segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Até quando?

Até quando me perder no infinito emaranhado dos pensamentos dessa vida confusa? Até quando querer o que está lá, se tem algo que está aqui? Até quando realizar o desejo será motivo de risos, de dor, de exclusão? Até quando encontrarei pessoas desinformadas que acham estar dizendo a verdade, que acreditam na "verdade" que lhes é vendida? Até quando me sentirei tantas vezes fora do lugar, fora do mundo, fora do encaixe nesses "padrões", seja lá o que isso significar? Até quando usarei a linguagem para apenas reproduzir, sem produzir o que eu quero?

"Até quando você vai levando porrada? Até quando vai ficar sem fazer nada? Até quando vai ser saco de pancada?" (Gabriel O Pensador)

sábado, 14 de agosto de 2010

A morte me dilacera

Hoje foi um dia difícil. Os últimos dias tem sido difíceis...
É horrível quando perdemos. A morte é sempre avassaladora, dilacerante. É como que se uma parte de nós também morresse.
É triste a cena. Sentados, olhando pro silêncio. Lembrando da vida que existia; lágrimas que correm; soluços de choro. Dá um desespero, parece. E agora? Como lidar com a perda, com a morte? Ainda não sei, mas é preciso seguir e descobrir como será o amanhã.
Hoje passei o dia velando, quase que em silêncio de palavras, e chorando...
Hoje é o dia em que meu namoro morreu.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ser humano: sociabilidade e razão

"O ser humano não é uma abstração e isto é fato. Gostei muito deste artigo do meu querido amigo Will e quero compartilhá-lo com vocês! É sempre bom refletir no que exatamente nos torna humanos e até que ponto a socialização contribui com isso. Acredito q vale a pena ler. beijocas da Dani"
O ser humano só é um humano quando está entre outros humanos


 O que faz o ser humano se definir como ser racional, como ser social, como não selvagem é sua relação com os outros humanos em sociedade. Só há sociedade se houver limites, acordos para as relações não serem uma bagunça. E o que seria essa “bagunça”? Uma desorganização cultural, que acabaria em uma desorganização econômica também. A constituição da cultura só é possível por meio da racionalidade inerente à natureza humana, juntamente com sua capacidade de organização social.
Se os humanos fossem racionais apenas, agiriam de acordo com as leis naturais apenas, seguindo sua natureza. Mas somos mais que naturais, somos sociais também. Nesse ponto podemos identificar a liberdade natural do ser humano, ao submeter-se às leis da natureza, e a liberdade social, que é a sujeição da pessoa humana ao que foi estabelecido socialmente, em conjunto.
O ser humano, ao organizar-se em sociedade, tem a capacidade de formar instituições, de estabelecer limites sociais para as ações naturais, evitando que cada pessoa aja por si, em sua causa; há instâncias do estado, por exemplo, que ditam regras a que todos devem submeter-se para viverem em igualdade de direitos.
Imaginemos uma pessoa que não vive entre humanos, que vive na selva com outros animais. Ela seria humana? Sim, seria uma pessoa. Mas como agiria? Como ser humano? Falando, escrevendo, organizando a sociedade? Comendo à mesa, usando o banheiro? Certamente, agiria como os outros animais com que vive. Teria a capacidade de agir humanamente latente, porque ainda seria racional. Mas sua sociabilidade não estaria evidenciada por viver apenas entre os irracionais. Nietzsche inicia “Assim falava Zaratustra” com um exemplo dessa insociabilidade a que nos referimos: o personagem principal, que dá título ao livro, é um questionador da cultura e da civilização, passa dez anos longe de contato com outras pessoas, longe das relações humanas e, principalmente, de seus males. A partir dessa experiência, eu digo: fugir dos “males” da humanidade, isolando-se, é fugir da própria humanidade, é negar sua natureza, sua racionalidade, sua sociabilidade, sua existência, enfim. Como ser humano negando suas características? Transformando-se em outro animal, em outro ser? Autodenominando-se não mais como humano? Mas a denominação não é uma ação que podemos fazer, nós humanos, exatamente por sermos humanos e capazes de produzir a linguagem que denomina as coisas? Enquanto todos os outros animais são incapazes de produzir linguagem como os humanos, nós promovemos a interação social por meio dessa ferramenta significativa.
Para o filósofo Locke, tenho acesso, por exemplo, à ideia de “casa” de forma imediata, direta na minha mente. Por outro lado, acesso a “casa” do mundo real de forma mediata, mediação feita pela ideia de casa. Esse filósofo funda a filosofia contratual, que embasa a filosofia política – trata de pactos, fazer um pacto é trocar ideias e, em última instância, ter ideias é ser racional, e a racionalidade é a capacidade de operar tais ideias. A linguagem é a exteriorização do nosso pensamento – precisamos da linguagem para nos comunicar, exatamente porque somos racionais e sociais e, por isso mesmo, nos relacionamos enquanto sociedade.
A partir disso, podemos dizer que “o ser humano só é um humano quando está entre outros humanos” por conta de sua natureza de sociabilidade e de sua razão. O ser humano faz contratos, impõe limites, ele significa, mas só consegue construir isso tudo na relação com outras pessoas, vivendo em sociedade, e não isolado de seus semelhantes. Ele é mais que natureza: o humano constrói sociedades e culturas.

sábado, 31 de julho de 2010

Algo assim...

Algo assim é o que sinto hoje. Sem descrição exata, porque é um sentir confuso, borrado...
Coisas da minha cabeça? Estresse? Ansiedade?
Acho que tudo isso junto, com muito mais. Vivo numa expectativa constante: sempre há algo para (quem sabe) dar certo. E essa espera me tortura, me mata, me destroi.
Isso às vezes me faz tomar atitudes precipitadas, às vezes me faz decidir algo que não está decidido (algo que deveria amadurecer em minha mente, mas que eu, ansiosamente, decido prematuramente).
Muitas vezes é possível desfazer essas precipitações. Algumas outras vezes, essas decisões me trazem algo de bom: saber o que não imaginava estar acontecendo, mas que, mesmo que esteja um pouco longe de mim - embora seja sobre mim - me traz alguma alegria. É confuso, mas não posso explicar isso.
As coisas estão tão meio turvas hoje, que estou ouvindo um cantor francês! Não entendo bulhufas de francês, mas a melodia é linda e o intérprete me comove. Falo de Grégoire.
Me dá um nó, não sei se no peito, se na garganta. Acho que é na minha mente, aqui dentro da cabeça.
Como será uma igreja grande numa segunda-feira de manhã? Eu a imagino alta, com pinturas nas paredes, aquele longo caminho até o altar, uma imagem de Jesus ao fundo. E como será essa igreja na segunda à tarde? Cheia de silêncio, imagino. Sem aquela movimentação do domingo, de famílias indo às rezas. Mas por que falei da igreja? Porque esse silêncio que eu imaginei é o mesmo que eu queria pra mim agora. Aqui dentro. Sem apologias religiosas, estou apenas "metaforizando"...
Grégoire continua me invadindo e me comovendo - não entendo nada, mas fico imaginando o que ele esteja dizendo. Será que só imagino o que gostaria de ouvir, ou me torturo e imagino o que também me destruiria?
Me desculpem pela melancolia, mas algo assim é o que sinto hoje...

