domingo, 8 de setembro de 2013

Apêndice

Adereços, apetrechos, penduricalhos... Apenas um adicional que, contraditoriamente, não acrescenta nada. Tem gente que é assim, só mais um.

Black-out

Uma pausa imensa no coração. Do tamanho de um apagão.

As gavetas

Abrir as gavetas e encontrar as memórias perdidas entre tantos papeis velhos, entre tantos clips enferrujados. Abrir as gavetas e ver o que nem mais se lembrava ter existido. Abrir as gavetas e resolver as pendências que duraram anos. Abrir as gavetas e ver as anotações na agenda, como um diário dos sentimentos, dos compromissos desmarcados e dos encontros selados.

Morte despercebida

Por invisível que foi todo o tempo, nem ele notou que já estava morto.

Zumbi fora do armário

Na dúvida que o angustiava, morto-viveu até o dia em que se assumiu. A felicidade veio quando declarou-se artista.

Delírios

Era preciso rastejar-se para sentir o gosto da terra, porque sonhar dava-lhe asas, que o mantinham longe do chão.

Reflexão

Não se dava ao trabalho de responder algo tão simples: você me ama? Não saía nada de sua boca, se não um sorriso tímido, envergonhado e sem coragem de alegria. Era menos um sorriso e mais uma interrogação. Não que fosse o amor obrigado a existir, mas qual seria o objetivo de tanto tempo juntos sem se apaixonar? Revendo conceitos, voltou-se ao espelho: você se ama?

Confessa!

Me fala do que você sente, da sensação, do sentimento. Me fala do amor que você me vive nesse momento. Me fala do plano pra amanhã à noite. Me fala do abraço que eu te dei, do choro que eu não segurei, do beijo que eu te roubei. Me fala da vida de dois em um, de um sonho comum, de uma casa e um cachorro. Me fala que o tempo parou, que a vida acertou e que você se apaixonou, de vez, perdidamente, por mim...

Restos de luz

Queria fazer uma poesia, mas não encontro uma rima bonita, ou uma palavra que traduza o que quero dizer. Queria escrever um texto poético, sobre amor, sobre dor, sobre paz, falar da natureza, do sol, da nuvem, mas não consigo dizer nada. A manhã nublada tapou minha visão da alma, atrapalhou meu discernimento da linha do caderno, do teclado. Uma folha em branco, uma página sem digitar. O cursor pisca, pisca, pisca, e o sol não brilha. O dia se ilumina com o que sobrou da última lua...

Misturado

Um café no bar e uma cerveja na padaria
Descer a pé e subir a escadaria
Tomar um vinho na cafeteria
Misturar o amor na sorveteria
Uma dose de pinga na confeitaria
Pedir um suco na drogaria
Sem saber a bebida que acertaria
Nem confundir com porcaria
Não negou nada, tudo aceitaria
Uma dose de amor na cacharia
Só assim se entregaria

Carona

Pode levar meu coração, lavar minha alma de amor. Pode me fazer suspirar, me sentir, me abraçar. Pode fazer tudo, que eu deixo, que eu quero, que eu entrego, que eu desejo. E eu não vejo nenhum problema em chamar sua atenção, em dividir a obrigação da felicidade. Não ligo em sorrir, nem penso em desistir, nunca corro sem vontade. O tempo passa a hora, manda a chuva, traz a saudade. E ele não volta. Pode levar meu coração, para o futuro, para sempre.

Enganação

alijado
aleijado
separado
ser parado
nada disso combina
nem com a Colombina

Beneficente

Eu nasci para ser doador de vida, de alma, de sorriso.
Eu nasci para doar amor, e o que mais for preciso.
Assim é o dia a dia: há que deixar o lado narciso.
Não toco mais nesse assunto: vou ser conciso.

Agradecimento

Seu é o meu coração
e não adianta dizer
que foi tudo em vão.
Só quero é saber
de respirar gratidão
por tanto amor no viver,
de sair da solidão.

Digitando

AMOR

Como não dava pra gritar,
escreveu em caixa alta.

