Depois de tanto tempo aprisionado,
Maltrapido e maltratado,
Meu coração mudou de cor.
Não é mais vermelhinho como o de todo mundo.
Agora ele muda todo dia, fica azul,
Fica amarelo, vermelho, verde, roxo.
Meu coração mudou de lugar, mudou de forma.
Não é mais como antes, igual ao de todos.
Meu coração agora bate saudade, sugere amor.
Meu coração vale mais que uma flor.
Agora já não importa o dia cinza,
Se a vida é bandida, se eu choro mais.
Agora só resplandece o sorriso,
Que ilumina a tarde, a manhã e a noite.
Agora o abraço chega junto:
No inverno, com cachecol;
No verão, com sunga ou samba-canção.
Agora o beijo não é passageiro:
Mesmo na ausência, ele dura o dia inteiro.
Fica colado em mim, ainda que longe.
O beijo me morde. Passa o dia me mordendo.
Eu sentindo arrepios, dizendo não. Querendo sim.
As manhãs são frias ou quentes, do mesmo jeito.
Mas elas são de bom dia. Trazem a boa tarde,
Ao que sucede a boa noite. Toda noite. Todo dia.
É bucólico. É clichê.
Desculpem, mas o amor hoje só quer ser
Tudo isso, ou quase nada,
Ou só isso. Meu amor não é michê.
Não se vende, não se atira.
Não passa por cima, não é manada
De elefante, nem uma pulguinha saltitante.
Meu amor é completo, me complementa.
Sou um verbo transitivo indireto:
De você, para você, com você, por você.
Parece uma canção de domingo.
Parece uma oração essa poesia.
De amor.
Amém.
domingo, 28 de julho de 2013
domingo, 14 de julho de 2013
20 centavos
Não é apenas por 20 centavos. A coxinha está mais cara, mal se pode almoçar no intervalo. O preço sobe, o ônibus para, o cobrador desce. O motorista não aparece. O pó está caro, o programa aumentou, mas o pau, esse não levantou...
Não são 20 centavos à toa. É o SUS pedindo ajuda: SOS. Os médicos cubanos vão vir pro Brasil, ajudar na crise. Não podem! Não querem! Os brasileiros vão ter que atender no postinho de saúde, na UPA, no PA, vão ter que cuidar da saúde das famílias no interior do Pará.
Não é uma briga só por 20 centavos. O tomate subiu, o vinagre explodiu, o cara não me representa. São milhões nas gavetas, nos bolsos, na íris do olho que ostenta o cifrão. Falta amor, falta barba.
Não é só por 20 centavos, é pela intolerância, pela ignorância, pela segurança do Papa, que custa mais que 20 centavos... É contra o capitalismo, que afunda as almas na exploração e no consumismo. É por tudo e por quem não tem nada. É por quem não consegue ser, mesmo existindo. É pelos invisíveis, mesmo coloridos: pretos e arco-íris, as cores do esquecimento. Só se lembram do vermelho, cor do sangue. Não o que está nas suas veias, mas o que suja as mãos. Não são apenas 20 centavos!
Não são 20 centavos à toa. É o SUS pedindo ajuda: SOS. Os médicos cubanos vão vir pro Brasil, ajudar na crise. Não podem! Não querem! Os brasileiros vão ter que atender no postinho de saúde, na UPA, no PA, vão ter que cuidar da saúde das famílias no interior do Pará.
Não é uma briga só por 20 centavos. O tomate subiu, o vinagre explodiu, o cara não me representa. São milhões nas gavetas, nos bolsos, na íris do olho que ostenta o cifrão. Falta amor, falta barba.