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Nem por decreto: pela liberdade da língua portuguesa

Certa vez, participei de uma discussão sobre “defender a língua portuguesa na publicidade, nas artes etc.”. Estavam querendo uma lei que “protegesse” a língua, com previsão inclusive de multa para quem fizesse publicações com “erros de português” e proibindo o uso de estrangeirismos. Uma primeira discussão que poderia surgir é a do preconceito linguístico, a do uso excessivo da gramática como norteadora das nossas relações linguísticas, sem se levar em conta as questões pragmáticas, por exemplo. Entretanto, meu enfoque não vai ser este.

Acredito que respeitar a língua é fundamental para sua manutenção, bem como para a preservação e disseminação da cultura de um povo. Não podemos nos esquecer, entretanto, de que a publicidade tem por objetivo convencer. Não acredito que a publicidade se utilize tanto de erros como pareciam querer apontar. Aliás, gostaria que tivessem me mostrado exemplos de erros de português em textos publicitários para discutirmos, mas não mostraram.

Sobre os estrangeirismos, não concordo com o que disseram. Os estrangeirismos são uma forma de enriquecer a língua, porque eles são o resultado da "apropriação" pela língua de um termo estrangeiro e, quando isso ocorre, essa nova palavra passa a fazer parte da língua, e a constar dos dicionários, e, consequentemente, a "funcionar" de acordo com sua norma. Um exemplo é a palavra XEROX, que, na verdade, é uma marca, mas estrangeira de qualquer forma. Quando nos referimos a "fazer cópias reprográficas", dizemos XEROCAR. Como podemos observar, o verbo está no infinitivo como os verbos AMAR, BEBER, SORRIR. O estrangeirismo não é o uso de um idioma em detrimento de outro. Como já disse acima, é a "apropriação" de um termo estrangeiro pela língua materna. Assim, se um termo já está dicionarizado e já segue as normas da língua portuguesa, ele é incorporado por esta, deixando de ser um termo estrangeiro.

O que a pessoa queria discutir, então, seria a dominação linguística e cultural, e não o estrangeirismo. Se antigamente o francês era a língua dominante, após a Segunda Guerra o inglês passou a sê-lo. E, sendo a língua dominante, a cultura em língua inglesa (mais propriamente a cultura norte-americana) passou a ser a dominante também. Outro ponto interessante é que nós nos sentimos (e somos) fortemente influenciados pelos EUA porque estamos na América. Tem-se que levar em conta que na Europa não é o inglês americano que se ensina na maioria dos países, porque lá existe o Reino Unido e outros países falantes da língua inglesa que já o falavam antes. Sobre a dominação linguística, realmente não podemos utilizar um idioma estrangeiro em detrimento do nosso, mas isso não quer dizer que tenhamos que nos alienar em relação à língua de maior uso nos negócios internacionais: o inglês.

Aprender a língua portuguesa corretamente (e não apenas o uso gramaticalmente correto, mas perceber as possibilidades e flexibilidades da nossa língua) é fundamental para uma boa formação cultural sólida de qualquer brasileiro, mas saber uma segunda língua é fundamental para se ter sucesso profissional em um mundo globalizado e cada vez mais competitivo. Não são raras as matérias em jornais que abordam exatamente esse assunto: há muitas vagas de emprego que não são preenchidas por falta de mão-de-obra qualificada, e isso em qualquer nível de escolaridade, inclusive a falta de conhecimento de uma segunda língua.

É nesse contexto que acredito na liberdade de uso da língua. Nós a construímos diariamente. Não é um decreto que vai fazê-la ser mais nacional ou mais norte-americanizada. Não é desse tipo de proteção que precisamos, precisamos que o português seja ensinado na educação básica para que possamos ter acesso à literatura em língua portuguesa compreendendo as figuras de linguagens, as (des)construções artístico-poético-literárias, além de podermos fazer uma leitura mais intertextual de cada obra ou texto a que temos acesso.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

As palavras que não saem, mas que eu sinto...

Você + eu é a música da Dani de hoje. E está sendo a minha também. Ouço sem parar essa música AQUI.

 Hoje escrevo em homenagem a ela, minha amiga apaixonada, que sofre. Um sofrimento em silêncio, se pensarmos que não é revelado, que não é declarado (para ele), mas que é divulgado muito. Ela grita essa paixão pra todos, menos diretamente pra ele. Ela pede sua presença, seu carinho, seu sexo. Ela implora! Mas ela não diz quem é ele!!! A palavra enrosca na garganta dessa mocinha de novela mexicana. Ela sente tanto, tanta coisa, mas as palavras não saem... Ela não consegue traduzir esse turbilhão de paixão em um diálogo: "eu gosto de você". Não consegue!

Aí ela escreve, ela grita um grito que ecoa, mas que talvez não alcance quem deve... Ou talvez alcance... Será que é dela que as palavras não saem? Ou dele? Dani fala tanto dele, chora por ele, escreve por ele... Será que ele não leu nada nunca? Ou, tendo lido, nunca soube que ele era ele? Ou quer fingir não saber? Por quê? Acabemos com o sofrimento. Simples. Assim. Não, não tão simples, sabemos... Não tão óbvio, diria Holmes a Wattson. rs

Não consigo ajudá-la a solucionar esse caso, mas ao menos penso ser um bom amigo, que ouve e dá (não conselhos, blá) algumas palavras pra tentar acalmar tanto sofrimento, ou, ao menos, tentar fazer tanta paixão doer menos. Porque paixão doi. E a gente sente tanto essa dor que, às vezes, nos faz bem, porque faz com que sintamos que temos sangue correndo nas veias (com o perdão do clichê). Sim, porque ninguém fica olhando pra qualquer parte do corpo em qualquer horário do dia ou da noite pensando "aqui corre sangue, aqui nessas veias que não vejo mas que sei estarem aqui". Oras, só com o sofrimento - ou com tanta alegria - podemos nos dar conta de que temos veias e que nelas corre sangue, porque é nesses momentos que o coração dispara e percebemos o sangue sendo bombeado loucamente, muitas vezes em busca do outro coração. É quase que uma necessidade, que uma utilidade do coração: bombear paixão de um coração a outro; ou, ao menos, buscar o outro coração para onde transferir tanto sentimento!

Voltando à música-tema da Dani hoje, Você + eu, até o "+" lembra de hospital, que lembra de sangue, que lembra de coração, que lembra... Ah, vocês sabem do que estou falando! Falo das palavras que não saem, mas que eu sinto, diria ela...

domingo, 11 de julho de 2010

Eu só queria dizer...

Há maneiras distintas de mostrar que gosto tanto mais de você? Será que há como eu fazer isso sem que eu precise dizer coisas do tipo "eu te adoro", "gosto muito de você"? O carinho? A preocupação constante?

