segunda-feira, 21 de março de 2011

Devaneio de uma noite de outono

Eu estava entorpecido naquela noite gelada. Não era um torpor pelo frio, menos ainda pelas drogas que eu não uso, era reflexo de uma vida toda. Eu estava paralisado, tranquilizado. Acho que eu sonhava naquele momento, porque parecia tudo incrível. Eu estava deitado no colchão, sendo velado, observado quietamente. A conversa parecia distante, longe lá no fundo. Me lembro dos rostos, dos sorrisos nossos. Ficamos conversando, conversando... O tempo não era mais um tigre, era uma estátua no jardim. Fazia Tic e custava a vir o Tac, longamente, para meu prazer e para a manutenção dessa foto que trago na memória. Ficamos juntos tanto tempo, com abraços, beijos - era muito carinho, coisa de cinema! Era uma cena rara: deitados no colchão, eu sendo observado e ouvindo: como você é lindo... Acho que sonhava acordado, um devaneio. Fecho os olhos e revejo aquele momento todo de torpor, de amor, do calor que me aqueceu naquela noite fria...

Trilha sonora: Wish you were here, da Avril Lavigne

sexta-feira, 18 de março de 2011

Histórias pra contar

Há algum mistério nesse olhar. No movimento desses cabelos com o vento. Há algo a descobrir em você. Ou você se esconde, ou resiste... Há uma certa firmeza nos seus riscos, nos seus traços há uma exatidão. Para uma descrição, narração de uma emoção. Há algum mistério nesse olhar, um amor pra conquistar, um abraço pra apertar. Há medo nesse olhar, ou apenas uma incerteza (daquelas que todos nós podemos ter quando acordamos e pensamos: será?) relutante que te faz expressar esse ar de mistério? Há um carinho nessa mão, que traça firme sobre a folha em branco: um toque de amor, de aconchego. Há uma força nesses braços que envolvem: a força da paz, como se oferecesse uma bênção - ou como se a pedisse. Quando abertos, esses braços parecem enormes, mas ao abraçar, fechando-se, ficam pequenos porque juntam os dois corpos num só instante, numa só luz, o mais apertado possível, inseparável e indizível. Há uma suavidade na sua voz, um doce que fala da vida, do dia: 'o bom na vida é ter histórias pra contar'. Quero recomeçar a minha história, quer ser protagonista comigo? A gente pode desvendar esses mistérios juntos, descobrir novas histórias pra contar. A gente pode escrever um livro. Com gravuras, figuras, desenhos. Pintados, em preto e branco, riscados. A gente pode escrever uma história de duas pessoas, ou duas histórias que uma hora se encontram, num daqueles capítulos que lemos ansiosamente esperando o resolver de tudo. Queria descobrir o mistério desse olhar e viver esse capítulo ansioso pra sempre, sem chegar ao fim do livro, a não ser com final feliz.

terça-feira, 15 de março de 2011

EUA e as experiências desumanas

Traduzo abaixo um texto que li hoje no site do jornal espanhol El País e que me deixou muito inconformado com a brutalidade com que os EUA tratam pessoas, ainda que sejam presos por terem cometido algum crime e, pior ainda, se forem pacientes com problemas mentais ou órfãos. É a barbárie - sim, os EUA não governam pessoas, o Governo americano é ele mesmo o bárbaro. Eles governam dinheiro e poder. Deveriam, por isso mesmo, chamar-se Estados Unidos dos Bárbaros.
Segue o texto:

Apresentada uma demanda contra os EUA por experimentos com sífilis na Guatemala

Tradução: William César Ramos Lima
Fonte: El País

Cerca de 700 prisioneiros, soldados, pacientes mentais e órfãos procuram uma compensação financeira pelos problemas de saúde desenvolvidos pela doença

EFE - Washington - 14/03/2011

Centenas de guatemaltecos submetidos a experimentos com sífilis pelos Estados Unidos na Guatemala na década de quarenta do século passado apresentaram hoje uma demanda em Washington contra o Governo à procura de indenização. A ação coletiva, segundo o escritório de advocacia Parker, Waichman e Alonso que os representa, procura uma compensação financeira pelos problemas de saúde desenvolvidos por cerca de 700 prisioneiros, soldados, pacientes mentais e órfãos em razão dos experimentos.
Os representantes legais haviam dado o prazo de até sexta-feira passada para que o Governo norteamericano estabelecesse um processo de compensação fora dos tribunais para as pessoas que “foram adversamente afetadas por este experimento”. Como não obtiveram resposta, apresentaram hoje a demanda. O outro escritório de advocacia envolvido na demanda coletiva é o Conrad and Scherer.
A ação judicial se deu depois que, em outubro de 2010, havia sido divulgada informação sobre os experimentos com sífilis feitos sem a permissão ou o conhecimento das pessoas afetadas. Naquela ocasião, tanto a secretária de Estado, Hillary Clinton, como a da Saúde, Kathleen Sebelius, criticaram tais experimentos e divulgaram uma desculpa pública. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, também pediu desculpas telefônicas ao seu homólogo guatemalteco, Álvaro Colom, e ordenou a criação de uma comissão especial para estudar os aspectos éticos dos estudos médicos internacionais.
Entre 1946 e 1948, cientistas norteamericanos contaminaram deliberadamente os sujeitos dos experimentos com o vírus da sífilis para provar a eficácia da penicilina contra essa doença. Segundo documentos judiciais, a equipe de médicos norteamericanos persuadiu funcionários em orfanatos e em prisões da Guatemala para que permitissem os experimentos em troca de equipamentos como refrigeradores e remédios para o tratamento da malária e da epilepsia.
Em alguns casos, os médicos ofereceram cigarros a alguns dos sujeitos que aceitaram participar dos experimentos e os presos foram infectados por prostitutas. A demanda compara os experimentos na Guatemala com um estudo feito em Tuskegee (Alabama), que começou em 1932 e durou 40 anos, período no qual os médicos observaram o avanço da sífilis em cerca de 400 homens afroamericanos já infectados por essa doença.
Esses homens nunca foram informados de que haviam contraído a doença venérea e nunca foram tratados, mesmo que tenham sido submetidos a exames médicos gratuitos, tenham recebido alimentos e cobertura de gastos fúnebres. Na ação pelos experimentos em Tuskegee, as vítimas foram indenizadas.

Tradução: William César Ramos Lima
Fonte: El País

terça-feira, 8 de março de 2011

No país das quinquilharias do Leo

Hoje vou dedicar meu post a um novo amigo, também blogueiro e poeta. Vou apresentar-lhes o Leo. No país das quinquilharias é o blog dele. Vale a pena conferir. De cara, eu me senti atraído por esta poesia AQUI:
[...]

É doce seu beijo,
Me desnudo para recebê-lo.
Como é doce seu beijo
Quando deito na cama,
encabeçando os travesseiros.
É doce o beijo que nos transborda
para dentro.
A pele é uma fronteira mais pacífica
Quando seu beijo encontro
Em bocas imprevistas.


Achei linda a imagem da pele como fronteira pacífica da fricção que os corpos provocam. Um esfrega da paz, não da guerra, mas dos gritos. De prazer, não de dor. Um beijo que transborda pra dentro (da boca do outro).  Em meio a tantas guerras, tanta violência presente no nosso cotidiano, ver essa luta pelo amor, pela sensualidade faz relembrar esses momentos sensuais que vivemos. Esses encontros que fazemos na busca do prazer: cada encontro deve nos trazer marcas - boas ou ruins - que, de algum modo, vão nos ajudar na construção de quem somos.