Não é só por 20 centavos, é pela intolerância, pela ignorância, pela segurança do Papa, que custa mais que 20 centavos... É contra o capitalismo, que afunda as almas na exploração e no consumismo. É por tudo e por quem não tem nada. É por quem não consegue ser, mesmo existindo. É pelos invisíveis, mesmo coloridos: pretos e arco-íris, as cores do esquecimento. Só se lembram do vermelho, cor do sangue. Não o que está nas suas veias, mas o que suja as mãos. Não são apenas 20 centavos!
domingo, 7 de julho de 2013
Achados e perdidos
Eu sei tudo o que perdi
As vezes em que não te vi
Do sonho que eu desisti
Eu sei de tudo
Mas não me arrependo
Porque outra vida eu tive
Outro amor eu encontrei
Outros caminhos eu provoquei
Nadei em rios de águas turvas
Que me davam tanto prazer
De molhar a nuca, a cabeça
De escorrer a tristeza
E levar a lembrança
Embora de mim
Eu perdi tanta coisa
Mas no caminho
Outras tantas pude ter
O que agrada não é ganhar
Não quero competir
Nem amor, nem dinheiro
Nem aparência
Eu quero ver um sorriso
Que me olhe
Que me provoque
Que me tente
Que me traga
Um encontro
domingo, 30 de junho de 2013
Um dia gris
Eu poderia ter um pouco mais de paciência, poderia por meu amor sobre a mesa, servi-lo quente mesmo. Até gostaria de fazê-lo acompanhado de uma música melosa, de uma bebida doce e com uma sobremesa cremosa ao final. Pois bem, não estou disponível para oferecer tal refeição, pois meu dia está gris, como o céu lá fora. Soa como um espelho: o céu e eu refletindo uma mesma imagem nesse dia nublado. Nada de desânimos ou sofrimentos à toa; trata-se apenas de um momento cinza sem horizontes bonitos para se admirar. Horizonte em que não quero chegar neste dia. Não se trata de uma tristeza, pois em meio a tanta vida, não há porque estar triste. É apenas o dia sem cor que se opõe ao vermelho do sangue bombeado pelo coração. Às vezes a pressão cai e o sangue meio que muda de coloração, tingido de cores opacas. Sem força para passar o dia e sem cor para brilhar, é como se o dia estivesse de olhos fechados.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Brincadeiras
O jogo da amarelinha
O céu, o inferno.
O quebra-cabeça
As peças não entram.
O esconde-esconde
Nunca te encontro.
O pega-pega
Nunca alcanço.
Que saco ser criança.
Ainda bem que cresci,
Vou brincar de médico.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Saída de emergência
Correntes nas pernas
prendendo o caminho,
impedindo a andança,
matando no ninho
a liberdade de outrora,
que tinha quando criança.
Só não conseguem prender
o olhar amarrando.
Ainda que sem amor,
sem mais nada pra viver,
o olhar sai do corpo
em busca do horizonte:
saída de emergência.
prendendo o caminho,
impedindo a andança,
matando no ninho
a liberdade de outrora,
que tinha quando criança.
Só não conseguem prender
o olhar amarrando.
Ainda que sem amor,
sem mais nada pra viver,
o olhar sai do corpo
em busca do horizonte:
saída de emergência.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Primeiro tempo
Eu apaguei o meu passado
Pra começar hoje
O meu futuro de ontem.
Eu deixei aquilo de lado
Pra correr atrás da vida
Que eu ainda não tive.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Fantasmas
Ela via fantasmas que queria reais.
Não sabia como curar a loucura.
Ao toque, sentia apenas o ar, nada mais.