Se eu fico mais chato, é reflexo da intimadade. Posso dizer mais coisas, chamar mais atenção. Olha, não faz isso, não assim...

Que coisa linda eu poder surpreender: de repente, um momento de tanta sensualidade, de tanto amor. Inesperado. Profundamente feliz. Os risos do depois confirmam essa felicidade, atestam essa alegria. As lembranças que hoje eu tenho confirmam que não sonhei: não é possível ter tido um sonho daqueles! Tem que ter sido real. E ponto.

Domingo é dia de preguiça. De convite pro almoço. De tarde na sala. Soneca no quarto. Domingo é dia de dormir feliz, sabendo que o fim de semana foi muito bom.

Não consigo nem dizer tanta coisa mais. Há tanto pra ser. 

Vou viver.

Feliz.

(só pra você saber, eu te adoro)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Uma rapidinha com a Dani...

Dani por ela mesma (via MSN):
-Oi. Tudo bem? 
Tudo e contigo?
-Como está?
Bem.
-Me fala dos seus sonhos, da sua vida.
Quais?
Terapia?
Terapia.
hahaha
Nossa! Sonhos: são tantos que me perco neles diariamente... Eles chegam ser até devaneios... Mas, meu sonho atual é ser dançarina do ventre.
Ter grana pra ir ao cinema toda semana, beber café e ter companhias agradáveis como a sua.
Outro sonho: ter as tardes livres... Queria essa liberdade.
-Quais seus planos?
Planos: fazer mestrado, passar em um concurso e ser um pouco mais livre.
-Quais suas vontades?
Também queria encontrar , sem querer, notas perdidas de 50 reais no meu bolso. Inventar esmaltes que não descasquem.... E comer massa uma vez por semana com pessoas bacanas. Um pouco de chá... Queria mesmo era amá-lo, mas não tenho forças pra isso.... E acho que nem ele.
-Tem algum segredo?
Segredo: hum... Pra você são poucos... Mas, meu maior segredo é o amor por ele. Ninguém sabe... Só você. Também tenho outros segredos: adoro colocar as mãos em potes de grãos, e ouvir mil vezes a mesma música. Também adoro escovar o dente andando... Mas, quase ninguém sabe disso.
Agora o que eu mais gosto de fazer é tomar vinho de madrugada sozinha na solidão do meu quarto....
-Me diga de você.
Eu sou uma pessoa emotiva, ansiosa, boba, chorona e indecisa. Às vezes sou paralisada pra tomar decisões e sempre tenho dúvidas... Sempre... Mesmo quando tenho certeza. 
-Me fala o que pensa. Sem pensar.
Sem pensar agora queria estar tomando um café contigo falando dessas coisas.
-Dá um sorriso e me abraça.
Um sorriso sempre pra você... E te abraçar toda hora.
-Me diz o que sente, do que tem medo.
Meu maior medo é dormir e não acordar. E também de me perder em algum canto e não ter ninguém... Tenho medo também de não ir ninguém no meu velório.



sexta-feira, 2 de julho de 2010

Incerteza...

Sem tempo, o infinito alcança a vida.
Sem lugar, o todo vazio lembra o nada.
O horizonte, lá no fundo, nunca ao alcance de ninguém.
O espaço muitas vezes não se preenche, tudo se confunde
E o todo, de repente, torna-se o nada.
O escuro torna-se claro.
O céu une-se à Terra,
E o mar confunde-se com o horizonte.
Enfim, de tudo, nada sei.
O que me confunde não são as palavras,
São meus pensamentos.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O GOL DE DUNGA

Por Juçara Dutra Vieira*

O recente episódio envolvendo a Rede Globo e o técnico da seleção brasileira, Dunga, levou-me a reler um livro do Pedrinho Guareschi sobre comunicação e poder. Lembro de tê-lo recomendado a meus alunos dos cursos de Letras e de Pedagogia, ainda nos anos 1980. Pedrinho relata que a prodigiosa ascensão do conglomerado está associada ao respaldo financeiro do grupo americano Time-Life, nos anos 1960. O acordo chegou a ser objeto de uma CPI, que concluiu pela sua inconstitucionalidade. No entanto, o presidente Castello Branco, ao invés de cassar a concessão, concedeu noventa dias de prazo para que a emissora regularizasse a situação... “Não houve quem pudesse segurar, desde então, a Vênus Platinada”, diz Guareschi. (1985, p. 47).

A Globo foi fiel à ditadura e só se desapegou da mesma quando o movimento pela Diretas Já ecoava por todo o Brasil, levando estudantes,  intelectuais, sindicalistas, políticos, enfim, parte importante da  sociedade brasileira às ruas, reivindicando a democratização do país. O processo desembocou nas eleições diretas de 1989, com Lula e Collor disputando a presidência. O que fez a Globo? Alavancou a candidatura do  “caçador de marajás”, tripudiou sobre os funcionários públicos e preparou-se para apoiar a privatização do patrimônio brasileiro. Collor não resistiu à crescente politização da sociedade e renunciou para não  ser cassado, mas a Globo teve a satisfação de apoiar o presidente seguinte e seu projeto privatizante.

Contra todo o esforço das elites brasileiras, Lula chegou ao poder. Foi  quase um deboche para os donos da comunicação. William Bonner deu-se ao desplante de puxar as orelhas do candidato em um debate eleitoral promovido pela emissora. A Vênus Platinada estava vingada! Mais tarde, o  apresentador desculpou-se, porém já cumprira seu papel: externar o ressentimento de classe contra o trabalhador brasileiro que ousara tornar um dos seus nada mais nada menos que presidente da república.

O Governo Lula não arriscou ou avaliou que não teria sustentação política para enfrentar a poderosa Globo. Assim, ela teve renovada a concessão que lhe permite expandir e consolidar seu império. Aí, nesse cenário em que reina absoluta, aparece um bronco para dar bronca (com a licença do trocadilho). Logo no ambiente da Copa do Mundo de futebol! Não sei se Dunga tem a dimensão do que fez, ao recusar a entrevista “exclusiva” para a rede Globo. Possivelmente, não tenha as mesmas motivações ideológicas de milhares de brasileiros que o aplaudiram. Não  importa. Pôs as coisas no seu devido lugar. Foi o gol político da Copa.