A você, Leo, minha homenagem de hoje!

quinta-feira, 3 de março de 2011

Sonhos e frustrações de uma mocinha

Eu queria ter a sorte de encontrá-lo na rua. Aquele moço bonito que conheci outro dia, assim, sem querer. Nessa andança todo dia na hora do almoço, no caminho para o restaurante. Às vezes vou para uma lanchonete ou para um café. No caminho vejo tantas lojas que chamam a atenção - ou pela cor da vitrine ou pela bagunça que se mostra! Eu queria ter dinheiro para fazer esses móveis planejados. Como os da vitrine. Ficariam perfeitos na minha nova casa. Fui sorteada no programa do governo. Ganhei uma casa. Não ganhei, porque vou pagar, mas ganhei o sorteio. Terei que pagar pela casa! Com prazer. E com meus móveis planejados... Ficará linda...
Passando na frente do laboratório, fiquei com medo de pegar o exame. Transei com o ex várias vezes sem camisinha. Deu até um arrepio agora. Grávida não estou, porque tomo pílula. Pelo menos. Amanhã penso em retirar esses resultados. Não quero ser sorteada nesse exame! Esse não é o tipo de sorteio que nos dá prêmios. Na verdade nem é um sorteio. É uma escolha - não escolhemos a contaminação, mas escolhemos a não prevenção... Caso sério, vive dando na TV, o Ministério da Saúde sempre fala pra usar camisinha... Mas a gente é boba, acha que aqueles homens lindos são imunes a todo mal, inclusive dessas doenças. Eles nos enganam, ou nós nos enganamos, com tanto elogio, tanto amor que nos mostram... Só depois descobrimos que são sem-vergonhas, que querem apenas nos levar pra cama, sem amor, sem roupa, sem nada. Nem com a camisinha. Eles nos ganham com um papo que nos faz sentir deusas, as mais belas, lindas e gostosas. Gostosas. Aí traçam, comem, devoram. Nosso sexo, nosso corpo, nossa alma. Lá se vai toda nossa saúde. Sem camisinha. Lá se vai a esperança de comprar os móveis planejados. Sem dinheiro, sem vontade de viver. Não vou mais procurar as vitrines depois de adoecer. Condenada. Chega com essas ideias. Deixa eu ir almoçar. Amanhã vejo o resultado do exame.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Amor com café

Este post é uma homenagem que presto à minha sempre amiga/companheira de café Daniela Paula. A Dani me ensinou a tomar café acompanhado de um bom papo. Antes disso, me ensinou a ler jornal (como realmente deve ser lido), como nunca antes li. A mocinha de laço de fita na cabeça é linda, tem um coração bondoso, sofredor como o meu, é sincera, rói unhas compulsivamente e é muito inteligente. A você, Dani, todo meu carinho, meu amor e minha amizade.

Amor com café:


Iríamos tomar um café. Se eu tivesse tempo pra você. Recordar aqueles momentos no Café. Reviver aquilo tudo, com o aroma do café. Mas eu não posso mais fazer isso. Não te quero mais. Nem com café. Nem no Café. Do Lado. Do Feirante. As nossas conversas eram longas, eu sei, quase intermináveis. No Café. Eu adorava aquelas conversas. Aqueles olhares cheios de brilho, de interesse pelo assunto. Na verdade o assunto nascia com o café, até sem necessidade, porque o motivo do Café era o café, com você. O café nos levava ao prazer, à paz, alprazolam natural, sem receita, sem tarja preta, só calmaria. Eram os momentos mais ansiosos do dia: estar contigo, e estar contigo no Café, tomando aquele café... O aroma e o sabor do café eram nossa fonte de vida. Até que um dia você quis terminar nosso amor; porque, sim, no dia em que você me disse que não queria mais tomar café comigo, você rompeu de vez com nossa paz. Você destruiu tudo que construímos. Jogou uma bomba nas minhas tardes. Nas noites. Eu bem te amava. Sim, te amava. Mas com o café. No Café. E voce soube como acabar com tudo: com o amor, com o sabor, com o namoro, que se foi com o fim do café. É isso: não quero mais tomar café contigo, disse você. Mas queria dizer algo a mais: não vamos mais namorar. Não me lembro nem do motivo. Nem faço questão. Você disse que não me queria mais. Ponto. Agora, tanto faz. Você é passado, e eu continuo apaixonado pelo café. Tenho um novo amor, que conheci no Café. E tomamos café no Café. E já nem penso mais em você. Prazer em te ver de novo. Iríamos tomar um café. Se eu tivesse tempo pra você. Mas meu novo amor me espera. Lá no Café.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Felicidade. Clandestina. Imensa

Uma imensa felicidade me invade. Daquela clandestina, que ninguém pode saber. Daquela que me faz sorrir sozinho, bobo-alegre... Eu não poderia dizer jamais, jamais poderia dizer o motivo. É clandestina minha felicidade. É só minha. Exclusiva. Daquelas que podem causar inveja, podem pedir a receita, querer saber o segredo, mas eu não posso entregar isso assim tão fácil. Nem difícil, porque não posso dizer o que é. Nenhuma felicidade é maior do que essa que só eu sei, que só eu sinto, ou tenho. Me encheu de alegria, eu ouço música e canto junto, sozinho, na rua. Dizem que me viram na rua falando sozinho. O fone, disse eu. Estava com o fone. Mesmo se não estivesse, posso falar sozinho se quiser, não?! Conversar comigo mesmo, imaginar umas situações, umas alegrias. Que resposta eu daria naquela entrevista, se estivesse lá? Diria isso, com tanta felicidade, hahaha. Tamém acho. Considero, diria nossa nova presidenta. Ela nunca usa "acho". Reparei isso. Deixa pra lá. Que tenho a ver com o jeito que os outros falam?! Tudo. Todos falamos. De algum modo, ou de outro. Posso observar isso. Com a mão. Com a sobrancelha. Com a boca torta. Sorrindo. Com medo. Todo mundo fala. Eu também, sozinho, estou aqui falando. E rindo, né. Tanta coisa pra fazer, um livro que podia ler. Estou aqui escrevendo. Ou falando sozinho. Quem quer saber? Sozinho, ninguém me ouve. Ninguém me lê. E quem garante que eu diga a verdade? Quem disse que eu quero dizer a verdade? Ou a mentira? Apenas converso comigo mesmo... Com uma imensa felicidade.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Único

Hoje me percebo com os cabelos rebeldes. Esses fios emaranhados quando olho no espelho. Terei eu me esquecido de me pentear antes de sair de casa? Ou estarei eu me vendo de algum outro modo hoje? Como um bagunçado, relaxado, barrigudo, feioso? Como um cara pouco desejado, sem sexy appeal? Devo ser eu um cara tão desinteressante assim, nunca paquerado, sem chance alguma de ser amado e de poder amar. O que deveria eu fazer, então? Ir pra academia, fazer parte da massa que busca um corpo sarado, estar na moda do tanquinho. Ou então eu devo cortar o cabelo curtinho, passar gel, com ares de meninão. Acho que devo parecer um idiota em busca desse algo a mais. Mas não sou um idiota. Acredito que devo parar de pensar nisso dessa forma e me aceitar como eu sou, como eu quero ser. Não preciso estar/ser/parecer como querem que eu esteja/seja/pareça. Devo ser eu mesmo, sendo apenas eu mesmo. Ego. Eu. Meu. Não sou fruto da indústria em série, por que então ser igual aos industrializados? Num mundo de tanto consumo, é difícil verificar minha própria identidade, exatamente por ela dizer respeito ao meu ego, ao meu eu, meu. Não o dos outros. Não o que os outros querem. Não sou industrializado, sou como um obra de arte: único!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Pura covardia...

Não entendo sua covardia. Esse descaso que você parece querer mostrar. Será de verdade? Há algo a mais? Você tem medo? Medo da vida, da morte, do amor, medo da dor da paixão? Você me conquistou, jurou que me queria na sua vida como o personagem daquela música... Você mandou aquela música pra mim. Eu me derreti. Você fugiu... Sumiu! Está fazendo charme? Ou apenas não sabe como dizer que não me quer mais? Não sabe como dizer que foi tudo um engano, que você se confundiu? Não sabe encarar isso? Encarar, cara-a-cara. Não?! Pura covardia...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Minhas amarras

Nada se resolve. O abandono me persegue. Sou prisioneiro de mim mesmo, das minhas necessidades, da minhas carências, das minhas vontades. Queria poder ser livre, ser solto, mas insisto em querer me prender. Insisto que preciso de amarras. E as procuro. E as espero. Mas não as encontro. O que fazer, então? Essas ideias só batem na minha cabeça, só ecoam dentro de mim. Às vezes menos, às vezes mais. Às vezes até me dói a alma. Mas não tem remédio pra dor da alma, tem?

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Adoraria morrer de beijar...

Com um sorriso lindo, eu diria que você é angelical. Mas diria isso enquanto não o visse despido de sua auréola. O anjo fica com a roupa. Sem ela, impera o fogo sensual que se mostra na ardência de tantos beijos, nas marcas de tantas mordidas e nos gemidos quando suspira. Sentir essa língua passeando pela minha pele, pelo meu corpo, é quase como gozar de prazer. A dor de ter os cabelos puxados não é nada ruim perto da sensação de ter meu corpo possuído pelo seu: eu apenas recebo as ordens da sua libido, que se junta à minha! Seus dentes arranhando minha nuca é um sinal: devo contorcer-me pra você saber que eu estou entregue. Se com os dentes faz meu corpo agir assim, a alma não age diferente: meu pensamento está ali, desligado do mundo e ligado naquele momento. A meia-luz cria um clima sensual, de vontades carnais. Seu perfume marca o encontro, o modo como vou te reconhecer quando estiver se aproximando... Beijos incansáveis, que tiram o fôlego, mas que devem ser logo retomados, porque a distância das nossas línguas não deve durar mais do que uma tomada de ar - mais tempo que isso não posso sobreviver! Melhor que isso seria você sugar de mim todo meu ar, assim não precisaria se distanciar. Adoraria morrer de beijar... Adoraria morrer de beijar...