terça-feira, 4 de junho de 2013
Novos tempos
Isso não importa mais
O amor já se acabou
Não estou mais na sua
Eu só quero sorrir com o dia
Amanhecer com o sol
Preciso ver o entardecer
Sentir a Lua me olhar
Cheirar a brisa da noite
E descobrir que já passou
Que isso não importa mais
O amor mudou de flor
Deixou a lembrança
A semente de um novo dia
Que se inicia agora
domingo, 2 de junho de 2013
Muro do coração
Na correnteza da chuva, corria a
tristeza de tudo que se perdia naquelas águas turvas e tortas. A chuva levava
tudo embora, a paz, a alegria, o samba que ia surgindo no quintal, a roupa que
secava no varal, a mochila das crianças que acabaram de chegar da escola, e as
meias que estavam a secar no muro, que dividia não apenas os vizinhos, mas que
compartilhava a segurança a que se propunha. E segurar as águas da chuva não
era a obrigação daqueles tijolos sobrepostos. Águas para conter? Não era essa a
função do muro. Ele segurava o que lhe cabia, mas não podia salvar vidas contra
a correnteza que invadira todas aquelas vidas.
Às vezes o coração tem dessas
coisas, nos deixa desprotegidos das correntezas inesperadas.
sábado, 1 de junho de 2013
Um novo olhar no anoitecer
É num olhar outro que visualizo essa nova perspectiva de mim. É na língua sentindo um gosto diferente que percebo meu paladar reagindo. É no toque da mão, na pele do lábio, que beijo uma experiência nova. Essa boca inédita, esse olhar que me fita, essa vida que insiste em piscar para mim, dizer que sou eu o escolhido. Escolhido. Recolhido. Sou eu quem espera um novo anoitecer pra você chegar.
A sobra da falta
Falta drama nessa lua
Falta riso nesse circo
Falta carinho nesse toque
Sobra dor nessa memória
Sobra ódio nas ruas
Sobra egoísmo nas vidas
terça-feira, 28 de maio de 2013
Não tem jeito
como eu saberia
dessa dor mal partida
dessa fresta no meu peito
eu nunca esconderia
esse amor que não tem jeito
dessa dor mal partida
dessa fresta no meu peito
eu nunca esconderia
esse amor que não tem jeito
Não posso o avesso
não posso pensar
não posso parar
não posso voltar
não posso sangrar
não posso mentir
não posso sentir
não posso despir
não posso ouvir
não posso viver
não posso morrer
não posso esmorecer
não posso correr
não posso rimar
nem mesmo cantar
não posso verbalizar
nem conjugar
a vida é regra
do posso, não posso
é uma desregra
desgraça
não posso
a vida é uma ordem
um caos
é um poste
eu bato a cabeça
não sigo a seta
do outro lado
o tempo não espera
não posso, não quero
nada está certo
não recito, nem faço
a alegria do abraço
não posso soprar
não sou vento lá fora
deixa eu pensar
demorar
numa dose
de amor
de vida
daquilo que não tem mais saída
é o fim do começo
da vida
do avesso
não posso parar
não posso voltar
não posso sangrar
não posso mentir
não posso sentir
não posso despir
não posso ouvir
não posso viver
não posso morrer
não posso esmorecer
não posso correr
não posso rimar
nem mesmo cantar
não posso verbalizar
nem conjugar
a vida é regra
do posso, não posso
é uma desregra
desgraça
não posso
a vida é uma ordem
um caos
é um poste
eu bato a cabeça
não sigo a seta
do outro lado
o tempo não espera
não posso, não quero
nada está certo
não recito, nem faço
a alegria do abraço
não posso soprar
não sou vento lá fora
deixa eu pensar
demorar
numa dose
de amor
de vida
daquilo que não tem mais saída
é o fim do começo
da vida
do avesso
domingo, 26 de maio de 2013
Andando na contramão
Direção, direção, direção.
Um volante na minha mão.
Que caminho vou seguir, não sei, não.
Direção, direção, direção.
Batimento infinito no meu coração.
Estou perdido, feito um balão.
Direção, direção, direção.
Sem placa, nem informação.
Ando de ré, na contramão.
Um volante na minha mão.
Que caminho vou seguir, não sei, não.
Direção, direção, direção.
Batimento infinito no meu coração.
Estou perdido, feito um balão.
Direção, direção, direção.
Sem placa, nem informação.
Ando de ré, na contramão.
domingo, 12 de maio de 2013
De repente...