* Juçara Dutra Vieira é professora, ex-presidente do CPERS e, hoje, faz parte da direção da CNTE e é vice-presidente da Internacional da Educação - órgao vinculado à ONU que representa sindicatos de educadores de 140 países.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Rede Globo de Alienação

Em julho do ano passado morreu a travesti Andrea Albertino, aquela que se envolveu em um escândalo com o jogador Ronaldo (fenômeno?). Fátima Bernardes, no Jornal Nacional, noticiou da seguinte forma a morte da travesti:
"Foi enterrado nesta sexta em Mauá, na Região Metropolitana de São Paulo, o travesti André Luiz Albertini, que se tornou conhecido no ano passado pelo envolvimento numa confusão com o jogador Ronaldo. André Luís morreu na quinta. Na declaração de óbito, no espaço reservado para a causa da morte, está escrito: neuro toxiplamose síndrome imunodeficiência adquirida." 
Eu, que quase nunca vejo TV, bem naquele dia vi o JN. Fiquei inconformado (embora não pudesse esperar outra coisa) com o modo como se noticiou aquilo. Releiam e vejam se isso está claro para todos, especialmente a última frase. Bom, fui meio bocudo e mandei um e-mail para o site da Globo.
"Gostaria de dizer que acho extremamente desrespeitoso um jornal que atinge a massa fazer o que a Fátima fez. Ao falar sobre as causas da morte do travesti, ela disse 'Na declaração de óbito, no espaço reservado para a causa da morte, está escrito: neuro toxiplamose síndrome imunodeficiência adquirida.'. Na minha opinião, ela deveria ter 'traduzido' a informação para a massa, dizendo algo como 'Segundo informações contidas na declaração de óbito, o travesti morreu devido a complicações da AIDS etc...'. Por que isso não ocorreu? Vocês acreditam mesmo que a massa saiba que síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA) seja a tradução de AIDS? A resposta é não, e é por isso que vocês colocaram a matéria no ar dessa forma, para causar certa alienação. Afinal, acabara de ser dito, então, que o travesti tinha ficado famoso por se envolver em uma confusão com o Ronaldo (ah, o Ronaldo!) e não 'ficaria bem' para a imagem do jogador milionário se seu nome fosse ligado à morte de um travesti com quem se envolveu e que morreu com AIDS. Onde está o compromisso com a verdade? Essa é a questão: esse compromisso não existe em um espaço como o de vocês. Só queria que vocês soubessem que eu não faço parte da massa que vocês alienam!"
 Era óbvio que isso não mudaria nada - como não mudou. Mas, pelo menos, eu me expressei, porque não suportei ver aquilo e me calar. E agora compartilho a tradução da minha indignação com vocês.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Na Internet, Dunga ganha apoio contra a Globo

Jornalistas relatam que briga entre Dunga e Rede Globo deveu-se ao fato do treinador da seleção brasileira vetar o privilégio da concessão de entrevistas exclusivas de jogadores para a Globo. Entrevistas teriam sido negociadas pela Globo com presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Dunga não gostou e vetou. Repercussão do episódio indica que a maioria dos internautas está com Dunga e contra a Globo. Cresce no twitter campanha de boicote à Globo na transmissão de Brasil e Portugal na próxima sexta-feira. Marco Aurélio Weissheimer

O jornalista Bob Fernandes relata, em matéria publicada no Terra, as causas da briga do técnico da seleção brasileira de futebol contra a rede Globo. Segundo esse relato, Dunga não aceitou dar à Globo acesso privilegiado a jogadores da seleção. Bob Fernandes conta o que presenciou logo após o jogo do Brasil contra a Costa do Marfim: 
Soccer City, caminho entre o estádio e as tendas da FIFA que abrigam o Centro de Mídia. Galvão Bueno, Arnaldo Cezar Coelho e o diretor da Central Globo de Esportes, Luiz Fernando Lima conversam, não escondem a irritação e nem se preocupam com quem passa ao lado e ouve. O alvo é o técnico da seleção brasileira, Dunga. Minutos antes, na coletiva pós Brasil x Costa do Marfim o técnico, numa dividida bem a seu estilo, deu na canela do comentarista Alex Escobar, da Globo. 
Luiz Fernando Lima lembra as conversas recentes da emissora com Dunga, já na África do Sul: 
- Falamos com ele duas vezes e ele não consegue entender que não é "a Globo", ele está falando para todo o país... 
Seguem as observações do grupo, sempre ferinas. Um deles chega a dizer: - ...e a única coisa que eu acho que ele aprendeu em quatro anos foi falar 'conosco' e não mais 'com nós' como sempre fez... 
A Globo reagiu com um texto em tom de editorial, cujo conteúdo acabou sendo reproduzido e apoiado pela maioria dos jornalistas e empresas de comunicação que cobrem a Copa. Outro jornalista, Maurício Stycer, afirma, no portal UOL, que as entrevistas foram negociadas diretamente pela Globo com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. Dunga não gostou e vetou. 
Aparentemente, os jornalistas de outras empresas consideram uma grosseria maior o fato de Dunga reagir contra esse tipo de privilégio a uma empresa do que a concessão do privilégio em si mesma. Mas, segundo a repercussão do episódio na internet indica que a maioria dos internautas está com Dunga e contra a Globo. 
Uma enquete do Terra perguntava na manhã desta terça: você está com Dunga, com a Globo ou contra os dois? Com 163 votos, apenas 3,68% (6 votos) apoiavam a Globo. Dunga tinha 71,78% (117 votos) de apoio e a opção “contra os dois”, 24,54% (40 votos). Ontem, os comentários de leitores no site de O Globo também indicavam amplo apoio a Dunga. 
Nas seções de comentários, leitores começaram a espalhar a idéia de um boicote nacional à TV Globo na sexta-feira, data do próximo jogo do Brasil. A julgar pelo resultado do movimento desencadeado no twitter contra o locutor Galvão Bueno, a Globo pode estar entrando em rota de colisão não apenas com o temperamento de Dunga, mas com milhões de brasileiros e brasileiras. 
Um outro forte indicador disso foi que, na madrugada desta terça-feira, cresceu no twitter o chamado para um #diasemglobo, que estimula as pessoas a verem o jogo entre Brasil e Portugal, sexta-feira, em qualquer outra emissora que não a Globo. Um pedido, aliás, não muito difícil de atender, dada a crescente antipatia do locutor Galvão Bueno.
Fonte: Carta Maior Site: 
***
Valeu, Dani, pela dica do texto! 

sábado, 12 de junho de 2010

Celebrando o amor...

Caminho

E pela chuva segue sozinho...
Sempre pensando... falta carinho
E pela vida segue chamando...
Sempre alguém...amando.
E pelo caminho segue chorando...
Sempre sozinho...nunca encontrando.
E pelos momentos segue implorando...
Sempre caindo...amor vem chegando?
E pelas cicatrizes vê  seu passado...
Sempre lembrando... marcas... parado.
E pelos ventos vem dizendo...
Sempre triste... vem morrendo.
E por um bom coração reencontra
O sentido, a razão,
O dom da paixão.
Um amor, de verdade.