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Mar de amor dentro de mim

Tudo que me disseres não será verdade até que me proves acontecer. Não verás meu sorriso até que me faças acreditar que o que dizes é realmente merecedor de tal gesto, de tal sentimento - sim, ao sorrir para meu amante, não é porque acho engraçado seu comportamento, mas é porque algo nele me tocou, me arrepiou e me fez querer, desejar e esperar um beijo apaixonado. Tudo que fizeres será recompensado - ainda que com um sorriso. Mas de nada vale tanto esforço teu em me conquistar se não tiveres contigo uma intenção pura e verdadeira, um sentimento maior que o egoísmo que te consome. De nada vale tua recompensa se, depois de tê-la conquistado, esquecer-te de quem sou, de quem me prometeras ser e do amor eterno que estaria por vir, pois nada serei diante de um amor insustentável, fraco, mentiroso e que sucumbe na primeira tormenta. Existe um mar de amor dentro de mim esperando por ti, meu navegador, que podes conhecer tão bem minhas águas, minhas tempestades, que sabes navegar com tua bússola até encontrar a calmaria. Eu sou explosão, e só um navegante de pulso firme, só um amante decidido, como tu te apresentas, poderá conter toda essa fúria marítima que se apresenta em minha alma. Serás tu quem fará resplandecer o sol no horizonte, aquele que trará calma ao meu mar no encontro com o sol, lá no limite? Preciso que entres sem bater, que te aconchegues no meu canto, invadindo tudo como se fosse teu. Preciso desse ímpeto, dessa ousadia tua. Preciso que me digas que és tu que mandas, és tu que ditas as regras, devendo eu me ajoelhar como um submisso apaixonado, envolto de tanto amor quanto tu me darás. Ajoelhado ficarei diante de ti; mas, antes disso tudo, terás que me conquistar e mostrar-me que és tu o merecedor deste imenso coração.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Se eu pudesse...

Se eu pudesse, jogaria tudo fora. Atiraria tudo pela janela, pela porta, jogaria no lixo.
Se eu pudesse, não deixaria isso se repetir todos os dias, fugiria dessa rotina horrorosa, dessa (des)esperança de um amanhã lindo... Quanta bobagem acreditar em contos de fadas...
Se eu pudesse, perguntaria pra Deus o porquê dos humanos insistirem nas ilusões de que tudo está bem, ou de que tudo terminará bem. Quem garante isso?
Se eu pudesse, daria um tapa na cara daquele babaca que um dia me disse desaforos na escola, que me deixou pra baixo e me fez ser triste, ainda que por um momento.
Se eu pudesse, socaria aqueles idiotas que gritam tanta mentira na televisão.
Se eu pudesse, pegaria todo o dinheiro que se junta nas poupanças, nos colchões, nas igrejas, nas esquinas dos semáforos, no caixa 2 que existe por aí, e daria tudo pros pobres.
Se eu pudesse, pegaria todo ouro que há nas igrejas do Vaticano e venderia pra fazer a campanha da fraternidade de 2011.
Se eu pudesse, nasceria de novo para não acreditar no que acredito, ou para acreditar no que não acredito.
Se eu pudesse, mas há algo maior que eu, há algo que me impede...
Se eu pudesse, não haveria essa condicional, não seria subjuntivo: eu posso, no indicativo...
Se eu pudesse, mas não posso fazer tudo!

sábado, 15 de janeiro de 2011

Eu não quero voltar sozinho

Eu não quero voltar sozinho é um curta-metragem de Daniel Ribeiro. Rodado em 2010, o curta mostra a mudança na vida de um adolescente cego, Leonardo, após a chegada de um novo aluno, Gabriel, em sua escola. A mudança ocorre porque ele tem que lidar com um novo sentimento - a paixão -, e com o ciúme de Giovana, sua amiga e sempre companheira.
O filme é de uma sensibilidade grande, pois envolve a adolescência, homossexualidade, deficiência visual, tudo ao mesmo tempo. Não é nenhum dramalhão, é algo bem light, mas transmite uma esperança de vitória em meio a tantos preconceitos e dificuldades que a vida pode nos apresentar. O preconceito tem, em si mesmo, toda uma dificuldade, uma segregação, um ambiente hostil por ele proporcionado, mas como o curta é uma ficção, às vezes tudo são flores...
O amor na adolescência é tão lindo, é uma paixão louca, intensa. Depois da adolescência o amor intenso ainda existe, claro, mas nessa fase de descobertas há um ineditismo em experimentar sentimentos, há uma vontade de se encontrar em outra pessoa, de ir e de não querer voltar sozinho...
Na falta da visão, ainda temos o olfato. Na falta da visão, ainda temos o tato. Na falta de algum sentido, ainda há um sentimento para ser vivido... No fim, um olho que não enxerga, mas um olhar apaixonado, vivo e cheio de esperança.



Eu não quero voltar sozinho


> informações e ficha técnica: http://www.lacunafilmes.com.br/sozinho/docs/Info-EuNaoQueroVoltarSozinho.pdf 

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Na beira do rio

Na beira do rio Paraná. É onde passei meu aniversário de 26 anos, no último domingo, dia 9/1. Fomos eu e minha adorada prima Paty.
A cidade é Panorama, que fica na divisa de SP com MS. Lá tem um balneário e uma prainha na beira do rio. Muito gostoso, bom pra relaxar, tomar uma cerveja, comer umas porções nos bares que tem na beira do rio e não pensar em nada mais...
Algumas coisas engraçadas - como sempre - aconteceram: eu, no segundo dia lá, perdi meus óculos de sol no rio. Pois é, podem me chamar de mané, mas ele estava seguro em meu rosto até eu resolver enfiar a cara na água! rs Quando eu me levantei e dei conta que não estava mais com ele, minha prima me olhou e começou a rir; eu fiz cara de paisagem, fiquei passado, e depois ri, com muita raiva,claro... Afinal, disse que quem o encontrasse que fizesse bom proveito. Mas por que eu disse isso??? Mais tarde um pouco, eis que vejo meus estimados óculos enfeitando o rosto de uma feiosa lá. Eu cerquei, olhei, cheguei perto e puxei papo: Moça, você não achou esses óculos aqui não, né?! É que perdi os meus, e são iguais a esses. Não, eu nem sou daqui, sou de Dracena, e este está riscado. Ok, obrigado.
Poxa, gente. O que tem a ver ela ser de outra cidade com ter achado os meus óculos naquele rio? Nada, era migué... Eu também não era de lá... Ela deu um truque básico. Como eu não podia provar que exatamente aquele eram meus óculos, saí de mansinho, com muita raiva. Ok, já passou, até comprei outro essa semana!
Outro bafão, da minha prima, uma pérola, na verdade: Estamos lá no rio, curtindo a água e a Paty me solta: não vamos mais pra frente, não, se não eu me afogo na enxurrada! Gente, riam comigo... Eu lhe respondi: Prima, enxurrada é na chuva, aqui no rio é correnteza rsrsrsrs foi hilário, gente... rsrs
Na noite de sábado, lá no balneário, um grupo de amigos alugou um quiosque, ligaram o som mega potente do carro e se divertiram. A certa altura, eu e a Paty nos sentamos num banquinho em frente a esse quiosque, e eis que dois caras vem em nossa direção, nos chamando para nos juntarmos à turma. Recusamos, e eles insistiram. Aceitamos e fomos até lá. Não tinha nada, só o som. Nada de bebida. A não ser uma garrafa PET com gasolina. Sim, eles beberam gasolina! Até fizeram graça: um deles colocava gasosa na boca e depois cuspia no fogo, fazendo chama, como pirofagia, sei lá. Segurança? Zero. Senti um quente perto de mim e fiquei meio com medo de ser queimado vivo!!!
Um deles, até bonitinho e malhadinho, queria o corpinho da minha prima, mas ele estava sujo, fedido a gasosa - inclusive no bafo - e foi logo despachado...
Foi um fim de semana bem bom, sem preocupações. Mas o lugar é só pra um fim de semana mesmo, porque o balneário é a única coisa que se tem pra fazer naquela cidade. De resto, é mortinha.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Vampiromania

Bom, vou falar um pouquinho - bem pouquinho - sobre filmes de vampiro, já que estão na moda há algum tempo (que moda longa, não?! achei que moda durasse apenas 1 temporada hahahaha).
Para começar, vou colocar de um lado Crepúsculo e de outro lado Entevista com o Vampiro junto com as séries de TV True Blood e Diários do Vampiro.
 Em Entrevista com o Vampiro, Lestat transforma Louis em vampiro. Como seu criador, ensina-o a sobreviver, a viver como vampiro, seduzindo pessoas, sugando o sangue delas e matando-as. Entretanto, Louis, ainda com algo de sua alma humana, com sua piedade incondizente com sua nova natureza, prefere alimentar-se de ratos a matar humanos. Notamos a presença dessa dualidade humano X vampiro, esse paradoxo do ser vampiro e não ser humano X ser humano e não ser vampiro. O filme se passa como uma entrevista mesmo, em que Louis vai descrevendo como tornou-se vampiro e como fora sua vida desde então ao lado de Lestat. Ele não envolve nenhum amor entre vampiros e humanos. Há, isso sim, a presença de uma cena marcante em que Lestat seduz duas mulheres, suga-lhes o sangue e as mata, tudo envolto em muita sensualidade e indicando sexo no ar. Nesse momento, Louis tem uma crise de identidade vampiresca e não consegue consumir suas presas, duas lindas mulheres.

