outubro de 2013

Encarando a verdade

Eles passavam tempo demais juntos, sentados lado a lado no carro, no bar, no restaurante, no sofá... que não sabiam mais se olhar, não sabiam que a proximidade era distante, que já não se encantavam mais pelo sorriso - que já não viam mais. Não tinham mais coragem de se encarar, porque era preciso fugir da verdade, não dizer a realidade. Não existia mais amor, nem mais expectativa. Viviam lado a lado, em mundos separados.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Desapego

desapegando da perda de tempo
cultivando sorrisos sinceros
e beijos com intenções
cansei do suspiro que passa
que passa
que não chega a lugar algum
parei de sentir saudade
do abandono
do dia
da noite

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

É tudo uma ilusão

Esse tipo de amor
não existe
o que você quer
está fora do cardápio
faça seu pedido
no drive thru
leve para casa
um menu de ilusões
e pense que está comprando
a felicidade colorida
em balões

Subjuntivo

Sim
eu tenho um problema
sério
de acreditar
demais
no que eu gostaria que fosse
mas não consigo me livrar
do subjuntivo

Eu conheço bem

eu conheço bem
a vida que ele tem
a dor do dia errado
acordar sem ter
descansado
eu conheço bem
a vida que ele tem
quer tudo mastigado
não faz nenhum esforço
é um folgado
eu conheço bem
a vida que ele tem

Ilusão por poesia

as mentiras que os homens contam
não são as mesmas que eles cantam
o nome destas é ilusão por poesia

sábado, 28 de setembro de 2013

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Amor nunca é demais

nenhum amor pode sobrar
como excesso de areia no olho
que o vento traz
o carinho preenche todo o coração
e não sobra nada pra depois
é assim que se enche o dia
com emoção e paz
nenhum amor é demais

domingo, 8 de setembro de 2013

Revelação

Na vida que sempre espera o amor, um 'bom dia' já ilumina um sorriso.

Na vida que quer sempre uma imagem para representar, a nudez traz à luz o verdadeiro tom da nossa pele: despir-se é revelar-se.

Tabu

Seres noturnos, que andam escondidos da luz, vivem uma meia-vida ou são felizes assim? Se escondem porque querem, ou porque assim são condicionados?

Enganos

Era tudo mentira, culpa da dissimulação malandra trazida pelo jogo de esconde-esconde. Uma mudez e quem sabe uma morbidez angustiante que não durou mais que a vida, mas que parecia uma eternidade.

Casi

Casi a la una de la tarde, no oigo nada más. El corazón no late, todo está parado, como el água en un lago.

Casi a la una de la tarde, la vida pide que el amor llegue más próximo, pero la vida no puede hacerlo todo lo que quiere, y hay un tiempo más grande para el amor llegar...

Casi a la una de la tarde y el día todavía es el mismo de ayer. Qué pasa? Las personas no hacen la vida seguir, no dejan el mundo girar.

Casi a la una de la tarde y estoy aquí, escribiendo unas palabras qué no sé que significan, que no llevan eco ninguno.

Casi a la una de la tarde...

Tudo

Não quero um amor que vai embora - nunca é boa hora para um amor partir. Não quero um amor que não me devora - engolir meu coração até me ver sorrir. Não quero um amor que vive reto - 'nunca' é um tempo tão incerto.

Sexo

Entre os corpos suados não há espaço nenhum; as gotas que escorrem devem se misturar.

Eu te vejo

Eu vejo seus olhos. Vejo seus olhares tortos que miram em mim. Eles querem esconder o que você está dizendo, representam o seu medo que eu saiba a verdade, mas ainda assim você o diz. E sai, vai se esconder, retrair o olhar. Descansar a mira.

Rebentação

Geralmente, quebrar alguma coisa é ruim. Mas devo confessar que adoro as ondas se quebrando em mim.

Impedido

Fechando o cerco, fechando a cerca do meu coração. Fechando o sinal, ninguém mais passa, fica tudo parado, congestionado no meu coração. Fechando a porta, fechando a janela, ninguém mais vê o sol sobre a passarela do meu coração.

Apêndice

Adereços, apetrechos, penduricalhos... Apenas um adicional que, contraditoriamente, não acrescenta nada. Tem gente que é assim, só mais um.

Black-out

Uma pausa imensa no coração. Do tamanho de um apagão.

As gavetas

Abrir as gavetas e encontrar as memórias perdidas entre tantos papeis velhos, entre tantos clips enferrujados. Abrir as gavetas e ver o que nem mais se lembrava ter existido. Abrir as gavetas e resolver as pendências que duraram anos. Abrir as gavetas e ver as anotações na agenda, como um diário dos sentimentos, dos compromissos desmarcados e dos encontros selados.

Morte despercebida

Por invisível que foi todo o tempo, nem ele notou que já estava morto.

Zumbi fora do armário

Na dúvida que o angustiava, morto-viveu até o dia em que se assumiu. A felicidade veio quando declarou-se artista.

Delírios

Era preciso rastejar-se para sentir o gosto da terra, porque sonhar dava-lhe asas, que o mantinham longe do chão.

Reflexão

Não se dava ao trabalho de responder algo tão simples: você me ama? Não saía nada de sua boca, se não um sorriso tímido, envergonhado e sem coragem de alegria. Era menos um sorriso e mais uma interrogação. Não que fosse o amor obrigado a existir, mas qual seria o objetivo de tanto tempo juntos sem se apaixonar? Revendo conceitos, voltou-se ao espelho: você se ama?

Confessa!

Me fala do que você sente, da sensação, do sentimento. Me fala do amor que você me vive nesse momento. Me fala do plano pra amanhã à noite. Me fala do abraço que eu te dei, do choro que eu não segurei, do beijo que eu te roubei. Me fala da vida de dois em um, de um sonho comum, de uma casa e um cachorro. Me fala que o tempo parou, que a vida acertou e que você se apaixonou, de vez, perdidamente, por mim...

Restos de luz

Queria fazer uma poesia, mas não encontro uma rima bonita, ou uma palavra que traduza o que quero dizer. Queria escrever um texto poético, sobre amor, sobre dor, sobre paz, falar da natureza, do sol, da nuvem, mas não consigo dizer nada. A manhã nublada tapou minha visão da alma, atrapalhou meu discernimento da linha do caderno, do teclado. Uma folha em branco, uma página sem digitar. O cursor pisca, pisca, pisca, e o sol não brilha. O dia se ilumina com o que sobrou da última lua...

Misturado

Um café no bar e uma cerveja na padaria
Descer a pé e subir a escadaria
Tomar um vinho na cafeteria
Misturar o amor na sorveteria
Uma dose de pinga na confeitaria
Pedir um suco na drogaria
Sem saber a bebida que acertaria
Nem confundir com porcaria
Não negou nada, tudo aceitaria
Uma dose de amor na cacharia
Só assim se entregaria

Carona

Pode levar meu coração, lavar minha alma de amor. Pode me fazer suspirar, me sentir, me abraçar. Pode fazer tudo, que eu deixo, que eu quero, que eu entrego, que eu desejo. E eu não vejo nenhum problema em chamar sua atenção, em dividir a obrigação da felicidade. Não ligo em sorrir, nem penso em desistir, nunca corro sem vontade. O tempo passa a hora, manda a chuva, traz a saudade. E ele não volta. Pode levar meu coração, para o futuro, para sempre.

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