**
Um feliz dia d@s namorad@s para tod@s. Especialmente para a minha amiga Dani e para a minha irmã Carol: estou na torcida por vocês duas. Não me contenho de tanta felicidade: presenteei meu amor. Foi tão lindo ver seu rosto, sua expressão de surpresa, aquela coisa de "nossa, não acredito que você fez isso!". Me senti tão realizado. Estou vivendo uma plenitude de sentimentos bons. Paixão. Amor. Carinho. Amorzinho, te adoro tanto.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Traduzido em palavras

Essa não é mais uma carta de amor. São pensamentos soltos traduzidos em palavras. Eu queria mesmo conseguir traduzir tudo o que se passa comigo. Tudo o que eu sinto. Tudo o que eu vejo. Tudo o que eu penso. Mas tudo é muita coisa: é TUDO. Então eu passaria mais 25 anos tentando traduzir esses meus últimos 25, porque, de alguma forma, o que eu sou é o resultado de uma vida toda, de uma vivência que me permitiu chegar ao ponto de sentir o que sinto hoje da forma como o sinto. Nesse caso, acho que seria mais prudente tentar traduzir um trecho de mim mesmo. Como num exercício de aula de tradução: diante de um longo texto, @ professor@ seleciona um trecho para exercício em aula.

Obviamente, ao querer falar dos meus sentimentos, meu recorte seria do momento atual, não de coisas passadas e superadas (ou não! rs).

Estar com alguém sem esperar nada em troca. Receber carinho. Dar amor. Toda manhã ouvir aquela voz de sono desejando um ótimo dia...

Ter atenção, grudar na conversa sem perceber o tempo passar.

Risos, abraços, falar tonteiras, discutir assuntos sérios.

Falar da vida, dos planos, da pós-graduação, da família.

Discutir ideologia, estilos de vida, religião (com cuidado! rs).

Marcar um café, uma pizza, um almoço...

Amar não é ter que ter sempre certeza. É aceitar que ninguem é perfeito pra ninguém. É poder ser você mesmo e não precisar fingir. Não me preocupo com os defeitos, porque uma hora vou conhecê-los. O que eu quero saber é das qualidades, essas sim raras de serem reconhecidas.

Sei que nunca fui perfeito, mas por você eu posso ser até eu mesmo que você vai entender. É tão bom poder ser eu mesmo, me mostrar nu - metaforicamente falando -, estar despido de cerimônias sociais. Isso é aceitação. Recíproca. Naturalidade.

É bom poder contar meus pesadelos e até minhas coisas fúteis, porque eu não sou só seriedade. Sou fútil também. Não sou fã de Big Brother, mas a Helenita, doutora em Linguística, disse que também pode ser fútil, porque não é apenas um título. O título de doutora faz parte de quem ela é, mas ela não se resume apenas a um título.

Há momentos que pedem isso ou aquilo, e eu estou podendo ser tudo isso. Flutuante. Maleável. É como uma redescoberta de mim mesmo. Porque com os amigos as coisas ocorrem de uma forma. Num namoro, de outra. É difícil aprender a ter liberdade. Estar e a deixar à vontade é uma maravilha.

Se isso não é amor, o que mais pode ser? Tô aprendendo também. Eternamente. Infinitamente. Todo dia. Esse é o trecho que mostro de mim hoje.

**
Nota do Tradutor: Dani, minha amiga e blogueira escreveu um post bem tenso, polêmico. Infelizmente, uma pessoa se manisfestou de um modo grosseiro, com xingamentos. Eu repudio esse tipo de atitude. Qualquer pessoa pode comentar no blog da Dani, a favor ou contra, mas pra que xingar? Depois eu farei um post sobre isso. Te amo, Dani.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O que é conhecer alguém?

Conhecer (Houaiss)

1- perceber e incorporar à memória (algo); ficar sabendo; adquirir informações sobre (algo); ver
2- tomar ou ter consciência de
3- ser apresentado a (alguém); fazer conhecimento com
4- ver, visitar
5- anter relações pessoais mais ou menos estreitas com
6- estar familiarizado com; saber, dominar
7- sentir como sendo familiar; reconhecer
8- ter informação reduzida, superficial sobre (alguém ou algo); saber de quem ou de que se trata
9- apreender certa e claramente com a mente ou os sentidos; ter cognição direta de; perceber
10- ter uma idéia bastante exata (de algo, de si mesmo ou de outrem)
11- experimentar, sofrer, passar por
12- dar-se conta de, ficar sabendo; verificar
13- fazer o reconhecimento de
14- estar informado da existência de alguém ou de algo
15- ter indícios de; prever, adivinhar, saber
16- aceitar, acolher, admitir
17- aceitar (a autoridade de alguém ou algo); obedecer, sujeitar-se, reconhecer
18- admitir como certo, verdadeiro; reconhecer
19- reconhecer, identificar
20- aquilatar, avaliar, calcular
21- ter relações sexuais com; copular
22- tomar conhecimento de

Etimologia: aprender a conhecer, procurar saber, tomar conhecimento de, reconhecer.

Sinônimos: apreender, aprender, conscientizar-se, copular, dominar, entender, estudar, experimentar, familiarizar-se, identificar, informar-se, passar, reconhecer, relacionar-se, saber, ver, vivenciar, viver

O que é conhecer alguém?

Aceitar: Aceitação do que é diferente. Do outro. Reconhecer que o outro não é você. Aceitar isso.

Aprender a conhecer. Gosto dessa palavra "aprender". É estar aberto ao novo, é poder tomar consciência de, mudar sua visão de mundo, expandir as possibilidades.

Procurar saber. Ir atrás de informações. Questionar. Me fale de você, da sua vida. O que você gosta de comer? Qual sua cor favorita? Aonde gosta de ir? Gosta de cinema?

Tomar conhecimento de. Ouvir. Receber o outro, o diferente. Saber pela própria vontade do outro de falar sobre si.

Reconhecer. Os gostos. A vida que leva. Os costumes. Uma percepção.


Perceber (Houaiss)

1- adquirir conhecimento de (algo) por meio dos sentidos
2-
ver, enxergar com bastante nitidez, distintamente
3- ouvir com clareza
4- captar (algo) com a inteligência; formar idéia a respeito de; compreender
5-
notar, descobrir, conhecer por intuição ou perspicácia psicológica

Etimologia: perceber, observar, conhecer por meio dos sentidos.

Perceber é conhecer por meio dos sentidos, mas não apenas deles. É também compreender, descobrir, captar com inteligência.

É tão bom conhecer o cheiro de alguém, o cheiro depois do banho, o cheiro da pele, apenas. Os perfumes, o cheiro do apetite (sexual).

É tão bom ver como se comporta, como ficam as mãos quando estamos conversando, como sorri, como muda a expressão do rosto em cada conversa.

É tão bom conhecer a voz de alguém. Aprender a ouvir o que está dizendo, mas saber perceber também o que quer dizer com aquilo (que não está dito).

É tão bom sentir o gosto de alguém. Provar com a língua a pele do rosto. Da boca. Da barriga...

É tão bom aprender a tocar alguém. Saber onde arrepia. Onde faz cócegas. Onde não se deve tocar (só tocando pra saber isso). Sentir a temperatura da pele. Quente. Fria. Esquentando...

É tão bom quando acontece isso tudo, às vezes ao mesmo tempo, às vezes em partes.

É tão bom pensar em alguém e nesse momento receber uma ligação, ou uma mensagem de texto no celular. Porque não é algo que eu sinto. Apenas acontece quando eu preciso...