Em True Blood há o mesmo dilema: Bill Compton, um vampiro sedutor, apaixona-se por uma humana - descobre-se, mais tarde, que Sookie Stackhouse não é uma simples huamana, ela é uma fada! - e vive em uma luta intensa e tensa contra os outros vampiros caçados de sangue, caçadores de poder, que brigam, disputam os territórios dos EUA. Nessa série há algo de novo: a criação de um sangue sintético, o Tru Blood, invenção japonesa capaz de tornar possível a convivência entre humanos e vampiros, uma vez que os vampiros teriam outra fonte de consumir seu alimento - o sangue! Uma outra novidade na série é sobre as discussões políticas que envolvem a convivência entre humanos e vampiros: deveriam os vampiros passarem a ter direitos como os humanos?
A série mostra essa discussão tanto como ocorre na TV dos EUA, como os bastidores dos grupos 'a favor' e 'contra'. Fica evidente, ainda, a questão de outro tipo de discriminação: a racial, sempre apresentada pela personagem Tara Thornton, uma garçonete negra que consegue levantar a questão de que a escravidão já acabou, colocando-se, por vezes, como vítima de sua origem africana, não aceitando submissão de forma alguma. True Blood mostra os vampiros como eles são: sugadores de sangue, assassinos, sedutores, sensuais e muito sexualmente ativos.


Já Diários do Vampiro é outra série norte-americana que, como a anterior, trata da dualidade entre os vampiros e os humanos, tendo como mediadora a presença das bruxas, que podem controlar, até certo ponto, os vampiros. Em Diários, Elena Gilbert fica envolvida em um triângulo amoroso com os irmãos vampiros Damon e Stefan Salvatore que, depois de anos, voltam a viver na cidade de Mystic Falls, cheia de tradições e grupos de famílias fundadoras que escondem segredos de extrema importância, que só se revelam ao longo da trama. Aqui, assim como em True Blood e em Entrevista com o Vampiro, há um vampiro que nega sua natureza assassina e prefere caçar pequenos animais para se alimentar. Só que uma hora essa dieta vai pesar, pois ele estará fraco para enfrentar os desafios que surgirão em seu caminho. De um modo geral, nesta série há até algum toque de sedução, algumas mortes e alguns vampiros atacando, mas bem menos que True Blood, e sem praticamente nenhuma cena sensual ou indicando uma relação sexual.

As duas séries, True Blood e Diários do Vampiro tem algo a mais em comum do que apenas a dualidade vampiro X humano, como podemos notar: o amor shakespeareno entre humanos e vampiros, remetendo-nos à célebre tragédia de Romeu e Julieta, jovens de famílias rivais que se apaixonam - e, no fim, morrem por amor (por isso uma tragédia!).

 Por sua vez, Crepúsculo e suas sequências são filmes que apresentam um personagem principal, Edward Cullen, um vampiro bonito, que fala manso e que, assim como nas séries acima, não consome sangue humano, alimentando-se de pequenos animais. Aliás, toda sua família vampiresca é "da paz". Edward também mantém um romance com uma humana, a adolescente Bella Swan. Eles vivem uma tensão entre beijar ou não, transar ou não, porque ela não é vampira e ele tem medo de machucá-la. Uma diferença bem marcante nesta série de filmes é que Bella é muito fogosa, inconsequente, louca para o primeiro beijo, para a primeira vez, enquanto Edward a segura, ele é quem diz "não, só depois do casamento". É um filme em que quase não há mortes, a sedução fica por conta de um lobisomem, Jacob Black, embora não seja tão evidente.
Na minha opinião, a série Crepúsculo é a pior de todas as anteriores, porque mostra um vampiro com uma tensão muito pequena, não tem praticamente nada de sensualidade, quase nada de morte, quase zero de vampiro sugando sangue e um absurdo de um vampiro que resiste a uma humana, cuja primeira vez só aceitará após o casamento - até o primeiro beijo demora para acontecer (acho que no segundo filme).

Essa desconstrução das características de grande peso nos personagens vampiros por parte da série Crepúsculo deve-se, talvez, ao fato da autora dos livros que deram origem aos filmes ser mórmon, pregando a virgindade antes do casamento. Dessa forma, eu consigo entender o porquê de Edward ser um vampiro tão fraco, descaracterizando tudo que se conhece sobre vampiros até então. Crepúsculo é tudo o que um vampiro não quer viver: a virgindade eterna! Seguindo esse mesmo pensamento, a série True Blood é a melhor para mim: a de maior erotização, de mais envolvimentos sexuais, homo e hétero, diga-se de passagem. Vampiro deve ser isso: um sugador de sangue, um assassino, um ser que adora sexo por natureza! O resto, isso é invenção que não tem nada a ver...

Curiosidades:
-Entrevista com o Vampiro tem como atores: Tom Cruise, Brad Pitt, Antonio Banderas, Kirsten Dunst. Filme baseado no livro de Anne Rice.
-True Blood tem como atriz principal Anna Paquim, vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante quando era criança, por sua participação em O pianista. Série inspirada nos livros de Charlaine Harris, e vencedora de Globo de Ouro como melhor série dramática e como melhor atriz dramática por Anna Paquim.
-Diários do Vampiro é uma série inspirada nos livros de L. J. Smith.
-Crepúsculo é uma série de filmes inspirada nos livros de Stephenie Meyer.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Enterrado vivo

O título do filme é "Enterrado vivo" (Buried). Uma produção espanhola com um ator americano (Ryan Reynolds) que narra um período de cerca de 2 horas de um motorista americano que fora trabalhar no Iraque.
Essas duras horas são angustiantes, porque são 2 horas de prisão em um caixão, enterrado vivo!
O suspense do filme só não é maior que a questão política presente ali... Paul Conroy, o personagem de Reynolds é uma vítima de sequestro. Os bandidos pedem resgate de 5 milhões de dólares. Paul tem um celular no caixão, pelo qual se comunica com os bandidos e com o Estado americano.
Os EUA parecem querer ajudar, duvidosamente. Os bandidos não estão de brincadeira. Paul diz que não é militar, que está no Iraque trabalhando na reconstrução do país - aquele que os próprios americanos destruíram, replicou o sequestrador.
O governo dos EUA tenta abafar o sequestro. Deixa claro que não é o único, que há e houve outros, sem exposição midiática. Tentam resolver tudo longe dos holofotes e Paul descobre isso da pior forma: vivendo na pele os desmandos do governo americano.
E não apenas do governo. A empresa para a qual Paul trabalha se exime de qualquer responsabilidade com sua vida, dizendo que naquela manhã haviam rompido o contrato de trabalho dele porque ele supostamente tivera um caso com uma colega de trabalho, ferindo cláusulas contratuais - isso faria com que Paul ficasse sem qualquer auxílio no Iraque, ou sem qualquer indenização, seguro etc... É o capitalismo em seu estado mais selvagem, mais devorador de seres humanos. Foda-se o lance de direitos humanos. Foda-se a questão de direitos de trabalhador.
Os EUA são mostrados no filme como aquele que não se importa com seus cidadãos - tão amantes de sua bandeira, tão patriotas. Eles querem apenas dominar, invadir, mandar, matar. Nem que para isso tenham que morrer os próprios americanos "em nome da nação", como ocorreu com os milhares de mortos no 11 de setembro e nas guerras que os EUA insistem em travar...
Bom, o final do filme é a melhor parte, mas essa eu deixo pra vocês saberem vendo o filme!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Mensagem de Natal

O Natal representa o renascimento da humanidade pela vida de Cristo. Independente da religião, todos os cristãos devem refletir sobre o que tem feito para dar continuidade ao que Jesus veio fazer: unir o mundo.