De repente o coração bate mais rápido, mais devagar. O coração para, se adianta, para de novo. De repente a vida é um suspiro, de repente é o último segundo. De repente não é mais vida, não se define mais. De repente, silêncio...
Sem sentir
Meus sentidos me enganam
não me querem
me abandonam...
Meus sentidos estão à Leminski
sentindo muito
muito lento...
não me querem
me abandonam...
Meus sentidos estão à Leminski
sentindo muito
muito lento...
Na gaveta
Saiu de casa para um passeio, mas antes colocou seus problemas íntimos na gaveta de meias, e os deixou lá até a volta, para que não criassem filhotinhos na rua...
Morrendo
O poço.
A poça.
Vivendo na fossa.
O fim do mundo, não.
O fim da vida, não.
O fim da dignidade.
O fim da felicidade
Um mundo de insanidade.
A poça.
Vivendo na fossa.
O fim do mundo, não.
O fim da vida, não.
O fim da dignidade.
O fim da felicidade
Um mundo de insanidade.
Café de manhã
O gosto do café amarga minha língua. Sinto o cheiro, o quentinho, a lembrança do que tem lá fora. Esse café desperta minha vida do sono mal dormido, da noite fria que antecedeu o sol de hoje de manhã, dessa aurora que logo será história para ser contada no jantar, ou no almoço, ou no esbarrão que se dê na rua com aquele (des)conhecido.
terça-feira, 16 de abril de 2013
Eu gosto
Gosto desses cantos, os escondidos, até dos proibidos. Gosto dos labirintos, de encontrar as saídas íngremes para a felicidade...
Gosto das variantes que a gente vive a cada dia. Gosto das possibilidades de poder refazer, às vezes até "resser", como que passando a existir de novo, do zero.
Gosto dos sorrisos apaixonados, da timidez safada e da falta de roupa... Gosto da emoção dos altos e baixos do amor.
Gosto desses caminhos, tão incertos, do meu coração!
Gosto de provar o café e sentir o sabor da companhia, que está aqui, ou que poderia estar. Relembrar. Ou desejar. Eu gosto disso. Do gosto, do aroma e das ideias. Que me traz um café.
William Lima
Gosto das variantes que a gente vive a cada dia. Gosto das possibilidades de poder refazer, às vezes até "resser", como que passando a existir de novo, do zero.
Gosto dos sorrisos apaixonados, da timidez safada e da falta de roupa... Gosto da emoção dos altos e baixos do amor.
Gosto desses caminhos, tão incertos, do meu coração!
Gosto de provar o café e sentir o sabor da companhia, que está aqui, ou que poderia estar. Relembrar. Ou desejar. Eu gosto disso. Do gosto, do aroma e das ideias. Que me traz um café.
William Lima
Profecia
Instantes, momentos... tempos serenos.
Vida, feliz. Vidas, um jogo:
Bate e volta;
Caindo, levanta;
Escrevendo, apaga.
E correr, e fazer;
E cantar, o sonhar;
Vem brilhar.
Da manhã o sol,
Da noite o luar.
Vem cantar, vem ouvir.
Vem gritar, sussurrar
Vem dizer, me contar...
Profecia realizar.
William Lima
Vida, feliz. Vidas, um jogo:
Bate e volta;
Caindo, levanta;
Escrevendo, apaga.
E correr, e fazer;
E cantar, o sonhar;
Vem brilhar.
Da manhã o sol,
Da noite o luar.
Vem cantar, vem ouvir.
Vem gritar, sussurrar
Vem dizer, me contar...
Profecia realizar.
William Lima
Fingindo para fugir
Sabia quem eu era. Me reconheceu. Olhou temendo que eu dissesse oi. Comentariam nossa proximidade. Encarei. Fixamente. Chovia. Ao passar por mim, se molhou, mas jogou o guarda-chuva de modo a se esconder. Era tarde, eu já o vira, tanto quanto ele me vira. Mas preferiu fugir. Fingir. Era o medo do que mesmo? De se olhar no espelho. Eu ri, com olhar de desprezo para o nada, eu ri...