**
Nota do Tradutor (N.T): Para oficializar o ramance na quarta, um vinho Lambrusco, uma tábua de queijos, cerejas, amor, carinho e romantismo.
Para quem quisesse ver ontem, um cinema e um jantar no shopping.
Para quem quiser saber, estou apaixonado...

terça-feira, 1 de junho de 2010

O que faz meu coração feliz?

Estar com alguém que me faça sentir segurança. Um abraço apertado, um beijo que me traga esperança de felicidade, de completude.

Ter um trabalho, uma família, amigos... Isso é necessário, e com isso bem consolidado, fica um espaço - grande e importante - a ser preenchido: estar com aquele alguém que eu sempre quis não é estar com alguém perfeito - mesmo porque isso não deve existir - mas é estar com alguém que me faz bem, que me faz sentir o melhor que posso ser quando estou junto desse alguém.

A paixão é tão bonita. Em qualquer idade. Ela faz a gente parecer adolescente sempre. Dando selinhos seguidos e rapidamente. Ir ao café e entrelaçar as pernas sob a mesa. Segurar na mão. Olhar nos olhos e ver o brilho da felicidade. Mandar beijinho. Piscar os dois olhos.

Um pedido de namoro. Parece algo simples de dizer, de pedir. Namoro! Namorar... Amar... Mas não é tão simples, é assumir um compromisso. Com outra pessoa. Comigo mesmo. É ter aquilo que eu procuro. É aquilo que eu quero. E vou ter. É o que vou viver de hoje em diante. Sem relembrar o passado. O sofrimento. É começar do zero mesmo. Partir para o novo. A partir de agora. A experiência ajuda. Os traumas, não.

É essa intensidade. Essa vivência. Esse sentir-me vivo. Isso que faz o meu coração feliz.

SIM! Eu aceito esse namoro.

***
Notas do Tradutor (N.T.): 1-Dani, amiga minha, acompanhar sua vida e compartilhar com vc a minha é quase como que fazer terapia. Enxergar o mundo à minha volta. Refletir. Compartilhar com vc toda essa intensidade, essa expectativa, esse sentimentalismo (não o barato, mas essa porção de sentimentos), esse excesso de amor, esse transbordar de emoção - o compartilhamento que fazemos das nossas vivências. Isso tudo é importante.
2- Ao meu amigo Anderson dedico este post, pelo incentivo que tem me dado, pelo tempo dedicado a me ouvir e pela sempre paciência de tentar me ajudar a entender o que é o amor nesse mar de futilidades em que vivemos.

sábado, 29 de maio de 2010

Dúvidas...

Com uma estranha clareza

Sinto a vida passando.

E com uma clara estranheza

Passo a vida sentindo.


Passo pelos caminhos,

Passo pelas pessoas.

Sinto a vida

E tudo mudando.


Sentimentos de alegria, tristeza,

Dúvidas, incerteza.

O certo é errado.

E tudo parado.

O nada fechado.

E tudo calado.


****

Ai, dá uma preguicinha de escrever, que resolvi postar uma poesia.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Um pouco de política

O Brasil no mundo

O Brasil vem protagonizando um evento importante no mundo atualmente: tem sido um agente de negociação pacífica, defendendo a soberania do Irã, tendo articulado, juntamente com a Turquia, um acordo em que o Irã afirma a finalidade pacífica do enriquecimento de urânio a 20%.

Os Estados Unidos, entretanto, não concordam: querem continuar sendo os supremos donos do mundo. Tem medo de que se produza uma bomba atômica em outro país.

Por que esses complexados sobrinhos do Tio Sam são tão neuróticos? Por que esse medo iminente de serem atacados?

Acho que os EUA querem uma nova guerra. Querem uma guerra para venderem produtos bélicos e se reerguerem, como o fizeram na 2ª Guerra Mundial. A crise alastrada a partir de 2008 colocou em xeque a capacidade administrativa do governo dos EUA. Obama ganhou as eleições com a promessa da mudança, mas ele não representa o novo.

Polivocidade reproduziu hoje um texto de Leonardo Boff, que diz:

"A diplomacia de Lula se contrapõe diretamente àquela do Conselho de Segurança e a de Barack Obama. A de Lula olha para frente e se adequa ao novo. A de Barack Obama olha para traz e quer reproduzir o velho. O paradigma velho supõe que haja uma nação hegemônica e imperial, no caso o USA. Esta se rege pelo paradigma do inimigo [...]

Políticas inspiradas nesse paradigma ultrapassado podem levar a cenários dramáticos com o sério risco de destruir o projeto planetário humano. Esse paradigma é belicista, reducionista e míope pois não percebe as mudanças históricas que estão ocorrendo na linha da fase planetária da história que exige estratégias de cooperação visando proteger a Terra e cuidar da vida.
[...]
Lula, em sua fina percepção pelo novo, agiu coerentemente: não se pode isolar e castigar o Irã. Importa trazê-lo à mesa de negociação, com confiança e sem preconceitos. Essa atitude de respeito trará bons frutos. E é a única sensata nesta nova fase da história humana. Lula aponta e inaugura o futuro da nova diplomacia, a única que nos garantirá a paz."
A promessa de se fazer um governo mais pragmático, de usar mais o soft power, o diálogo, não parece estar se concretizando nos EUA. O que a sra. Hillary Clinton tem a dizer sobre isso? Ela diz que não acredita no acordo entre Irã, Brasil e Turquia. Acha que tem falhas, lacunas nesse documento. Parece bem verdade que vão querer questionar e derrubar cada vírgula do acordo. Estão querendo começar uma guerra. E vão tentar desconstruir esse documento do acordo para isso. Vão invalidar as intenções, porque eles vem o mau em tudo. Os americanos estão endemoniados - ou estão achando que o resto do mundo é que está.

A crise mundial


O Brasil, ao que me parece, seguiu o caminho oposto: enquanto os EUA e a Europa estavam quebrando - enquanto os países ditos de primeiro mundo, ricos e potentes estavam quebrando - o Brasil estava pronto para encarar a batalha. O nosso governo, com um jeitinho (não um jeitinho de QI, não pejorativo) conseguiu manter-se firme, mostrando a força de nossa economia. Impostos baixos, incentivo ao consumo e condições de compra fizeram com que o povo colocasse a mão no bolso e consumisse. Ao assumir compromissos com prestações e financiamentos, mantivemos a indústria funcionando, produzindo, abastecendo o comércio e fazendo com que o ciclo de produção e consumo não parasse.

Está claro, nesse ponto, que o Brasil não apenas não quebrou como os riquinhos do norte, como vem conquistando cada vez mais importância no cenário mundial: economicamente, politicamente, socialmente. Não quero negar as inúmeras dificuldades que muitos brasileiros e brasileiras enfrentam diariamente. Os problemas estão aí e são um desafio para os governantes: prefeitos, governadores e presidente. São um desafio para os legisladores: vereadores, deputados e senadores. E são um desafio para o judiciário, que deve equilibrar a balança, que deve fazer valer a justiça onde os legisladores não mudam a lei, ou onde os governantes não executam o acesso de todos ao necessário para viver.