Ao contrário de todo ódio, de todo separatismo que alguns pregam, eu gostaria de pedir o respeito àquela mensagem bíblica:

Amar ao teu próximo como a ti mesmo


porque o respeito mútuo é a fonte de toda boa convivência no nosso lar, no nosso trabalho e até em escala global entre as diferentes nações.

A disseminação do ódio, do desejo de ser superior, faz com que alguns países travem guerras malditas, em nome de algo que não se justifica, matando pessoas inocentes. Esse mesmo mal vem à tona dentro de nosso país, nas nossas proximidades, quando incitamos a violência contra nossos semelhantes que, por algum motivo, nos são diferentes... A não aceitação, o não respeito às diferenças nos cria tormentos que vão de encontro com nosso pensamento cristão: enquanto aprendemos a semear o amor, alguns agem contraditoriamente semeando a violência. Outros, hipocritamente, agem com intolerância, enquanto pregam um discurso de amor em Cristo.

Devemos abrir nossa janela e enxergar além do espelho: o espelho nos reflete, nos dá uma visão limitada do que está à nossa volta, enquanto a janela nos dá a visão do mundo, do externo a nós mesmos, de todas as possibilidades.

Desejo que este Natal de 2010 seja pleno de paz, amor, tolerância, respeito às diferenças.

Desejo que, indepentemente da visão política, da crença religiosa (ou da não crença), da orientação sexual, da cor de cabelo, da etnia, que todos sejamos abençoados pela fonte de toda vida: Deus!

Feliz Natal e ótimo Ano Novo a vocês, amig@s!


"ano novo
anos buscando
um ânimo novo" 
(Paulo Leminski)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A dor da perda

Era uma vez dois amigos bem unidos, que quase nunca de desgrudavam. Eles eram amigos de segredos, de conversas sobre amor, dor, perspectivas... Falavam do passado pra medir as conquistas do presente. Falavam do futuro, não daquele distante, mas do que poderia estar mais próximo: a necessidade de trocar de trabalho, de ter uma casa, uma companhia...
A melhor parte da amizade era o companheirosmo, a parceria de ir junto pra balada, sair pra paquerar, viajar pra cidades próximas pra curtir festas... Muita risada, muitas histórias eles tinham pra contar.
Mas como nem tudo é feito de momentos bons, eles trocavam histórias tristes também. Histórias de desilusão amorosa, por exemplo. De uma ficada que não deu em nada. De um noivado mal sucedido. De um namoro frustrante...
Outra história triste foi o desemprego. Um dos amigos, que era negro, foi demitido de um banco depois de passar por sérios problemas de saúde. Ele teve hipertensão, pressão alta, e estava de licença médica com frequência. O banco dispensou-o, sem maiores rodeios. Iniciava-se ali um longo período de tormento na vida desse amigo: como conseguir outro emprego? Parecia simples: um bom currículo, um cara bem articulado, bem capacitado, mas isso não foi suficiente para que ele conseguisse um novo emprego. Ficou meses sem trabalho, sem produzir, sem dinheiro entrando, mas tendo que pagar contas.
Nesse período os dois amigos se falavam bastante, quase que diariamente, ou na hora do almoço, ou à noite. Foi uma época de muita conversa, de consolidação da amizade.
Esse amigo desempregado, passado um tempo, conheceu uma pessoa. Muito bacana, pé no chão, sabia o que queria da vida. Resolveram os dois irem embora da cidade: teriam a chance de morar juntos e conseguir um emprego em uma cidade maior. Foram para Curitiba. Um lugar cheio de promessas, de novidades, de oportunidades.
De fato, conseguir trabalho em Curitiba não foi nada difícil, era possível mudar de emprego toda semana, todo mês: sempre haveria uma oportuniade se algo não estivesse bom.
Entretanto, nem tudo é perfeito sempre, e nesse troca troca de emprego, aquele amigo voltou a amargar um período difícil... Seu amor estava ali, ajudando no que podia, mas outro período de desemprego não era fácil. Começaram a surgir algumas brigas mais sérias entre o casal, criando certa instabilidade. Já se cogitava a separação, mas sem grana, ir pra onde? Voltar para casa da mãe nem pensar... Continuaram dividindo o espaço, mas separados...
Até que chegou num ponto que não teve jeito. Sem trabalho e morando com ex, aquele amigo voltou pra casa da mãe... Nesse período todo da viagem, pouco mais de um ano, os amigos perderam contato, o que era natural, a vida de cada devia continuar... Mesmo após a volta daquele que tinha ido tentar a vida fora, eles se viam pouco, mas isso nunca dimunuía a amizade deles...
Um domingo à noite alguém me chama no msn:
-Will, vc ta sabendo de fulano?
-Não, o q aconteceu???
-Fulano faleceu!
-Como assim? Qdo isso, como? Imagina...
-É... vi no orkut dele uns recados sobre isso.
-Vou checar e te falo se descobrir algo.

Ligava no celular do meu amigo, e nada... Na casa dele, e nada... Eu me desesperei, sem saber o q fazer. Segundo tinham me dito, ele teria morrido no sábado e seria enterrado ás 16h de domingo. Quando fiquei sabendo, já passava das 17h...
Um tempo depois meu celular tocou. Era o número dele.
-Alô.
-Alô, quem fala?
-É fulana, madrinha de fulano. Você queria falar com ele?
-É. Vi umas mensagens no orkut dele e queria saber se é verdade.
-Sim, infelizmente, perdemos nosso querido. Acabamos de chegar do enterro...
-Mas como isso aconteceu?
-Ele teve uma pneumonia muito forte, ficou internado vários dias, mas não resistiu. Tem outra coisa, mas não posso te falar...
-Está bem. É muito triste isso...
-Sim, é uma perda muito grande pra gente.
-É... Obrigado por ter ligado de volta.
-Ok. Xau.

Bom, é horrível ficar sabendo que seu amigo morreu quando ele já está enterrado. Não pude dar um abraço na família naquele momento, não pude velar o corpo dele (apesar de não gostar de velório, mas quem gosta?)... Mais triste que isso é não ter tido uma última conversa com ele... Tivemos, mas não sabia que seria a última!
Bom, sobre as circunstâncias da morte do meu amigo, eu sabia o que era quando ela disse que não podia me contar outra coisa...
Parti pra investigação. Consegui contato com alguém da família e tive a certeza: ele estava com AIDS. Sim, AIDS, ou SIDA, se preferir a sigla em português. Bom, ter essa notícia foi um baque, talvez tão grande quanto o da morte... AIDS é uma doença que parece tão longe da gente. Sabemos que ela existe, mas não a conhecemos de perto. Enganosamente pensamos isso. Ele tinha HIV e não contou pra ninguém. Pelo menos ainda não encontrei ninguém que soubesse disso. Como ele se contaminou? Transando sem camisinha!
A mensagem é clara: use camisinha sempre!

Fiquei tão chocado, tentando imaginar como ele conviveu com isso sem contar pra ninguém, como segurou esse peso todo sozinho... Porque, ao que tudo me indica, ele sabia da sua condição de portador do vírus HIV. E optou por não se tratar. Uma escolha dele, claro, e não cabe a mim discutir isso. O que me preocupa é o seguinte: tendo ele descoberto ser soropositivo, preferiu não acreditar nisso e fingir que nada havia de errado e continuar sua vida como antes, ou se protegeu nas relações sexuais que manteve? Essa é minha única angústia: a possibilidade de ele ter transmitido esse vírus para outras pessoas!
Estou tentando conversar com algumas pessoas que conheço, ou que encontro, que sei que já se relacionaram com ele. Mas isso não é fácil. Como vou achar todo mundo? Impossível. O mais difícil é o silêncio da família, que, apesar de ter me contato da doença porque sabia que eu era muito amigo dele, pediram pra que eu não dissesse a ninguém. Sinto muito, mas prefiro ser visto como inimigo da família a ver outras mães perdendo seus filhos... Não é uma questão de desrespeitar a vontade da família dele, é uma questão de proteger a vida de outras pessoas, de preservar outras famílias.
Tem sido um processo doloroso lidar com a morte, pensando nele quase todos os dias... Mas vou superar isso; afinal, minha vida tem que seguir!
Bom, aos que ficaram curiosos pra saber como ele morreu: pneumonia. A AIDS se manifestou, deteriorando o sistema de defesa do organismo. Uma gripe virou algo de outra dimensão. Ficou fraco, pneumonia forte, pulmão parou...
É um sofrimento sem fim perder um amigo e imaginá-lo sofrendo com a morte que ele esperava.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

AS MÁSCARAS DO DIZER: A PRAGMÁTICA DA HOMOFOBIA - artigo

Car@s amig@s,

Segue abaixo link com a edição 6 da Revista Levs (UNESP/Marília) - Revista Virtual do Laboratório de Estudos da Violência e Segurança - em que eu publiquei um artigo, que teve origem na minha monografia apresentada no fim do curso de pós-graduação lato sensu na UNESP de Assis, tendo sido orientada pela professora Sandra Ferreira.