Desabafo

O problema de um coração grande demais, é que ele chora demais. Excesso de amor faz com que as pessoas sejam mais frágeis, de algum modo. Quando se dá muito amor e carinho, desprezo é o que não se espera do mundo. A indiferença, tal qual posta no centro do egoísmo humano, faz o coração de uma pessoa transbordar... de lágrimas que traduzem a tristeza do mundo.
Não adianta sorrirmos, se nosso pensamento não condiz com a expressão física. As dificuldades da vida fazem parte de um processo maior do que o momento em que aparecem; elas nos guiam para um fortalecimento do amor próprio, do amor ao próximo e do desejo constante de felicidade. Quando nos entregamos, tem que ser com amor e de verdade. O carinho é a fonte verdadeira de sorrisos, porque ele é a expressão física do amor: o toque traz segurança, o beijo aumenta paixões, o abraço acalma e traz conforto.
O cuidado, diário e contínuo, nutre o amor entre as pessoas. O preocupar-se, o ouvir, o querer saber como andam as coisas, o ser sincero. Dar valor a gestos pequenos transforma mais a vida de quem espera ser amado do que grandiosidades.
Às vezes me acho muito complicado, mas só quero mesmo esses detalhes, menores que sejam, porque representam a expressão real do amor. Pura e simplesmente.

Bom dia

O sol aparece e o dia começa. O tempo prossegue no instante da promessa. O novo amanhã é hoje, o futuro já começou de novo; ele começa toda hora...


Marília/SP, 7h45 de uma manhã

Rotina

A vida tem dessas coisas, de se aprumar para novos desafios. Os dias se apresentam assim: um sorriso pra lembrar que vale à pena lutar. Ainda que a tristeza esteja lá, a felicidade deve permanecer forte. As conquistas são diárias, se dão a cada minuto. O que seria da gente se tudo fosse pronto e acabado?

Liberdade

Não prendo mais na gaiola 
o pássaro do amor,
que exige liberdade 
de bater asas pelo céu,
que exige inspiração 
e sol para o calor,
que exige uma água, 
e um pouquinho de mel,
que exige sinceridade 
e viver sem medo, nem pavor.

Amores possíveis?

Sente no peito
a dor da dúvida.
Não sabe direito
se é feliz
ou, com defeito,
se ama a meretriz.

No céu

Sentiu a dor na mão
esclarecendo sua profissão:
apontador de estrelas na imensidão.

Sons associados

Escalava a escada e encantava com a escaleta:
música aos ouvidos, passeio na Recoleta.

Cantava uma cantada contendo uma ensaiada:
música feita aos montes, como para uma manada.

Releitura

batatinha frita quando nasce
esparrama óleo pelo chão
mocinha triste quando chora
aperta o olho: vermelhão

Não sei o nome da saudade

Se o que eu sinto é a saudade
a dor antiga não dá paz
a dor de hoje se refaz
a dor de amanhã aqui jaz

Se o que eu sinto é de verdade
não sei dizer o nome disso
não sei desfazer esse feitiço
não sei criar amor postiço

Sobre amor e sintaxe

As pessoas insistiam em não saber usar a vírgula. Se iludiam com a ideia falsa de que a uma vírgula correspondia uma pausa para respirar. Mal sabiam da sintaxe.

As pessoas insistiam em não saber usar o coração. Se iludiam com a ideia falsa de que a um amor correspondia uma pausa para respirar. Mal sabiam da aceitação.

Eram coisas simples, embora se assumisse que eram difíceis de aprender. Estudar um pouco mais resolveria o problema da vírgula. Amar um pouco mais, o do coração.

Pit-stop

Pit-stop
para uma lágrima
ser trocada
por um sorriso.

Vou esperar
a minha vez.

Sozinho

O mundo cai na masmorra,
desaba na gangorra,
demora a se levantar.
O mundo te afoga na tristeza,
te dá um empurrão na correnteza,
e não tem ninguém pra te ajudar.

Ciclo

Eu perdi
confesso
que assumi
a dor do coração.
Eu insisti
pudera
como sofri
aceitar a negação.
Eu sorri
depressa
ao ver de perto
outra emoção.

Sem Esperança

Vou dizer sobre o fim
da vida,
que é o fim de todos;
a morte da menina
de nome Esperança.
Vou cantar um verso torto:
chegou ao fim;
caminhão, passe por cima
de mim.

Tolice

Invisível que seja,
da festa, do bolo,
pra ele não sobra nem a cereja,
é só um tolo.
Não quer o primeiro pedaço,
nem receber as palmas.
Só procura um abraço,
aquele salvador de almas.

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