O que eu tenho a ver com isso?

Por que nos vemos tão envolvidos em discussões diariamente no ambiente de trabalho, na escola, na faculdade, em casa, na roda de amigos no bar, mas não vemos a mudança ocorrendo no nosso cotidiano? Em primeiro lugar, qualquer mudança na legislação tem que passar pelo legislativo. Na nossa cidade, os vereadores é quem criam as leis. Ou por iniciativa de algum vereador, ou por iniciativa do executivo. Mas quem leva as necessidades a serem supridas pela população para votação? Ou a sociedade se organiza e solicita mudanças junto aos vereadores, ou, caso o poder legislativo local não se mobilize e não procure as reais necessidades locais, a cidade cairá no esquecimento, ficará obsoleta em legislação e em ação social etc.

Por outro lado, parece faltar vontade de alguns legisladores de estarem próximos à população. Alguns parecem que se fecham e se acham donos de tudo, enquanto que na verdade são representantes do povo, foram eleitos e investidos de poder para decidir em nome da população, não em nome de seu grupo de amigos, da igreja ou de qualquer minoria que seja. A lei tem que ser para todos. Se devemos respeitar o próximo, é porque queremos ser respeitados também. Se quero ter a liberdade de ir e vir, tenho que respeitar o espaço do outro de ir e vir.

***
Acho que não quero mais escrever por ora. Comecei falando de relações internacionais e terminei falando dos direitos individuais. Esse texto mais parece uma pirâmide. Do mais abrangente para o mais individual. Sei lá. É o que tem pra hoje! rs

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Uma poesia minha

Arrependido...


Agora penso em tudo que perdi,


Nos beijos que não pedi

E no amor que não vivi.

Agora vejo o quanto seria feliz

Se estivesse ao teu lado

E o quão seria bom

O nosso amor de namorado.

Agora acho que é tarde

Pra te reconquistar

E tentar nos amar

Num amor de verdade.

Mas acho que foi bom

Eu dar tua liberdade

Para agora eu dizer

Que estou com saudade.


*****

Parei pra pensar. Há quanto tempo não fico com alguém? Não muito... E um namoro? Aí é outra história.
É tão fácil arrumar alguém pra ficar, pra curtir um momento, mas somando todos esses momentos, o que eu construo? Nada tão concreto. Viver esses momentos de prazer, essas horas de curtição, isso é legal. Mas não dura mais que o tempo daquele momento. Não cria intimidade essa rapidez. O conhecer é pulado. O conversar é o de menos.
E eu estou tão embriagado por essa efemeridade sexual que me esqueço do principal: amar. Porque o amor não acontece no primeiro encontro. Nem no segundo. O sentimento vai acontecer no encontro que persistir. É tão bom conquistar, conhecer, surpreender... E eu acho que não estou conseguindo me conduzir no caminho que eu mesmo busco: o do amor. Fiquei tão envaidecido, tão imerso nas pulsões sexuais, que me esqueci que nem todo mundo se comporta desse jeito. Ainda há pessoas que procuram mais do que um encontro sexual. É estranho admitir isso, mas eu sempre procurei um amor. Ao mesmo tempo, sempre me entreguei a esses encontros casuais na falto do amor. Alguém explica?
Talvez Freud diria que todos nós devemos colocar nossas energias em algo, em alguma busca. Já disse no post que falei da Dani que "
Para Freud, o desejo é um movimento do psiquismo que tenta reconstruir as primeiras cenas da satisfação das necessidades básicas: troca de fralda, mamar etc. O desejo está relacionado ao traço dessas memórias. Ao longo da vida, sempre buscamos trazer de volta essa cena de conforto, de satisfação inicial, de prazer - no sentido de liberação de tensão".
De algum modo, eu procuro liberar minha tensão na busca do amor mas, na sua falta, eu me entrego ao casual. Não acho que esteja errado, só queria essa plenitude de outra forma. Do mesmo modo como eu já estive um dia: cheio de amor.


quinta-feira, 20 de maio de 2010

Ana Carolina - Ruas de outono

Nas ruas de outono
Os meus passos vão ficar
E todo abandono que eu sentia vai passar
As folhas pelo chão
Que um dia o vento vai levar
Meus olhos só verão que tudo poderá mudar

Eu voltei por entre as flores da estrada
Pra dizer que sem você não há mais nada
Quero ter você bem mais que perto
Com você eu sinto o céu aberto

Daria pra escrever um livro
Se eu fosse contar
Tudo que passei antes de te encontrar
Pego sua mão e peço pra me escutar
Seu olhar me diz que você quer me acompanhar


Ana Carolina me traduz.

Ou não.

Explico: se eu estou num amoreco lindo, essa música Ruas de outono me traduz; mas se estou solo, não.

É tão bom quando a gente fica bobo, apaixonado...

Pena que não dura muito...

Minhas paixões são rápidas e doloridas. Sempre me doem o coração e a bunda. Por levar o pé. Fazer o quê?

Essa música da Ana me marcou, a ouvi certa vez num momento de declaração de amor, com direito a lágrimas, promessas, aquele abraço apertado e gostoso. Com aquele cheirinho de amor...

Agora, me restam as lembranças daquele momento que foi mais um na incessamente busca minha.

Tem uma versão que a Ana cantou com a Zizi Possi essa música. Essa versão que estou ouvindo agora. Linda. Ah...

***Link para o vídeo da Ana com a Zizi

Robin Hood

Para quem gosta de discussões políticas, o novo filme sobre Robin Hood tem um belo exemplo da tirania e da tentativa de se instalar uma democracia - ou algo que dela se aproxime.

A história se passa na Inglaterra do século XII d.C. Após a morte do rei Ricardo, o príncipe João assume o trono. Jovem e descompromissado, João se deixa enganar por um espião, Godfrey, que tenta instaurar uma guerra civil na Inglaterra, permitindo a invasão francesa. Ele assume o papel de tesoureiro e junta cerca de 200 franceses para cobrarem impostos em nome da coroa inglesa, mas na verdade estão roubando. Isso causa uma revolta popular e, quando o rei João descobre o golpe, tenta evitar que os nobres do norte entrem em conflito com a coroa real. Nesse momento, Robin Longstride (Robin Hood) propõe que cada um seja dono de seu próprio castelo (sua casa, sua terra), uma vez que o rei pede fidelidade e cumplicidade para derrotar os franceses, mas não oferece nada em troca para o povo. O rei aceita, compromete-se a assinar um documento após conseguirem derrotar as tropas francesas que estão invadindo a Inglaterra. Assim, João consegue unir o povo inglês para lutar contra a França com a promessa da liberdade.

O que vem depois da batalha, entretanto, não é a promessa cumprida: o rei nega que tenha prometido algo e diz que o povo deve ser obediente à coroa.
O interessante nisso é observarmos como o povo quer ser livre, em mudar a forma de governo, enquanto o tirano quer se manter no poder.