Segue também o resumo do artigo; assim, poderão saber do que se trata e, quem se interessar, poderá ler o texto completo.

http://www.levs.marilia.unesp.br/revistalevs/edicao6.htm
http://www.levs.marilia.unesp.br/revistalevs/edicao6/Autores/11_as_mascaras_homofobia.pdf
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AS MÁSCARAS DO DIZER: A PRAGMÁTICA DA HOMOFOBIA


Resumo
: O presente trabalho aborda a Pragmática no âmbito da linguagem humana em uso, sondando a perspectiva da ação entre falantes no interior da língua. Para desenvolvermos este trabalho, analisamos um corpus constituído por requerimentos, por meio dos quais mostramos a construção da formação ideológica homofóbica. Analisamos, especificamente, dois requerimentos protocolados na Prefeitura de Marília, cujo conteúdo é uma reclamação de moradores de um condomínio contra um estabelecimento vizinho ao prédio onde residem que é voltado ao público LGBT.

Palavras-chave: Linguística Aplicada. Língua Portuguesa. Pragmática. Filosofia da Linguagem. Homofobia.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Um conto tenso

Dia tenso naquele escritório cheio de rotinas. Todos trabalhando, concentrados. Vez por outra um motivo de risada, discreta.

Pausa para um café: vão à padoca... Sentam-se em uma mesa, pedem um café e proseiam. Enquanto isso, entram na padoca dois amigos negros, que são bem atendidos. Pedem algo para levar e logo se vão, após pagar a conta.

Aquele grupinho de amigos do escritório logo se põe a falar dos amigos que se vão:

-Já reparou que quando um branco chama um negro de negão ele é racista, mas quando um negro chama uma branca de branquela ou um loiro de alemão, aí pode?

-É mesmo. No fundo, isso é porque os negros tem preconceito contra eles mesmos. Eles não se aceitam!
Aí vieram os causos. Um disse:

-Meu primo chama todo mundo de negão, e um dia ele falou pra um cara isso e o rapaz foi tirar satisfação, ao que o meu primo disse baixinho no ouvido dele: você é um preto safado e fedido mesmo! - E ele continuou: meu primo disse isso e o cara afinou e foi embora de cabeça baixa.

O outro concordou com isso e assumiu:

-Sou racista mesmo e falo que sou - ao que outro concordou com a teoria do preconceito que os negros reclamam, e os branquelos não se ofendem por serem branquelos ou alemães...

Um deles falou sobre um caso que o professor dele contou na aula:

-Um cara, de calça larga, boné de skatista, etc. foi conhecer a família da namorada, rica... Quando o pai viu "quem" era o rapaz, quando a filha saiu da sala, o pai falou: 'você tem 5 minutos pra sumir da minha frente!'.
O pessoal concordou com isso, dizendo que o cara deveria ter se vestido melhor pra se apresentar à família da namorada. Um deles discordava dessa forma de pensar, porque o cara tinha uma vida em determinada comunidade e que aquela era a forma dele se vestir. Foi "massacrado" verbalmente pelos amigos, que disseram que o cara tinha que saber se vestir. Ele repetiu que aquela era a forma dele se vestir e ouviu:

-Então ele que procurasse outra pessoa pra namorar, da comunidade dele...

E o que tentava desfazer essa situação respondeu:

-Então você está propondo a separação do mundo entre os ricos e os pobres! - Ao que ouviu:

-Não é separação, é que os ricos precisam dos pobres e os pobres, dos ricos; tem que haver um equilíbrio que tem que ser mantido...

Ele disse que discordava dessa forma de pensar e se recolheu.

Bom, esse era o nível das conversas por lá. E o politizado estava ilhado...

Um dos caras disse que tinha essas discussões nas aulas de sociologia da facul que ele começara e que ele respeitava a formação do professor, mas que ele tem suas opiniões formadas e que ninguém iria mudar isso, que ele tinha os preconceitos dele, que todo mundo teria lá no fundo preconceito etc. Disse que respeitava os negros, os gays, as lésbicas, e que isso não interfere em nada (desde que não façam nada pra ele!).

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Enfim, esses são alguns dos brancos católicos com quem convivemos...
Quanto amor de Cristo no coração de todos. Aleluia! Amém! Pro Brasil seguir separando: "eles" lá, e "nós" aqui! Amém!
E eles batem no peito que são religiosos, devotos, que agradecem todos os dias pelas graças que tem. Esquecem-se de amar ao próximo como a si mesmos. Esquecem-se do que o padre diz toda missa: O amor de Cristo nos uniu...
Esse meu comentário é sobre alguns hipócritas religiosos. Não vale pra quem não se enquadra nesse perfil.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Uma poesia de Octavio Paz

Octavio Paz surge en el escenario artístico como el renovador artístico de su época, mezclando en su obra el Surrealismo, y por consiguiente el onírico, el Existencialismo, y por consiguiente la discusión acerca de la vida humana.
CONVERSAR
Árbol adentro (1976-1987)

En un poema leo:
conversar es divino.
Pero los dioses no hablan:
hacen, deshacen mundos
mientras los hombres hablan.
Los dioses, sin palabras,
juegan juegos terribles.

El espíritu baja
y desata las lenguas
pero no habla palabras:
habla lumbre. El lenguaje,
por el dios encendido,
es una profecía
de llamas y un desplome
de sílabas quemadas:
ceniza sin sentido.

La palabra del hombre
es hija de la muerte.
Hablamos porque somos
mortales: las palabras
no son signos, son siglos.
Al decir lo que dicen
los nombres que decimos
dicen tiempo: nos dicen,
Somos nombres del tiempo.
Conversar es humano.
 
Derramaré Mí Espíritu Santo sobre todo el pueblo, y vuestros hijos e hijas profetizarán” (Actos de los Apóstolos,  2:17)
 

CONVERSAR

Tradução de Antonio Moura



Em um poema leio:
Conversar é divino.
Mas os deuses não falam:
fazem, desfazem mundos
enquanto os homens falam.
Os deuses, sem palavras,
jogam jogos terríveis.

O espírito baixa
e desata as línguas
mas não diz palavra:
diz luz. A linguagem
pelo deus acesa,
é uma profecia
de chamas e um desplume
de sílabas queimadas:
cinza sem sentido.

A palavra do homem
é filha da morte.
Falamos porque somos
mortais: as palavras
não são signos, são anos.
Ao dizer o que dizem
os nomes que dizemos
dizem tempo: nos dizem,
somos nomes do tempo.
Conversar é humano.

En esta poesía se percibe la tensión entre la tierra y el cielo, la instabilidad, la búsqueda por el sentido de la existencia.
El poeta empieza diciendo que “conversar es divino”, porque atribuye a los dioses la posibilidad que el hombre tiene de hablar con el otro. A los dioses les son dadas las responsabilidades por el poder conversar del hombre.
En la estrofa siguiente hay referencia a la parte bíblica. El poeta describe el momento en que el espíritu baja y hace con que los hombres de distintos idiomas se comprendan.
Derramaré Mí Espíritu Santo sobre todo el pueblo, y vuestros hijos e hijas profetizarán” (Actos de los Apóstolos,  2:17)
             En la última estrofa, Paz discute sobre la mortalidad del hombre frente los dioses. El poema dice que los hombres necesitan a la palabra para comunicarse, mientras los dioses no. En esta estrofa, Paz reafirma la intertextualidad con la Biblia, cuando la poesía dice que La palabra del hombre / es hija de la muerte significa que sólo después de la muerte de Jesucristo que él prometió enviarles a los hombres de la tierra el espíritu santo que les salvarían. Por lo tanto, la palabra del hombre es hija de la muerte de Jesús.
            Como los dioses no necesitan a las palabras, la poesía termina diciendo que Conversar es humano. Entonces,  si en el principio conversar es divino porque los  dioses se les dan eso a los hombres, en el fin conversar es humano porque sólo el hombre lo necesita.
             Hay también la posibilidad del análisis de la palabra como dádiva que Dios da a los hombres, y como el poeta la utiliza en su creación artística, sus versos son sagrados. Si “las palabras / no son signos, son siglos” y “los nombres que decimos / dicen tiempo”, entonces las palabras escriben la historia de los hombres, más que eso, “nos dicen”, escriben el propio hombre.
            Si “somos nombres del tiempo”, es tiempo (la Historia) que determina cuales nombres serán recordados.
            Podemos analizar, incluso, la cuestión de la linguística, por la cual el hombre se utiliza de la lengua para comunicarse, o sea, la lengua es que nombra las cosas tanto del mundo natural como del abstracto. 

domingo, 21 de novembro de 2010

Uma poesia pela liberdade de se poder ser quem é

 Em meio a tanta violência, como esta

Delegado: militares confessaram que homofobia motivou ataque contra jovem baleado após Parada Gay

 esta

Estudante de Direito é vítima de racismo na PUC de São Paulo



esta

Jornalista da RBS: “Hoje qualquer miserável pode ter um carro”

esta

Em ataque homofóbico no DF, jovens tentam agredir gay e amassam carro aos chutes

e esta

Jovens, covardes e homofóbicos: Quem são os acusados de espancar quatro rapazes na capital paulista só porque achavam que eles fossem gays


não se pode fingir que nada acontece, que a culpa é dos negros e dos LGBT que estão a ocupar espaços que já tem donos.