Os casamentos de Marília
Marília se desquitou.
Não era mais de Dirceu.
Marília era de todos nós,
de todos os outros.
E Dirceu ficou para trás,
voltou a morar com o Gonzaga,
voltou a trabalhar com o Bentinho.
No mês de abril, Marília se cansou.
Amor à primeira vista,
Fugiu com Pereirinha
e com ele se casou.
William Lima
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Entre os sentidos
Entre os
sabores do beijo, da boca, da língua há uma busca pelo desejo de ter o outro
dentro de mim
Entre os
dedos e a palma das mãos há um toque que me arrepia, uma apalpada que me
convida
Entre os
corpos suados não há espaço nenhum; as gotas que escorrem devem se misturar
Entre os
olhos e as curvas que vejo não há tempo para piscar nem perder alguns gestos
Entre o
cheiro do perfume e da pele há uma possibilidade de novas experiências
Entre os
sons de gemido e os movimentos há espaço para um eu te amo
Entre
sentidos e sentimentos há quem goste do prazer
Entre
tudo que já falei fica minha vontade
Entre todos, uma pessoa
Entre todos, uma pessoa
Você
sábado, 26 de janeiro de 2013
Das paixões e das despedidas
Passo em frente à loja
todo dia. Estico o pescoço e tento te encontrar. Não te vejo. Fica a esperança
de te rever, ainda que apenas nesses segundos, e da calçada. Nada. Você não
aparece mais. Foge de mim. Ou foge do amor. Ou foge da dor... que o reencontro
pode provocar. As minhas lembranças de você estão tão vivas agora. Você me
chamou, disse que ia embora, queria dizer tchau. Depois de tempos, veio se
despedir de mim. Ainda se lembrou do que vivemos. Eu chorei. Te desejei e agora
te desejo mais ainda. Me dá um último abraço ao menos, eu peço. A saudade já
existe mesmo, ao menos quero esse último toque. Quero essa última lembrança nos
meus sentidos... seu cheiro, sua pele, quem sabe me deixa provar sua língua
pela última vez?!
A primeira vez em que
nos vimos foi tão mágico. Me lembro de tudo agora, cada detalhe, cada conversa,
cada sorriso seu... Você me contou tanto da sua vida naquela noite. Se revelou.
Não tinha como não ter me apaixonado. Seu beijo foi avassalador, sugou todo meu
amor pra dentro do seu coração, me possuiu... Eu não era mais dono de mim a
partir daquela noite, não importava o tempo que durasse, eu era seu, todo seu.
E agora fico com as
lembranças na memória e com um sorriso enorme de tanta alegria por você ter
vindo se despedir de mim. Alegria!
Este post se relaciona
a este,
a este
e a este.
Por isso é significativo para mim ter sido lembrado nesse adeus.
Trilha sonora: I was here – Beyoncé
domingo, 30 de dezembro de 2012
Imagens para representar
Mantinha os olhos sem
maquiagem, acreditando numa impossível não identificação de quem era. Ele se
mostrava másculo, rude até, um exemplo de homem com que toda mãe sonha. Não
sabia, a mãe, do sonho desse moço infeliz: queria ser drag queen. Ver aquele brutamontes
montado e com nome espalhafatoso, com roupas gritantes... era a última coisa
que se poderia imaginar! Onde se esconderia a performance de uma drag naquela
aparência de homem? Meu Deus!, gritariam as vovós, mas logo estariam aplaudindo
as palhaçadas das ladies, encontrando o que havia de melhor em seus netos,
encontrando uma alegria até então escondida, um sorriso que sempre esperavam no
almoço, mas era de noite que veriam seus queridinhos, agora montados,
radiantes.
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