Nesse ponto, posso citar Heródoto, historiador grego que viveu no século V a.C. Foi com ele que a democracia foi pensada pela primeira vez, havendo um debate sobre qual seria a melhor forma de governo na Pérsia, se a monarquia (tirania), o governo do povo (democracia), ou a oligarquia (poucos governantes). Otanes defendeu a democracia, dizendo que na monarquia apenas uma pessoa tem o poder sobre todas as demais, fazendo o que quer e não prestando contas a ninguém. Já na democracia, o governo seria do povo, da lei: o povo faz a lei e a obedece, estabelecendo um mundo da igualdade, um mundo em que todos são igualmente submetidos à lei.

Já Tucídides, outro historiador grego, fala que a democracia ateniense servia de modelo para outras, sendo a questão da liberdade em Antenas fundamental. A utilidade da vida pública obrigava as pessoas a se informarem. Aqueles que só se preocupavam com seus interesses privados não precisavam se informar, pois não haviam nada para discutir, eram inúteis nesse aspecto político.

Os atenienses acreditavam não existir justiça privada: quem participava da vida pública ajudava a construir a justiça pública.

Eu só falei um pouco do filme, de uma parte bem específica para mostrar a discussão política. Eu gostei muito do filme e o indico. Russell Crowe e Cate Blanchett estão brilhantes, como sempre.

terça-feira, 18 de maio de 2010

A arrumação da Dani

Eu ia colocar isso que vem agora como Post-Scriptum, mas um PS, como o próprio nome sugere, seria uma nota no fim do texto. Como vou falar da Dani, acho que devo apresentá-la primeiro, não só para saberem quem é ela, mas pela sua importância, que não se resume a um PS: Foi essa mocinha de novela mexicana, a Daniela Paula, quem me incentivou a escrever um blog. A ela todo meu amor, meu carinho. Obrigado pelo incentivo. Você inspira a minha expressão. Nossas conversas diárias me fazem bem. Adoro compartilhar meus momentos contigo. Bjokas

Minha amiga Daniela postou o texto "Dia da faxina..." no blog dela. Eu comentei, mas acho que meu comentário ficou um pouco grande e o Alex, amigo dela, disse que mais parece um post rs. Nesse post, ela falou sobre a arrumação que fez no quarto, sobre a faxina, sobre as lembranças que essa limpeza despertou.

Ela começa o texto assim:

"Estranho! Mas, hoje acordei com uma necessidade exagerada de arrumação. Eita! Será preciso terapia? rs Explicando o acontecido: É que para a pessoa aqui por trás das letras isto é um acontecimento raro, o qual necessita de comemoração. rs"
Arrumação é sempre muito doloroso para mim, visto que o meu coração é uma bagunça, sempre perdido. O quarto tava tão bagunçado tal como meu coração, q inevitavelmente veio a comparação a me assombrar..."


Acho que posso me dar a liberdade de publicar meu comentário aqui, como meu post rs:

Minha linda amiga Daniela Paula, mocinha de novela mexicana: Você já está se analisando ao fazer a faxina que acordou com vc. Essa necessidade de arrumação surgiu, brotou, e vc regou essa plantinha para que ela crescesse. Vc deu vida a algo q pedia passagem: arrumar as velharias, o quarto, as lembranças... Arrumar um pedacinho da vida. Um pedaço importante, pq é seu quarto, é seu esconderijo, é onde vc se encontra...
Talvez a coragem de voltar ao blog já tenha inaugurado essa arrumação. Talvez a coragem de se remeter a um "você" e não mais a um "ele" seja um segundo sintoma da arrumação. Agora você arruma seu quarto, literalmente. Mas essa arrumação é literal no sentido de colocar ordem no caos, de tirar a poeira, tanto quanto no sentido de ter uma atitude de revisar o passado, o que está parado e dar um novo rumo na vida.
Para Freud, o desejo é um movimento do psiquismo que tenta reconstruir as primeiras cenas da satisfação das necessidades básicas: troca de fralda, mamar etc. O desejo está relacionado ao traço dessas memórias. Ao longo da vida, sempre buscamos trazer de volta essa cena de conforto, de satisfação inicial, de prazer - no sentido de liberação de tensão.
Assim, hj vc quer "ele". Mas e depois? Vai estar td resolvido na sua vida? Não, pq sua busca do desejo é pra sempre, sempre vai procurar aquela cena do conforto inicial. Satisfeita com esse objeto, passará a investir em outro, porque a busca pela pulsão original é constante. É pulsão de vida. Essa busca pelo objeto é que te faz se mover.
O dia em que você não buscar mais nada será o dia da sua morte. Não te restará mais amor, mais paixão, mais vontade de falar com "ele". Esse dia, sua pulsão será de morte.
E essa eu não quero presenciar. Não agora, amiga apaixonada.

****

Bom, é isso. Acho que tentei traduzir aquele momento da Dani. Não sei se consegui. Ou se só falei bobagem, mas tem bobagem que é bom falar. Apenas refleti. Na verdade eu estava influenciado pela psicanálise e pela filosofia da diferença, já que passei aquele dia todo estudando isso rs.

domingo, 16 de maio de 2010

Olhar de criança

Foram-se os tempos em que éramos inocentes. Aqueles tempos em que brincávamos sem malícia, que ríamos e chorávamos, nos emocionávamos. Éramos verdadeiros e sensíveis.

Foram-se os tempos em que não pensávamos no futuro, apenas brincávamos e vivíamos o presente. Sonhávamos em ser doutores, sem pensar nas dificuldades da vida. Apenas sonhávamos.

Foram-se aqueles dias remotos, longínquos, sem volta. Sobra-nos apenas a lembrança de uma época sem corrupção, sem preocupação, só amor.

Agora, vivemos de preocupações, pensando no que vamos fazer amanhã e quase não nos lembramos do tempo em que éramos crianças.

Deixamos de ser puros e entramos no mundo de “gente grande”. Temos que ser espertos, não podemos brincar, rir, chorar de emoção. Choramos sim, de desilusão pela vida.

Passamos a entender a miséria e a fome. Choramos pelos drogados, pelos bêbados, pelos loucos, que não têm culpa de o mundo ser como é, de os excluir. Choramos porque somos seres humanos e adultos, não somos mais crianças. Vemos e entendemos o mundo. Fazemos parte dele e temos consciência disso. Sabemos, mas fingimos que não, que também fazemos parte dos culpados, porque quantas vezes pudemos ajudar e nos negamos. Negamos por preguiça, por medo, por desilusão, por vergonha. Mas quando precisamos de ajuda, pedimos e reclamamos sua falta. Somos hipócritas.

Então, olhando uma criança, vi seu sorriso e sua expressão, e pensei quão pequenos são os meus problemas perto dos problemas do mundo todo, dos miseráveis, dos bêbados, dos drogados, dos loucos. Olhando uma criança vi tudo isso, porque a vi e ao mesmo tempo vi o mundo e vi como tudo muda quando crescemos e deixamos de pensar que, embora adultos, ainda somos seres humanos.

PS: este texto foi escrito em 2002

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