Segue uma poesia do Livro Leaves of Grass, de Walt Whitman, traduzida por Bruno Gambarotto em sua dissertação de mestrado:

Não podemos ficar vivendo de mártires, de representantes da violência cotidiana, como se fosse algo normal, aceitável, tolerável. O poder público tem o dever de garantir a segurança das pessoas, tem a obrigação de garantir que todos sejam respeitados. Por isso a necessidade de aprovação de legislação de criminaliza o preconceito homofóbico, assim como ocorre com o racismo. A poesia acima do Whitman retrata a formação da sociedade norte-americana, mas podemos trazer à nossa realidade a luta pela liberdade. Pela liberdade da individualidade. Pela liberdade de se poder ser quem é. Respeitando e sendo respeitado.

"Não há uma cova dos assassinados pela liberdade em que não cresça a semente da liberdade"



Um conto do Marcelino Freire AQUI

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O amor supera tudo?


Imagine Kafka inteiramente nu e com asas, quase que o David (de Michelangelo) alado. Seria o início de uma linda história. Imagine-o de braços abertos, atormentado por lembranças traumáticas e na beira de um precipício, ou algo do tipo.

Imagine Kafka um jovem de 26 anos que tem que trabalhar muito para se sustentar e para ajudar a mãe doente. Pense, mais ainda, que, para ter tanta disposição e ficar tanto tempo acordado e com ânimo para aguentar a dura carga horária de trabalho, ele se valha de drogas - especialmente a anfetamina.
Crie em sua mente uma situação: Kafka trabalha como professor de natação; no vestiário do clube, recebe dinheiro para deixar ser visto masturbando-se (ele estaria se prostituindo?). Ele também trabalha como entregador de comida em outro turno.

Além do trabalho, Kafka estuda inglês e pratica kung-fu.

Kafka é um homem solitário e carente. Terminou com sua namorada há pouco, sua mãe está doente e não tem tanta simpatia por seu irmão.

Ele conhece o também jovem Daniel, um homem de negócios, com dinheiro, recém-chegado da Austrália. Primeiro, eles se esbarram na noite em que Kafka terminara com a namorada. Em outro dia, encontraram-se em um templo, enquanto rezam, a partir de quando suas vidas, ao que parece, estariam definitivamente entrelaçadas para sempre.

Sentados sob uma ponte quebrada, à espera de reparos que a permita ser uma ligação entre duas partes da cidade novamente, Daniel diz:

-Você é diferente quando sorri. - tentando beijar Kafka, que se esquiva dizendo: 
-Não consigo aceitar isso ainda, desculpe. 
-Desculpe, pensei que você... - completou Daniel, constrangido. 
-Você viu minha namorada no bar aquele dia. No entanto... - retrucou Kafka. 
-Está tudo bem. Já namorei meninas antes. - tentou minimizar Daniel 
-Ah, certo. - divagou Kafka 
-Talvez, quando a ponte estiver unida, nós também estejamos. Moleza. - desejou Daniel 
-Dê-me um pouco de tempo. - pediu Kafka


A história continua e, ao acordar assutado enquanto dormem juntos, Kafka corre para o banheiro, trancando-se, gritando.

-Você está bem? - pergunta Daniel
-Não ficaremos bem. - responde Kafka, de cócoras no chuveiro. - Eu não sou capaz de te satisfazer.
-Você quer dizer sexualmente? - questiona Daniel
-Não posso transar com homens. Não sou certo para você. Não sou gay! - grita Kafka, ainda de cócores sob as águas.

-Eu pensei que você me amava. - diz Daniel, ao que responde Kafka:
-Talvez seja outro tipo de amor. Eu perdi meu pai, meu irmão é um babaca...
-E daí? - indaga Daniel
-Por que você não me entende? O que você vê em mim? - insiste Kafka - Não tenho dinheiro, educação, atração e nem futuro. Para você, sou até impotente!
-Isso é o que as mulheres querem, não me importo com essas coisas. Gosto da sua beleza, e de você ser engraçado e saber lutar. Hétero, masculino e ousando fazer qualquer coisa comigo. (...) Na verdade, já que é a primeira vez que te vejo chorar, decidi que vou ficar com você para sempre, não deixar ninguém te machucar. - desabafa Daniel.

Kafka passa a mão no rosto, na tentativa impossível de enxugar as lágrimas que se confundem com a água que cai do chuveiro. Levanta-se. Todo molhado, abre a porta para Daniel, abraçando-o.

É perceptível a diferença entre eles, porque no meio dessa discussão, Daniel, na maior parte do tempo, fala inglês, equanto Kafka, cantonês: ou seja, para além das diferenças de orientação sexual, eles mal conseguiram superar a dificuldade linguística. Na verdade, Daniel fala cantonês; Kafka é quem desliza no inglês. Mas isso se mostra superável.

O amor supera tudo?

Imagine se essa história fosse um filme...

Não há como se livrar de um amor predestinado

Anfetamina (Amphetamine) é um lindo filme chinês. Tão sensível que chega a causar arrepios em algumas cenas, de tanto drama, de tanta emoção, de tanta possibilidade.

Com: Byron Pang como Kafka e Thomas Price como Daniel
Roteiro e direção de: Scud

Trailer AQUI

Dedico este post à minha sempre amiga Daniela, por ser uma mulher tão sensível, tão apaixonante, tão apaixonada e tão sincera. A você, Dani, todo meu carinho e minha sincera amizade.

domingo, 24 de outubro de 2010

Um dia...

Um dia eu fui mais triste.
Um dia eu serei mais feliz.
Um dia mudarei tudo isso.
Um dia é muito longe...
Preciso viver agora.

sábado, 23 de outubro de 2010

Um conto pro Halloween

Mente do Mal

   __ Polícia, socorro, chamem a polícia!!! Gritava o morador do prédio, que acabara de ver o corpo.
   A polícia chegou. A cena era assustadora: um corpo, decapitado, preso ao teto de braços abertos com arranhões ensanguentados por todo corpo.
   O homicida maníaco voltara a atacar. A única pista que deixava era um pedaço de papel com letras e números. Neste, fora a letra L e os números ( 9; 26,31).
   A polícia já não tinha mais onde pesquisar. Estava perdendo as esperanças.
   Amanheceu. A sirene da polícia se aproximava, outro crime. Mistério...
   Desta vez, a letra era G e os números eram ( 5; 19,21 ).
   Dois meses se passaram, quando uma autoridade da Igreja sumiu misteriosamente. Dois dias depois, encontraram o corpo, à noite, tocando o sino da matriz, pingando sangue e sua cabeça no topo da igreja, na cruz.
   Mais um bilhete:  A ( 21,8-22,15 ).
   Algo estava estranho para os investigadores: Por que alguém da Igreja?! Então é que ligaram os códigos dos bilhetes à Bíblia.
   Quando foram á sacristia procurar por uma Bíblia, depararam-se com um sacerdote, jovem, tentando se matar. Dizia:
            __ Se alguém chegar perto, eu me mato! Afastem-se__ aproximando mais o canivete de sua garganta__ toda minha vida me dediquei a Deus, sempre quis entrar no Reino dos Céus e me acontece isso! Onde estava Deus ? Nunca esteve.
            Foram suas últimas palavras e o último crime de uma série misteriosa.
            Os investigadores finalmente descobriram o que o havia levado àquilo: seu pai havia sido assassinado em casa, enquanto sua mãe estava no motel com outros homens e sua irmã teria morrido de hemorragia devido a um estupro. Entrara no seminário para descobrir onde estava Deus e outras respostas. Como não  as conseguiu, matou pessoas e terminou por se matar.
            Todos os códigos se referem a passagens bíblicas que falam de homicídio, libertinagem, impureza e demônio.
            Era 31 de Outubro.
      Alguma coincidência?

