terça-feira, 15 de março de 2011

EUA e as experiências desumanas

Traduzo abaixo um texto que li hoje no site do jornal espanhol El País e que me deixou muito inconformado com a brutalidade com que os EUA tratam pessoas, ainda que sejam presos por terem cometido algum crime e, pior ainda, se forem pacientes com problemas mentais ou órfãos. É a barbárie - sim, os EUA não governam pessoas, o Governo americano é ele mesmo o bárbaro. Eles governam dinheiro e poder. Deveriam, por isso mesmo, chamar-se Estados Unidos dos Bárbaros.
Segue o texto:

Apresentada uma demanda contra os EUA por experimentos com sífilis na Guatemala

Tradução: William César Ramos Lima
Fonte: El País

Cerca de 700 prisioneiros, soldados, pacientes mentais e órfãos procuram uma compensação financeira pelos problemas de saúde desenvolvidos pela doença

EFE - Washington - 14/03/2011

Centenas de guatemaltecos submetidos a experimentos com sífilis pelos Estados Unidos na Guatemala na década de quarenta do século passado apresentaram hoje uma demanda em Washington contra o Governo à procura de indenização. A ação coletiva, segundo o escritório de advocacia Parker, Waichman e Alonso que os representa, procura uma compensação financeira pelos problemas de saúde desenvolvidos por cerca de 700 prisioneiros, soldados, pacientes mentais e órfãos em razão dos experimentos.
Os representantes legais haviam dado o prazo de até sexta-feira passada para que o Governo norteamericano estabelecesse um processo de compensação fora dos tribunais para as pessoas que “foram adversamente afetadas por este experimento”. Como não obtiveram resposta, apresentaram hoje a demanda. O outro escritório de advocacia envolvido na demanda coletiva é o Conrad and Scherer.
A ação judicial se deu depois que, em outubro de 2010, havia sido divulgada informação sobre os experimentos com sífilis feitos sem a permissão ou o conhecimento das pessoas afetadas. Naquela ocasião, tanto a secretária de Estado, Hillary Clinton, como a da Saúde, Kathleen Sebelius, criticaram tais experimentos e divulgaram uma desculpa pública. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, também pediu desculpas telefônicas ao seu homólogo guatemalteco, Álvaro Colom, e ordenou a criação de uma comissão especial para estudar os aspectos éticos dos estudos médicos internacionais.
Entre 1946 e 1948, cientistas norteamericanos contaminaram deliberadamente os sujeitos dos experimentos com o vírus da sífilis para provar a eficácia da penicilina contra essa doença. Segundo documentos judiciais, a equipe de médicos norteamericanos persuadiu funcionários em orfanatos e em prisões da Guatemala para que permitissem os experimentos em troca de equipamentos como refrigeradores e remédios para o tratamento da malária e da epilepsia.
Em alguns casos, os médicos ofereceram cigarros a alguns dos sujeitos que aceitaram participar dos experimentos e os presos foram infectados por prostitutas. A demanda compara os experimentos na Guatemala com um estudo feito em Tuskegee (Alabama), que começou em 1932 e durou 40 anos, período no qual os médicos observaram o avanço da sífilis em cerca de 400 homens afroamericanos já infectados por essa doença.
Esses homens nunca foram informados de que haviam contraído a doença venérea e nunca foram tratados, mesmo que tenham sido submetidos a exames médicos gratuitos, tenham recebido alimentos e cobertura de gastos fúnebres. Na ação pelos experimentos em Tuskegee, as vítimas foram indenizadas.

Tradução: William César Ramos Lima
Fonte: El País

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