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Eu vou de Dilma presidente

Olá, amigos e amigas.

Quando eu lhes envio algum texto sobre a Dilma pedindo votos, estou me dispondo ao debate político - tão necessário para a manutenção e, mais que isso, para o fortalecimento da nossa democracia. Como vocês veem, eu proponho debates de ideias, não de ataques pessoais, de ofensas e nem mesmo de palavrões. A política deve se dar no campo das ideias, de propostas e não levar em conta a dor do cabelo, da pele, por exemplo.

Fico triste quando vejo pessoas bem instruídas, como educadores, advogados e médicos esbravejarem aos quatro cantos que o Lula dá vale coxinha, vale vagabundice e vale não-sei-lá-o-que, mas como vivemos num meio democrático e de liberdade de expressão, cada um pode dizer o que quiser (pena não terem nenhum interesse em saber como funciona os programas do governo federal - uma vontade de permanecer ignorante por puro preconceito contra Lula e contra o PT?). Entretanto, não vejo os eleitores do Serra defenderem as ideias dele, os projetos que ele apresenta ou mesmo o que ele faria diferente ou melhor que o Lula que mudaria o Brasil para uma das mais importantes potências do mundo. A única coisa que os eleitores do PSDB fazem é esbravejarem que odeiam o PT, o Lula, a Dilma e tudo o mais. Será que essa raiva toda da política está ajudando em alguma coisa? Vivemos em SP, todo mundo reclamando, mas continuando votando no PSDB pro governo estadual. A educação pública de 5ª série ao Ensino Médio está boa em SP? A saúde pública pra quem não tem UNIMED está boa em SP? Bom, se os eleitores do Serra sequer usam desses serviços públicos, claro que não sabem da nossa realidade, vivendo num mundo fantasioso pintado de azul, já que disseram que o mundo da Dilma é cor-de-rosa. Deveriam pensar que vale coxinha é o que o governo de SP dá pros professores, porque com o valor de vale alimentação, a única coisa que conseguem almoçar é uma coxinha por dia! Deveriam pensar que 40% dos professores da rede pública estadual são temporários, e isso quer dizer o seguinte: esses 40% se revezam todos os dias em diferentes salas, matérias, escolas, não havendo uma sequência de programa. Peço aos educadores com formação de peso, como mestrado, que me expliquem melhor os prejuízos que esse sistema de substituição e troca diária de professores pode trazer ao ensino básico e suas consequências no futuro dos jovens que acabam não sendo formados em sua plenitude como cidadãos. Não vale pensarmos na educação infantil nessa discussão, porque o ensino infantil e fundamental até a 4ª série é municipalizado (com exceção de poquíssimas escolas estaduais, acho que 2, em Marília que cuidam do ensino de 1ª a 4ª série). O grande debate é da 5ª série ao Ensino Médio.

Gostaria que os amigos eleitores, militantes e simpatizantes do Serra me dissessem os bons projetos dele no governo de SP e, mais que isso, as propostas que ele tem para o Brasil. Por que eu o vejo fazer promessas genéricas: mais, saúde, mais educação, mais isso, mais aquilo; mas isso até o Tiririca fez...

Vou falar de um modo superficial para, em outra oportunidade, aprofundar: sobre o aborto: a Dilma nunca disse ser a favor do aborto. Ser a favor do aborto é dizer: gostaria que as mulheres continuem abortando. Ela jamais disse isso. O debate que ela coloca é sobre a legalização do aborto, sobre o acolhimento da mulher que aborta, porque depois do aborto a mulher ainda precisa de cuidados médicos, pois corre risco de infecção que pode levar à perda do útero, por exemplo, e pode levar à morte também. Isso porque o aborto é feito em clínicas clandestinas ou comprando remédios abortivos no camelô (ontem mesmo, 05/10, uma mulher dizia para uma amiga minha estava indo comprar o Citotec pra fazer aborto). O aborto existe independente de qualquer coisa, da minha ou da sua vontade, da Dilma ou do Serra querer que ele exista. A Dilma propõe o cuidado da mulher que faz o aborto, não incentiva o aborto. Cuidar da mulher é cuidar da vida humana. Cuidar é dar valor à vida.

Vou falar rapidamente sobre o Bolsa Família: ao contrário do que muitos pensam, esse programa de transferência de renda não é um vale pra ninguém mais trabalhar, mesmo porque o valor do benefício não é suficiente para isso. Para a maioria. Porque existia muita gente que nem o mínimo pra comer tinha, e o Bolsa Família proporcionou que essas pessoas deixassem a miséria extrema e pudessem viver com o mínimo do mínimo de dignidade. Só os elitistas que tem barriga cheia e comida 3 vezes (pelo menos) por dia acham que o governo está dando esmola pro povo. Isso é egoísmo, porque vivemos em sociedade e o Brasil é uma sociedade. O que me parece é que estão querendo fazer um movimento separatista, isolando o Estado de SP do resto do país, é isso? Se é isso, cadê a democracia? É claro para todos que existe muita gente passando fome ainda, mas é mais claro ainda que com o Lula mais gente deixou a miséria do que com o FHC-Serra. Não percebem? É por isso que a Dilma é candidata: pro Brasil seguir mudando.

Sobre saúde pública: vou detalhar apenas uma questão, o SAMU: o SAMU é bancado 50% pelo governo federal em todos os municípios que o possuem. Vários Estados bancam 25% ficando ao município a responsabilidade de 25% dos custos do SAMU. Em SP, o "mais rico", o que "mais trabalha", o governo do PSDB - Alckmin e Serra - não investe NEM 1 CENTAVO no SAMU, sobrando para os municípios arcarem sozinhos com 50% desse custo. O argumento do Serra durante a campanha e nos debates foi: o governo de SP investe nos pronto-atendimentos. Agora é que a coisa complica: em Marília o HC aumentou ou reduziu os atendimentos do pronto-atendimento? Até onde eu saiba, o HC reduziu o atendimento ao público para apenas urgências e emergências, transferindo, MAIS UMA VEZ, para o município a responsabilidade de atender a população. Espera, cadê o investimento que o governo do Serra está fazendo para justificar o não investimento no SAMU? Ao que me parece, o governo estadual de SP do Serra e do Alckmin deixou Marília e o Estado carente duas vezes: não investe no SAMU nem nos pronto-atendimentos. E agora? Quero argumentos que digam e provem que isso é tudo mentira minha e que sou um apoiador de vagabundos. Estou esperando ARGUMENTOS, projetos e ações, nada de invencionices e de esbravejadores sem conhecimento da complexidade do nosso país.

Vou falar rapidamente da imposição que o governo Lula conseguiu: o Brasil é um país respeitado em termos de relações internacionais em todos os continentes do mundo! Coisa que nem o dr. pós-graduado na França, sr. FHC, conseguiu fazer. O Brasil é um dos mais importantes articuladores internacionais. Seja para mediar problemas na América Latina, no Oriente Médio, é o pragmatismo, a ideia de resolver na conversa, no diálogo que coloca o Brasil atualmente como um forte país político em todo o mundo. Mentira minha? Não, observem os principais jornais do mundo, saindo um pouco do eixo Folha-Estadão-Veja-Globo: The Financial Times, El País, Le Monde, e muitos outros periódicos do mundo todo. Fica a pergunta: por que o mundo todo reconhece os avanços em nosso país, nossa importância como potência econômica e política no mundo, menos os elitistas brasileiros? Inveja do metalúrgico sem formação que fez isso? Dor de cotovelo porque o dr. pós-graduado na França não conseguiu isso? Ou apenas preconceito?

Pra finalizar, respondendo aos que perguntem "o que a Dilma tem a ver com o sucesso do Lula no governo?", digo o seguinte: ela foi "apenas" a Ministra Chefe da Casa Civil, ou seja, ela "simplesmente" coordenou todos esses avanços do país, todos esses programas sociais que deram essa nova classe média e esse tom desenvolvimentista ao nosso país. Ela tem experiência de gestora pública e política. Agora, tem a experiência eleitoral de 46% dos votos válidos no seu primeiro pleito, contra os 32% do já experiente candidato Serra, que não sai dessa porcentagem desde 2002, quando perdeu a eleição para o Lula.

Espero que possamos manter o nível educado, inteligente e com argumentos, além de podermos fazer a oposição, a comparação entre os governos FHC-Serra e Lula-Dilma. Mas eu quero que os tucanos me apresentem os projetos e ações do Serra e do FHC, não apenas digam: o Lula faz isso, não faz aquilo. Por favor. Discussão inteligente!

Abraços, Will
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